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Cabeça de ouro
Por José Nilton Dalcim
27 de janeiro de 2020 às 12:53

Rafael Nadal é um monstro jogando sob pressão e deu mais uma aula de tenacidade na tensa vitória sobre o desafeto Nick Kyrgios, onde se destacou seu adjetivo inigualável: a escolha certa do que fazer com a bola quando mais precisa do ponto.

O canhoto espanhol repetiu nesta manhã não apenas o triunfo de Wimbledon de meses atrás, mas também o exato placar, levando os dois tiebreaks da partida. Essa virtude inigualável de Rafa se mostrou em dois momentos para mim mais cruciais do que os próprios desempates.

O primeiro foi no 4/4 do terceiro set, em que precisou defender um serviço vital e tomou opções magníficas para evitar o que poderia ser então a virada do australiano. Depois, ao vacilar para fechar o jogo, 5/4 do quarto set, viu Kyrgios empatar tudo e a torcida ir à loucura. O que fez então o espanhol? Apagou tudo e sacou com maestria absoluta no 5/6 e em todo o tiebreak.

Num duelo felizmente sem grandes ocorrências – Nick quebrou uma raquete, mas até aplaudiu lances de Nadal e pediu desculpas por dar bola na fita -, Nadal tomou postura ofensiva, muito ajudado por um primeiro saque bem variado que encurtou as devoluções do adversário, e saiu de quadra com mais winners (64 a 50) e muito menos erros (27 a 43). Não é para se encher de confiança?

Restando mais uma vitória para assegurar a liderança do ranking, sua barreira agora pode ser ainda mais difícil: Dominic Thiem, contra quem costuma treinar e talvez por isso perdeu 4 de 13 confrontos. O curioso é que se enfrentaram uma única vez fora do saibro e foi aquele memorável duelo das quartas do US Open de 2018. Será também a repetição das duas últimas finais de Roland Garros.

O austríaco, que já despediu o consultor Thomas Muster após duas semanas de trabalho e desentendimentos, faz sua melhor campanha em Melbourne e está jogando um tênis muito vistoso. Os três sets diante do ‘freguês’ Gael Monfils foram bem divertidos e mostraram Thiem cheio de recursos técnicos e táticos, algo que ele precisará contra Nadal mais do que nunca.

Stan e Sascha derrubam russos
Embora não seja exatamente surpresa, chama a atenção a queda dos russos que vinham tão embalados. Daniil Medvedev havia ganhado as duas contra Stan Wawrinka, incluindo o recente US Open, mas novamente falhou num quinto set, situação que jamais se deu bem na carreira em seis tentativas. Invicto desde outubro, o jogo de Andrey Rublev não encaixa mesmo diante do amigo Alexander Zverev, e pela quarta vez sequer tirou set.

Wawrinka controlou muito bem a cabeça e a frustração na gangorra que foi o duelo desta madrugada. Ofensivo, dominou o primeiro set, mas aí Medvedev errou apenas oito pontos nas duas séries seguintes e virou. O suíço continuou forçando, no seu melhor estilo, e isso lhe valeu o tiebreak que seria decisivo na partida. Saiu a série final com quebra e foi a 3/1, evitando então três break-points. É justo dizer que o recorde negativo em cinco sets pesou para o russo. Stan, ao contrário, fez o 51º de sua carreira, com 29 de sucesso.

Aos 34 anos, Wawrinka está pela quinta vez nas quartas de Melbourne e fará duelo de geração contra Zverev, para quem perdeu nos dois duelos feitos, em 2016 e 2017. O suíço tem um curioso retrospecto contra adversários top 20: na carreira, tem agora apenas 21 vitórias e 77 derrotas, mas em Slam venceu 12 das 32. Ou seja, adora jogos grandes e por isso o alemão precisa de cuidado redobrado.

