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Paris e Wimbledon podem ver luta pelo nº 1
Por José Nilton Dalcim
29 de abril de 2021 às 21:26

Pouco provável em Roland Garros, muito mais palpável em Wimbledon, o tênis masculino poderá ver novamente luta pela liderança do ranking. Em Paris, três jogadores têm chance teórica de tirar o sono de Novak Djokovic. Ainda que não consigam nesta reta final do saibro europeu, campanhas consistentes criarão espaço para buscar o salto na grama.

As contas se baseiam no desempenho dos cinco primeiros colocados nos próximos três grandes torneios sobre o saibro e fundamentalmente no regulamento diferenciado imposto pela ATP desde a pandemia, que ainda garante 50% dos pontos para quem jogou Madri em 2019 e se arriscou em Roma e Paris em 2020.

Existe possibilidade matemática de Rafael Nadal, Daniil Medvedev e Dominic Thiem ameaçarem o número 1 em Roland Garros, mas o bom senso diz que é pequena, porque depende de campanhas medianas de Nole em Roma e em Paris e por um desastre no novo ATP de Belgrado, que ele decidiu jogar e que muito provavelmente terá poucos nomes de peso. Mas não somente isso. Obrigará Nadal e Thiem a campanhas perfeitas ou Medvedev a fazer grandes resultados, algo difícil de se imaginar para quem volta da covid e nunca teve muita simpatia pela terra batida. Stefanos Tsitsipas conseguirá no máximo se aproximar.

Wimbledon no entanto pode ver uma disputa até mesmo acirrada, já que Djokovic defende o título de 2019 e qualquer resultado que não seja uma nova final o fará perder 1.000 pontos. É o torneio em que Nadal foi semi, Medvedev só ganhou duas rodadas e onde Thiem e Tsitsipas sequer passaram da estreia. Ainda assim, esses pretendentes precisam ir bem na reta final do saibro.

Vamos ver um resumo do que cada um desses tenistas tem a defender ou a somar nas semanas que virão:

Novak Djokovic – 11.963 pontos
– Perderá 500 por não ir a Madri e cairá para 11.463.
– Defende título em Roma e assim tem garantidos 500, perdendo 500 se não for à final.
– Jogará o segundo ATP de Belgrado e somará tudo que fizer. Título vale 250 pontos.
– Vice em Roland Garros, perderá 600 pontos se cair até as quartas ou 480 se parar na semi.
O pior que pode acontecer a Djoko é sair do saibro com 10.373 pontos, mas ainda assim fica sob mínimo risco de ser ultrapassado por Nadal (veja abaixo). Essa chance do espanhol terminará se Nole ganhar dois jogos em Belgrado e fizer 90 pontos, o que lhe daria mínimo de 10.453.

Rafael Nadal – 9.810 pontos
– Foi semi em Madri-2019 e portanto pode somar 640
– Campeão em Roma-2019, só pode manter os 1.000 pontos
– Vencedor de Paris em 2020, tenta repetir os 2.000 pontos
Se for 100% nos três torneios, espanhol chegará a 10.450 pontos e terá de torcer contra Djokovic (veja acima) e também para que Medvedev não se saia bem nos três torneios (veja abaixo).

Daniil Medvedev – 9.700
– Perdeu na primeira rodada de Madri, Roma e Paris. Portanto só defende 30 pontos.
– Se fizer semi nos dois Masters e quartas em Roland Garros, saltará para 10.750 pontos e já passa a preocupar, embora de forma pouco expressiva.
– Caso atinja as três semis, somará 1.440 e totalizará 11.110 pontos, e isso obrigaria Djokovic a ganhar Belgrado e repetir o título em Roma ou a final em Paris.

Dominic Thiem – 8.365
Fez semi em Madri (360), caiu na estreia de Roma (10) e foi à final de Paris, tudo em 2019, o que ainda está valendo no ranking.
O máximo que pode totalizar, caso vença os três torneios, são 10.795 pontos. Isso lhe dá esperança, mas vinculada ao desempenho de Djokovic e de Medvedev.

Stefanos Tsitsipas – 7.910
Foi finalista em Madri de 2019 (600), quartas de Roma (360) e semi de Paris (720) no ano passado.
Os três títulos podem levá-lo ao máximo de 10.230 pontos e portanto seu maior sonho seria o número 2, quem sabe aí bem próximo de Djokovic.

Wimbledon
Djokovic não pode somar, com risco de perder 800 pontos caso seja finalista ou 1.000 com qualquer outra campanha. Nadal foi semi e portanto pode acrescentar 480 com final e 1.280 com o título. Uma final em que ele vencesse Djokovic faria com o que espanhol descontasse 2.080 pontos de uma só vez.

