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Nadal faz mágica outra vez
Por José Nilton Dalcim
13 de março de 2022 às 00:13

É bem verdade que foi o pior Rafael Nadal da temporada 2022, mas ganhar sem jogar o melhor tênis é também uma virtude dos campeões e o canhoto espanhol sabe muito do assunto. Na base de garra, com tremendas oscilações principalmente no saque, ele contou com a falta de determinação do garoto Sebastian Korda na hora de concluir o placar e com isso chega à 16ª vitória consecutiva.

A batalha de Indian Wells foi aquele típico jogo de capítulos claramente distintos. Korda entrou apressado e levou um baile, mas depois calibrou a devolução, ousou mais da base e achou um buraco interessante ao fugir para bater o forehand cruzado. Tudo é claro favorecido por um serviço muito instável do número 4 do ranking.

De repente, Korda estava com duas quebras, saque e 5/2 de vantagem. Parecia irreversível. Apenas parecia. O norte-americano sentiu os nervos na primeira chance e viu Rafa aplicar grandes contragolpes na segunda. AInda teve um break-point incrivelmente fácil para ir a 6/5. Conseguiu empurrar para o tiebreak e de novo teve dois saques com 3-2. Faltou a ele o que sobra para Nadal: controle mental. Ainda assim, consciente do dia ruim, o espanhol admitiu que teve sorte e frisou a dificuldade de se controlar a bola no deserto californiano.

Nadal, que antecipadamente já descartou Miami do seu calendário – um dos raros grandes torneios que jamais conquistou, mas uma decisão sábia frente à longa trajetória no saibro europeu -. tentará terceira vitória na quadra dura contra Daniel Evans, que não ganhou set até hoje. Se estiver inteiro na parte física, é de se esperar o espanhol explorar sem descanso o backhand do britânico, que abusa no uso do slice. E todos sabemos que esse golpe não incomoda Rafa.

Bem mais cedo e com muito maior facilidade, Daniil Medvedev deu o primeiro dos três passos que precisa para manter o número 1 do ranking. Até demorou um pouquinho para achar o ritmo de fundo de quadra, mas daí em diante o tcheco Tomas Machac foi presa fácil. Reencontra agora Gael Monfils, contra quem perdeu uma e venceu outra em 2019, e se confirmar terá outro jogo duro diante de um espanhol, Carlos Alcaraz ou Roberto Bautista.

A parte inferior da chave masculina ainda terá a estreia dos favoritos neste domingo e alguns jogos parecem interessantes: Berrettini-Rune, Aliassime-Zandschulp, Carreño-Munar, Nakashima-Tiafoe, Querrey-Isner e Bublik-Murray. Com a desistência de Novak Djokovic, Grigor Dimitrov herdou o lugar do cabeça 2 e sua caminhada, mas o búlgaro não anda confiável e pode então pintar a grande chance de Murray fazer um Masters decente, algo que não acontece desde seu título em Bercy de 2016.

Dez cabeças fora no feminino. E contando.
A chave feminina, mais adiantada, completou todo o quadro da terceira rodada e manteve o padrão atual: festival de surpresas e grandes nomes deixando a briga muito cedo.

O lado superior perdeu Garbiñe Muguruza, Karolina Pliskova, Elina Svitolina, Belinda Bencic, Tamara Zindasek e Alizé Cornet, enquanto o lado inferior já não tem mais Aryna Sabalenka, Ons Jabeur, Jelena Ostapenko e Jessica Pegula. Ouso dizer que somente as quedas de Jabeur e Ostapenko foram menos esperadas.

E não foi só. Simona Halep, Emma Raducanu, Iga Swiatek e Petra Kvitova foram levadas ao terceiro set e a atual campeã Paula Badosa quase se enrolou. Estreia realmente tranquila coube apenas para Anett Kontaveit e Maria Sakkari.

Três destaques, um tanto tristes. Primeiro, a virada inacreditável que Muguruza levou da boa Alison Riske, já que a espanhola fez 6/0 e 3/0 e ganhou depois tão somente mais um game até o fim da partida. Depois, o abandono completamente sem sentido de Amanda Anisimova depois de perder quatro match-points contra a guerreira Leylah Fernandez. E pior de tudo, a ofensa da torcedora que tirou Naomi Osaka de órbita, levou a japonesa às lágrimas e à derrota. Como ela bem lembrou, isso aconteceu com Serena e Venus lá mesmo em Indian Wells, levando a longo boicote das irmãs ao torneio.

A briga por vaga nas oitavas tem como destaque Halep-Gauff, Swiatek-Tauson, Kasatikina-Kerber, Azarenka-Ribakina e Sakkari-Kvitova.

Bia Haddad Maia fez três jogos distintos. Em simples, se aproveitou dos mais de 70 erros de Sofia Kenin nos dois sets disputados, mas diante da jovem Tauson faltou um saque mais contundente. A canhota paulista até aguentou a pancadaria imposta pela dinamarquesa, que faz tudo muito direitinho. Em duplas, Bia e Anna Danilina deixaram escapar cinco match-points diante das campeãs do US Open de 2020.

