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Vida dura em Roma
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2021 às 18:21

Começou quente o mais importante preparativo para Roland Garros. Novak Djokovic, Rafael Nadal, Dominic Thiem, Stefanos Tsitsipas e Andrey Rublev tiveram de jogar muito sério para não se complicarem na estreia, enquanto Daniil Medvedev, Diego Schwartzman e David Goffin sequer chegaram nas oitavas. Favorecido por encarar um adversário de menor gabarito, só mesmo Alexander Zverev teve dia tranquilo.

E isso não foi privilégio da chave masculina. O complemento da segunda rodada do WTA viu Naomi Osaka, Serena Williams e Petra Kvitova derrotadas, Simona Halep sofrer triste contusão que deve tirá-la de Paris e viradas suadas da bicampeã Elina Svitolina e Garbiñe Muguruza. Nesse agito todo, Ashleigh Barty e Aryna Sabalenka avançaram, dando a impressão que quem vencer as quartas pode muito bem ir a mais uma final.

Nadal e Jannik Sinner fizeram talvez o jogo mais aguardado deste início de Masters 1000 italiano e o duelo correspondeu, com enorme empenho dos dois jogadores e um placar consideravelmente apertado, ainda mais se avaliarmos que o garoto italiano sacou duas vezes com quebra à frente no set inicial e depois fez 3/1 e 4/2 na série seguinte. Mas o tempo todo Sinner pareceu mais confortável na devolução do que no saque e seu jogo atrevido encarou sempre a notável capacidade defensiva e de contragolpe do veterano espanhol.

Com apenas 9 erros nesse intenso primeiro set e com 25 winners ao final do jogo, Nadal fez sua melhor apresentação da temporada de saibro porque precisou de suas melhores qualidades para manter Sinner sob algum controle. É fato que o saque ainda é um problema. O nove vezes campeão de Roma ganhou com apenas 49% de acerto de primeiro saque, que teve média de 185 km/h. Fará duelo de canhotos contra Denis Shapovalov e espera-se o reencontro com Zverev nas quartas. O alemão economizou energia e enfrenta Kei Nishikori.

O retorno de Djoko agradou, ainda que o mau tempo tenha embaralhado a partida contra Taylor Fritz. O sérvio sacou para fechar no que seria um bom 6/3 e 6/4, mas se apressou por conta da chuva iminente e se irritou tanto que descontou no juiz. Pediu com louvor desculpa ao árbitro na volta à quadra e conseguiu evitar o terceiro set. Se mantiver o padrão da estreia, terá pouco trabalho com Alejandro Davidovich e aí virá um desafio bem mais interessante contra Tsitsipas ou Matteo Berrettini. Observe-se no entanto que Berrettini fez 11 jogos nos últimos 22 dias.

Thiem ficou bem perto da derrota frente ao bom Marton Fucsovics. E por isso gostei muito de sua atitude na parte mental, encontrando bolas de grande risco e precisão diante do aperto. O austríaco está instável, isso é evidente, e talvez vitórias duras assim ajudem. Não pode vacilar contra Lorenzo Sonego e, se passar, terá um desafio e tanto diante de Andrey Rublev ou Roberto Bautista. O russo está à beira de um ataque de nervos, talvez por conta do calendário excessivo que pratica, e o veterano espanhol foi muito bem diante de Cristian Garin.

O quadrante que tinha Medvedev – está do lado de Nadal – perdeu também Schwartzman e Goffin, o que transforma essa vaga para a semi completamente aberta. Felix Aliassime enfim marcou a grande vitória na companhia do tio Toni e seria especial se ele encarasse Rafa na penúltima rodada. Para isso, terá de superar o canhoto Federico Delbonis e depois aguardar Aslan Karatsev ou Reilly Opelka. Não sei o que esperar desse jogo num saibro, ainda mais se estiver lento, mas depois de ganhar de Djokovic em Belgrado imagino que Karatsev tenha favoritismo para ir lá longe.

Pesos diferentes no feminino
A chave feminina ficou capenga, ou seja, agora muito forte na parte superior. Além do provável reencontro entre Barty e Sabalenka, estão na concorrência pela vaga na final quem passar do ótimo duelo entre Svitolina e Muguruza, cuja vencedora deve encarar Iga Swiatek em seguida. O histórico positivo da ucraniana em Roma é relevante.

No lado inferior, sete das oito classificadas sequer figuram entre as cabeças de chave. Essa exclusividade pertence à tcheca Karolina Pliskova, campeã de 2019 e vice do ano passado. Sua próxima adversária é a veterana Vera Zvonareva, que conseguiu a incrível façanha diante de Kvitova, 17 anos depois de ter chegado na semi de Roma em sua estreia. Quem vencer, pega um nome bem cotado no saibro: Angelique Kerber ou Jelena Ostapenko.

