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Recomeço
Por José Nilton Dalcim
14 de agosto de 2019 às 02:18

Ainda que sejam dois dos maiores tenistas da história, imagino não ser fácil para Novak Djokovic e Roger Federer retornarem à dureza do circuito depois de tudo o que aconteceu em Wimbledon. O campeão tem o compromisso de jogar bem e de vencer, o vice carrega o fardo de buscar reação e enterrar o passado. Seus adversários ao longo da semana, podem apostar, jogarão sempre de franco atiradores.

Nole começou mal os dois sets, mas persistiu. No primeiro, conseguiu recuperar-se da quebra e pouco a pouco mandou nas trocas de bola diante de um Sam Querrey que não foi além de um tenista bem intencionado. Na outra série, o sérvio permitiu dois 15-40 seguidos e o norte-americano não foi capaz de aproveitar o momento instável e pagou caro, porque Djokovic despertou e atropelou.

Evidente que Djokovic precisará sacar melhor e ser um pouco mais agressivo nessa quadra veloz. A boa notícia é que o próximo adversário será o espanhol Pablo Carreño, que contou com 50 erros de John Isner para vencer duelo no tiebreak do terceiro set. Ex-top 10 que ainda tenta recuperar-se após longo período de lesões, Carreño pode dar a Djokovic justamente o lubrificante para a ferrugem, já que dificilmente sai do fundo de quadra.

Federer fez o que se esperava, com um plano de jogo para sufocar o saibrista Juan Ignacio Londero. Foi muito bem sucedido com o saque, sem qualquer game exigente, e fez maravilhas na transição à rede e nos voleios, verdadeira aula. Mas lá atrás também se mostrou sem ritmo, com backhand batido muito falho e devoluções de saque apressadas e descalibradas. Aguarda o velho freguês Stan Wawrinka ou duelo inédito com o garoto Andrey Rublev. Gostaria bem mais de vê-lo encarar o russo, ainda mais depois de sua bela virada em cima de Nikoloz Basilashvili.

Murray recusa convite para US Open
Nem de longe foi a reestreia que Andy Murray sonhou. A derrota em si para Richard Gasquet não surpreendeu, mas o escocês jogou abaixo do que eu imaginava, muito defensivo num piso tão veloz, usando bolas bem altas várias vezes. “Minhas pernas pesavam no final do jogo e não sei como será meu dia seguinte. Assim, achei mais prudente recusar o convite para o US Open”, afirmou ele, que no entanto jogará duplas ao lado de Feliciano López. O britânico acredita que conseguirá estar totalmente em ritmo para as simples no Australian Open.

Cabeças em Nova York
Cincinnati definirá os 32 cabeças do US Open, mas há pouca chance de novidade. Shapovalov, Struff e De Minaur precisam de mais duas vitórias para chegar ao 33º e tirar Verdasco. Isso quer dizer que Kyrgios está garantido. Federer não pode tirar Nadal do 2 e Thiem – que se retirou do torneio – só não será o 4 se Zverev ou Nishikori forem campeões. Com mais uma atuação fraca, Cilic deve ser apenas o cabeça 21.

A briga continua
Mais uma semana em que o número 1 feminino está em jogo. Osaka retomou a liderança e tem vantagem de 237 pontos sobre Pliskova, que está meros 28 à frente de Barty após a primeira rodada. Se der a lógica, Barty e Pliskova se cruzarão na semi. Embora eu acredite na vitória em dois sets da australiana, o jogo desta quarta-feira contra Sharapova é uma bela atração.

Façanha de Venus
Aos 39 anos e hoje apenas 65ª do ranking, Venus Williams não perdeu a sede por vitória. Entrou em quadra com uma série de quatro derrotas seguidas e se empenhou ao máximo para tirar a atual campeã Kiki Bertens, obtendo seu segundo triunfo na temporada sobre uma top 5 (a outra foi Kvitova, em Indian Wells). Pode fazer agora um interessantíssimo duelo contra Azarenka, caso a bielorrussa passe por Vekic.

