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Os personagens do saibro europeu
Por José Nilton Dalcim
7 de abril de 2022 às 14:48

Como de hábito, a lentidão de Monte Carlo abre o calendário europeu de saibro no próximo domingo e traz como grande atração o retorno de Novak Djokovic, que enfim fará seu segundo torneio da temporada. Ele tem dois títulos lá, o mais recente em 2015, e portanto espera-se um teste interessante para seu ritmo de jogo. O atual campeão é Stefanos Tsitsipas, mas nem ele ou Alexander Zverev estão em grande momento.

Carlos Alcaraz e Casper Ruud surgem como reais ameaças. O espanhol virou assunto obrigatório – especialistas não fizeram outra coisa nos últimos dias do que especular qual seu limite -, mas terá duas dificuldades. A primeira é justamente lidar com as expectativas, a outra será jogar num piso que exige mais paciência e tira um tanto do seu poder ofensivo. Já o norueguês estará no habitat natural, ainda que goste de um saibro um pouco mais veloz. Andrey Rublev, Felix Aliassime e Jannik Sinner aparecem quase como coadjuvantes no Principado.

Claro que todos gostaríamos de ver logo Djokovic e Rafael Nadal numa mesma chave, o que não acontece desde o histórico Roland Garros do ano passado, mas ao que tudo indica isso ficará para o saibro veloz de Madri, que todos sabemos nunca é uma referência para Roland Garros. O torneio da Caixa Mágica, que trocou de mãos e agora pertence à IMG, promete ser fortíssimo, já que anunciou na terça-feira a inscrição de todos os top 40 – agora à exceção do operado Matteo Berrettini -, além de Stan Wawrinka e Borna Coric, que entraram com ranking protegido.

Antes disso, Nadal deve reaparecer em Barcelona, depois de se recuperar da fratura por estresse na costela. Se for assim, terá companhia de alguns nomes que pesam no saibro, como Tsitsipas, Ruud, Alcaraz, Diego Schwartzman e Pablo Carreño. Ao mesmo tempo, Djoko estará em casa como favorito ao 250 de Belgrado, junto a Rublev, Gael Monfils, Cristian Garin e Fabio Fognini. Dominic Thiem está inscrito, mas virou dúvida depois de contrair covid e pular Monte Carlo, voltando para casa.

A grande notícia para o tênis masculino é que enfim surgem novos nomes com verdadeiro talento sobre o saibro, o que pode trazer maior imprevisibilidade para todos esses deliciosos torneios, tão diferentes entre si. Até Roma chegar, sempre o verdadeiro aquecimento para Paris, ainda poderemos ver o quanto Miomir Kecmanovic, Francisco Cerúndolo, Hugo Gastón ou Sebastian Baez poderão contribuir para o espetáculo.

Algo me diz que estamos diante de uma das mais concorridas temporadas de saibro dos últimos tempos.

Feminino se antecipa
O saibro começou para as mulheres bem mais cedo, já que nesta semana acontece o tradicional 500 de Charleston, onde Aryna Sabalenka, Paula Badosa, Karolina Pliskova e Ons Jabeur arriscaram ir atrás do título mesmo com pouco tempo para a transição da quadra dura de Indian Wells e Miami.

Dentro de duas semanas, Iga Swiatek, Maria Sakkari, Barbora Krejcikova se juntam no saibro de Stuttgart e aí a coisa realmente fica boa. A polonesa volta a sua superfície predileta e, no máximo de sua confiança, será favorita ao quarto título seguido. Já a atual campeã de Roland Garros tenta voltar às quadras depois da lesão no cotovelo que a fez também perder a vice-liderança do ranking.

Ausências importantes nessa largada do saibro, Garbiñe Muguruza e Simona Halep devem enfim aparecer em Madri depois de não jogarem Miami por conta de problemas musculares. A espanhola está em baixa neste começo de temporada, sem resultados convincentes e com pouca confiança. Halep ao contrário reencontrou o prazer de jogar e ainda anunciou que passa a ser treinada por Patrick Mouratoglou.

Swiatek, Krejcikova, Badosa e Halep seriam minhas apostas para a fase do saibro. Nessa exata ordem.

E mais

  • Bia Haddad, que está nesta semana atrás top 50 em Bogotá, terá de disputar quali em Madri. O ranking de duplas deve lhe dar vaga direta.
  • Thiago Monteiro foi muito mal nos challengers portugueses e não conseguirá lugar em Roland Garros, tendo de se aventurar no quali. Deve ter companhia de Felipe Meligeni, Laura Pigossi e Carol Meligeni, com alguma chance para Matheus Pucinelli e Thiago Wild.
  • Jo-Wilfried Tsonga vai dar adeus ao circuito em Roland Garros. Um tenista excepcional, mas com físico comprometido há muito tempo. Diz ter enfim cansado de brigar contra o corpo.
  • Vika Azarenka e Elina Svitolina decidiram se retirar por um tempo do circuito e não se sabe quando voltarão. Talvez pulem todo o saibro. Serena Williams deve no máximo se despedir de Paris.
  • Naomi Osaka diz que desta vez vai treinar mesmo no saibro e pode aparecer em Madri.
  • Não ficaria surpreso se Daniil Medvedev só disputasse o Slam francês. Ele nunca gostou do saibro e pode preferir um tratamento cauteloso para a hérnia.
O que esperar de 2022
Por José Nilton Dalcim
25 de dezembro de 2021 às 23:56

Depois de perguntar ao público quem foram os destaques de 2021, a tradicional enquete de TenisBrasil quer saber agora o que se espera da próxima temporada e dedicou 10 interessantes perguntas sobre isso. Quem quiser pode votar até terça-feira. Clique aqui.

