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O top 10 da grama na Era Profissional
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2020 às 19:14

Além da dura tarefa de comparar gerações, o calendário sobre a grama na Era Profissional tem diferentes fases. O piso ainda estava em seu auge em 1968 e por isso nada menos que três dos quatro Grand Slam eram disputados na superfície natural do tênis, o que se seguiu até 1974.

Com o US Open adotando o har-tru em 1975,  dessa temporada até 1987 ainda havia dois Slam sobre a grama. Por fim, o Australian Open migrou para o sintético em 1988. Mas o peso do torneio australiano ao longo de sua trajetória sobre a grama também precisa ser um tanto relativizado, já que raramente atraia os melhores do mundo devido à distância.

Outra dificuldade óbvia é o fato de a grama jamais ter tido um Masters 1000. Dessa forma, o torneio de maior importância fora dos Slam sempre foi o do Queen’s Club, preparatório para Wimbledon, apenas muito recentemente elevado à condição de 500. E ainda há de se considerar que a grama dos últimos 15 anos é bem menos veloz do que foi até a década de 1990.

Por fim, observem que, ao contrário de muitos analistas, conquistas de duplas em Slam recebem atenção e podem provocar pequenas polêmicas. Vamos ao meu top 10 da grama:

1. Roger Federer
Sem discussão. Fez 12 finais em Wimbledon, conquistando oito delas, cinco consecutivas, período em que ficou 40 jogos invicto. Outros 10 troféus em Halle lhe dão mais dois recordes: 19 títulos no piso e 187 vitórias. Eficiência é de 87,4% (27 derrotas).

2. Pete Sampras
Outro gênio da grama ao mais puro estilo saque-voleio, norte-americano fez sete finais em Wimbledon e ganhou todas. Soma mais três troféus na grama, onde tem 101 vitórias e apenas 20 derrotas (83,5% de sucesso).

3. Bjorn Borg
Mudando radicalmente seu estilo mais afeito à base, atingiu incríveis seis finais consecutivas em Wimbledon e ganhou cinco delas, mantendo ainda o recorde de 41 jogos invictos. Tem mais dois troféus na grama, com 83,8% de vitórias (67-13).

4. John Newcombe
Mesmo ao retirar seus feitos como amador, ainda foi gigante, com cinco Slam na grama, sendo dois em Wimbledon, dois na Austrália e um nos EUA, num total de 7 finais. Ainda ganhou 9 troféus de duplas, 4 em Wimbledon. Tem quarta maior marca de vitórias (150).

5. Novak Djokovic
Fenômeno sobre a grama, sérvio foi outro que mostrou notável adaptação. Fez seis finais em Wimbledon e ergueu cinco troféus, além de ter dois vices em Queen’s e outro em Halle. Com isso, já soma 95 vitórias e apenas 18 derrotas no piso (84,1%).

6. John McEnroe
Talvez o maior canhoto da Era Profissional no piso, fez cinco finais seguidas em Wimbledon e levou três, com mais sete em Queen´s, onde foi tetra. Recorde de 121 vitórias e 20 derrotas (85,8%). Além disso, ganhou cinco troféus de duplas em Wimbledon.

7. Jimmy Connors
Canhoto de backhand de duas mãos e raquete de metal, ganhou os três Slam da grama em 1974 e venceu mais um Wimbledon oito anos depois. Tem mais cinco vices, sendo quatro em Wimbledon, onde ganhou uma dupla. Chegou a 185 vitórias e 38 derrotas (83%).

8. Rod Laver
Mais um canhoto, australiano de 1,73m teve pouco tempo no tênis profissional. Em 1969, foi o primeiro a ganhar os três Slam da grama (e Roland Garros no meio deles). Tem mais um título de simples e outro de duplas em Wimbledon. Somou 87 vitórias em 103 jogos (84,5%).

9. Stefan Edberg
Outro grande representante do autêntico saque-voleio, sueco fez três finais seguidas em Wimbledon, venceu duas, e ganhou duas vezes na Austrália, onde também venceu dupla. Bi em Queen´s, terminou com 99 vitórias e 27 derrotas (78,6%).

10. Boris Becker
Surpreendeu ao ganhar o primeiro de três Wimbledon aos 17 anos, é considerado o pai do tênis-força. Chegou a quatro finais seguidas de Wimbledon de um total de sete e ganhou Queen’s quatro vezes, totalizando 7 troféus no piso. Venceu 116 de 141 jogos (82,3%).

Menções honrosas
Andy Murray é bi de Wimbledon e campeão olímpico na grama, além de faturar Queen’s por cinco vezes. Rafael Nadal foi outro ‘baseliner’ autêntico a brilhar na grama, com cinco finais em Wimbledon e dois troféus. Arthur Ashe, primeiro homem negro a ganhar um Slam, venceu uma vez em WImbledon, EUA e Austrália num total de cinco finais. Ken Rosewall ganhou duas vezes em Melbourne e outra em Nova York e tem quarta marca de vitórias na grama (151).