É uma boa novidade ver Sascha em suas primeiras quartas em Melbourne e também fora do saibro nos Slam (as outras duas foram em Paris), e ainda por cima sem perder um único set até agora. O campeão juvenil da Austrália de seis anos atrás ainda sonha com a primeira semi nesse nível em 19 tentativas como profissional. E estar bem longe dos holofotes, fruto de uma temporada 2019 um tanto apagada e conturbada, parece ter ajudado muito até aqui.

O duelo contra Rublev não teve sustos e foi muito bem equacionado pelo alemão, que encaixou 75% do primeiro saque e sequer encarou break-point, somando o dobro dos winners (34 a 17). Desesperado, o russo tentou coisas malucas, como dar slice e pior ainda ir à rede, um elemento que precisa ainda de muita lapidação.

Zverev tem chance contra Stan? Sim, principalmente se jogar a responsabilidade para o outro lado e tentar se divertir. Mas ainda assim Wawrinka me parece bem favorito.

Halep vai subindo
Cada vez mais, Simona Halep desponta como maior candidata à vaga na final no lado inferior da chave feminina. Num jogo de muito lance bonito e jogadas ofensivas, venceu com autoridade Elise Mertens e agora reencontra Anett Kontaveit, a quem superou duas vezes.

A número 3 do mundo tem um histórico de altos e baixos em Melbourne, indo de duas quartas para duas primeiras rodadas e depois final, em 2018. No ano passado, parou nas oitavas. Mas é inegável que está muito confortável nas quadras duras. Diante de Mertens, fez 21 winners e apenas 8 erros em 20 games.

Um tanto inesperado é o duelo entre Garbiñe Muguruza e Anastasia Pavlyuchenkova. A espanhola não ia longe num Slam desde Paris-2018 e passou a última temporada sem brilho. Levou um ‘pneu’ no seu primeiro jogo em Melbourne e foi a três sets no seguinte, mas desde então recuperou a firmeza no seu jogo mais ofensivo.

A russa já foi 13º do mundo e trabalha bem o saque e a base. Com incríveis 71 winners, derrotou Angelique Kerber, a segunda ex-líder do ranking na sequência (Karolina Pliskova foi a outra). Aos 28 anos, tenta primeira semi de um Slam.

Saiba mais
– Nadal soma agora 41 presenças em quartas de final de Slam, igualando-se em terceiro lugar com Connors.
– Embora tenha só um título no AusOpen, este é o agora seu segundo Slam em termos de vitórias: chegou a 65, contra 64 do US Open e 53 de Wimbledon.
– Com os resultados desta segunda-feira, Thiem irá recuperar o quarto posto do ranking, superando Medvedev. E tem chance de ultrapassar Federer, desde que chegue no mínimo à final.
– Wawrinka marcou a vitória de número 300 sobre a quadra dura em sua carreira, o que é expressivo se vermos que seu total é de 521.
– Suíço também atinge as quartas de um Slam pela 18ª vez e está atrás somente do Big 4 nesse quesito entre os jogadores em atividade.
– Ex-top 3 do ranking, Zverev marcou apenas sua segunda vitória sobre um top 20 em Slam em 10 tentativas. A outra foi diante de Fognini.
– Halep recupera a segunda colocação do ranking, mas não terá como chegar em Barty.

Nadal lidera segunda-feira mágica no AO
Por José Nilton Dalcim
25 de janeiro de 2020 às 12:40

O primeiro Grand Slam do ano ainda está em sua quarta rodada, mas promete uma segunda-feira de exuberante qualidade na chave masculina. Para começo de conversa, confirma-se o choque direto entre Rafael Nadal e Nick Kyrgios e só isso já valeria qualquer ingresso.

O espanhol fez sua melhor partida da semana e talvez de todo o começo de temporada. Como conhece de cor  e salteado o jogo de Pablo Carreño, parceiro de Copa Davis e ATP Cup, impôs seus golpes desde o começo, sem aquela incômoda passividade dos jogos anteriores. Destaque para a força e a precisão de suas paralelas de forehand e excepcional deslocamento para contragolpes, o que deixa claro que ele avançou na confiança e não tem qualquer problema físico. Uma vitória categórica na segunda-feira valerá ouro.

