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A um passo da eternidade
Por José Nilton Dalcim
9 de julho de 2021 às 18:55

Novak Djokovic cumpriu todos os prognósticos, ganhou 18 sets consecutivos, mostrou o melhor tênis de todos os outros 127 participantes e está agora a um passo de igualar os 20 troféus de Grand Slam de seus mais diretos adversários, mas com vantagens numéricas e estatísticas que o colocarão acima de Roger Federer e Rafael Nadal caso derrote o estreante finalista Matteo Berrettini e conquiste seu sexto Wimbledon neste domingo.

Nole tem a oportunidade de ganhar os três primeiros Grand Slam de uma mesma temporada, algo que só Rod Laver fez na Era Profissional, mas diferentemente do excepcional australiano ele tentará tal feito em três pisos distintos. Desde 1968, apenas Rafa conseguiu ganhar três Slam sequenciais em superfíceis diversas, mas sua façanha de 2010 foi em ordem diferente (Paris, Londres e Nova York). o que não abriu caminho para ‘fechar o Grand Slam’.

Mais uma vez, Djokovic declara que Wimbledon é o maior troféu que se pode sonhar no tênis. E ele está perto de somar seis conquistas na legendária Quadra Central no curto espaço de 10 anos, tornando-se o digno sucessor de Federer e Pete Sampras como ‘rei da grama’. Aliás, o piso natural do tênis passou a ser o de maior sucesso do sérvio em termos percentuais: 101 vitórias em 119 jogos, ou seja, 84,9%, ligeiramente acima dos 84,3% da quadra dura e dos 80,4% do saibro. Apenas ele, Federer e Andy Murray passaram de uma centena de vitórias na grama.

A vitória sobre o canhoto Denis Shapovalov desta sexta-feira provou o quanto a experiência faz diferença em Wimbledon e reforçou o poder mental tão diferenciado de Djokovic, salvando break-points cruciais e aproveitando as chances na hora certa. O canadense jogou bem, mas falhou sempre nos momentos decisivos de cada set, principalmente é claro quando sacou para fechar a série inicial e cometeu erros imperdoáveis diante do número 1 do mundo. Perdeu o tiebreak e o segundo set com dupla falta.

O sérvio também fez mais aces, ganhou mais pontos com o primeiro saque, errou infinitamente menos (15 em  37 games!) e praticou o clássico saque-voleio com perfeição, enquanto o jovem adversário forçou muito, mas ficou preso demais na base, com 36 falhas e 40 winners. Foi sua primeira semifinal e é bem possível que se candidate a aventuras ainda maiores na grama quando amadurecer o necessário.

Com seis semis vencidas desde 2013 – desde então, só não chegou lá em 2016 e 2017 -, esta será a sétima decisão de Djokovic no Club, igualando Sampras e Boris Becker, e a 30ª de Slam, o que o deixa apenas uma atrás do recordista Federer. Desde que ergueu o troféu de Wimbledon em 2018, Nole só deixou de estar numa final de Slam por três vezes.

Berrettini aumenta festa italiana
O grande momento do tênis masculino italiano merecia mesmo sua primeira final de Grand Slam em 45 anos. Mais especial ainda, a primeira no templo sagrado do tênis em todos os tempos. E, como todo mundo sabe, ainda no mesmo domingo em que a Azzurra disputará a final da Eurocopa a poucos quilômetros dali, no final do dia.

A vitória desta sexta-feira sobre a surpresa Hubert Hurkacz, que vinha de vitórias sobre Daniil Medvedev e Federer, seguiu o script imaginado, apesar de o polonês ter vivido altos e baixos mais intensos. A partir do 3/3 do primeiro set, perdeu 10 games seguidos. Não se conformou, continuou brigando e enfim fez um set num padrão elevado e viu um raro momento infeliz do adversário com o saque ao longo do tiebreak. Mas a quebra logo de cara no quarto set criou pressão grande e ele só tirou cinco pontos de Berrettini no serviço italiano. A estatística mostra a diferença: 60 a 27 nos winners, com 22 a 5 nos aces, e nenhum break-point de Hurkacz.

Com 1,96m, Berrettini se encaixou mesmo na grama. São 11 vitórias seguidas, incluindo a conquista no Queen’s Club, e os números divulgados pela ATP são notáveis: nesse sequência, fez 169 aces (101 em Wimbledon), ganhou 83,5% dos pontos quando acertou o primeiro saque (82%) e 58,5% com o segundo serviço (61%). Nestas duas semanas, manteve 95 de 100 games de serviço (95%), apenas um pouco pior do que em Queen’s (56 de 58, com 97%) e salvou 22 de 27 break-points (81%), depois de ter evitado 10 de 12 (83%) há quatro semanas.

Como se pode ver claramente, sua maior arma tem sido o saque, o que também permite usar o pesadíssimo forehand de qualquer ponto da quadra, já que costuma fugir muito para o lado esquerdo. Ele sabe que o backhand é o ponto frágil e onde todo adversário vai tentar desestabilizá-lo, mas a defesa com slice na grama tem muito mais eficiência do que em qualquer outro piso e geralmente traz um problema para quem está do outro lado.

