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Federer e Murray rumam para a batalha
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2015 às 00:40

A primeira semana acabou, metade da tarefa está completada pelos grandes favoritos. No lado inferior da chave masculina do US Open, o suíço Roger Federer e o britânico Andy Murray tiveram caminhadas diferentes, porém entrarão na reta decisiva com muita moral. Se Federer não cedeu sets e enfim cedeu seus primeiros dois games de serviço, Murray reagiu após a má apresentação de quinta-feira e mostrou toda sua categoria em cima de um esforçado Thomaz Bellucci.

Federer ficou 78 games sem perder o serviço, até enfim ser batido no quarto game do segundo set. E voltou a falhar no começo do terceiro, quando permitiu 0/2 ao alemão Philipp Kohlschreiber. Nada que desse para assustar. O suíço gosta mesmo de Nova York e manteve sua incrível série de atingir pelo menos as oitavas de final em todas as edições desde 2001, ou seja, já são 14 anos consecutivos.

Com isso, chega à 75ª vitória no torneio e iguala Vic Seixas, ficando a quatro de Andre Agassi (a marca de 98 de Jimmy Connors parece inalcançável). Percentualmente, sua eficiência sobe para 88,2%, atrás somente dos 88,7% de Pete Sampras (71 em 80) na Era Profissional. Na fase amadora, Bill Tilden ganhou 71 de 78. Estatística curiosa: desde que completou 30 anos, Federer ganhou 20 torneios, tendo agora 262 vitórias e 51 derrotas (84% de aproveitamento). Êta velhinho bom.

Seu adversário será John Isner. E, acreditem, o americano ainda não jogou um único tiebreak em suas três partidas deste Open, algo inédito em sua trajetória em Nova York, em que disputou ao menos um desempate em 21 de 26 partidas. Até agora, o gigantão perdeu apenas 14 pontos com seu primeiro saque e manteve todos seus últimos 93 games de serviço em Flushing Meadows (54 no ano passado e 39 neste).

Murray, por sua vez, esbanjou categoria em cima de Bellucci. O brasileiro começou muito bem, fez 2/1 e saque, 40-30. Era fundamental se manter à frente e ganhar confiança, mas cometeu duas duplas faltas e acordou o britânico, que passou a jogar cada vez melhor, com enorme variação. Bellucci perdeu intensidade, quase cede também o saque no começo do terceiro set. Mas se levantou, brigou muito o tempo inteiro, tentou um pouco de tudo, mas a distância técnica para o escocês se mostrou enorme e insuperável. Se Murray jogar dessa forma, vai facilmente às quartas. Dominic Thiem, que completou 22 anos na quinta-feira, mostrou suas limitações muito defensivas para um piso rápido e foi dominado pelo sul-africano Kevin Anderson.

Quem ainda precisa mostrar mais tênis é Stan Wawrinka. Muito instável, sacando abaixo da média, sofrendo até mesmo contra um quali como Ruben Bemelmans. Destruiu uma raquete mesmo depois de ter vencido o primeiro set, mostrou preguiça e quase se enrola na hora de fechar. Seria amplo favorito diante de Donald Young, não fosse sua cisma ao encarar canhotos. Perdeu de Young quatro anos atrás lá mesmo em Flushing Meadows. Com apoio maciço da torcida, o americano conseguiu sua segunda virada de 0-2 em apenas quatro dias. Jogou com coragem diante de um Viktor Troicki que não soube ganhar quando deveria.

Por fim, teremos o interessante duelo entre Tomas Berdych e Richard Gasquet. Ainda que não tenha levantado qualquer título nem feito uma fantástica caminhada em qualquer Slam, o tcheco vive sua melhor temporada em termos de vitórias, com 45 em 59 jogos, chegando a 76% de eficiência. Mas tem uma bola reta que agrada muito Gasquet. O francês vai ser proibido de entrar na Austrália, já que ganhou 14 dos últimos 15 duelos contra os ‘aussies’, agora 10 seguidos. Sua vitória garantiu um feito histórico para o tênis francês, que nunca havia classificado quatro nomes para as oitavas masculinas do US Open. Ele se junta a Tsonga, Paire e Chardy.  Em uma boa temporada, ele aparece pela sexta vez nas oitavas do torneio, tendo uma semi dois anos atrás.