O reecontro com Kyrgios atende à expectativa de todos. Haverá pressão dos dois lados. Rafa terá torcida menor, encara um atacante por excelência e um desafeto costumeiro. Kyrgios carrega o sonho australiano, mudará enfim para a Rod Laver onde evita jogar, tem um tremendo desgaste para se recuperar em 48 horas e encontrará um adversário que o venceu em 4 de 7 duelos.

Nick fez uma batalha física e mental espetacular diante do russo Karen Khachanov, que surpreendeu pela resistência nesses dois aspectos vindo de dois jogos duríssimos. O australiano assombrou por segurar tão bem a cabeça diante de sucessivas frustrações: teve 4/2 no terceiro set para uma vitória fácil, depois match-points nos dois tiebreaks seguintes e abriu 3-0 no supertiebreak. O tempo todo Khachanov foi um gigante.

Os dois dividiram jogadas notáveis e empenho absoluto ao longo da série decisiva sem qualquer break-point até que o russo conseguiu a quebra e teve dois serviços com 8-7, repetindo a história de Federer-Millman da noite anterior. Sempre imprevisível e extremamente habilidoso, o australiano arrancou duas paralelas de backhand de cair o queixo e finalizou o jogo mais longo de sua carreira: 4h26, quase 400 pontos e em que marcou 97 winners!

A segunda-feira no entanto terá muito mais: Daniill Medvedev e Stan Wawrinka prometem um jogo de força bruta, seja no saque ou nas trocas de fundo. O russo tem pequena vantagem no histórico – ganhou os dois confrontos, ambos em Slam e em quatro sets – e vive um momento melhor. Ambos tiveram pouco trabalho neste sábado, já que o australiano Alex Popyrin se arrastou em quadra e John Isner abandonou ainda no segundo set com problema no pé esquerdo. É um jogo em que pode acontecer qualquer coisa.

Dá para esperar lances lindos e malabarismos no reencontro entre Dominic Thiem e Gael Monfils, um duelo de histórico curioso: o austríaco tem 5 a 0 nos jogos efetivamente feitos, sendo dois no piso duro, mas houve três w.o. e em apenas um o francês levou a melhor. Considero Thiem muito favorito. Enfim jogou um tênis de primeira grandeza em Melbourne diante do garoto Taylor Fritz, ainda que tenha perdido um tiebreak, enquanto Monfils passou por Ernests Gulbis num monótono duelo de fundo de quadra e mínimas variações.

E a rodada ainda terá a NextGen com Alexander Zverev e Andrey Rublev. O alemão , acreditem, ainda não perdeu set no torneio e está invicto diante do russo, com três vitórias de 2 a 0. Rublev no entanto está a mil: não perde há 15 partidas – sendo 11 na temporada, com dois títulos. Mostrou muita frieza para virar o jogo contra David Goffin, vencendo os dois tiebreaks. Tanto Sascha como Rublev já fizeram quartas de Slam, mas é a primeira vez que vão à quarta rodada no Australian Open. Se eu tivesse de apostar, iria de Rublev mas seria muito bom um resultado de peso para reanimar Zverev.

Cabeças continuam a cair no feminino
E o torneio feminino desandou de vez. E isso não é má notícia. O complemento da terceira rodada viu mais três cabeças importantes se despedirem cedo: Karolina Pliskova, Elina Svitolina e Belinda Bencic, mas nem por isso perdeu qualidade, já que Simona Halep, Garbine Muguruza e Kiki Bertens mostraram um tênis muito competitivo. E ainda há outra garota nas oitavas, a polonesa Iga Swiatek.