Dolorosas frustrações
Por José Nilton Dalcim
29 de junho de 2021 às 19:17

Foi uma terça-feira triste em Wimbledon. Começou pela atuação tão abaixo da crítica de Roger Federer, prosseguiu com a lamentável contusão do seu adversário Adrian Mannarino que fazia uma grande exibição e foi concluída com as lágrimas da supercampeã Serena Williams, ao complicar a contusão na coxa direita ainda no quarto game com consequente abandono.

O suíço até ganhou o primeiro set, mas só foi mostrar o tênis que se espera dele sobre a grama lá nos games disputados no quarto set. Apertado pelo placar,  enfim mostrou-se efetivamente agressivo, com devoluções arriscadas e melhor exploração do jogo de rede. No resto do tempo, não fez mais do que trocar slices e manter a bola em jogo, o que obviamente agradou Mannarino. O francês não tem grande potência e assim gosta de um jogo cadenciado. Decepcionante.

É verdade que Federer já tinha quebra na frente no quarto set no momento em que Mannarino se desequilibrou e torceu o joelho direito, o que o forçaria a abandonar logo depois já que mal se movia. Uma pena. Não fosse essa incrível falta de sorte, nada garantia que o francês não levasse a vitória num eventual quinto set. O próprio Roger reconheceu que o adversário era o melhor em quadra e só aumentou as dúvidas sobre sua real situação técnica, física e principalmente emocional.

Parece que superar a primeira semana será mesmo sua maior meta, como ele afirmou no sábado. Agora, terá pela frente Richard Gasquet, contra quem tem 12 a 2 e dez anos de ‘fila’, mas se existe um lugar em que Gasquet pode ser perigoso é na grama. E no grau de confiança que Federer está…

A saída de Serena não foi menos chocante. A heptacampeã também apostava suas fichas em Wimbledon para enfim retornar aos troféus de Grand Slam – perdeu as finais de 2018 e 2019 como favorita – mas deve ter se contundido nos treinos. Apesar da coxa enfaixada, tinha 3/1 quando escorregou e torceu o tornozelo da mesma perna. Foi mancando para o atendimento, já com cara de choro, e logo depois teve mesmo de desistir, aí já sem conter as lágrimas. Ao que tudo indica, vai para sua derradeira tentativa do 24º Slam no US Open já que o físico definitivamente não a sustenta mais

E mais
– Outra grande atuação de Medvedev na grama, vingando-se da derrota para Struff de Halle dias atrás. Devem vir agora dois jogos mais fáceis e chegar nas quartas não parece mais tão complicado. Saque forçado, ótima movimentação e bolas retas têm sido seu cardápio, enriquecido com alguns ótimos voleios.
– Zverev, que só tem uma presença em oitavas no torneio, fez o que se esperava diante de um quali. Evans foi muito bem contra López e Shapovalov sofreu com o sempre ardiloso Kohlschreiber, num dos melhores jogos do dia.
– Arsenal repleto, gostei demais da atuação de Korda contra De Minaur, que vinha de título no sábado. Aliás, terceira surpresa americana, repetindo Tiafoe e Stephens.
– Cada vez que vejo Kyrgios jogar bate aquela raiva: por que esse rapaz não leva o tênis a sério? Fora do circuito há quatro meses, fez lances geniais, abusou da improvisação que a grama exige e levou Humbert ao quinto set, suspenso no 3/3. O canhoto francês está super afiado e o jogo até aqui foi muito bom.
– Outro momento emocionante foi a atuação de garra de Carla Suárez diante de Barty. A australiana exibiu todo seu rico tênis, mas a espanhola levou o segundo set e saiu aplaudida por toda a Central, incluindo a número 1.
– A campeã de Roland Garros mostrou-se muito à vontade na grama. Duplista de mão cheia, Krejcikova tem bom teste contra Petkovic. Nada mau se cruzar com Barty lá nas oitavas.
– Kerber manteve embalo, Pliskova e Gauff venceram dois sets duros. E Venus, aos 41, voltou a vencer em Wimbledon após três anos. Essa, sim, é exemplo magnífico de amor à profissão.

Chove, chuva
– Treze jogos masculinos ainda de primeira rodada foram completamente adiados para quarta-feira, o que obrigará seus vencedores a volta à quadra no dia seguinte para a segunda partida. Nesse grupo estão Monteiro-Aliassime, Dimitrov-Verdasco, Querrey-Carreño, além de Taylor Fritz, Lorenzo Sonego e Alexander Bublik.
– Outros cinco jogos não terminaram, com destaque para Cilic e Norrie que ainda vão abrir o segundo set. Monfils começou na segunda-feira e seguirá pelo terceiro dia.
– O pior é que Monfils e Garin são da parte superior da chave, que já entrará na segunda rodada nesta quarta. Ou seja, quem vencer joga quinta e quem sabe na sexta também.
– O feminino adiou 14 partidas inteiras, lista que tem Andreescu-Cornet e nomes como Bencic e Azarenka, e tem uma suspensa no terceiro set. As ganhadoras também terão de voltar na quinta, mas no feminino o desgaste é bem menor e todos os jogos não completados pertencem ao lado superior.
– Ao menos, a previsão diz que só voltará a chover em Londres sábado e domingo, em forma de pancadas.