Medvedev por seu lado tem a defender 180 de Queen’s e 90 de Wimbledon, o que permite também somar a partir das quartas em Wimbledon (360 menos 270). Thiem e Tsitsipas são os que têm maior vislumbre de lucrar na temporada de grama, já que fizeram apenas 10 pontos em 2019.

Djokovic fica ainda maior
Por José Nilton Dalcim
21 de setembro de 2020 às 19:34

Foi uma segunda-feira dos sonhos para Novak Djokovic. No dia em que superou Pete Sampras na quantidade de semanas na liderança do ranking – 287 contra 286… e contando -, ele também recuperou a hegemonia de troféus de nível Masters e estabeleceu 36 a 35 sobre Rafael Nadal. Como resta apenas mais um no calendário, o de Paris, o máximo que pode acontecer é um empate.

Os feitos de Djokovic crescem a cada semana. Com o quarto título da temporada, ele também chega a 81 na carreira e está apenas a quatro de Nadal, o quarto colocado. Ainda há um bom espaço para os 94 de Ivan Lendl, porém não existe qualquer motivo para se descartar uma conta centenária, como as de Jimmy Connors e de Roger Federer.

Roma passou a ser o torneio onde Djoko mais fez finais na carreira, com 10, duas acima do Australian Open e do US Open e a três do Finals de Londres. Entre os grandes títulos, o penta fica perto dos seis de Miami e atrás dos oito de Melbourne. Como também é cinco vezes vencedor em Wimbledon em seis finais, a versatilidade está mais do que comprovada.

Consciente do seu potencial, Nole foi tão preciso quanto seu backhand ao afirmar que não jogou seu melhor tênis nesta semana, mas que jogou seu melhor tênis quando foi preciso. E isso tem um peso a mais quando sabemos que ele chegou a Roma vindo da decepcionante desclassificação no US Open, precisando muito de uma volta por cima.

Agora, na pior das hipóteses, vai dividir o favoritismo de Roland Garros com Rafael Nadal. O espanhol, mesmo tendo mostrado deficiências, não pode ser ‘secundarizado’ em melhores de cinco sets sobre o saibro. Claro que existe ‘o fator Thiem’ na balança, mas vamos deixar esse assunto para quinta-feira, quando sairá o sorteio do Aberto francês.

A partida decisiva desta segunda-feira contra Diego Schwartzman exigiu novamente de Djoko não apenas adaptação às condições estranhas como cabeça fria. De repente, com um festival de erros e um adversário sólido, já estava 3/0 e saque para o argentino. Quando sentou no intervalo, soltou palavras duras para seu time e isso parece tê-lo motivado para soltar o braço na devolução, o que não vinha fazendo. A partir daí a coisa mudou. Ele recuperou terreno, virou para 4/3 e teve alguma sorte ao salvar um break-point no nono game com duas escolhas erradas de El Peque no jogo de quadradinho.

O clima úmido deixou a quadra muito pesada. Se isso obviamente não favoreceu Djokovic, que não fez tanto estrago com o saque e precisou de cautela para os winners e apostar nas curtinhas, também não ajudou um desgastado Schwartzman. Sem falar que o argentino não é dono de golpes continuamente poderosos. Mas ele fez o que pôde. Saiu com quebra no segundo set, ficou na briga, teve mais dois break-points no quinto game e só então se entregou diante de um Djokovic já bem mais confiante.

Acredito que a campanha, inesperada para o momento que vivia, revitalizará o argentino para Roland Garros. Como provável cabeça 12, não terá de cruzar com os quatro favoritos antes das quartas e isso pode lhe dar uma chance real de nova grande campanha e, quem sabe, outras surpresas.

Halep, sem esforço
Depois de duas tentativas frustradas, Simona Halep ergueu seu primeiro troféu no saibro de Roma. Não foi certamente da forma ideal, já que Karolina Pliskova sentiu a coxa e jogou apenas 32 minutos e nove games.

Com o título de Praga na retomada do circuito, a romena levará para Roland Garros a série invicta de 14 jogos, mas não quer colocar mais pressão que a necessária. Ela será a cabeça 1 com a ausência da atual campeã Ashleigh Barty e tenta recuperar a coroa no saibro francês que foi sua em 2018. Eu apostaria minhas fichas nela.