Halep teve pequenos altos e baixos no segundo set, mas gostei de sua maior variação de bolas. Encara Elise Mertens, contra quem tem 2-1 nos duelos, e pegaria então Swiatek ou Anett Kontaveit nas quartas. A estoniana atropelou Bencic em 49 minutos com o dobro de pontos e só um game perdido.

Anastasia Pavlyuchenkova fez um jogo feio contra Pliskova e espera-se duelo de fundo contra Angelique Kerber, que viveu dia irregular. Bem mais promissor é Bertens e Muguruza, duas tenistas que gostam de bater na bola. A espanhola chegou a Melbourne cheia de dúvidas e pode voltar às quartas do AO depois de três anos. Apesar da ascensão em 2019, Bertens não passou da 3ª rodada nos cinco últimos Slam.

Stefani mira o top 50
Destaque também para a segunda vitória de Luisa Stefani na chave de duplas, ao lado da norte-americana, o que coloca a paulista de 22 anos muito perto do top 50 da especialidade.

A última vez que uma brasileira chegou nas quartas de um Slam em duplas foi com o dueto Patrícia Medrado-Cláudia Monteiro, em Wimbledon de 1982. A mesma Monteiro foi vice de mistas em Roland Garros desse mesmo ano, ao lado de Cássio Motta.

Mas não vai ser fácil, já que as adversárias de Stefani deste domingo serão Gabriela Dabrowski e Jelena Ostepenko, cabeças 6.

Tristeza inexplicável
A nota lamentável do sábado veio com a divulgação pela Federação Internacional do banimento definitivo de João ‘Feijão’ Souza do tênis profissional, considerado culpado de diversas infrações no arranjo de jogos tanto em nível challenger como future. Para agravar a situação, a ITF teria detectado nas suas investigações, que vêm desde abril do ano passado, que Feijão destruiu provas – não teria entregue o celular para averiguação – e incitou outros tenistas a fraudar placares, resultando também em pesada multa de US$ 200 mil.

Acompanhei toda a carreira de Feijão, desde juvenil, e ele se destacou pelo espírito de luta, jogos longos e muita entrega. Marcou o recorde de um jogo de Davis e por isso fica ainda mais maluco entender como alguém que se mata 7 horas para tentar vencer uma partida que não vale um centavo possa ter depois se envolvido com a máfia das apostas.

Vale lembrar que há poucos meses Gabriel Mattos também foi banido do esporte por motivos semelhantes. E, dizem por aí, há mais 10 brasileiros sendo investigados pela ITF.

Nadal ainda precisa se soltar
Por José Nilton Dalcim
23 de janeiro de 2020 às 12:30

A maioria dos analistas e torcedores aguarda o reencontro de Rafael Nadal com Daniil Medvedev na semifinal do Australian Open, mas os dois ainda não engrenaram a contento e vêm vencendo sem a autoridade esperada neste começo de semana.

Nadal enfrentou o segundo sul-americano saibrista seguido e desta vez precisou de um tiebrek. Lembremos que o também canhoto Federico Delbonis jamais havia ganhado sequer cinco games numa partida inteira contra ele.

Não houve risco, é bem verdade, mas ainda se espera um pouco mais de atitude do espanhol, que manteve a passividade da estreia, com golpes por vezes muito curtos e um caminhão de break-points desperdiçados. A boa notícia é que vai encarar o amigo Pablo Carreño, contra quem só perdeu um set em quatro duelos.

Medvedev também está longe de encantar. Parece brigar consigo mesmo o tempo todo, e olha que desta vez pegou um inexperiente Pedro Martinez. Minha impressão é que o físico do russo não está 100% e isso atrapalha seu jogo e sua cabeça. Ele chegou a pedir atendimento para um sangramento no nariz no meio do segundo set. A chave no entanto está boa e agora vem o local Alexei Popyrin.