É preciso no entanto ficar de olho no jogo entre Nadia Podoroska e Petra Martic. A argentina fez uma exibição muito boa diante de uma esforçada Serena e o saibro é sua praia máxima. Jessica Pegula se aproveitou das intensas oscilações de Osaka, vendo o primeiro set escapar várias vezes entre os dedos, e terá de ser muito consistente diante de Ekaterina Alexandrova.

Todos os olhos em Roma
Por José Nilton Dalcim
9 de maio de 2021 às 18:56

Alexander Zverev e Aryna Sabalenka completaram a excepcional semana sobre o saibro veloz de Madri, misturando os ingredientes nesta reta final do saibro europeu. Mas, a bem da verdade, o que vai acontecer a partir desta segunda-feira em Roma parece muito mais indicativo das forças a concorrer pelas rodadas decisivas de Roland Garros. O sorteio das chaves, aliás, já é um avant-première dos melhores do que poderemos ver dentro de três semanas em Paris.

Zverev foi quase perfeito nas condições velozes de Madri, onde já tinha vencido três anos atrás. Chegou à final gabaritado por vitórias em sets diretos diante de Rafael Nadal e Dominic Thiem, mas quase foi pego no contrapé pelo italiano Matteo Berretini, que soube se aproveitar melhor do teto fechado, que acelerou tudo ainda mais, e ameaçou seriamente o alemão, a ponto de ter chance de quebra no terceiro set primeiro que o adversário. Mas se fez o dobro de winners (32 a 16), Berrettini cometeu 50 erros frente a 28. Foi um jogo mais para mediano. Zverev, que se queixava do cotovelo desde Miami, o que limitava o saque, mostrou-se totalmente recuperado.

Sabalenka por sua vez levantou no sábado seu primeiro título sobre o saibro,e se vingou com sobras das recentes derrotas sofridas para a número 1 Ashleigh Barty, em Miami e no saibro coberto de Stuttgart, com direito a ‘pneu’ no primeiro set. A bielorussa nunca achou que a terra combinasse com seu estilo de jogo muito forçado, baseado no risco do primeiro saque e dos golpes de fundo de quadra, mas ao ir para duas semanas onde as condições aceleraram a bola ela mostrou que pode se adaptar muito bem à superfície. A destacar ainda mais a força emocional. Seu game final em Madri foi um espetáculo de frieza e precisão.

Desafios na Itália
Roma será um teste real para Zverev e Sabalenka. O Foro Itálico tem propriedades bem mais próximas a Roland Garros, com aquele antagonismo de um piso bem lento se o clima estiver frio e úmido, como costuma acontecer na rodada noturna, ou bem mais veloz se jogado sob sol e de dia. Isso exige adaptações técnicas e táticas assim como cabeça forte para contornar as dificuldades do dia a dia.

Isso explica o motivo de Nadal e Novak Djokovic terem vencido 14 das 16 últimas edições de Roma desde a ascensão do espanhol em 2005. Os únicos que conseguiram quebrar essa hegemonia foram Andy Murray, ao bater o sérvio na final depois que Nole tirou Nadal nas quartas, e o próprio Zverev, outro a superar Djokovic na final. O alemão, não nos esqueçamos, decidiu Roma em 2018 vindo justamente da conquista de Madri, tendo aplicado um incrível 6/1 sobre Rafa no jogo pelo título.

A chave masculina de Roma, como eu dizia, pode muito bem espelhar o que virá em Paris até mesmo na disposição dos cabeças de chave. Djokovic pode estrear contra o mesmo Daniel Evans que o surpreendeu em Monte Carlo e está no quadrante de Stefanos Tsitsipas, que tem Berrettini no caminho. Esse lado superior ainda traz Dominic Thiem e Andrey Rublev, e o russo enxerga Cristian Garin e Roberto Bautista como espinhos no caminho antes do austríaco. É um quadro extremamente competitivo.

Nadal viu um sorteio um pouquinho melhor, mas não é nada divertido uma possível jogo inicial diante de Jannik Sinner e muito menos um reencontro com Zverev lá nas quartas. Embora não esteja no mesmo patamar de 2020, Diego Schwartzman merece muito respeito caso chegue à semi. Todo mundo se recorda que o argentino bateu Rafa em apenas dois sets em Roma sete meses atrás numa noite de condições muito lentas.

Obviamente, o último grande torneio antes de Roland Garros tem pesada importância para os três grandes favoritos. Djokovic jogou muito pouco até agora e não foi bem, Nadal vive altos e baixos sem ter achado sequer 70% do seu jogo sobre o saibro e Thiem precisa de maior rodagem e de preferência com vitórias convincentes. É quase certo que Rafa será cabeça 3 em Paris, o que aumenta a tensão.