E mais
– Aos 33 anos e quatro meses, Djokovic se tornou o tenista de maior idade a ganhar Roma.
– Este foi seu terceiro troféu seguido de Masters e lhe dá no momento série de 15 vitórias.
– Seu total de troféus de Masters no saibro é agora de 10, com dois em Monte Carlo e três em Madri.
– O sonho do top 10 também não chegou ainda para Schwartzman e a vaga será ocupada por Denis Shapovalov, que passa a ser o quinto na lista abaixo dos 25 anos e o mais jovem de todos, aos 21 e quatro meses.
– Luísa Stefani subiu nove posições com a semi de Roma e avança para o 33º lugar. Estreia em Estrasburgo nesta terça e tenta embalar para Roland Garros.
– Na condição de principal inscrito no quali de Roland Garros, Thiago Wild viveu um dia ruim e perdeu fácil. João Menezes e Gabi Cé estreiam nesta terça e tentam se juntar a Thiago Monteiro nas chaves de simples.

Djokovic tenta domínio, Peque busca façanha
Por José Nilton Dalcim
20 de setembro de 2020 às 17:40

Na segunda-feira em que se tornará o segundo tenista com maior domínio na liderança do ranking profissional, Novak Djokovic também terá a chance de assumir pela segunda vez a liderança isolada na contabilidade de títulos de Masters 1000.

Para coroar o momento, basta derrotar um velho conhecido, o argentino Diego Schwartzman, a quem superou em todos os quatro duelos já feitos. ‘El Peque’ nunca decidiu um Masters, mas por seu lado terá a chance de um feito para lá de histórico: bater Rafael Nadal e Djokovic num mesmo torneio sobre o saibro. De quebra, chegará enfim ao top 10. Porém, depois de um esforço de 3h10 na semi, a dúvida se ainda terá pernas para tanto.

Quando começou sua grande arrancada no circuito, em 2011, Djokovic tinha apenas 5 Masters contra 18 de Nadal. Finalmente empatou a conta em Indian Wells de 2016, com a 27ª conquista, e superou pela primeira vez duas semanas depois em Miami. Chegou então a abrir 30 a 28 ao final dessa temporada.

O sérvio no entanto viveu um considerável jejum. Entre agosto de 2016 e julho de 2018, não levantou qualquer Masters e aí o espanhol conseguiu inverter, com 33 a 30. Djoko venceria Cincinnati, Xangai e Madri e empataria. Mas por pouco tempo. Roma e Canadá deram os atuais 35 de Rafa, enquanto Nole diminuiu em Paris e igualou tudo novamente no Masters de Flushing Meadows.

Para atingir sua 52ª final desse quilate, o que já é outro recorde, precisou superar um primeiro set irregular, em que o forehand falhou muito mais que o habitual. Enquanto evitou a pressão sobre seu backhand, o garoto Casper Ruud se virou e chegou a ter 5/3 e saque. Os nervos afloraram e Nole adotou cautela cirúrgica nos pontos mais delicados. Ganhou quatro games seguidos, contando com um primeiro saque afiadíssimo na hora certa. O começo do segundo set ainda foi equilibrado, com chances de quebra para os dois lados, até que enfim Ruud claramente ficou mais lento e Djokovic disparou.

Schwartzman fez um duelo incrível diante do canhoto Denis Shapovalov, que foi decidido em mínimos detalhes, O argentino dominava o primeiro set até 5/3, aí se enrolou e quase permitiu reação. O canadense fez talvez a melhor exibição de sua carreira, mesclando extrema paciência e solidez no fundo de quadra com tentativas muito felizes de definição e novamente um magistral jogo de rede.

Levou um quarto set já muito brigado e chegou bem perto da vitória, ao abrir 4/2 no terceiro set. Ainda sacou com 5/4, mas o argentino como sempre lutou à exaustão. No tiebreak, Schwartzman fez 4-2, permitiu empate mas por fim prevaleceu sua consistência. Um jogo memorável.

Halep tem 3ª chance, Pliskova busca o bi
Depois de uma passagem sofrida na quadra sintética norte-americana, Karolina Pliskova reencontrou seu tênis no saibro e ganhou o direito de tentar o bicampeonato de Roma nesta segunda-feira.

Não deve ser fácil. Simona Halep também vem embalada de boas atuações e leva vantagem de 7 a 4 nos confrontos diretos com a tcheca. O que pode pesar para a romena é o fato de ter perdido suas duas finais anteriores no Foro Itálico, ambas para Elina Svitolina.

O grande trunfo de Pliskova diante da compatriota e canhota Marketa Vondrousova consistiu na maior paciência para construir pontos, evitando arriscar muito cedo.

Foi exatamente essa postura abusiva que custou caro a Garbiñe Muguruza, que anotou 35 winners e 27 erros diante de uma Halep bem mais consistente (21 erros e 22 winners). Ainda assim, a partida teve 16 quebras de serviço no total de 29 games.