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Jovem final feminina terá façanhas
Por José Nilton Dalcim
2 de junho de 2022 às 18:13

A número 1 e super favorita Iga Swiatek, ainda aos 21 anos, buscará neste sábado o segundo troféu nas últimas três edições de Roland Garros tendo diante de si uma adversária quase juvenil, a precoce Coco Gauff. Três anos mais jovem, ela faz sua primeira final de Grand Slam justamente no piso em que seria menos cotada para tal.

A polonesa conquistou nesta quinta-feira sua 13ª vitória seguida sobre uma adversária top 20, ao superar um início um pouco mais tenso e irregular antes de dominar totalmente a russa Daria Kasatkina. Muito mais nervoso ainda foi o primeiro set entre Gauff e a canhota e baixinha Martina Trevisan, que não conseguiam manter serviços e erravam demais. Quando finalmente se estabilizou, a norte-americana fez boas trocas de direção e conseguiu ser mais agressiva.

Swiatek pode se tornar agora a primeira tenista a ganhar dois títulos na França desde o tri de Serena Williams, em 2015, encerrando assim um curioso período em que Roland Garros teve seis campeãs inéditas: Garbiñe Muguruza, Jelena Ostapenko, Simona Halep, ela própria e Barbora Krejcikova. Neste século 21, apenas Serena, Justine Henin e Maria Sharapova conseguiram ganhar pelo menos duas vezes em Paris. No restante da Era Profissional, houve outras seis: Margaret Court, Chris Evert, Martina Navratilova, Steffi Graf, Monica Seles e Arantxa Sanchez. É um rol muito nobre.

Ao mesmo tempo, Iga também pode igualar a sequência invicta de Venus Williams do ano 2000 se atingir a 35ª vitória. Esta será sua sexta final consecutiva desde fevereiro e portanto pode levantar o sexto troféu, um domínio espetacular mas ainda distante do recorde absoluto de Navratilova, que ganhou 13 na sequência em 1984, período em que marcou a maior série invicta, com 74.

Com 18 anos completados agora em março, Gauff pode superar por mais de 200 dias o feito de Emma Raducanu no recente US Open e se tornar a mais jovem campeã de Grand Slam desde Maria Sharapova, com seus tenros 17 anos e 75 dias na conquista de Wimbledon de 2004. Em Roland Garros, seria a quarta de menor idade a levantar o troféu na Era Profissional, atrás da recordista Monica Seles (16 anos e 189 dias no título de 1990), de Arantxa Sanchez (17 anos e 174 dias em 1989) e Steffi Graf (17 anos e 357 dias em 1987). É uma façanha, sem dúvida.

Apesar de Coco ser 23ª do ranking e ter vencido seus seis jogos por 2 a 0, terá de fazer um grande esforço para derrubar Swiatek, que está sobre seu piso favorito e venceu os dois duelos já feitos contra a norte-americana, em dois sets duros em Roma do ano passado e com muita facilidade em Miami de março.

Nadal x Zverev
Os dois abrem a rodada desta sexta-feira no meio da tarde local (9h45 de Brasília) e a expectativa é de tempo instável em Paris, o que pode forçar o fechamento do teto retrátil. Se isso acontecer, o alemão Alexander Zverev terá lucro e tentará tirar ainda mais proveito do seu poderoso saque. Na verdade, atacar o tempo todo e assim encurtar os pontos parece ser a melhor alternativa tática para o número 3 do ranking, algo semelhante ao que conseguiu diante de Carlos Alcaraz. A diferença é que Rafa joga bem mais atrás da linha e com isso se defende melhor.

Se estiver em plenas condições físicas, como mostrou diante de Novak Djokovic, o super campeão é favorito para sua 14ª final em Roland Garros. Ele venceu 6 dos 9 jogos contra Sascha e sabe que precisa explorar o lado direito do alemão, usar o slice na paralela e surpreender com curtinhas. Quanto mais desequilibrar o adversário, melhor.

Cilic x Ruud
Será o jogo do final de tarde ou começo de noite. Se o teto também fechar, o croata ganha vantagem para explorar seu excepcional primeiro saque e forehand cruzado, que deve atacar o tempo todo o lado esquerdo bem mais frágil do norueguês.