Meus palpites? Vejo Alexander Zverev muito perto de seu primeiro Grand Slam, seguido por Stefanos Tsitsipas e não acho que Novak Djokovic vá terminar outra vez na liderança, então ficaria também com o alemão. Já no feminino, ainda vejo Ashleigh Barty como a mais versátil e colocaria Naomi Osaka como sua maior adversária.

Sobre o Big 3, acredito que Djokovic perderá a liderança no primeiro semestre, mas que terminará o ano como recordista de Slam. Imagino Nadal jogando todas as fichas no saibro porém sem repetir Roland Garros. A aposentadoria enfim deve ser anunciada por Federer e Serena, já que imagino ambos com pouca chance em 2022.

Há três questões sobre o tênis brasileiro. Apostaria em Bia Haddad como destaque geral e no primeiro Slam de Luísa Stefani e vejo Gabriel Decamps com chance de dar o maior salto de qualidade.

Aliás, que tal dar uma olhada como foi a votação do ano passado na previsão portanto para 2021?

  • Quem está mais perto de ganhar seu primeiro Slam? O público votou mais em Zverev (47%) acima de Medvedev (42%), enquanto os especialistas foram firmes em Medvedev (67%), deixando Zverev bem atrás (16%) e Tsitsipas em terceiro (8%).
  • Quem tem mais chance de chegar ao top 10 pela primeira vez? Os dois paineis optaram por Swiatek (55% do público e 73% dos especialistas), seguida por Aliassime (18% e 13%). Portanto, um altíssimo grau de acerto.
  • Qual brasileiro a se apostar? Bia Haddad foi absoluta (42% e 40%), mas Wild era bem cotado (26% e 32%) e decepcionou. Meligeni ficou em terceiro (15% e 16%).
  • Quem vai se dar melhor em duplas? Soares foi o mais indicado em ambas as enquetes (45% e 46%) e Stefani veio logo atrás (29% e 43%).
  • Maior candidato à aposentadoria… Incrível, mas nenhum dos sete nomes indicados se despediu. Venus recebeu 40% dos votos, Federer ficou com 30% do público e 27% dos especialistas e Gasquet era cotado com 16% e 21%. Serena, Wawrinka, Isner e Monfils também seguem em 2022.
Oscar para Richard Williams
Por José Nilton Dalcim
12 de dezembro de 2021 às 22:08

Enfim consegui assistir ao ‘King Richard’ e o filme foi acima das minhas expectativas. Embora seja pouco degustável por quem está fora do tênis, é um trabalho excelente se pensarmos nas mensagens que Richard Williams passa ao público: obstinação, humildade, trabalho muito duro, família acima de tudo.

Boa parte do enredo é bem conhecida. Richard colocou na cabeça que faria duas campeãs de tênis, escreveu um roteiro completo para elas e, sem saber absolutamente nada de tênis, levou Venus e Serena aos primeiros estágios com enorme competência e dedicação. Há passagens ótimas, como o apego quase neurótico ao ‘open stance’.

Tudo era muito simples na vida dos Williams, desde a casa onde moravam até a quadra pública em estado ruim com que dava suas aulas empíricas às filhas, e isso tudo fica bem retratado no filme. Claro que Richard é o objeto principal, mas o enredo deu o espaço apropriado a Oracene. Também pegou firme na questão do racismo e achei magnífica a crítica ao circuito juvenil e o papel por vezes tão incorreto dos pais.

Fiquei curioso para saber se as meninas que interpretam Venus e Serena realmente jogam bem tênis ou se foram utilizados recursos tecnológicos para simular os golpes e os lances, como aconteceu no engraçado ‘Wimbledon’, no bem arquitetado ‘Match Point’ ou no imperdível ‘Borg vs. McEnroe’. E foi ótimo saber que a maciça maioria das imagens são reais, o que deixa o filme ainda mais interessante para os admiradores do tênis.

Will Smith está impecável no papel de Richard e é bem provável que seja indicado pela terceira vez ao Oscar, ainda que a chance de finalmente erguer a estatueta seja pequena, já que não acredito que a película se torne um grande sucesso de bilheteria. Sua atuação em ‘Ali’ e ‘À Procura da Felicidade’ são superiores, na minha modesta e amadora opinião. Smith é um ator de grandes papeis e múltiplas faces, como no quase infantil ‘Homens de Preto’ e no adorável e tenso ‘Sete Vidas’. Deve se lamentar até hoje ter recusado o papel de Neo, em ‘Matriz’.

Sou um eterno admirador de Serena e Venus, o que nunca me impediu de condenar algumas atitudes de Serena. A difícil trajetória rumo ao sucesso e o estilo tão peculiar que mudou para sempre a história do tênis feminino falam mais alto e é muito oportuno que ‘King Richard’ dê o devido valor ao pai. As duas megacampeãs assinam como produtoras executivas, mas só aceitaram isso depois de ver a edição final, o que dá credibilidade ao roteiro de Zack Baylin e à direção de Reinaldo Marcus Green.

Recomendo.