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O 12º ficou mais perto
Por José Nilton Dalcim
23 de maio de 2019 às 19:03

Não bastasse o embalo com a ótima semana e o troféu em Roma, Rafael Nadal ainda foi brindado com um sorteio sob medida para a tentativa do histórico e monumental 12º troféu em Roland Garros. Viu Dominic Thiem, Fabio Fognini e Juan Martin del Potro, nomes fortes das últimas semanas, ficarem todos do lado de Novak Djokovic.

O sérvio tem três garotos – talvez quatro ou até cinco! – na sua trajetória até as semifinais. Começa diante do bom polonês Hubert Hurkacz e a sequência mais provável incluiria Jaume Munar e Borna Coric. São jogos teoricamente exigentes, mas é pouco provável que o sérvio perca mais que um ou dois sets nessa caminhada. As quartas podem colocá-lo diante de Fognini ou Alexander Zverev, mas se o italiano gera dúvidas atléticas, o alemão seria uma surpresa em ir tão longe na atual fase tão instável. Por esses motivos, não descartaria Roberto Bautista ou Dusan Lajovic como ‘zebra’.

Os maiores candidatos à outra semifinal são Thiem e Del Potro. Porém, tudo indica que o austríaco tenha um duelo duríssimo diante de Gael Monfils nas oitavas. O argentino por sua vez já começa com uma estreia perigosa diante de Nicolas Jarry e lá na terceira rodada cruzaria com Felix Aliassime. O fato é que, se der Thiem x Delpo, vai ser mais do que interessante, porque o argentino é o único dos grandes atuais que Thiem jamais derrotou, somando já cinco derrotas, uma delas sobre o saibro.

Nadal enquanto isso tem uma sequência formidável. Pega dois qualificados na sequência – um deles pode até ser Thiago Monteiro, que joga nesta sexta sua chance de entrar na chave – antes de reencontrar o instável David Goffin. O belga é um especialista no saibro e por isso mesmo uma vitória categórica serviria para ritmo e confiança. O caminho seguiria com Nikoloz Basilashvili ou Guido Pella e por fim Kei Nishikori ou Daniil Medvedev. Qualquer coisa que der diferente disso vai ser uma tremenda surpresa.

Há portanto uma chance real de vermos o ‘Fedal’ na semi, desde é claro que Federer se saia bem contra um provável exército italiano, que inclui o jovem Lorenzo Sonego na estreia, o ascendente Matteo Berrettini na terceira rodada e em seguida o semi do ano passado Marco Cecchinato. Mas ali também está Diego Schwartzman. E não é só. Stefanos Tsitsipas concorre fortemente às quartas, tendo como principais rivais Stan Wawrinka ou uma novidade, o chileno Christian Garin. Convenhamos, é um quadrante recheado de saibristas de grande qualidade.

Emoção no feminino
A atual campeã Simona Halep, a líder do ranking Naomi Osaka, o destaque da temporada Petra Kvitova, a nunca descartável Serena Williams e a solitária estrela da casa Caroline Garcia ficaram todas no lado superior da chave feminina. Façam suas apostas!

E mais: Vika Azarenka e Jelena Ostapenko duelam logo de cara para ver quem será a provável adversária de Osaka em seguida. Quem passar, pode encarar a animada Maria Sakkari e quem sabe depois Serena. Um setor tão imprevisível que não ousaria descartar Ashleigh Barty, Su-Wei Hsieh ou Bianca Andreescu, apesar da menor intimidade com a terra que têm.

Se estiver em forma, Halep deve decidir contra Kvitova quem vai à semifinal, e consequentemente à decisão, já que as duas me parecem com maior volume de jogo sobre o saibro comparadas a quaisquer das outras.

A questão física também pode favorecer Karolina Pliskova, que ficou num quadrante que tem Carol Wozniacki e Angie Kerber. A outra semi indica o favoritismo de Kiki Bertens por conta do momento de Elina Svitolina, Sloane Stephens e Garbiñe Muguruza. Porém, são todas jogadoras com currículo no saibro e podem recuperar a confiança com um bom início.

O sorteio reservou alguns outros ótimos jogos de primeira rodada: Shapovalov x Struff, Karlovic x Feli López, Tipsarevic x Dimitrov, Fucsovics x Schwartzman, Sabalenka x Cibulkova e Venus x Svitolina.

P.S.: Com a desistência de Raonic e Berdych, haverá dois lucky-losers na chave masculina, que ganham vaga num sorteio que é feito entre os quatro tenistas de maior ranking entre os perdedores da última rodada do quali. Isso aumenta muito as chances de Monteiro ser o nosso isolado representante nas chaves de simples.