Thiem encara o desafio final
Por José Nilton Dalcim
8 de junho de 2019 às 20:02

Com um tênis espetacular, acentuado pelas difíceis condições de dois dias de muito vento, Dominic Thiem se deu a oportunidade de buscar pelo segundo ano consecutivo um troféu do qual parece um herdeiro natural. Não foi em 2018, talvez ainda não seja em 2019, mas Roland Garros muito dificilmente escapará de suas mãos em algum momento.

Atributos técnicos sobre o saibro não faltam a ele, e a batalha diante de Novak Djokovic na semifinal o elevou a um patamar mais alto na delicada questão emocional. Foi o tenista mais focado sob o vento perturbador de sexta-feira, conseguiu retornar no sábado com soluções diante da nova postura do número 1, não se desesperou quando a chuva interrompeu seu domínio no quinto set e ainda segurou a cabeça depois dos dois match-points perdidos. Por incrível que pareça, foi mais forte mentalmente do que Nole e por isso venceu.

A grande dúvida para o domingo é se terá pernas para aguentar a provável exigência física que encarar Nadal sempre gera. Ele ficou apenas duas horas a mais em quadra, cedendo um set nas três primeiras partidas, mas a diferença de esforço nas semifinais foi gigantesca. Enquanto Rafa gastou 2h25 nos três sets contra Roger Federer, o austríaco precisou de 4h13 diante de Djokovic e saiu da Chatrier apenas 23h antes do seu retorno para a final. Injusto? Talvez. Pode prejudicar a qualidade do jogo? Com certeza.

O histórico é favorável a Nadal, com oito vitórias em 12 duelos, dos quais apenas um não foi no saibro. Todos os triunfos de Thiem vieram na terra (Buenos Aires, Roma, Madri e a deste ano em Barcelona). Nadal ganhou as quatro em Slam, sendo três em Paris (2014, 17 e 18) sem perder set e aquela duríssima no US Open do ano passado. Fica claro então que o austríaco sabe o caminho para encurralar Nadal no fundo de quadra com seu spin pesado e angulado, o slice e as curtinhas, o saque violento. Mas a parte física e mental de duelos mais longos pesam indubitavelmente a favor da consistência superior do espanhol.

Thiem pode alcançar um feito gigantesco se conseguir o troféu superando os dois principais cabeças de chave. Isso só aconteceu oito vezes na Era Profissional. E na sequência, é ainda mais raro: sete, a mais recente de Michael Stich em Wimbledon de 1991, quando superou Stefan Edberg e Boris Becker. Em Paris, isso só aconteceu com Mats Wilander, em 1985, em cima de John McEnroe e Ivan Lendl. Thiem também concorre à condição de 150º diferente campeão de Slam da história

Descansado e confiante, Nadal defende a invencibilidade de jamais ter perdido uma final nas 11 tentativas anteriores em Roland Garros e tenta ser o único a ganhar 12 vezes o mesmo Slam. Mais ainda, um eventual 18º troféu o deixará perto do recorde de Federer, o que certamente é um tremendo incentivo adicional. Aos 33, poderá se juntar ainda ao clube dos jogadores com mais Slam como ‘trintão’, ao lado de Federer, Rod Laver e Ken Rosewall, todos com quatro.

E mais
– Caso conquiste o título, Nadal aparecerá quase 4.800 pontos atrás de Djokovic no ranking de segunda-feira. Thiem se manterá como quarto, mas pode diminuir para menos de 1.200 a distância para Federer com o título.
– Uma final repetida por dois anos em Paris só havia acontecido uma vez na Era Profissional (Nadal-Federer, por três edições, entre 2006 e 2008).
– O Big 3 atual venceu todos os nove últimos Slam, terceira maior série (a primeira teve 18 e a outra, 11). A última exceção foi Stan Wawrinka, no US Open de 2016.
– Desde que Nadal ergueu o primeiro troféu em Paris, em 2005, Wawrinka também foi o único de fora do Big 3 a vencer no saibro francês.
– Os últimos 11 troféus de Slam foram erguidos por tenistas com mais de 30 anos, o que vem desde Andy Murray em Wimbledon de 2016. A marca anterior era de 1969, com os quatro troféus de Rod Laver.

Barty dá a arrancada
A australiana Ashleigh Barty era uma aspirante ao top 10 quando começou sua temporada 2019. Fez final em Sydney e de repente deu o salto de qualidade em Miami, fazendo funcionar à perfeição sua gama tão repleta de golpes e um preparo físico mais apurado.

Brilhar no saibro, o piso que menos aprecia, não estava nos seus planos. Mas tudo se encaixou, jogo após jogo, desafios sucessivos e então a final e seu primeiro título de Grand Slam. A partida deste sábado contra Marketa Vondrousova foi, é verdade, um tanto sem graça, ainda que Barty tenha tido a oportunidade de mostrar como ataca e defende com enorme destreza.

Ela admite a surpresa da conquista, embora garanta que sempre acreditou no potencial. Agora como número 2 do mundo, dá facilmente para vislumbrar mais sucesso quando a fase de grama chegar, aí sim uma superfície em que se sente totalmente à vontade.