Nos dois duelos que fez contra Djokovic, perdeu. O primeiro veio no Finals de 2019 e levou uma aula, mas há dois meses em Roland Garros conseguiu até tirar um tiebreak do sérvio e caiu no quarto set por 7/5. Dos cinco títulos que tem na carreira, dois foram na grama. Nesta temporada, ganhou Belgrado e Queen’s e foi à final de Madri, onde levou virada de Alexander Zverev. Com justiça, já garantiu volta ao 8º lugar do ranking e passa a ser  o 3º mais bem pontuado da temporada.

Força contra jeito
A final feminina de Wimbledon também é muito especial, porque envolve duas tenistas que têm estilos diferentes porém ambos muito eficientes para as quadras de grama. Enquanto Ashleigh Barty aposta nas trocas de efeito e velocidade, com slice perigoso e boa mão para os voleios, Karolina Pliskova aposta na força do saque e de seu excelente forehand que gera golpes retos e quique baixo.

Obviamente, ganhar Wimbledon é um sonho enorme para ambas, mas arriscaria a dizer que existe mais pressão sobre Pliskova que, aos 29 anos, vê uma rara chance de enfim conquistar seu primeiro Slam. Quatro anos mais jovem, Barty se vira bem nos variados pisos e ainda tem várias temporadas à frente para aumentar seus números.

Além disso, a australiana costuma mostrar mais firmeza emocional do que a adversária, ainda que Pliskova tenha anotado uma virada excepcional na semi contra Aryna Sabalenka e deve ter se enchido de confiança. Promessa de um grande jogo.

Todos os olhos em Nole
Por José Nilton Dalcim
27 de junho de 2021 às 20:07

Com a ausência de Rafael Nadal e o momento incerto de Roger Federer e Serena Williams, todas as atenções em Wimbledon se concentram sobre Novak Djokovic. E o atual campeão e número 1 do mundo inicia a campanha já às 9h30 desta segunda-feira, tendo pela quarta vez a honra de ser o primeiro a pisar na imaculada grama da Quadra Central, como reza a tradição centenária.

Há muita coisa em jogo para Djokovic. Claro que todo mundo pensa no 20º troféu de Slam, o que o igualaria a Nadal e Federer, mas há outras façanhas importantes aguardando o sérvio. Ele pode ser apenas o quinto homem na história a conquistar os três primeiros Slam da temporada, repetindo Jack Crawdford (1933), Don Budge (1938), Lew Hoad (1956) e Rod Laver (1962 e 1969). Desses, apenas Budge e Laver completaram o Slam nos EUA.

Vencer seguidamente no saibro de Paris e na grama londrina também era um feito raro até Bjorn Borg fazê-lo por três vezes seguidas, entre 1978 e 1980. Desde então, apenas Nadal (2008 e 2010) e Federer (2009) repetiram o sueco.

Penta ao lado de Borg, Djoko poderá ainda se isolar como terceiro maior vencedor de Wimbledon desde que foi abolido o ‘challenge round’ em 1921 (ou seja, quando o campeão do ano anterior apenas defendia o título na edição seguinte). Os outros dois são Federer (oito troféus) e Pete Sampras (sete).

Por fim, se for à semifinal, somará 100 vitórias na grama na carreira, clube exclusivo de Federer (188) e Andy Murray (108) na fase profissional.

Com apenas três jogos de duplas feitos em Mallorca – em quatro de seus cinco títulos não jogou preparatórios de qualquer espécie -, Djokovic testa sua adaptação á grama diante do garoto britânico Jack Draper, 253º do ranking nesta segunda-feira. Fico a imaginar o tamanho da ansiedade do canhoto de 19 anos: vai jogar seu primeiro Slam, diante do número 1 e em plena Central, um palco reservado a muitos poucos na história.