O complemento da terceira rodada feminina teve cinco dos oito jogos decididos na terceira série, alguns de excelente nível, como o de Vika Azarenka em cima de Angelique Kerber, e outros muito emocionantes, como a incrível virada de Sabine Lisicki, que perdia de 1/5 no terceiro set contra Barbora Strycova. As redes sociais faltam de um atrito entre os treinadores das duas depois da partida, já que a alemã pediu longo atendimento médico no 1/4.

Bem tranquilas foram as vitórias de Simona Halep e Petra Kvitova, que parecem as mais capacitadas desse lado inferior da chave. E, que legal, teremos um duelo direto entre as experientes Sam Stosur e Flavia Pennetta. A namorada de Fabio Fognini, que mal conseguiu ver a partida contra Rafa Nadal devido ao horário, também fez das suas e virou contra Petra Cetkovska depois de tomar 1/6. Pennetta é um perigo numa quadra sintética.

Manias e surpresas
Por José Nilton Dalcim
18 de junho de 2015 às 11:45

Ah, esses jornalistas.

Para esquentar a temporada de grama, nada como achar coisas diferentes para atrair o público. Dias atrás, um colunista do Independent reviveu a curiosa lista (acho que a primeira que li foi há cinco anos) das manias menos conhecidas de Rafael Nadal, mas que, tal qual alinhar garrafinhas, arrumar o calção antes do saque ou da devolução ou correr para o fundo da quadra após o sorteio da moedinha, sem jamais pisar as linhas, são cumpridas num verdadeiro ritual para que o espanhol esteja totalmente preparado para a batalha.

Vejam só:

– Por volta de 45 minutos antes de uma partida, ele toma um banho de água fria.

– Sempre entra em quadra com uma raquete na mão.

– Somente ele pode colocar os ‘grips’ (aquela proteção que vai no cabo da raquete para amenizar suor e melhorar a firmeza da mão no cabo) em suas raquetes. Rafa faz isso dentro do vestiário. Os grips são sempre brancos.

– Sua raqueteira precisa ser colocada bem próxima a ele, na cadeira, em cima de uma toalha. Jamais será colocada no chão.

– Ele sempre bebe um pouco do líquido que carrega em cada uma das duas garrafas que leva à quadra. Uma tem líquido gelado, a outra líquido morno.

– Jamais se levanta da cadeira para retornar à quadra antes do adversário, assim como jamais é o primeiro a ir se sentar, sempre dando passagem ao oponente.

– Nadal adotou novo critério para se enxugar, o que faz praticamente a cada ponto, até mesmo um ace ou dupla falta. Agora leva duas toalhas, entrega cada uma delas a um pegador e recebe ambas de volta a cada troca de lado.

Aliás, desde o começo do ano, quando esteve aqui no Rio, observei mais uma novidade: ao término de um game em que tem de ir para a troca de lados, esteja onde estiver, ele dá uma volta sobre o centro da quadra (aquela pequena marca que divide a linha de base e serve de orientação para sacar do lado certo).

Enquanto isso, a quadra de grama vai cobrando caro. Se existe uma superfície em que um tenista não pode se dar ao luxo de desperdiçar chances, essa certamente é a grama. Ainda mais se você estiver no saque, porque achar uma oportunidade de quebrar de volta pode ser uma tarefa inglória.

Foi assim com Nadal diante de Alexandr Dolgopolov – ter 4/2 no terceiro set e não levar é quase um crime na grama -, mas também com Stan Wawrinka e o absurdo erro de forehand no set-point do segundo tiebreak diante de Kevin Anderson e com o atual campeão Grigor Dimitrov, que fez 3-0 no tiebreak contra Gilles Muller antes de tomar a virada.

Ao final da segunda rodada em Queen’s e Halle, ao menos temos coisas diferentes acontecendo no circuito, como Jerzy Janowicz, Florian Mayer e Guillermo Garcia-López se juntando aos vitoriosos inesperados.