Dez fatos sobre os cabeças de chave em Paris
Por José Nilton Dalcim
14 de maio de 2019 às 18:05

Esta é a semana que decide quem serão os 32 cabeças de chave em cada sexo para Roland Garros. Para muita gente, estar nessa lista tem importância capital. Vamos à situação de momento, com muita coisa já definida.

1. Estar entre os quatro cabeças em Roland Garros era obviamente essencial para Dominic Thiem. E ele garantiu o lugar depois de outra amarga derrota de Alexander Zverev, que defendia o vice em Roma.  O austríaco até pode ser o 3, superando Roger Federer, mas isso não faz qualquer diferença porque o sorteio é quem decide se ele estará do lado de Novak Djokovic ou de Rafael Nadal.

2. Os cabeças de 5 a 8 também estão quase definidos. Ficarão com Zverev, Stef Tsitsipas, Kei Nishikori e provavelmente Juan Martin del Potro, já que Kevin Anderson já anunciou que não vai a Paris. O argentino tem concorrência distante de Fabio Fognini e Karen Khachanov. Eles terão de marcar cerca de 200 pontos a mais que Delpo, ou seja, estar no mínimo na semifinal.

3. É muito valioso figurar entre os cabeças de 9 a 12, porque isso evita cruzar nas oitavas com os cabeças de 1 a 4. No momento, estariam nessa condição John Isner, Fognini, Khachanov e Marin Cilic. Com as derrotas precoces, Daniil Medvedev e Gael Monfils não podem chegar. Borna Coric precisa pelo menos de qaurtas para entrar na briga.

4. Os cabeças 13 a 16 fecham o grupo de elite, mas são aqueles que poderão pegar os quatro primeiros nas oitavas, o que não é bom negócio. Ficarão aí Medvedev e Monfils e provavelmente Coric. Como Milos Raonic também não vai a Paris, a outra vaga está aberta, com maior chance para Nikoloz Basilashvili, Marco Cecchinato, Roberto Bautista e quem sabe Diego Schwartzman.

5. Por fim, os outros 16 cabeças terão certamente Guido Pella, Denis Shapavalov, Alex de Minar, Lucas Pouille, Stan Wawrinka, Felix Aliassine, Gilles Simon, David Goffin e Kyle Edmund. Há um grupo grande de candidatos para as quatro vagas finais, com Matteo Berrettini, Dusan Lajovic, Laslo Djere, Nick Kyrgios e Fernando Verdasco.

6. Ficarão soltos na chave nomes perigosos, como Christian Garin, Marton Fucsovics e Hubert Hurkacz, assim como Pablo Cuevas, Jan-Lennard Struff e Jaume Munar. E, por que não?, Richard Gasquet e Grigor Dimitrov.

7. A indefinição é muito maior na chave feminina, embora haja enorme chance de Naomi Osaka e Simona Halep ficarem nas extremidades. Ainda sem saber se Angie Kerber estará em forma para jogar Paris, há disputa entre todos os postos de 1 a 8.

8. As maiores prejudicadas são Elina Svitolina e Serena e Williams, que não avançaram em Roma. Serão quase certamene as cabeças 9 e 10, o que não é de todo ruim porque enfrentarão cabeças de 5 a 8 nas oitavas.

9. Complicada mesmo parece a situação de Garbine Muguruza. A campeã de Roland Garros está no 19º lugar e precisaria lucrar 400 pontos em Roma para ao menos entrar como cabeça 16.

10. Outra vencedora de Paris, Jelena Ostapenko abandonou nesta terça-feira quando já perdia em Roma e não será sequer cabeça.

Os favoritos na reta final
Por José Nilton Dalcim
10 de maio de 2019 às 20:13

Os três candidatos mais sérios ao título do próximo Roland Garros estão nas semifinais de Madri. Ainda que o saibro da Caixa Mágica, com altitude e bolas diferentes, não seja nem de longe um parâmetro perfeito para Paris, o que parece estar em jogo é muito mais emocional. Novak Djokovic e Rafael buscam uma reação – e um título agora seria espetacular para evitar mais cobrança em Roma -, enquanto Dominic Thiem tem a chance de roubar de vez a cena.

A sexta-feira dos três foi radicalmente diferente. Nole nem precisou entrar em quadra porque Marin Cilic sofreu intoxicação alimentar, Thiem conseguiu outra virada em cima de Roger Federer com direito a dois match-points dignamente evitados num duelo de tirar o fôlego. Rafa esteve impecável no saque, na precisão dos golpes e na visão tática diante de um Stan Wawrinka perdido.