Ruud precisa achar um jeito de manter Cilic em movimento e talvez a cruzada com bola mais alta de forehand seja um bom caminho para deixar então o lado esquerdo do croata vulnerável para a bola de ataque. A vasta experiência de Cilic é muita valiosa diante da experiência inédita de Ruud num Slam.

Os personagens do saibro europeu
Por José Nilton Dalcim
7 de abril de 2022 às 14:48

Como de hábito, a lentidão de Monte Carlo abre o calendário europeu de saibro no próximo domingo e traz como grande atração o retorno de Novak Djokovic, que enfim fará seu segundo torneio da temporada. Ele tem dois títulos lá, o mais recente em 2015, e portanto espera-se um teste interessante para seu ritmo de jogo. O atual campeão é Stefanos Tsitsipas, mas nem ele ou Alexander Zverev estão em grande momento.

Carlos Alcaraz e Casper Ruud surgem como reais ameaças. O espanhol virou assunto obrigatório – especialistas não fizeram outra coisa nos últimos dias do que especular qual seu limite -, mas terá duas dificuldades. A primeira é justamente lidar com as expectativas, a outra será jogar num piso que exige mais paciência e tira um tanto do seu poder ofensivo. Já o norueguês estará no habitat natural, ainda que goste de um saibro um pouco mais veloz. Andrey Rublev, Felix Aliassime e Jannik Sinner aparecem quase como coadjuvantes no Principado.

Claro que todos gostaríamos de ver logo Djokovic e Rafael Nadal numa mesma chave, o que não acontece desde o histórico Roland Garros do ano passado, mas ao que tudo indica isso ficará para o saibro veloz de Madri, que todos sabemos nunca é uma referência para Roland Garros. O torneio da Caixa Mágica, que trocou de mãos e agora pertence à IMG, promete ser fortíssimo, já que anunciou na terça-feira a inscrição de todos os top 40 – agora à exceção do operado Matteo Berrettini -, além de Stan Wawrinka e Borna Coric, que entraram com ranking protegido.

Antes disso, Nadal deve reaparecer em Barcelona, depois de se recuperar da fratura por estresse na costela. Se for assim, terá companhia de alguns nomes que pesam no saibro, como Tsitsipas, Ruud, Alcaraz, Diego Schwartzman e Pablo Carreño. Ao mesmo tempo, Djoko estará em casa como favorito ao 250 de Belgrado, junto a Rublev, Gael Monfils, Cristian Garin e Fabio Fognini. Dominic Thiem está inscrito, mas virou dúvida depois de contrair covid e pular Monte Carlo, voltando para casa.

A grande notícia para o tênis masculino é que enfim surgem novos nomes com verdadeiro talento sobre o saibro, o que pode trazer maior imprevisibilidade para todos esses deliciosos torneios, tão diferentes entre si. Até Roma chegar, sempre o verdadeiro aquecimento para Paris, ainda poderemos ver o quanto Miomir Kecmanovic, Francisco Cerúndolo, Hugo Gastón ou Sebastian Baez poderão contribuir para o espetáculo.

Algo me diz que estamos diante de uma das mais concorridas temporadas de saibro dos últimos tempos.

Feminino se antecipa
O saibro começou para as mulheres bem mais cedo, já que nesta semana acontece o tradicional 500 de Charleston, onde Aryna Sabalenka, Paula Badosa, Karolina Pliskova e Ons Jabeur arriscaram ir atrás do título mesmo com pouco tempo para a transição da quadra dura de Indian Wells e Miami.

Dentro de duas semanas, Iga Swiatek, Maria Sakkari, Barbora Krejcikova se juntam no saibro de Stuttgart e aí a coisa realmente fica boa. A polonesa volta a sua superfície predileta e, no máximo de sua confiança, será favorita ao quarto título seguido. Já a atual campeã de Roland Garros tenta voltar às quadras depois da lesão no cotovelo que a fez também perder a vice-liderança do ranking.

