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Tênis em 2021 segue com incertezas
Por José Nilton Dalcim
3 de janeiro de 2021 às 11:32

Nunca durante estes 15 anos de Blog me deparei com tanta dificuldade para formar expectativas para uma temporada à frente. E, claro, o motivo é a pandemia do coronavírus, que continua a modificar calendários, com a dura promessa de vermos mais alguns eventos importantes serem cancelados. Mas não é só. Nomes importantes do circuito acenam para um retorno às competições depois de infindáveis meses de afastamento, como é o caso da ainda número Ashleigh Barty e do fenomenal Nick Kyrgios.

A temporada 2021 será aberta nesta quarta-feira com o WTA de Abu Dhabi e no dia seguinte começam dois ATPs menores, em Delray Beach e Antalya. Todos terminarão na outra quarta, o que por si só mostra o quão anômolo anda o calendário. Sofia Kenin lidera quatro top 10 nos Emirados, Fabio Fognini volta na Turquia ao lado de Matteo Berrettini, Jannick Sinner, David Goffin e Borna Coric e Delray, que perdeu Andy Murray e Kei Nishokori, terá Milos Raonic e John Isner.

As excentricidades seguem com os qualis do Australian Open disputados no Oriente Médio, em Doha e Abu Dhabi, e aí teremos a pausa obrigatória de 14 dias para se cumprir a quarentena em Melbourne. O tênis recomeçará dia 31, com dois ATPs e dois WTAs simultâneos em Melbourne. Os masculinos ficam reservados aos em que não devem jogar a ATP Cup, reduzida para 12 países e cinco dias. O evento termina à véspera da largada do Australian Open, em 8 de fevereiro.

Por esse extenso quadro de novidades fica patente que um panorama das condições atléticas e técnicas da maciça maioria dos tenistas só estará mais claro nessa semana que antecede o Australian Open. É de se acreditar que Novak Djokovic, Rafael Nadal, Dominic Thiem e Danill Medvedev joguem a ATP Cup e tenham adversários de peso, já que deverão enfrentar quase sempre um top 10, preparativo exigente. Já no feminino, Barty, Simona Halep, Naomi Osaka e Serena Williams são aguardadas nos WTA 500.

Há componentes diferenciados neste início de temporada, que devem refletir diretamente no Australian Open, e o mais importante deles é que os principais nomes terão 14 longos dias de treinamento no Melbourne Park durante a quarentena, ou seja, uma extensão da pré-temporada que tradicionalmente fazem em dezembro. O confinamento não deixa de ser tedioso, ainda mais que por sete dias só poderá haver um mesmo parceiro de bate-bola, mas isso no fundo acabará sendo um teste de resiliência.

Daí a prudência colocar Djokovic e Nadal novamente na ponta da lista de favoritos. porque o mental mais do que nunca pode decidir jogos e títulos. Todos sabemos que a maciça maioria dos tenistas de hoje se adapta muito bem à quadra dura, e entre eles estão Thiem, Medvedev, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas, não por acaso os quatro mais cotados para barrar o Big 2. Surpresas isoladas podem vir com Andrey Rublev, Milos Raonic, Stan Wawrinka e Grigor Dimitrov, mas não vejo esses outros com consistência suficiente para ir até as rodadas finais.

O feminino também tem uma série de favoritas com jogo solto e ideal para a quadra dura, mas eu colocaria fichas iniciais em Osaka e Kenin, ficando de olho arregalado em Vika Azarenka e Petra Kvitova. Sempre é essencial lembrar que o Slam feminino não se diferencia dos grandes torneios regulares, ainda que sejam necessárias uma ou duas vitórias a mais, com a vantagem de um dia de descanso permanente.

Com a chegada gradual da vacina na Europa e Américas, a ATP divulgou um calendário provisório em que manteve a perna sul-americana de saibro, exceto o Rio; os torneios de quadra coberta na Europa, os 500 de Acapulco e Dubai como preparativos para Miami, confirmando também o adiamento de Indian Wells. No entanto, com os EUA batendo recordes de mortos na incrível casa de 3.700 diários e o temor pela variação do coronavírus, ainda há muita reserva sobre a concretização dessa sequência.

