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Os melhores golpes do tênis profissional (parte 1)
Por José Nilton Dalcim
5 de junho de 2020 às 17:31

Entre os vários desafios propostos aqui neste Blog, certamente este é um dos mais complexos. O motivo é um tanto óbvio: quando se fala em tênis profissional de altíssimo nível, a diferença técnica em si se mostra muito apertada, por vezes inexistente.

Como diferenciar ‘forehands’ se ele é o golpe de definição de 90% dos tenistas desde que tênis é tênis? Será que apenas força justifica o voto no ‘melhor saque’? E como destacar um jogo de rede mais perfeito, ainda mais se pensarmos que volear era absurdamente muito mais comum até pelo menos o fim da década de 1980?

Então para direcionar esta primeira parte – sim, não há como colocar tudo numa leva só -, tomei por base o aspecto técnico, o poder de definição do golpe e qual o peso dele na carreira do tenista. Começo com quatro itens, e com certeza já teremos muita margem para debates. Vou justificar apenas o primeiro lugar de cada escolha.

Melhor forehand
A capacidade de disparar golpe preciso e potente de qualquer ponto da quadra e principalmente sob pressão me fizeram optar por González e Steffi.

Masculino
1. Fernando González
2. Juan Martin del Potro
3. Roger Federer
4. Rafael Nadal
5. Ivan Lendl
Menções honrosas: Bjorn Borg e Pete Sampras

Feminino
1. Steffi Graf
2. Serena Williams
3. Monica Seles
4. Ana Ivanovic
5. Petra Kvitova
Menções honrosas: Maria Sharapova e Venus Williams

Melhor primeiro serviço
O poder de marcar aces sobre qualquer piso aponta para Isner. Já Serena me parece sem discussão.

Masculino
1. John Isner
2. Ivo Karlovic
3. Roger Federer
4. Pete Sampras
5. Goran Ivanisevic
Menções honrosas: Boris Becker, Andy Roddick

Feminino
1. Serena Williams
2. Maria Sharapova
3. Steffi Graf
4. Venus Williams
5. Martina Navratilova
Menções honrosas: Lindsay Davenport, Sabine Lisicki

Melhor jogo de rede
Com bola e piso muito mais lentos, Federer precisa fazer mais para ganhar pontos nos voleios. Martina foi absoluta.

Masculino
1. Roger Federer
2. Pete Sampras
3. Boris Becker
4. Stefan Edberg
5. John McEnroe
Menção honrosa: Rod Laver, Patrick Rafter

Feminino
1. Martina Navratilova
2. Justine Henin
3. Margaret Court
4. Billie Jean King
5. Evonne Goolagong
Menção honrosa: Hana Mandlikova, Martina Hingis

Melhor backhand de uma mão
Stan e Guga elevaram o poder ofensivo do golpe. Henin tirou o máximo de variedade e precisão.

Masculino
1. Stan Wawrinka
2. Gustavo Kuerten
3. Stefan Edberg
4. Roger Federer
5. Ivan Lendl
Menções honrosas: Richard Gasquet, Guillermo Vilas

Feminino
1. Justine Henin
2. Steffi Graf
3. Martina Navratilova
4. Margaret Court
5. Billie Jean King
Menções honrosas: Evonne Goolang, Amélie Mauresmo

Federer saca como mulher
Por José Nilton Dalcim
25 de setembro de 2014 às 21:00

Certamente você ficou curioso com esse título, não? Eu também, por isso fui ler o interessante artigo de Aaron Gordon publicado durante o US Open na Slate Magazine, que guardei para um bom momento.

Gordon lembra logo de início que Sabine Lisicki marcou o novo recorde feminino em Stanford, com 210 km/h, marca superior a qualquer serviço dado por Roger Federer em toda esta temporada. A alemã anotou 200 no US Open, apenas 1 a menos que Novak Djokovic e muito melhor do que 29 homens, lista que inclui David Ferrer, Kei Nishikori, Richard Gasquet e Mikhail Youznhy, todos top 20 de então. Aliás, não só Lisicki, mas também Serena Williams, cuja média de primeiro saque (174 km/h) foi igual a de Niskikori e maior do que Gasquet (168).

O especialista David Epstein compara modalidades esportivas para mostrar que esse fato é algo sui generis. “Os top 10 velocistas em qualquer distância no atletismo são 11% mais rápidos do que as corredoras; no salto em distância, 19%. A menor diferença acontece nos 800 metros da natação, com 6%”, pontua. Consultado, Johnette Howard, da Wilson americana, garante que a tecnologia das raquetes não pode explicar isso. “Os métodos de treinamento e a mecânica do golpe são mais decisivos”, opina.

Especulou-se durante o US Open que tal proximidade entre a velocidade dos saques seria causada pela bola, já que este é o único Grand Slam que utiliza uma bola um pouco mais leve para as mulheres. No entanto, em Wimbledon, onde o material é idêntico, 20 mulheres sacaram a 178 km/h ou mais, enquanto em Nova York 20 obtiveram 180 km/h ou superior, algo quase insignificante. Madison Keys chegou a 198 km/h em Wimbledon, marca superior a de Ferrer.

O articulista lembra de um estudo conduzido por Timothy Olds, professor da Universidade do Sul da Austrália, para quem o saque no tênis depende de dois fatores básicos: a altura do contato entre a raquete e a bola e também da velocidade com que esse contato acontece. Como homens geralmente são mais altos que mulheres, há uma vantagem evidente. Já o contato está diretamente relacionado com a velocidade que o tenista imprime à cabeça da raquete. Segundo o estudioso, o movimento cinético engloba torso, braço, antebraço e punho, e considera a força muscular e o comprimento do braço. É algo similar ao que acontece no golfe e nos lançadores de beisebol. No entanto, a diferença entre os dois sexos é muito menor no tênis no que nos outros dois esportes.

Outro trabalho feito na Austrália selecionou aborígenes masculinos e femininos em testes de lançamento de objetos. Deu-se idêntico treinamento a meninos e garotas, mas o resultado foi . que as meninas obtiveram velocidade bem menor de arremesso. Ou seja, a diferença não é uma questão cultural ou de seleção natural, mas biológica. Odds também afirma que o efeito dado à bola é outro componente fundamental no saque, o que se obtém através do punho. No entanto novamente não há uma clara diferença entre homens e mulheres no tênis. A conclusão é que o saque depende menos da força muscular.

Por fim, Gordon lembra o caso de Aleksandra Krunic, de 21 anos, que sacou a 189 km/h por hora no US Open mesmo tendo apenas 1,64m e 53 quilos. E conclui: há mais coisa no saque do que apenas força bruta. Dica excelente para os treinadores.