É preciso destacar a mudança de postura de Thiem diante de Federer, algo muito semelhante ao que aconteceu na final de Indian Wells, em março. Dominado no primeiro set, ele passou a jogar mais perto da linha, caprichou no saque e fez o suíço se mexer sempre gerando muito spin dos dois lados. Mais uma vez, Roger jogou em alto nível, encarou um dos grandes do saibro atual, executou um plano tático ousado e chegou aos pontos da vitória. Mas viu o austríaco sacar muito bem – o tiebreak de 15 minutos foi excepcional – e ganhar enorme confiança para um terceiro set em que esteve o tempo todo à frente.

Se pretende sua terceira final seguida em Madri, Thiem precisa agora ganhar pelo terceiro duelo seguido do descansado Djokovic, que lidera no geral por 5-2. Se conseguir, a lógica indica que seu adversário na final de domingo será Nadal. E aí ele terá a chance de derrotar os três líderes do ranking, o soberano Big 3, numa sequência histórica. Será?

Acredito que Nadal tenha recuperado grande parte de sua confiança com as três vitórias em Madri, e ainda mais por atropelar um adversário da qualidade de Wawrinka. Porém, ao mesmo tempo ele pode entrar em quadra neste sábado com o pequeno fantasma de ter sido eliminado nas duas semifinais que fez no saibro nas últimas semanas, em Monte Carlo e Barcelona. E a ansiedade é um dos maiores inimigos de qualquer tenista.

Stefanos Tsitsipas já teve três experiências diante de Nadal, o que é sempre valioso, mas somente em uma conseguiu ser competitivo, na final inesperada que fez no Canadá no ano passado. Sobre o saibro de Barcelona e ainda mais em Melbourne de janeiro, viveu um pesadelo. Embora tenha golpes de base que claramente amadurecem, Stef gosta mesmo é de atacar e a altitude de Madri ajuda. Usou excepcionais voleios para barrar o atual campeão Alexander Zverev nesta sexta-feira, num jogo intenso e de qualidade muito boa.

Limitado a treinar, Djokovic deve ter assistido a isso tudo. O quanto a parada forçada será boa ou ruim, teremos de esperar para ver. Se ficou livre de qualquer pressão e enfim faz uma semifinal de Masters na temporada, não ir à quadra quebra totalmente o ritmo de competição. Mais do que nunca, sua longa experiência em momentos importantes terá de fazer diferença.

Grande final feminina
A holandesa Kiki Bertens terá sua segunda chance de ganhar Madri neste sábado e, ao mesmo tempo, adiar outra vez a oportunidade de Simona Halep retornar à liderança do ranking. A romena gosta mesmo do saibro veloz e já vai em busca do terceiro título em quatro edições na Caixa Mágica.

Aos 27 anos, Bertens vive grande momento no circuito. Utiliza bem seu 1,83m para buscar um jogo ofensivo, embora não seja afoita. É um contraste com a preferência de Halep pelos contragolpes e assim deveremos ter um duelo de estilos e táticas dos mais interessantes. O histórico confirma isso: 3 a 2 para Halep.

Sem ainda perder sets na semana, incluindo a ótima vitória sobre Petra Kvitova, Bertens também tem seu sonho de ranking e chegará pela primeira vez ao top 5 caso conquiste seu nono e maior troféu. Se erguer o 19º da carreira e o primeiro da temporada, Halep chegará ao número 1 pela terceira vez.

Curtinhas
– Incansável, Tsitsipas disputou à noite a semi de duplas ao lado de Koolhof e se esforçou: perderam no match-tiebreak para Rojer/Tecau, que mais cedo viram Medvedev se contundir e deixar Demoliner na mão.
– Thiem também está na semi de duplas, junto a Schwartzman, e joga depois das simples contra Pella/Sousa.
– Federer entrou na chave de Roma, mas diz que só irá decidir pela ida ao Foro Itálico no fim de semana. No seu lado da chave ficaram Tsitsipas ou Fognini e depois Nadal ou Thiem. Até mesmo a segunda partida contra Coric ou Aliassime pode ser dura.
– O caminho de Djokovic tem Cecchinato nas oitavas, Medvedev nas quartas e Zverev, Monfils ou Nishikori na semi.
– Gente boa de saibro, como Lajovic, Jarry, Hurkacz, Munar e Klizan, terão de jogar o quali.
– O Premier romano tem como grande atração a presença da tricampeã Serena, que fará seu único preparativo para Roland Garros. Entre as melhores, apenas Kerber ficou de fora por contusão.