O que talvez seja mais palpável é a série do saibro europeu, planejada para largar com Monte Carlo na segunda quinzena de abril e seguir nos moldes naturais. A presença de público segue incerta e isso, como era imaginado, tem provocado o desabamento das premiações dos torneios e afastamento de patrocinadores.

O terrível 2020 acabou, mas as incertezas seguem sobre o tênis em 2021.

As façanhas em disputa em 2021
Por José Nilton Dalcim
13 de dezembro de 2020 às 12:18

A pandemia causou evidente frustração na temporada 2020. Com calendário encurtado, até mesmo Wimbledon acabou cancelado, além de os Masters terem sido reduzidos de nove para três. Isso também forçou a ATP a congelar o ranking por cinco meses e depois determinar que não houvesse defesa de pontos num vasto período de 24 meses.

Ainda que o primeiro trimestre do próximo calendário esteja comprometido, espera-se que a temporada 2021 seja bem mais recheada de torneios, principalmente os de maior peso, e assim vale darmos um resumo dos mais importantes feitos que aguardam os principais tenistas:

Novak Djokovic
– Em contagem regressiva até 8 de março, irá superar Federer em total de semanas na ponta (310).
– Com 17 títulos de Slam, tem missão possível mas difícil de empatar com os 20 de Federer e Nadal ou, mais improvável ainda, superá-los.
– Dono de 27 finais de Slam, pode igualar as 28 de Rafa e empatar com as 31 de Federer.
– Apenas mais quatro vitórias e será segundo homem a atingir 300 em Slam (Federer já tem 362).
– Eventual bi em Roland Garros o tornará único profissional com ao menos dois troféus em cada Slam.
– Busca repetir Agassi como únicos a ter todos os Slam, Finals, Davis e título olímpico de simples.
– Se derrotar 10 adversários de nível top 10 a mais que Federer, assume o recorde no quesito (224 a 215).
– Tenta igualar os seis títulos de Finals de Federer.
– Pode se tornar único com sete temporadas encerradas como número 1.
– Faltam US$ 4,6 milhões para se tornar o primeiro com US$ 150 mi de prêmios oficiais na carreira.

Rafael Nadal
– Tenta se tornar o recordista de Slam pela primeira vez desde que vença um a mais que Federer.
– Eventual bi na Austrália o tornará único profissional com ao menos dois troféus em cada Slam.
– Precisa de três finais de Slam para igualar as 31 do recordista Federer.
– Com 20 jogos feitos de Slam a menos que Djokovic (321), tem pequena chance de ir ao segundo lugar.
– Se vencer 15 jogos de Slam a mais que Djokovic (296), assume segundo lugar em vitórias.
– Com 18 vitórias, chegará a 300 em Slam. Federer tem 362 e Djokovic, 296.
– Busca repetir Murray como únicos bicampeões olímpicos de simples da história.
– Ao disputar 40 jogos, irá superar Nastase e Vilas e assume quarto lugar na Era Profissional.
– Precisa de dois troféus e duas finais de Masters a mais que Djokovic (36 e 52) para reassumir liderança.
– Busca repetir Agassi como únicos a ter todos os Slam, Davis, título olímpico de simples e Finals
– Pode se tornar terceiro com seis temporadas encerradas como número 1, igualando Sampras e Djokovic.

Roger Federer
– Luta para recuperar a hegemonia nos troféus de Slam desde que vença um a mais que Nadal.
– Com 79 Slam disputados, pode ser segundo tenista a atingir 80 e igualar Venus.
– Eventual bi em Roland Garros o tornará único profissional com ao menos dois troféus em cada Slam.
– Pode se tornar único com cinco Jogos Olímpicos disputados em simples.
– Busca repetir Agassi como únicos a ter todos os Slam, Finals, Davis e título olímpico de simples.
– Tenta ser primeiro hexa no US Open.
– Precisa de seis títulos, sete finais, 44 jogos e 32 vitórias para igualar recordes de Connors (109, 164, 1.557 e 1.274)
– Pode se tornar terceiro com seis temporadas encerradas como número 1, igualando Sampras e Djokovic.