Serena, só em NY
Era mais do que óbvio que Serena Williams não entraria em quadra nesta terça-feira em Cincinnati, mas ela jura que ainda tentou. De qualquer forma, dificilmente deixará de ser a cabeça 8 no US Open.

Pouco exigido, Nadal se poupa para o US Open
Por José Nilton Dalcim
12 de agosto de 2019 às 01:09

Mesmo tendo jogado apenas 15 games em todo o fim de semana vitorioso em Montréal, o espanhol Rafael Nadal manteve a postura que havia ensaiado após Wimbledon e se retirou no final da noite de domingo da chave de Cincinnati.

Claro que parece muito mais uma questão de cautela porque não houve qualquer indício de problemas físicos ou desgaste excessivo no Masters canadense. A bem da verdade, apenas seu jogo de estreia contra Daniel Evans foi mais exigente. O espanhol perdeu um set feio para Fabio Fognini nas quartas, mas depois atropelou o italiano. Nem entrou em quadra no sábado com o abandono de Gael Monfils e cedeu meros três games a Daniil Medvedev na final. Não resta dúvida que Rafa pensa acima de tudo em Nova York.

Ganhar dois Masters em semanas consecutivas é uma tarefa difícil para qualquer tenista, mas Nadal já fez isso na quadra dura na sua inesquecível temporada de 2013, faturando Montréal e Cincinnati antes de triunfar também no US Open, o que é até hoje seu mais notável domínio sobre a superfície sintética.

A ausência no entanto é um tanto frustrante. Em primeiro lugar, porque acaba de reassumir a liderança do ranking da temporada. abrindo 500 pontos de Novak Djokovic, o que abre perspectiva de luta pelo número 1 lá em novembro. E ainda viu um sorteio muito favorável, o que lhe daria chance de um punhado de vitórias sem grande esforço.

Pior ainda, a formação da chave jogou Djokovic e Roger Federer no lado de cima, obrigando os dois finalistas do ano passado a um possível cruzamento mais precoce. Para azar da ATP, a chave de simples foi iniciada no domingo e assim sequer houve chance de se tentar realocar um cabeça 17 no lugar de Nadal. Entrou adiantado na segunda rodada o lucky-loser Mikhail Kukushkin.

Sem emoções
O fim de semana nos grandes torneios canadenses foi bem sem graça. Em Montréal, Monfils obrigou os organizadores a devolver o ingresso da sessão noturna e a final de domingo foi um passeio de Nadal, que voltou a sacar muito bem e teve postura tática impecável ao misturar efeitos o tempo todo.

Como é bem comum, o primeiro duelo que se faz diante de Nadal deixa o tenista bem perdido e Daniil Medvedev não fugiu à regra. Sem achar um buraco no fundo de quadra, tentou ir à rede, o que está longe de ser sua praia, e chegou a se posicionar para o saque lá na linha de dupla. Desespero total e seu quarto vice em cinco finais na temporada.

Em Toronto, a tão aguardada decisão entre Serena Williams e Bianca Andreescu conseguiu ser ainda mais insossa. Na procura do primeiro título desde o Australian Open de 2017, Serena sentiu as costas, jogou apenas quatro games e novamente foi às lágrimas, embora desta vez tenha enchido a canadense de merecidos elogios.

Tenista de 19 anos que não tem medo de bater na bola ou de arriscar algo diferente, Bibi garante que o segredo do seu sucesso está muito mais na cabeça do que no físico. Conta que treina a parte mental com a mesma relevância da técnica e da tática. Belo exemplo a ser seguido.