Sufoco e mais quintos sets
Quatro dos considerados favoritos tiveram que lutar muito para superar a segunda rodada, e obviamente que a decepção maior ficou com Dominic Thiem. O cabeça 5 chegou a estar atrás por 2 a 1 diante do convidado Alex Bolt, sofrendo desgaste desnecessário. Terá pela frente o garotão Taylor Fritz, que marcou incrível virada em cima do experiente Kevin Anderson. Jogo pode ser perigoso para o austríaco porque Fritz é o jovem norte-americano com melhor combinação saque-base.

Nick Kyrgios foi outro que se complicou bobamente. Tinha domínio total sobre Gilles Simon, com 2 a 0, 4/2 e break-point, e aí começou a pirar. Interrompeu a sangria num apertado quarto set e agora reencontra Karen Khachanov, aquele contra quem deu chiliques inadmissíveis em Cincinnati. O russo anda mal e por um triz não perdeu do esforçado mas limitado Mikael Ymer.

Quintos sets vieram para Stan Wawrinka e David Goffin. O suíço encarou o paredão Andreas Seppi e está sofrendo de altos e baixos que não lhe conferem confiança. Goffin tinha jogo sob domínio diante de Pierre Herbert, mas retomou a calma no final. Wawrinka pega John Isner, contra quem venceu uma única vez em quatro jogos e isso há 11 anos. O belga terá pela frente o embaladíssimo Andrey Rublev, que chegou a 10 vitórias seguidas.

Alexander Zverev de novo não perdeu sets e faz jogo interessante diante de Fernando Verdasco. E olhem Ernests Gulbis: vitória desta vez sem sustos e jogo imprevisível diante de Gael Monfils.

Feminino sem surpresas
Se é fato que o lado inferior da chave feminina atrai menos do que o outro, a imprevisibilidade não está menor. Dez das 16 cabeças avançaram à terceira rodada e todos os principais nomes sequer perderam set nesta rodada, o que inclui Karolina Pliskova, Simona Halep, Elina Svitolina, Belinda Bencic, Kiki Bertens e Angelique Kerber. Dessas todas, Bencic ainda não me convenceu e Halep mostrou estar recuperada do punho.

Assim, vale o destaque para Cici Bellis. Como Mário Sérgio Cruz narra em TenisBrasil, a promessa de 20 anos já passou por quatro cirurgias no braço, desde punho até cotovelo, o que custou afastamento de 18 meses e retorno em novembro de 2019. Ex-35 do ranking, ela foi treinada por Leo Azevedo nos seus tempos de USTA e terá como grande desafio agora a top 20 Elise Mertens.

Destaques do dia 4
– Zverev e Kyrgios avançaram, mas é curioso observar como a produção deles é baixa em Slam. O alemão tem agora 34 vitórias em seus 19 torneios jogados e o australiano, 39 em 25.
– Dos 18 sets entre Monfils e Karlovic, 10 chegaram ao tiebreak, com 7 a 3 para o francês. O croata de quase 41 anos aliás é fraco em quintos sets, tendo vencido 9 de 29 na carreira.
– Este foi o 17º duelo entre Stan e Seppi, que se cruzaram pela primeira vez num longinquo 2003.
– Kyrgios levou advertência por estourar os 25 segundos, coisa bem rara, e aí reclamou do juiz com gestos que imitivam Nadal, dizendo que a regra não era aplicada para todos.
– Pouco badalada, a polonesa Swiatek, de 18 anos, merece atenção. Tirou Carla Suarez e pega Vekic. Se vencer, repete Roland Garros do ano passado com oitavas de final.
– Khachanov terminou a partida de 4h33 com sinais de cãibra e exaustão. Mal conseguia levantar após se atirar ao chão para comemorar a vitória.

Façanhas e recordes
Faltam agora 17 vitórias para Nadal atingir a marca história de 1.000 na carreira, algo que apenas Connors, Federer e Lendl possuem. O triunfo sobre Delbonis foi seu 30ª em 33 sobre adversários canhotos em torneios de Slam e o 104º no geral com apenas 15 quedas.