Osaka e Serena em Roma
O mesmo raciocínio serve para a chave feminina, que só não terá Bianca Andreescu e vê a primeira experiência de Serena Williams sobre o saibro. A rigor, situações que não parecem fazer tanta diferença, ainda que sejam tenistas espetaculares. Ao vencer Madri, Sabalenka saltou para o quarto lugar do ranking e aumentou muito a chance de ser cabeça 4 em Roland Garros, algo nada desprezível quando Naomi Osaka e Simona Halep ainda precisam mostrar serviço. Sabalenka pode reencontrar Barty agora nas quartas e é bem provável que a vencedora espere Elina Svitolina, Garbiñe Muguruza ou Iga Swiatek. Qualquer uma dessas três seria um excelente desafio.

A parte inferior dá ótima oportunidade para Halep se recuperar, ainda que Angelique Kerber seja sua provável estreia e pinte Jelena Ostapenko em seguida. Petra Kvitova é candidata às quartas. A outra semifinalista está num grupo bastante aberto, com Osaka, Serena, Belinda Bencic e até mesmo Nadia Podoroska, potencial barreira para Serena logo de cara.

O histórico recente da chave feminina de Roma aponta dois títulos de Svitolina (2017 e 2018), um de Serena (que chegou ao tetra em 2016), um título (2019) e uma final para Karolina Pliskova e um troféu (2020) e dois vices para Halep. Fica bem claro que qualquer estilo pode dar certo, o que dá um molho muito saboroso.

Nadal ainda procura seu jogo
Por José Nilton Dalcim
22 de abril de 2021 às 18:22

Está longe de ser um drama quando se pensa no objetivo maior lá na frente, mas é evidente que Rafael Nadal vive dificuldades para reencontrar a forma ideal de jogar sobre o saibro. O que não deixa de ser surpreendente.

Em Barcelona, que é um piso teoricamente perfeito para ele por ser mais veloz como explicam seus incríveis 11 títulos, ele fez duas primeiras apresentações um tanto deficitárias, ainda que jamais tenha corrido qualquer risco de derrota.

Ficou muito defensivo diante do bielorrusso de pouco currículo Ilya Ivashka até por fim conseguir impor seu jogo mais sólido e sofreu intensos altos e baixos frente a Kei Nishikori, saindo de um ‘pneu’ para um buraco enorme, que quase lhe custou também uma quebra logo na abertura do terceiro set.

Está bem claro que seu maior problema ainda é o saque. Por vezes, funciona a contento e deixa a quadra aberta para concluir rapidamente o ponto. Mas o índice de acerto do primeiro serviço continua baixo e ainda aparecem as duplas faltas. Isso não seria um tormento se não tirasse também sua confiança no forehand, o golpe mais importante do seu arsenal.

Incomodou vê-lo perder games nesta quinta-feira para um Kei Nishikori que sacou quase metade do jogo a menos de 150 km/h, sinal de que o espanhol ainda está preso nas devoluções. No entanto, mesmo sem ser brilhante. continua muito superior à maioria dos que se aventuram no saibro e assim deve ser diante do também canhoto Cameron Norrie, um jogador de backhand instável. Rafa no entanto terá de melhorar caso cruze com Diego Schwartzman na semi.

O outro lado da chave tem quatro jovens concorrendo à final, o que não deixa de ser ótima notícia. Campeão em Monte Carlo no domingo, Stefanos Tsitsipas tem o favoritismo natural e será desafiado por Felix Aliassime, contra quem tem 3 a 3 nos duelos diretos porém com vitórias nos três últimos. Um excelente teste para ver se o novo pupilo de Toni Nadal pode voltar a jogar bem no saibro.

Não menos interessante será o choque entre Andrey Rublev e Jannik Sinner, basicamente sem histórico. Os dois se enfrentaram no sintético coberto de Viena há seis meses, mas o italiano abandonou antes do quarto game por lesão. O piso um pouco mais veloz tende a favorecer ligeiramente o russo, já que bate mais forte em todos os golpes e nenhum dos dois possui a variação como principal predicado.

Enquanto isso, em Belgrado, Novak Djokovic fez uma ótima estreia diante de um adversário sem jeito para a terra batida e terá pela frente o jovem compatriota Miomir Kecmanovic. Vale a pena observar o garoto de 21 anos, que não é dos mais badalados mas possui um belo tênis. Recomendo ainda o duelo entre Matteo Berrettini e Filip Krajinovic, que podem muito bem decidir aí o finalista do lado inferior da chave.

E para quem gosta de tênis feminino, um prato cheio nas quartas de final de Stuttgart. Ashleigh Barty-Karolina Pliskova e Elina Svitona-Petra Kvitova exibem padrões táticos e técnicos muito distintos. Aryna Sabalenka-Anett Kontaveit e Simona Halep-Ekaterina Alexandrova estão do outro lado da chave.