O tênis se agita em três capítulos
Por José Nilton Dalcim
26 de julho de 2019 às 10:15

Em menos de 24 horas, três notícias sobre as principais estrelas do circuito masculino agitaram a semana que parecia tão morna. Vamos a elas:

Djokovic decide descansar
Os promotores do Masters 1000 do Canadá não devem ter gostado nada da decisão de Novak Djokovic em estender seu descanso pós-Wimbledon e só voltar às quadras para defender seu título em Cincinnati, único preparativo para também tentar reter o troféu do US Open.

O sérvio não deu desculpas e deixou claro que precisa de mais tempo para estar totalmente competitivo. No ano passado, ele saiu da inesperada conquista em Wimbledon para Toronto e nem passou das oitavas. Indisposto a cometer o mesmo engano agora em Montréal, onde o piso é ainda mais lento, ele preferiu atrasar seu retorno ao circuito em uma semana. Para mim, faz todo sentido. Se foi possível ganhar outra vez Wimbledon apenas treinando firme na grama, por que seria diferente no US Open?

Montréal também já havia ficado sem Roger Federer e estava na verdade preocupada com a ausência do atual campeão Rafael Nadal. O espanhol deu a entender que não disputaria os dois Masters antes de Nova York para se precaver do joelho. Mas agora, com o caminho bem mais livre, é possível que opte mesmo por saltar o piso muito mais veloz de Cincinnati, a menos é claro que tenha uma atuação desastrosa no Canadá.

A estranha excursão de Federer
Coisa rara de se ver num final de temporada, Roger Federer já anunciou três jogos de exibição pela América Latina em novembro, percorrendo Chile, Argentina e México, indo muito provavelmente também à Colômbia. Os adversários podem ser Alexander Zverev – que não pretende mesmo jogar a fase final da Copa Davis em Madri – ou Dominic Thiem.

Mas o que causa espanto é que a partida a ser feita em Santiago está marcada para 18 de novembro, imediatamente após a decisão de domingo do ATP Finals de Londres. Como Federer está potencialmente classificado para o torneio que encerra a temporada – soma mais de 5 mil pontos em 2019 -, fica a impressão de que ele não acredita muito em ir longe na arena O2.

A exibição no México, a ser promovida numa arena de touros que pode abrigar até 41 mil pessoas, está marcada para dia 23 de novembro. O agente Tony Godsick afirmou que não apareceram interessados para organizar um jogo no Brasil. O cachê estimado de Federer em cada exibição é de 1 milhão de euros.

Lendl está disponível
Sem papas na língua, Zverev fez absurdas críticas públicas ao então técnico Ivan Lendl assim que pisou em Hamburgo, em resposta ao bombardeio da imprensa local sobre sua má fase tão prolongada. Colocou boa parte da culpa no treinador, a quem acusou de não se focar no trabalho como deveria. Algo aliás bem semelhante ao que fez com o espanhol Juan Carlos Ferrero.

Lendl então se demitiu do cargo, como aliás já deveria ter feito há algum tempo. Zverev é bem conhecido por sua personalidade difícil e também está em atrito grande, e judicial, com o ex-agente, o chileno Patricio Apey. Alguns jornalistas alemães já diziam no começo desta semana que Zverev procurava um novo técnico antes mesmo de rescindir o contrato com Lendl.

Não por acaso, Boris Becker comentou logo depois das declarações infelizes de Zverev que ‘algo havia acontecido’ entre ele e Lendl após o título espetacular no Finals de Londres, sem entrar em detalhes. Becker sempre é cogitado como o homem capaz de colocar o garoto nos trilhos. Mesmo estando em situação financeira complicada, é difícil saber se o tricampeão de Wimbledon se mostrará disposto a carregar o fardo. O pai Zverev dá muito palpite.

P.S.: Bia Haddad também foi submetida a exame antidoping durante sua campanha em Wimbledon. E isso pode ser uma boa ou uma má notícia. Caso nada seja encontrado no exame, ajudará muito na defesa. Se no entanto se repetir o positivo dos testes de Bol, a situação ficaria bem grave. Especialistas que falaram comigo nos últimos dias acham difícil ela escapar da suspensão de dois anos.