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Djoko depõe ‘rei’ e tenta coroação contra Stef
Por José Nilton Dalcim
11 de junho de 2021 às 20:30

Novak Djokovic provou que é mesmo o único tenista em condições técnicas e físicas para barrar Rafael Nadal em Roland Garros. Pela segunda vez em seis anos, ele conseguiu ganhar aqueles três sets tão difíceis em cima do ‘rei do saibro’ e ainda o fez de virada, o que aumenta o grau de exigência de tamanha façanha.

Mas por incrível que pareça a tarefa ainda não terminou. No domingo, o sérvio volta à quadra para lutar por seu 19º troféu de Grand Slam, o bi em Roland Garros e o feito único de ter dois títulos em cada Slam na Era Profissional. O único que pode impedi-lo do novo salto no livro de história é o grego Stefanos Tsitsipas, em sua primeira decisão desse porte.

Apesar de ter tido ‘apenas’ quatro sets, a batalha desta sexta-feira na Philippe Chatrier talvez tenha sido um dos jogos mais intensos que Djokovic e Nadal já disputaram ao longo dos 58 duelos realizados em exatas 15 temporadas, principalmente quando se sabe que cada chance de ganhar um Slam agora parece crucial para eles. Havia tensão evidente no ar, o que não impediu um nível técnico excepcional.

Nole conseguiu reagir a várias situações tensas e por isso mereceu mais a vitória. Como aconteceu algumas vezes nesta temporada, teve um começo nervoso e, depois de ter chances de quebra logo de cara, perdeu um smash fácil e a confiança. Só foi reagir no sexto game e aí passou a mostrar um tênis mais consistente. Isso na verdade seria fundamental para lhe dar ritmo no segundo set, quando enfim atingiu seu melhor nível e a partida ficou eletrizante. O sérvio quase sempre tomou a iniciativa, procurando buracos, mas esbarrava nas defesas inteligentes do espanhol.

O terceiro set decidiu tudo. Extremamente equilibrado, pontos longos, games incríveis. Djokovic esteve por duas vezes à frente do placar sem conseguir capitalizar a diferença, principalmente quando sacou com 5/4 e viu um Nadal brilhante em suas paralelas de contragolpe. Pior ainda, o sérvio teve de salvar um set-point antes do tiebreak. E aí o desempate se mostraria crucial. Nadal errou um voleio incrivelmente fácil para permitir 5-3 e não deu tempo de se recuperar.

Lutador nato, Rafa ainda deu um último suspiro, ao abrir 2/0 no quarto set, empurrado pela torcida que foi autorizada a ficar depois do toque de recolher das 23h locais. Porém, ficou nisso. De forma surpreendente, não se mostrava mais veloz o bastante para acompanhar o ritmo do adversário, que abusava das paralelas ou de bolas muito profundas. O espanhol levou um ‘pneu moral’, o primeiro em seu invejável currículo em Roland Garros, como se Djoko quisesse se vingar da atuação tão sofrível da final de 2020.

Nesse épico de 4h10 e 266 pontos disputados, Djokovic terminou com 37 erros não forçados, mas o que precisa ser ressaltado é sua qualidade nos dois sets finais, quando falhou 10 vezes naquele tenso terceiro set de 80 minutos e apenas cinco no seguinte. Para um jogador que costumeiramente toma a iniciativa do ataque, inclusive a partir da devolução, é uma estatística digna de seu feito.

Momentos tenso para Stef
Tsitsipas por seu lado foi claramente superior a Alexander Zverev nos dois primeiros sets, em que procurou acima de tudo ser sólido da base e mexer o adversário. O alemão no entanto não se rendeu facilmente. Mudou a postura, ficou bem agressivo, foi à rede e pouco a pouco tirou a confiança do grego. Aquele bloco de gelo que Stef vinha se mostrando em toda a campanha destas duas semanas passou a reclamar, gritar e gesticular, sinal evidente de que estava sob pressão.

Por muito pouco Tsitsipas não perdeu o game de abertura do quinto set, o que poderia mudar completamente o rumo da partida, mas mostrou-se confiante e acabou premiado pela quebra no quarto game que abriria o caminho definitivo para a vitória, ainda que ele tenha precisado de cinco match-points. Ao final do jogo, falou ao público com extrema emoção, deixando claro o peso que carregou nessa luta pela primeira final de Grand Slam. Quem sabe, agora na decisão, consiga jogar mais solto para ser competitivo.

