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Duplo top 100
Por José Nilton Dalcim
25 de fevereiro de 2014 às 23:59

A série de torneios de primeira linha, masculinos e femininos, que o Brasil sediou nos últimos dias não serviu apenas para mostrar ao público alguns grandes nomes do circuito internacional. Ajudam sobremaneira os tenistas da casa a buscar seu espaço, aparecer para a mídia, criar empatia com a torcida.

Teliana Pereira e Thomaz Bellucci tinham um peso indisfarçável sobre os ombros e foram muito bem no Rio, dentro do que poderiam fazer. Teliana mostrou que não deve nada a qualquer top 80, Bellucci poderia até ter derrubado o quarto do mundo. O melhor de tudo, no entanto, foi que esse esforço valeu reconhecimento. Sairam aplaudidos e elogiados.

Mas Teliana deixou o top 100, Bellucci ficou ainda oito postos distantes. Vieram as chaves de Florianópolis e São Paulo com dificuldades à frente. Venceram e estão na segunda rodada, colocando um pé na faixa dos top 100, o que estará garantido caso atinjam as quartas de final.

Por que afinal essa subida no ranking é tão aguardada? Porque é o passo fundamental para quem quer estar em Roland Garros – e muito provavelmente em Wimbledon – deste ano. A lista de corte sai dia 14 de abril e não haverá muitas outras chances de os dois somarem pontos até lá, já que será período dos fortes Indian Wells e Miami. Ficar entre os 100 se torna passaporte garantido para os Grand Slam europeus.

Na carona, João Souza e Rogério Silva anotaram grandes vitórias no Ibirapuera. Feijão começou o ano vencendo no Villa-Lobos, mas parou por aí. Rogerinho amargou longa parada por tendinite no joelho e disputa sua primeira chave principal. Ganharam de dois jogadores de bom currículo e têm chance de fazer mais no saibro paulistano. É difícil, mas não impossível se aproximar da linha de corte para Paris.

Estrutura – Por enquanto, o Brasil Open ainda não empolgou o público, estimado em 2.500 pessoas no jogo de Bellucci. Nos demais, foi bem fraco na segunda e na terça. É cedo para avaliar se o problema está na falta de nomes de maior peso, na loucura do deslocamento precário da cidade ou no resquício da desorganização do ano passado.

A rodada desta quarta, com Tommy Haas, Nicolas Almagro e Bruno Soares, será um indicativo melhor. Se os brasileiros continuarem avançando, me parece certo que a torcida aumentará e poderá checar se as mudanças feitas pela promotora Koch Tavares – leve climatização do ginásio, ingressos numerados e mais lanchonetes – foram suficientes.

Boas brigas – Por falar em ranking, rápidas observações. A mais curiosa delas é que Bellucci precisa ganhar do austríaco Andreas Haider-Maurer para retornar ao top 100, porque curiosamente o adversário o ultrapassará por meia dúzia de pontos se vencer e for às quartas. É um luta direta, coisa rara de se ver nesse parte do ranking.

Já no forte ATP 500 de Acapulco, recheado de atrações, o espanhol David Ferrer joga pelo título e pelo número 3 do ranking. Se for campeão, ultrapassará Stanislas Wawrinka por meros 10 pontos.

O cabeça Andy Murray também tenta reagir. A semi já vale o sexto posto, já que Juan Martin del Potro abandonou Dubai, mas pode até virar quinto lugar, caso Tomas Berdych caia logo em Dubai. Ao mesmo tempo, Kevin Anderson, Grigor Dimitrov, Ernests Gulbis e Gilles Simon brigam por lugar no top 20.

A mudança para o piso sintético fez bem demais ao belo torneio mexicano.