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Vem aí um duro Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
26 de setembro de 2020 às 19:41

Se as previsões se confirmarem, tenistas, organizadores e espectadores devem estar preparados para difíceis dias em Roland Garros. O próprio site oficial do torneio alertava neste sábado para a tenebrosa previsão do tempo neste começo de outono em Paris: frio, chuva e vento.

Os mais confiáveis serviços de metereologia indicam este domingo de primeiro dia de jogos com muita chuva a partir das 11 horas locais e alguma chance de melhoria no fim de tarde, com não mais do que 16 graus. Para a segunda-feira, é provável que o mau tempo só dê trégua a partir das 14h de Paris. Por fim, terça e quarta prometem ser dias normais, porém o aguaceiro deve voltar no fim de semana de no máximo 15 graus.

Isso quer dizer que somente aqueles escalados para a nova Philippe Chatrier e seu novíssimo teto retrátil terão vida sossegada, tanto nas condições mais amenas como na garantia do calendário. Isso certamente vai criar reclamações e possivelmente, injustiças.

E se a bola já parece pesada, o que pensar então diante desse panorama climático? Quique baixo, muita força para fazer os golpes andarem, prováveis quebras de serviço em número expressivo e chance de jogos bem demorados.

Único Grand Slam com 15 dias de duração, Roland Garros larga às 6h (de Brasília) deste domingo com ótimas atrações, se obviamente os jogos acontecerem. No masculino, estão garantidos Goffin-Sinner e Wawrinka-Murray, além de Halep-Sorribes porque todos serão na Chatrier. Lá fora, seria promissor Zverev-Novak, Schwartzman-Kecmanovic, Evans-Nishikori, Azarenka-Kovinic e Konta-Gauff.

O que esperar das meninas
Halep larga com favoritismo natural, mas pode ter alguns duelos exigentes. A estreia é contra a especialista Sara Sorribes e lá nas oitavas deve vir a atual vice Marketa Vondrousova. As quartas parecem mais fáceis.

O outro quadrante promete mais equilíbrio, já que se prevê Elina Svitolina x Elise Mertens e Victoria Azarenka x Serena Williams. Com tantas incertezas sobre como será o estilo ideal, sugiro  esperar. No entanto, o título deste sábado de Svitolina em Hamburgo, sob condições tão semelhantes, me parece lhe dar favoritismo.

No lado inferior, Karolina Pliskova e Sloane Stephens prometem duelo precoce na 3ª rodada e a eventual partida de quartas seria diante de Petra Kvitova ou Madison Keys, embora eu esteja curioso para ver Angelique Kerber nesse setor.

A quarta semifinalista tem duas fortes candidatas: Aryna Sabalenka e Garbiñe Muguruza, que no entanto devem se cruzar nas oitavas. Elena Rybakina pode dar trabalho nas quartas.

Vale lembrar que quatro das top 10 estão de fora: a atual campeã Ashleigh Barty mais Naomi Osaka, Bianca Andreescu e Belinda Bencic.

Saiba mais
– Esta será a 90ª edição do torneio internacional, que é o que realmente conta em termos de Grand Slam.
– A premiação geral caiu, mas os perdedores de estreia ganharão 60 mil euros, 14 mil a mais do que em 2019. A partir das quartas, no entanto, há queda de quase 30%. Os campeões levam 1,6 mi contra 2,3 do ano passado.
– A tenista em atividade com mais títulos no saibro é, acreditem, Serena, com 13. A recordista na Era Aberta tem 66: Chris Evert.
– Nadal e Djokovic também disputam a honra de ser o ‘trintão’ com mais Slam. Cada um tem 5 no momento.
– A última canhota a ganhar Roland Garros foi Seles, em 1992, e a última a vencer sem perder sets, Henin, em 2007.
– Murray não jogou uma única partida sobre o saibro desde que perdeu para Wawrinka na semi de Paris de 2017.
– Roland Garros é o único Slam em que o campeão do ano anterior jamais perdeu na estreia da edição seguinte na Era Aberta.
– Feli López chega a 75 Slam disputados, agora a 4 do recordista Federer. O espanhol soma também 74 seguidos. Venus totaliza incríveis 87 na carreira e Serena, 76.

Bruno dá volta por cima, Osaka e Vika decidem
Por José Nilton Dalcim
11 de setembro de 2020 às 09:53

Três anos depois, o tênis profissional brasileiro voltou a erguer um troféu de Grand Slam. Em sua quinta final no US Open, Bruno Soares ganhou pela segunda vez a dupla masculina e agora é dono de seis triunfos desse quilate, que se juntam a duas mistas em Flushing Meadows e ao grande feito do Australian Open, em que venceu duplas e mistas na mesma edição.

É uma volta por cima, e das grandes, e das merecidas. Bruno foi abandonado pelo parceiro Jamie Murray na metade do calendário de 2019 e achou outro canhoto para tentar recompor um dueto de qualidade. Ao contrário do que havia acontecido com Murray, a simbiose foi muito mais lenta. Houve resultados bem negativos, como a segunda rodada de Wimbledon e do US Open. Por fim veio o título salvador de Xangai, depois o vice em Estocolmo, mas ainda assim não passaram das oitavas no Australian Open de janeiro.