O retrospecto é favorável ao número 1, que venceu cinco dos sete encontros, incluindo a semifinal de cinco sets em Roland Garros do ano passado. O grego ganhou em 2018 e 2019, sobre quadra dura, no entanto pode se inspirar na recente quartas de final de Roma em que venceu o primeiro set e ficou muito perto da vitória diante de Djokovic.Quem vencer, será o líder do ranking da temporada. E se der Stef, ele também será o novo número 3 do mundo, superando o próprio Nadal.

A imprevisível decisão feminina
O título feminino de Roland Garros será numa final mais inesperada do que se pensava, entre duas jogadoras que hoje figuram fora do top 30: a russa Anastasia Pavlyuchenkova e a tcheca Barbora Krejcikova. É um confronto ainda por cima inédito no circuito e onde se acredita o controle dos nervos deve ser essencial.

Aos 29 anos, Pavlyuchenkova vem de uma incrível série de vitórias sobre Aryna Sabalenka, Vika Azarenka e Elena Rybakina, onde conseguiu sempre ser agressiva na hora certa, misturando bolas longas com curtas espertas. Precisou esperar 52 Slam para enfim chegar a uma final. É a tenista de fora do top 10 atual que mais vezes derrotou uma adversária entre as 10 primeiras, com 37.

Quatro anos mais jovem e apenas em seu quinto Slam de simples, Krejcikova talvez seja menos brilhante na parte técnica, mas se mostrou uma competidora de mão cheia. Duplista com títulos de Slam, sabe mudar o ritmo das trocas de bola e foi assim que passou por Elina Svitolina, Sloane Stephens, Coco Gauff e uma semifinal tensa diante de Maria Sakkari, em que salvou match-point. Aliás, a tcheca concorre também ao título de duplas desta edição, em busca do bi ao lado de Katerina Siniakova, o que a levará de volta ao número 1 do ranking na especialidade.

Quem decidirá Roland Garros? Opine. Vale biografia.
Por José Nilton Dalcim
10 de junho de 2021 às 10:20

ArquivoExibirNovak Djokovic ou Rafael Nadal? Stefanos tsitsipas ou Alexander Zverev? A final masculina de Roland Garros será necessariamente um duelo entre um dos grandes recordistas de Grand Slam da história e um aspirante a seu primeiro troféu.

Momento mais do que ideal para um desafio do Blog do Tênis. Aquele que chegar mais perto dos resultados ganhará a biografia de Djokovic, grandes sucesso da Editora Évora.

Indique vencedores, placares e duração das semifinais, conforme modelo abaixo. Claro que vale primeiro os vencedores. Entre os que acertarem, o placar que mais bem explicar o andamento do jogo; por fim, para desempate, o tempo de jogo.

Caso queiram (e devam) fazer comentários sobre as semifinais, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo. Deixem aqui somente os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque às 9h50 de sexta-feira. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o prêmio.

Importante: são permitidos palpites pelo Facebook oficial do site TenisBrasil, mas não valem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.

Se possível, seguir o modelo abaixo, o que facilita muito na hora da apuração:

Nadal vence Djokovic, 3 sets a 1, parciais de 6/4 4/6 6/4 6/4, em 3h05.
Tsitsipas vence Zverev, 3 sets a 2, parciais de 5/7 6/4 5/7 6/4 6/1, em 3h55.

P.S.: Haverá atualização do servidor do Blog entre 12h e 18h e alguns comentários podem demorar para ser liberados, mas serão assim que possível

Saibro de Paris vai tremer
Por José Nilton Dalcim
9 de junho de 2021 às 19:29

Já se foram 57 duelos, desde que se cruzaram pela primeira vez no saibro de Paris, há 15 anos. Ao longo da mais extensa rivalidade do tênis profissional masculino, houve dezenas de decisões de títulos e um punhado de troféus de Grand Slam em disputa, mas parece que a cada vez o confronto fica ainda mais importante e imprevisível. O desta sexta-feira tem um valor incrivelmente pesado, ainda que o vencedor tenha de completar a tarefa dois dias depois se quiser subir mais um degrau rumo ao Olimpo.

O desafio maior está nas mãos de Novak Djokovic, porque terá de derrotar um Rafael Nadal novamente imbatível no saibro de Roland Garros nos últimos cinco anos. O sérvio conseguiu a façanha uma única vez, nas quartas de um 2015 em que o espanhol estava longe do seu melhor. Desde a vitória nas quartas de Roma da temporada seguinte, Nole nunca mais conseguiu superar Rafa na terra, série que atingiu cinco derrotas consecutivas na recente decisão do Foro Itálico e que incluiu um duro placar quando os dois lutaram pelo título de Roland Garros no ano passado. Foi o único 6/0 que Djoko sofreu em qualquer decisão de Slam.