Serena Williams
– Falta um título de Slam para igualar Court (24) e uma final para alcançar Evert (34).
– Em caso de mais um Slam, será a segunda mais velha a erguer um troféu, atrás de Molla Mallory (42 anos).
– Se vencer dois jogos em Wimbledon, será única tenista com ao menos 100 vitórias em dois Slam diferentes.
– Empatada com 4 ouros olímpicos com a irmã Venus, busca bi de simples e tetra de duplas.
– Ao disputar duas finais, será sétima profissional a ter ao menos 100 decisões na carreira.
– Faltam 10 partidas para chegar à 1.000ª na carreira e 57 vitórias para tirar o terceiro lugar de Graf (900).
– Com mais US$ 6,4 milhões, será a primeira mulher e a quarta tenista no geral a atingir US$ 100 mi de premiação oficial.
– Se conquistar título a partir de maio, será a mais velha campeã da Era Profissional, superando os 39 anos e 7 meses de Billie Jean.
– Soma 17 vitórias sobre uma número 1 do ranking e está atrás somente das 18 de Navratilova.

Outros
– Se Murray ganhar 13 jogos de Slam, igualará os 203 de Sampras e subirá ao sétimo lugar no quesito.
– Murray precisa ganhar 2 jogos a mais do que Federer nas Olimpíadas para assumir recorde (13).
– Sinner, que terá 20 anos e 2 meses em novembro de 2021, é o único entre os top 100 que pode quebrar o recorde de Hewitt e se tornar o mais jovem número 1 da história.
– Faltam nove vitórias para Venus igualar Graf em Slam (278) e dividir o quarto lugar.
– Com mais 19, Venus será segunda com 500 triunfos no piso duro atrás de Serena (527).
– Empatada com 4 ouros olímpicos com a irmã, Venus busca bi de simples e tetra de duplas.
– Se vencer na Austrália, Coco Gauff será segunda mais jovem campeã de Slam da Era Aberta, atrás de Hingis e Seles.
– Kuznetsova é a única entre as top 40 que pode quebrar recorde de Serena como mais velha campeã de um Slam profissional.

20 anos de Guga
Na comemoração dos 20 anos de Guga como número 1 do mundo, Paulo Cleto decidiu recolocar à venda seu famoso super livro sobre as conquistas de Kuerten em Roland Garros: “Uma História de Amor”. A luxuosa edição está esgotada há tempos nas livrarias. O custo é de R$ 150 reais, além do frete de envio. Quem estiver interessado, contate o email marcia.tenis@uol.com.br.

Os números da renovação
Por José Nilton Dalcim
22 de outubro de 2020 às 21:58

É bem verdade que a nova geração ainda não conseguiu brilhar nos grandes torneios do calendário masculino como se esperava, bem ao contrário do que acontece entre as meninas, mas os números do ranking internacional dos dois sexos deixa claro que a renovação segue firme. E, vejam que curioso, o top 10 masculino é hoje mais jovem do que o feminino.

Antes de tudo, é preciso ressaltar que a evolução no preparo físico e especialmente o de recuperação muscular mudou aquilo que costumávamos chamar de “veteranos”. Há dez anos, virar ‘trintão’ era indício da reta final da carreira. Hoje, esse limite avançou pelo menos até os 32 e ainda se vê muito tenista em alto nível de competitividade aos 35.

É fato que o congelamento da defesa dos pontos em 2020 traz algumas distorções no ranking atual. No entanto, como a regra vale para todos, vale examinarmos os números.

E aí vemos que, dos atuais top 50, o feminino tem mais nomes com até 25 anos (21) do que o masculino (19), mas a diferença é tênue. Porém existem 11 nomes acima dos 32 anos na ATP contra meros 4 na WTA, sendo que há 3 homens e 2 mulheres com 35 anos ou mais. O grosso está na faixa média, entre 26 e 31 anos, o que podemos considerar hoje a fase de estabilidade dos tenistas: são 20 entre os homens (40%) e 25 entre as mulheres (50%).