Barty também dá o primeiro título a seu país no saibro parisiense desde a multicampeã Margaret Court, em 1970, e de certa forma passa a integrar a comemoração dos 50 anos da conquista de Rod Laver na temporada em que ele daria em Paris o segundo passo para concluir o genuíno Grand Slam.

Título brasileiro
Quem segue este Blog há dois anos deve se lembrar que alertei para um garoto paulista de muito talento que precisava ser trabalhado para ter boas chances no circuito profissional. Matheus Pucinelli conquistou neste sábado o título de duplas juvenis de Roland Garros.

Pode parecer pouco, mas foi exatamente assim que Guga Kuerten começou a brilhar em Paris, em 1994. Lapidado no Instituto Tênis, Pucinelli deu ao tênis brasileiro um troféu de peso que andava faltando. E muito.

Recordes e façanhas: os principais números de Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
25 de maio de 2019 às 13:48

A poucas horas da largada do Aberto da França, nada melhor do que destacar recordes, façanhas e todos os números mais importantes que homens e mulheres já marcaram sobre o saibro parisiense. Também dá para ver quantas marcas espetaculares e obviamente históricas têm chance de cair:

– Nas 51 edições profissionais do torneio, a partir de 1968, a Espanha ganhou 19 vezes no masculino, 11 delas com Nadal, e os EUA levou 29 no feminino (7 com Chris Evert). Esta é a 86ª vez que está o torneio está sediado no complexo de Roland Garros, inaugurado em 1928.

– Nadal e Margaret Court são os únicos campeões de Slam com 11 troféus num mesmo torneio. A australiana venceu em casa, sendo sete consecutivos. A única tenista a ter 12 conquistas num campeonato na Era Aberta é Martina Navratilova, em Chicago.

– Djokovic tenta igualar Rod Laver como únicos a deter os quatro troféus de Slam simultaneamente por duas vezes, repetindo a mesma série que fez entre Wimbledon-2015 e Paris-2016. A maior sequência pertence a Don Budge, com seis Slam, entre 1937 e 38.

– Djoko e Federer concorrem para se tornar o primeiro profissional e o terceiro no geral a ter ao menos dois troféus em cada Slam. Apenas Laver e Roy Emerson obtiveram tal feito.

– Campeão há 10 anos, Federer também pode superar Connors (oito temporadas em Wimbledon) na maior distância entre o primeiro e segundo título de um mesmo Slam.

– O Big 3 ganhou todos os últimos 9 Slam, desde que Wawrinka foi campeão no US Open-16. É a terceira maior sequência (18 a primeira e 11 a segunda). Em Roland Garros, Wawrinka também é o único fora do Big 3 a ter vencido desde 2005.

– Serena é a recordista na distância entre o primeiro e o mais recente Slam conquistado (17 anos e cinco meses), seguida de longe por Federer (14 anos e sete meses) e Nadal (13 anos). Mais uma vez, ela corre atrás do 24º troféu para se igualar a Court, mas desta vez suas chances parecem pequenas.

– Nadal e Djokovic podem se juntar a Laver, Rosewall e Federer se atingirem seu quarto Slam após completar 30 anos.

– O jejum de conquista francesa no masculino chega a 36 anos. Cabeça 16, Gael Monfils é o mais bem cotado, mas está na chave de Thiem, Del Potro e Djokovic. No feminino, a França não leva desde 2000 e conta com Caroline Garcia.

– O tênis masculino poderá ver seu 150º diferente campeão de Slam na história, caso Cilic, Delpo, Djoko, Federer, Nadal ou Wawrinka não vençam.

– Nadal tem 111 vitórias e apenas 2 derrotas em partidas de cinco ses sobre o saibro. As únicas derrotas foram para Soderling e Djokovic em Paris. Com 58 títulos no piso, até hoje só perdeu 39 jogos (3 deles nesta temporada).

– Nenhum profissional conseguiu defender por cinco vezes seu título num Slam. Nadal (Paris), Borg (Wimbledon) e Federer (Wimbledon e US Open) são únicos pentacampeões autênticos.

– Venus (82) e Federer (76) ampliam seus recordes de participação em Slam. E Feli López, para 69 consecutivos. O espanhol é também quem mais disputou Roland Garros até hoje (19) entre os homens. Venus chega a 22 presenças (só não competiu em 2011).

– Nicolas Mahut tem agora 12 convites para a chave de um Slam, sendo 9 deles em Paris.

– Com a ascensão de Thiago Monteiro à chave principal, serão 11 sul-americanos na chave masculina, sendo 6 argentinos, 2 chilenos, um uruguaio e um boliviano. Delpo x Jarry e Pella x Andreozzi serão duelos diretos. Não há meninas do continente.

– 77 anos somam Ivo Karlovic e López para o jogo de estreia. O primeiro duelo entre eles aconteceu há 15 temporadas. O croata é o recordista de aces em Paris para uma só partida: 55 anotados em 2009 contra Lleyton Hewitt.