O favoritismo de Nadal é inquestionável, mas o espanhol também sofre certa pressão sobre os ombros. Além da invencibilidade incrível de 13 semifinais em Paris, sabe que está diante de uma chance de ouro para atingir o 21º troféu de Slam e se tornar o maior ganhador de todos os tempos. Aos 35 anos, as oportunidades tendem a ficar cada vez mais escassas diante da limitação natural do próprio corpo e de uma nova leva de adversários cada vez mais sedentos por glória.

Não há surpresas táticas a se imaginar. Temos visto ao longo desta temporada de saibro que o saque de Nadal preocupa mais do que antes, porque muitas vezes o segundo serviço se mostra frágil, e talvez seja o campo a ser explorado pelas devoluções sempre agressivas do número 1. Isso no entanto deveria ter acontecido no confronto de Roma dias atrás e o que vimos foi Nadal usar bem melhor o primeiro serviço e Djokovic retraído no ataque. Durante este Roland Garros, os dois se mostraram até aqui fisicamente impecáveis, muito velozes para cobrir todos os cantos da quadra, confiantes nos pontos importantes e com excelente variedade de golpes, com destaque para voleios e deixadas. É partidão para cinco sets, e aí ficaria interessante para ver se Djokovic conseguiria quebrar esse outro tabu monstruoso que Rafa carrega em Paris.

E para deixar tudo ainda mais quente, os dois perderam sets e tiveram de jogar com máxima seriedade nas quartas de final. Diego Schwartzman arriscou o máximo que pôde, encarou trocas de bolas duríssimas e tirou o prêmio maior que foi acabar com a série de sets vencidos do espanhol, até que por fim não tinha mais forças na reta final da partida – e esse filme não é novo – e suas bolas cada vez mais curtas foram um convite para o 22º ‘pneu’ aplicado por Nadal no torneio, mais um recorde.

Djokovic por seu lado seguiu o ‘script’ imaginado e explorou pacientemente o backhand de Matteo Berrettini até aparecerem os buracos. Porém sofreu bem mais, pois o 9º do ranking se salvava com saque pesado e forehand forçado e a partir do terceiro conseguiu ser realmente competitivo. Berrettini faturou um tiebreak improvável – o terceiro seguido que Nole perde no torneio, depois de abrir 5-4 e ter dois saques para fechar logo -, e ainda lutou muito no quarto set até enfim ceder e ouvir Nole soltar gritos ruidosos e eufóricos por estar em sua 11ª semi em Paris.

Nova campeã em Paris
E o circuito feminino verá mais uma campeã inédita de Grand Slam e a sexta consecutiva em Paris. Tudo porque Iga Swiatek não viveu seus melhores dias, sofreu um desconforto na coxa direita mas acima de tudo encarou uma Maria Sakkari deliciosamente decidida a brilhar. Foi uma exibição de arrojo e versatilidade da número 18 do ranking, que voltou a mostrar aquele tênis completo e a energia eletrizante de Miami. Bem curiosa sua opção tática de atacar 80% do tempo o lado direito da polonesa, onde também mirou quase sempre o primeiro serviço, e o fato de ter vencido metade dos pontos em que devolveu o segundo saque adversário.

Sua adversária já nesta quinta-feira será a tcheca Barbora Krejcikova, que não para de surpreender. Depois de tirar Elina Svitolina e Sloane Stephens, saiu do buraco no primeiro set diante de Coco Gauff, em que a jovem adversária abriu 3/0 e sacou com 5/4 e 40-30, tendo ainda dois set-points antes do tiebreak e outros dois no desempate, um deles com o serviço. Ou seja, sobraram chances e Krejcikova nunca perdeu a cabeça, exatamente o que aconteceu com a jovem adversária. Gauff pirou totalmente, despedaçou raquete e só voltou quando já perdia por 5/0 e a reação era quase impossível.

Sakkari perdeu três meses atrás para Krejickova na quadra dura de Dubai em sets diretos, mas provavelmente isso terá menor influência do que o controle dos nervos. A tcheca tem uma vantagem mais relevante: já ganhou Roland Garros e Wimbledon e foi vice na Austrália de duplas.

Com Anastasia Pavlyuchenkova x Tamara Zidansek na outra semi, esta é a primeira vez que as quatro na penúltima rodada de um Slam são inéditas em mais de quatro décadas, o que não acontecia desde Melbourne de 1978. Roland Garros verá a oitava campeã diferente seguida, série que começou com Maria Sharapova e Serena Williams e depois seguiu com Garbiñe Muguruza, Jelena Ostapenko, Simona Halep, Ashleigh Barty e Swiatek, sendo que para as cinco últimas também era o primeiro Slam.