Vamos a uma rápida análise das faixas de ranking:

Top 10
Metade dos homens têm menos de 25 anos, enquanto na WTA são quatro. Há um nome acima dos 35 em cada lista:
Masculino
– 5 abaixo dos 25 (Tsitsipas, Medvedev, Zverev, Rublev e Berrettini)
– 3 acima dos 32 (Djokovic, Nadal e Federer)
– 2 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Federer)
Feminino
– 4 abaixo dos 25 (Barty, Osaka, Kenin e Andreescu)
– 1 acima dos 32 (Serena)
– 5 entre as 26-31
– 1 acima dos 35 (Serena)

Top 20
Se somarmos o top 10 com o top 20, aí vemos que a WTA está mais renovada, com 9 abaixo dos 25 anos contra 7 do masculino. Também não há no momento top 20 com mais de 32 anos no feminino
Masculino
– 2 abaixo dos 25 (Shapovalov e Khachanov)
– 4 acima dos 32 (Monfils, Bautista, Fognini e Wawrinka)
– 4 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Wawrinka)
Feminino
– 5 abaixo dos 25 (Bencic, Sabalenka, Swiatek, Rybakyna e Vondrousova)
– Ninguém acima dos 32
– 5 entre as 26-31
– Ninguém acima dos 35 anos

Top 30
Entre os 21 e 30 primeiros do ranking, vê-se novamente uma forte renovação nos dois sexos, com 60% de cada lista. O feminino só tem um nome acima dos 32.
Masculino
– 6 abaixo dos 25 (Garin, Aliassime, Coric, Ruud, Di Minaur e Fritz)
– 1 acima dos 32 (Isner)
– 3 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Isner)
Feminino
– 6 abaixo dos 25 (Mertens, Konta, Muchova, Yastrenska e Anisimova)
– 1 acima dos 32 (Kerber)
– 3 entre as 26-31
– Ninguém acima dos 35

Top 40
É uma faixa em que prevalecem os tenistas de idade mediana, entre 26 e 31 anos, com algum espaço para os veteranos.
Masculino
– 4 abaixo dos 25 (Hurkacz, Opelka, Humbert e Kecmanovic)
– 1 acima dos 32 (Cilic)
– 5 entre os 26-31
– Ninguém acima dos 35
Feminino
– 1 abaixo dos 25 (Vekic)
– 2 acima dos 32 (Kuznetnova e Strycova)
– 7 entre as 26-31
– 1 acima dos 35 (Kuznetnova)

Top 50
Metade dos jogadores entre 41 e 50 do ranking têm entre 26 e 31 anos.
Masculino
– 2 abaixo dos 25 (Sinner e Bublik)
– 3 acima dos 32 (Mannarino, Ramos e Querrey)
– 5 entre os 26-31
– Nenhum acima dos 35
Feminino
– 5 abaixo dos 25 (Ferro, Ostapenko, Kudermetova, Gauff e Podoroska)
– Nenhuma acima dos 32
– 5 dos 26-31
– Nenhuma acima dos 35

Resumo do atual top 50
A renovação na WTA é muito mais acentuada, ao vermos que apenas 8% têm acima dos 32 anos, quase três vezes menos do que na ATP. Ainda assim, são 40 tenistas entre os top 50 do tênis com menos de 25. Os novos tempos sempre chegam.
Masculino
– 19 abaixo dos 25 no top 50
– 11 acima dos 32
– 20 entre 26 e 31a
– 3 acima dos 35 anos
Feminino
– 21 abaixo dos 25 no top 50
– 4 acima dos 32
– 25 entre 26 e 31 anos
– 2 acima dos 35 anos

O quesito qualidade
O feminino dá um banho no masculino quando se fala no sucesso da nova geração nos Grand Slam. Enquanto a WTA viu nos últimos cinco anos Garbiñe Muguruza, Jelena Ostapenko, Sloane Stephens, Naomi Osaka, Ashleigh Barty, Bianca Andreescu, Sofia Kenin e Iga Swiatek levarem diferentes troféus, os então novatos da ATP chegaram tão somente a quatro finais (Milos Raonic, Dominic Thiem, Daniil Medvedev e Alexander Zverev).