Ausências importantes nessa largada do saibro, Garbiñe Muguruza e Simona Halep devem enfim aparecer em Madri depois de não jogarem Miami por conta de problemas musculares. A espanhola está em baixa neste começo de temporada, sem resultados convincentes e com pouca confiança. Halep ao contrário reencontrou o prazer de jogar e ainda anunciou que passa a ser treinada por Patrick Mouratoglou.

Swiatek, Krejcikova, Badosa e Halep seriam minhas apostas para a fase do saibro. Nessa exata ordem.

E mais

  • Bia Haddad, que está nesta semana atrás top 50 em Bogotá, terá de disputar quali em Madri. O ranking de duplas deve lhe dar vaga direta.
  • Thiago Monteiro foi muito mal nos challengers portugueses e não conseguirá lugar em Roland Garros, tendo de se aventurar no quali. Deve ter companhia de Felipe Meligeni, Laura Pigossi e Carol Meligeni, com alguma chance para Matheus Pucinelli e Thiago Wild.
  • Jo-Wilfried Tsonga vai dar adeus ao circuito em Roland Garros. Um tenista excepcional, mas com físico comprometido há muito tempo. Diz ter enfim cansado de brigar contra o corpo.
  • Vika Azarenka e Elina Svitolina decidiram se retirar por um tempo do circuito e não se sabe quando voltarão. Talvez pulem todo o saibro. Serena Williams deve no máximo se despedir de Paris.
  • Naomi Osaka diz que desta vez vai treinar mesmo no saibro e pode aparecer em Madri.
  • Não ficaria surpreso se Daniil Medvedev só disputasse o Slam francês. Ele nunca gostou do saibro e pode preferir um tratamento cauteloso para a hérnia.
O que esperar de 2022
Por José Nilton Dalcim
25 de dezembro de 2021 às 23:56

Depois de perguntar ao público quem foram os destaques de 2021, a tradicional enquete de TenisBrasil quer saber agora o que se espera da próxima temporada e dedicou 10 interessantes perguntas sobre isso. Quem quiser pode votar até terça-feira. Clique aqui.

Meus palpites? Vejo Alexander Zverev muito perto de seu primeiro Grand Slam, seguido por Stefanos Tsitsipas e não acho que Novak Djokovic vá terminar outra vez na liderança, então ficaria também com o alemão. Já no feminino, ainda vejo Ashleigh Barty como a mais versátil e colocaria Naomi Osaka como sua maior adversária.

Sobre o Big 3, acredito que Djokovic perderá a liderança no primeiro semestre, mas que terminará o ano como recordista de Slam. Imagino Nadal jogando todas as fichas no saibro porém sem repetir Roland Garros. A aposentadoria enfim deve ser anunciada por Federer e Serena, já que imagino ambos com pouca chance em 2022.

Há três questões sobre o tênis brasileiro. Apostaria em Bia Haddad como destaque geral e no primeiro Slam de Luísa Stefani e vejo Gabriel Decamps com chance de dar o maior salto de qualidade.

Aliás, que tal dar uma olhada como foi a votação do ano passado na previsão portanto para 2021?

  • Quem está mais perto de ganhar seu primeiro Slam? O público votou mais em Zverev (47%) acima de Medvedev (42%), enquanto os especialistas foram firmes em Medvedev (67%), deixando Zverev bem atrás (16%) e Tsitsipas em terceiro (8%).
  • Quem tem mais chance de chegar ao top 10 pela primeira vez? Os dois paineis optaram por Swiatek (55% do público e 73% dos especialistas), seguida por Aliassime (18% e 13%). Portanto, um altíssimo grau de acerto.
  • Qual brasileiro a se apostar? Bia Haddad foi absoluta (42% e 40%), mas Wild era bem cotado (26% e 32%) e decepcionou. Meligeni ficou em terceiro (15% e 16%).
  • Quem vai se dar melhor em duplas? Soares foi o mais indicado em ambas as enquetes (45% e 46%) e Stefani veio logo atrás (29% e 43%).
  • Maior candidato à aposentadoria… Incrível, mas nenhum dos sete nomes indicados se despediu. Venus recebeu 40% dos votos, Federer ficou com 30% do público e 27% dos especialistas e Gasquet era cotado com 16% e 21%. Serena, Wawrinka, Isner e Monfils também seguem em 2022.