Por essas ironias do destino, Bruno revelou ter contraído o coronavírus pouco antes de embarcar para os torneios combinados de Flushing Meadows. Jogou Cincinnati sem treinar e um tanto enfraquecido. Não conseguiram entrar de cabeça de chave no US Open, estiveram um set e uma quebra atrás na estreia, viram os adversários sacar para o jogo na rodada seguinte. Viradas que geraram confiança. Não perderam mais sets, mesmo diante de adversários bem estabelecidos, um deles o próprio Murray. Sabor de vingança?

Depois de cinco temporada seguidas ganhando títulos de Grand Slam em variadas categorias, o tênis brasileiro viveu um curto jejum em 2019. Nesse período, os duplistas mineiros tiveram papel fundamental. Bruno ganhou mistas no US Open de 2014, Marcelo Melo faturou Roland Garros em 2015, Soares foi campeão da Austrália e do US Open em 2016, Melo fez campanha histórica em Wimbledon de 2017. Houve sucesso também da garotada em 2014 (Luz/Zormann em Wimbledon), 2016 (Meligeni nos EUA) e 2018 (Wild no US Open).

Apesar de tanto sucesso, ainda não se dá tanto valor às duplas por aqui. Provavelmente o motivo é não termos uma parceria efetivamente nacional e assim estamos sempre dividindo conquistas com os estrangeiros. O que obviamente não diminui o mérito. Vale lembrar que Melo foi número 1 do mundo e Soares chegou ao 2 numa modalidade extremamente competitiva.

Vika faz virada espetacular, Osaka confirma
Enfim, Victoria Azarenka conseguiu ganhar de Serena Williams num Grand Slam. Dominada amplamente no primeiro set, Victoria Azarenka dava a impressão que perderia pela 11ª vez de uma agressiva Serena Williams, mas a bielorrussa mudou a postura já na abertura do segundo set, arriscou a devolução, entrou mais em quadra e derrubou pouco a pouco a confiança da hexacampeã.

Mesmo com tamanha agressividade, desferindo incríveis paralelas que deixaram várias vezes Serena plantada, cometeu apenas um erro ao longo de um acirrado segundo set e seis no decisivo, quando obteve uma quebra precoce e sustentou a vantagem com garra e cabeça fria. Uma reação de gala.

Isso coloca Vika em sua primeira final de Slam desde o vice do US Open de 2013. Foi aliás em janeiro desse mesmo ano em que conquistou o bi no Australian Open, seus únicos troféus desse quilate. Uma retomada notável para quem ganhou apenas três jogos de Slam em 2019. Às 17 horas de sábado, tentará se tornar a quarta mãe a vencer um Slam na Era Profissional.

Sua adversária é tão ou mais perigosa do que Serena, já que Naomi Osaka concorre ao segundo troféu em Nova York em três temporadas e igualmente ao terceiro de Slam. Tem a vantagem óbvia de ser nove anos mais jovem e tal qual Azarenka é uma jogadora que ataca o tempo inteiro e com margem mínima de erros.

O duelo desta noite contra Jennifer Brady foi intenso. A norte-americana só se rendeu no tiebreak do primeiro set, obteve uma quebra para esticar a decisão ao terceiro e obrigou Osaka a jogar um tênis de primeiríssima qualidade para enfim dominar as ações de um duelo rico em saques forçados, winners e correria.

Azarenka e Osaka farão a final que não aconteceu em Cincinnati duas semanas atrás, porque a japonesa se contundiu e nem entrou em quadra. Nos jogos válidos, Osaka ganhou duas no saibro (Roma-18 e Roland Garros-19) e perdeu uma no sintético (Austrália-16), mas isso bem antes de dar o grande salto na carreira.

Thiem e Medvedev: noite de MMA
Por José Nilton Dalcim
10 de setembro de 2020 às 00:05

Para muitos, é a tão famosa ‘final antecipada’. Acho que nem tanto. De qualquer forma, o aguardadíssimo duelo entre Dominic Thiem e Daniil Medvedev por vaga na final do US Open promete uma noite de desmedida pancadaria na sexta-feira, ao melhor estilo MMA. É algo para cinco sets, alguns tiebreaks, o que seria ainda mais interessante.

Como era esperado, Thiem encontrou pouca dificuldade para superar o australiano Alex de Minaur, que usou todas as armas que podia, incluindo subidas incansáveis à rede, mas para equilibrar seria necessário que o cabeça 2 não estivesse tão afiado. Qual nada. Thiem disparou seus golpes pesadíssimos mesclados com uso muito frequente e acertado de slices e ficou atento às passadas. Ainda perdeu duas vezes o serviço por afobações e o terceiro set chegou a ficar duro no 4/4, porém o volume de jogo dos dois é muito diferente: 43 dos seus 95 pontos foram winners. De Minaur marcou apenas 17.

