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Feminino terá uma nova heroína. Outra vez.
Por José Nilton Dalcim
2 de julho de 2013 às 21:11

Quatro europeias irão concorrer a partir desta quinta-feira a uma glória reservada para poucos: receber a bandeja de prata de Wimbledon pela primeira vez das mãos da duquesa de Kent. Não se pode dizer que o mais tradicional dos torneios tenha sido uma mesmice na chave feminina nos últimos tempos. Desde 2002, esta será a quinta campeã diferente. Nos últimos 20 anos, a décima.

Aliás, com as quedas de Petra Kvitova e Na Li, também será obrigatoriamente uma nova campeã de Grand Slam, mas isso também não tem sido algo tão raro entre as meninas. No ano passado, Vika Azarenka debutou na Austrália. Em 2011, foi um festival, com Li em Paris; Kvitova em Wimbledon e Stosur nos EUA. Nos anos anteriores, Roland Garros consagrou Schiavone (2010) e Ivanovic (2008). Sem falar em Clijsters, bicampeã em 2009 nos EUA voltando da aposentadoria. Ou seja, é quase uma norma nas últimas seis temporadas.

Difícil também prever que tem mais chances. Claro que a experiência pesa a favor de Marion Bartoli diante de Kirsten Flipkens e de Agnieszka Radwanska sobre Sabine Lisicki. Porém, a diferença é tênue, apesar de estilos dispares. Enquanto Radwanska aposta na regularidade e improviso, Lisicki tem um belo saque. Flipkens mostra um jogo bem completo e Bartoli pode ser a primeira e única campeã (ou campeão) a golpear a bola com duas mãos nos dois lados, algo que nem Monica Seles conseguiu.

A história mais sentimental certamente é a de Kirsten, que nos remete a outras ‘volta por cima’ que temos visto recentemente no circuito, com Haas, Serena e Nadal para ficar em grandes nomes. “Poderia contar numa mão as pessoas que continuaram acreditando em mim”, resume a belga de 27 anos, que descobriu coágulos no sangue das pernas, a conhecida trombose, despencou para 262 do mundo e perdeu todos os patrocínios. Hoje, ela tirou nada menos que a campeã Kvitova, que jogou com febre, é verdade.

Não menos curioso é o fato de vermos tanto sucesso do tênis polonês num só Slam. Radwanska está longe de ser uma surpresa – foi finalista no ano passado e é a quarta do mundo -, mas agora existe a certeza de termos também Janowicz ou Kubot na semi masculina e, quem sabe, a Polônia faça as duas finais. Incrível. “A maior pressão está sempre na primeira semana. Já estive na final aqui, isso pode me ajudar”, diz ela, que precisou ser atendida duas vezes na dura partida contra Na Li.

A opinião de Martina Navratilova, de longe a maior especialista em Wimbledon, tem peso: “Este quadro final mostra o quão o tênis ainda pode ser imprevisível”. Não fica no muro e escolhe logo a sua favorita: Lisicki.

Masculino – A quarta-feira conhecerá os semifinalistas e é, claro, existem quatro favoritos. Novak Djokovic tem 13-2 contra Tomas Berdych, embora tenha perdido em Wimbledon de 2010; Andy Murray leva 8-1 em cima de Fernando Verdasco; David Ferrer soma 6-2 sobre Juan Martin del Potro e foi quem tirou o argentino no ano passado; e Jerzy Janowicz jamais enfrentou Lukasz Kubot, mas um é 22º aos 22 anos e o outro, 130º do ranking aos 31.

Então quer dizer que apenas serão cumpridas tabelas? Claro que não. Mas Berdych dependerá de um dia muito inspirado para colocar enorme pressão sobre Nole, enquanto Verdasco terá de jogar no nível de quatro anos atrás para conter o escocês e sua fanática torcida. Delpo precisará de excepcional saque e reduzir as trocas de bola, embora subir à rede seja seu fraco. E Kubot dependerá de uma margem de erro inferior à do compatriota, já que ambos batem forte, reto e arriscam muito.

Eu pessoalmente acho que a maior chance de ‘surpresa’ seja Del Potro, e vocês?

A primeira vez…
que Wimbledon pagou prêmios aos campeões de simples foi em 1968, na largada da Era Profissional. O campeão Rod Laver faturou 2 mil libras e Billie Jean King, apenas 750. Hoje, quem perde na primeira rodada leva 23,5 mil libras e aqueles que levarem os troféus de simples receberão 1,6 milhão de libras.

A última vez…
que uma mesma parceria ganhou todos os quatro torneios de Grand Slam numa mesma temporada foi em 1951, com os australianos Ken McGregor e Frank Sedgman, algo aliás que jamais havia acontecido. Eles também têm o recorde de sete troféus consecutivos. Os Bryan buscam repetir a façanha e ganhar o quarto seguido neste Wimbledon, sem falar que são os atuais campeões olímpicos.