E o que foi essa marca de 27 aces da alemã Sabine Lisicki? Em 11 games de serviço, dá quase três de média! Poucos homens são capazes disso, ainda é claro que devolução no feminino seja um pouco mais frágil. Lisicki é sem dúvida uma das maiores sacadoras do circuito, o que também combina muito bem com a grama.

Punho direito coloca sombras no canhoto Nadal
Por José Nilton Dalcim
30 de julho de 2014 às 20:06

Contusão no punho é um mal do novo tênis. A velocidade com que se golpeia a bola em todos os pontos de uma partida, as empunhaduras extremadas, o impacto constante de golpes pesados e velozes do adversário criaram um problema médico que já fez Juan Martin del Potro operar os dois braços.

Em abril, Novak Djokovic sentiu problemas e teve de abandonar Madri. Agora, a enfermidade ataca Nadal, que sofreu uma pequena ruptura durante treinamento nesta quarta-feira e se viu obrigado a desistir de Toronto e Cincinnati, já que ressonângia magnética indicou demora de até três semanas para a recuperação.

Detalhe importante: o canhoto Rafa contundiu o punho direito. E isso tem sido bem mais comum do que se imagina para os tenistas que batem o backhand com duas mãos. Porque é a mão não dominante que faz a maior parte do esforço durante o golpe, incluindo o trabalho de punho para angulação. O backhand de Nadal é claramente feito com esse esforço do punho direito.

A consequência da inesperada situação pode ser desastrosa para o espanhol. Além de ficar impedido de repetir os 2 mil pontos dos títulos do ano passado nos Masters, sua preparação para defender o US Open está evidentemente atrapalhada. Mesmo que se recupere por completo, estará sem o ritmo tão importante que um Slam exige. Vale lembrar que ele não joga sobre quadra dura desde o vice de Miami, há quatro meses.

Novak Djokovic fica assim favorito para o verão norte-americano e Roger Federer ganha o presente de virar cabeça 2 nos dois Masters. Livra-se de incômodas semifinais, ainda é claro que não se possa desprezar Stan Wawrinka ou Tomas Berdych, agora cabeças 3 e 4. Caso Del Potro fique de fora – o argentino ainda mantém seu nome na lista de inscritos -, David Ferrer, Milos Raonic, Grigor Dimitrov e Andy Murray serão os outros cabeças. Aliás, Ferrer está com dor no braço, não treina há dois dias e adiou viagem ao Canadá.

Em termos de ranking, Djokovic pode aproveitar o momento para abrir importante distância sobre Nadal. Se olharmos o ranking da temporada, que soma os pontos obtidos desde janeiro, ele já tem vantagem de 605 pontos. Dois Masters bem disputados em seu piso predileto podem levar a distância para perto dos 1.800. Isso lhe daria folga para o US Open.

Aliás, até Federer pode aproveitar a ausência e grudar no segundo posto – estou falando no ranking da temporada, lembrem-se -, trazendo para baixo os 2.085 pontos que o separam de Rafa. Como se vê, a contusão não poderia vir em hora mais delicada para Nadal.

O meu é melhor – Stefan Edberg deu boa entrevista à agência Reuters sobre seu trabalho com Roger Federer e admitiu: “Roger tem todos os golpes melhores do que já tive, mas meu backhand era melhor”. E explica: “Eu conseguia tanto atacar como me defender, era um golpe essencial para mim”. Quem viu Edberg em ação nos anos 1980, sabe que ele está cheio de razão.

Sobre o atual momento, Edberg aposta no pupilo: “Ele teve problemas sérios com as costas no ano passado, mas agora está em forma. Trabalhou muito nestes nove meses e ficou muito, muito perto de ganhar Wimbledon. Hoje ele joga tão bem quanto qualquer outro dos grandes”.

Recorde – Sabine Lisicki marcou em Stanford novo recorde de velocidade de saque para o tênis feminino durante jogo com Ana Ivanovic. E mais curioso, a sérvia devolveu quase com winner. Veja o lance.