À tarde, Medvedev prevaleceu de novo no duelo russo diante do amigo Andrey Rublev. A vitória o manteve invicto em sets no torneio, porém foi bem mais exigente. O primeiro set sem break-point chegou ao tiebreak e aí Rublev abriu 5-1 e depois 6-3 com saque. Não ganhou mais pontos, ficou irritadíssimo com razão. Medvedev obteve a única quebra da partida no segundo set e precisou ir a outro tiebreak, que chegou a perigosos 5-5. Foi quem mais forçou o jogo – 51 winners e 37 erros – e por isso mereceu.

O histórico entre Thiem e Medvedev é curto. O austríaco ganhou duas vezes, na quadra dura de St. Petersburgo em 2018, único jogo equilibrado e no terceiro set. Em seguida, levou a melhor na final de Barcelona de 2019, aí por 6/4 e 6/0. Pouco depois, o russo venceu facilmente nas quartas do Canadá, 6/3 e 6/1.

Será curioso ver os dois jogando bem atrás da linha de base, apostando na força física. Thiem ganhou muita confiança no backhand na paralela, geralmente seguido de um slice bem cruzado, e essa poderá ser a opção tática determinante. Se eu fosse apostar, seria nele.

Primeiro grande momento: Serena x Azarenka
Deu a lógica no complemento das quartas femininas, mas em situações muito diferentes. Serena Williams teve grande trabalho para superar Tsvetana Pironkova, que venceu o primeiro set e abriu o seguinte com quebra, enquanto Victoria Azarenka atropelou uma irreconhecível Elise Mertens. Quem vencer, tentará se juntar às três únicas mães que já venceram um Slam na Era Aberta: Margaret Court, Evonne Goolagong e Kim Clijsters. Elas fazem a segunda semifinal desta quinta-feira, por volta de 21h30, logo depois de Naomi Osaka-Jennifer Brady.

Serena foi amplamente dominada no início por Pironkova, que sacou bem, se mexeu muito no fundo e usou variações com slice de forehand. Deu uma única brecha e aí Serena reagiu e começou a jogar bem melhor. Quando ganha confiança, é difícil aguentar seu ritmo. Terminou com 20 aces, sete voleios perfeitos e 18 winners da base. E mesmo tendo feito 2h28 no jogo anterior e mais 2h12 nesta quarta, não pareceu cansada.

Os números de Williams são colossais. Chega à 39ª semi de Slam, onde soma 33 vitórias, e tentará a 11ª final no US Open, a terceira consecutiva. Sua primeira, que já terminou em título, aconteceu há 21 anos! Hexampeã, atinge agora 106 vitórias em Flushing Meadows e 101 na Arthur Ashe. Isso tudo faltando 17 dias para completar o 39º aniversário.

Vika por sua vez disputará a primeira semi de Slam desde o vice de 2013 no mesmo US Open. Foi a segunda final consecutiva que perdeu lá, e adivinhem quem impediu seus títulos.  Depois de um susto nas oitavas de final de segunda-feira, voltou a praticar um tênis extremamente sólido e com enorme apuro tático. Ainda ajudou muito o dia ruim de Mertens, que chegou às quartas sem perder set mas jogou pouco com o primeiro saque e virou presa fácil.

Para atingir a oitava semi de Slam da carreira (retrospecto é de quatro vitórias), Azarenka somou a 10ª vitória consecutiva, embalada desde o Premier de Cincinnati, que aconteceu excepcionalmente em Nova York. A confiança não poderia estar mais alta para o novo desafio.

Pelo retrospecto de 18 vitórias em 22 duelos, Serena poderia ter o favoritismo, mas o fato é que Azarenka vem jogando melhor nas últimas semanas e tem mostrado um forehand angulado que é uma arma poderosa diante da norte-americana. A última de Azarenka nos confrontos foi em 2016. No ano passado, se cruzaram em Indian Wells e o jogo foi duro.

Rankings se mexem
– Mesmo perdendo pontos, Djokovic chegará ao saibro europeu 1.010 pontos à frente de Nadal. Mas espanhol não tem como somar em Roma e Paris.
– Se for campeão, Thiem fará no máximo 9.125 pontos e terá chance de somar 800 em Paris, superando então Nadal. Sua presença em Roma é incerta.
– Medvedev poderá tirar Federer do quarto posto se ganhar o US Open, Zverev chegará a sexto no caso de título.
– Carreño já avançou nove postos (18º), pode ir a 11º ou até mesmo ao 8º, superando seu recorde pessoal.
– Osaka será quarta caso atinja a final e terceira com eventual título, mas ainda estaria quase 3.000 pontos atrás da líder Barty.
– O máximo que Serena pode recuperar é o quarto posto.
– Azarenka estava fora do top 50 antes de Cincinnati, agora já é 17ª. O troféu lhe dará o 11º.
– De 41, Brady salta para 25 e brigará pelo 17º se tirar Osaka.
– Nas quartas em challenger francês, Wild não conseguirá chegar ao top 100 mesmo se levantar o troféu, mas tem chance de ir a 102.