A frase
“Foi um final de jogo terrível, que não gosto nem de ver. Eu me senti muito mal, principalmente com tudo que passei com o joelho”.
Roger Federer

Sem os top 5, renovado Miami promete
Por José Nilton Dalcim
1 de abril de 2021 às 23:39

Miami verá um campeão de Masters 1000 inédito e chega à semifinal sem um favorito claro. Se a experiência joga a favor de Roberto Bautista, o explosivo Andrey Rublev faz um início de temporada muito confiante. Mas ambos estarão diante de adversários para quem perderam em confrontos diretos: Bautista frente o jovem Jannik Sinner e Rublev, do frio Hubert Hurkacz.

Bautista jogou um tênis primoroso na quarta-feira e outra vez barrou Daniil Medvedev, repetindo o que fizera nas quartas de Cincinnati no ano passado. Está na sua quarta semi de Masters e busca repetir a final de Xangai lá de 2016. Não é portanto apenas o mais velho e único ‘trintão’ da reta final de Miami, mas também o de maior currículo. Aliás, um eventual título também o levará de volta ao top 10.

A vitória sobre o número 2 do mundo não coroou apenas sua conhecida solidez na base, mas premiou a versatilidade, algo que claramente falta a Medvedev. O espanhol de 32 anos surpreendeu com trocas para a paralela, deu curtinhas na hora certa e ousou junto à rede, com direito até a saque-voleio.

Seu adversário será o mesmo Sinner que o venceu duas semanas atrás em Dubai com 7/5 no terceiro set. O italiano de 19 anos arrancou a vitória de Alexander Bublik, que teve 4-1 no tiebreak e 3/0 no segundo set e fez uma exibição na base do risco, com devoluções a 160 km/h e saque por baixo. Sinner, que já havia batido Bublik no mesmo Dubai, não escondeu a surpresa com a mudança tática e fez elogio: “Ele é um dos mais talentosos do circuito, tem uma mão incrível”. No jogo de pontos muito curtos, o italiano fez 26 winners, 28 deles de forehand.

A sexta-feira começou com a notável virada de Hurkacz sobre Stefanos Tsitsipas. O grego abriu 6/2, 2/0 e 15-40, dando ideia de que justificaria o histórico de 6-1 nos duelos diretos. Num passe de mágica, no entanto, se perdeu na partida e deu confiança para o polonês investir nos winners (foram 41 a 22), com destaque ao primeiro saque preciso nos momentos mais delicados. Também em sua primeira semi de Masters aos 24 anos, Hurkacz ganhou seus oito jogos na Flórida neste começo de ano – foi campeão de Delray Beach em janeiro – e já tirou três cabeças de Miami, lista que inclui Denis Shapovalov e Milos Raonic.

Ele reencontrará Rublev, mais um que faz a primeira semi de Masters. Hurkacz venceu o único duelo entre eles, no lento saibro de Roma do ano passado, mas é difícil tirar o favoritismo do russo, que ainda não perdeu set em Miami. Teve seu jogo mais duro nesta noite diante de Sebastian Korda, ainda que tenha sacado com 5/3 nos dois sets e aí perdido serviços pela primeira vez no torneio. Para alguém que adora espancar a bola, é notável que ele tenha vencido o primeiro set com apenas três winners e terminado com 15, comentendo apenas 13 erros.

Grande sensação da chave masculina, Korda encarou de frente o número 8, teve pequenas falhas com o serviço devido à afobação e ainda sentiu um problema na virilha que não o impediu de lutar muito e quase levar o segundo set. Sai como real promessa de evoluir rapidamente ao longo da temporada, já que será 64º na segunda-feira e isso lhe dá vaga nos Slam, alguns ATP 500 e qualquer ATP 250.

Rio Open só em 2022
Mais uma notícia ruim para o tênis brasileiro, ainda que totalmente esperada. O Rio Open não vai mesmo acontecer em 2021 em função do agravamento da pandemia no país. Os organizadores pensavam ainda em conseguir uma data em julho e com isso ainda aproveitar a autorização de captação de verba, que tinha esse prazo.

Mas o quadro sanitário continua imprevisível – espera-se um abril ainda pior do que março -, o país está isolado do cenário internacional e ainda haveria grande chance de o torneio ter de acontecer sem público, o que inviabilizaria contratos publicitários essenciais. Tudo muito triste.

E mais
– Desde 2010, esta será apenas a segunda vez que Miami terá um campeão inédito, repetindo John Isner de 2018. Nesse longo período, Djokovic ganhou cinco vezes e Federer, duas.
– Nos últimos 26 Masters 1000 disputados desde Roma de 2017, o circuito viu 13 campeões fora do Big 4: Zverev (3), Dimitrov, Sock, Del Potro, Isner, Khachanov, Thiem, Fognini e Medvedev (3).
– Antes de Sinner, sete outros adolescentes atingiram a semifinal de Miami. Desse total, cinco foram número 1 do mundo: Agassi, Hewitt, Nadal, Murray e Djokovic. Os outros foram Aliassime e Shapovalov.