Saiba mais
– O torneio mais antigo do mundo atinge a 134ª edição desde 1877 e a 53ª desde que profissionais foram admitidos, em 1968.
– Nesse longo período, o torneio deixou de ser disputado apenas 11 vezes, sendo 4 na Primeira Guerra, 6 na Segunda e 1 nesta pandemia.
– Os campeões embolsam 1,7 milhão de libras (US$ 2,3 mi) e quem perder na estreia, 48 mil (US$ 67 mil)
– Se chegar ao nono troféu, Federer marcará também a maior distância entre o primeiro e o último Slam, com 18 anos. O recorde hoje é de Serena, com 17 anos e 5 meses, seguida por Nadal, com 15 anos e 4 meses.
– Aos 39 anos e 337 dias, suíço também pode ser o mais velho campeão de um Slam.
– Federer disputa o torneio pela 22ª vez, com total de 81 Slam, e Venus completa 23 participações e 90 Slam, recordes absolutos. Feli Lopez chega a 77 Slam seguidos.
– Só existem quatro vencedores de Slam na chave masculina, somando Murray e Cilic. Dos demais, apenas Anderson chegou numa final de Wimbledon. No feminino, são 15 e olhem que Osaka e Halep estão fora.
– Mais dois recordes para o tênis italiano: representantes na chave masculina (10) e cabeças (4).
– Dos oito principais cabeças, Medvedev, Tsitsipas, Zverev, Rublev e Berrettini nunca fizeram quartas em Wimbledon. Bautista foi semi em 2019.
– O cabeça 1 só perdeu uma vez na estreia na Era Aberta: Hewitt para Karlovic em 2003
– Há 18 canhotos na chave. O último a vencer foi Nadal, em 2010
– Borg, Cash, Edberg e Federer foram únicos campeões juvenis que ergueram troféu no profisisonal
– A última vez que um debutante ganhou Wimbledon foi em 1951, com Dick Savitt
– Um membro do time de Johanna Konta deu positivo para covid e a britânica foi obrigada a se retirar do torneio. Ela foi semi em 2018 e quartas em 2019.
– Sabalenka pode tirar Barty da ponta do ranking, mas terá de ser campeã e a australiana não passar das quartas.
– Em 19 participações, Serena nunca perdeu na estreia de Wimbledon. Precisa de duas vitórias para chegar à 100ª no torneio.
– Desde 2017, o circuito feminino vê sempre quatro diferentes campeãs de Slam (em 2020 foram três).
– O Brasil de Maria Esther faz parte da curta lista de 11 países a ganhar o título feminino na história do torneio

Tênis profissional poderia ter começado 10 anos antes
Por José Nilton Dalcim
22 de julho de 2020 às 21:05

A contratação dos principais tenistas ao longo da década de 1950 por promotores, especialmente os norte-americanos, incomodou cada vez mais o All England Club, o criador de Wimbledon, que temia a perda de interesse do público. Em 1959, veio a primeira tentativa britânica de determinar o fim do amadorismo do tênis – algo que o golfe havia obtido 30 anos antes -, ao solicitar à Federação Internacional que permitisse livre inscrição nos torneios. A proposta foi a plenário e saiu derrotada por meros cinco votos.

A situação só piorava. Rod Laver, a grande estrela de 1962, assinou contrato para disputar o circuito norte-americano ainda aos 24 anos e causou um novo choque. Mais grave ainda, os promotores profissionais pouco a pouco abandonavam o formato de duelos individuais para organizar campeonatos, que evoluíram para circuito. Wimbledon mais uma vez tentou persuadir a Federação em 1964, mas não foi ouvido.

Como único recurso, os Grand Slam aceitaram pagar um cachê não-oficial para os principais tenistas que jogassem seus campeonatos, tentando assim conter a evasão, numa atitude que era conhecida como “falso amadorismo”. Na realidade, os melhores jogadores já tinham até contrato com marcas de raquete e de roupa, em outra evidência de que os tempos tinham de mudar.

A gota d’água viria em 1967, quando dois novos circuitos poderosos se formaram nos Estados Unidos: a National Tennis League, organizada pelo conceituado George MacCall, e o World Championship Tennis (WCT), criado por Dave Dixon e depois adotado pelo milionário Lamar Hunt. Entre os dois grupos de contratados, estava praticamente a nata do tênis da época.

O All England Club tomou então atitudes radicais. Em agosto de 1967, convidou oito profissionais para uma exibição em plena Quadra Central, sob o patrocínio da BBC e o pretexto de realizar a primeira transmissão colorida do tênis na TV. O sucesso foi a deixa final. Em dezembro, numa tumultuada reunião em Londres, os dirigentes da Liga Britânica anunciaram que iriam abolir a partir de 1968 a distinção entre “amador” e “profissional” mesmo ameaçados de expulsão pela Federação Internacional.

“Precisamos agir por nossa conta para tornar o jogo honesto”, afirmou o então presidente da LTA Derek Penman, referindo-se ao fato de que havia clara diferença entre os tenistas que recebiam cachê ilegal e os verdadeiros amadores de então. “Temos sido governados há muito tempo por um conjunto de regras amadoras que não são mais aceitáveis”.

Primeiros momentos
Wimbledon no entanto não se tornaria o primeiro Slam profissional da história. Em março de 1968, uma reunião de emergência em Paris, a Federação Internacional colocou em votação e levou goleada de 295 dos 300 votos a favor do fim do amadorismo. Anunciou então um calendário com 12 torneios abertos a profissionais. O primeiro deles aconteceu na quadra sintética de Bournemouth, em abril, vencido por Ken Rosewall e Virginia Wade. E logo em seguida, Roland Garros tirou a primazia de Wimbledon e se tornou o primeiro Slam da nova era.

Nada no entanto foi tão simples. Roland Garros aconteceu no meio dos protestos estudantis pelas ruas e com Paris praticamente sitiada, e ainda sofreu boicote severo.  Se o título masculino ficou para o grande nome do momento, Ken Rosewall, o feminino foi uma certa surpresa, já que a amadora Nancy Richey derrotou a profissional Ann Jones. Na hora de receber o prêmio de US$ 1 mil, Richey declinou em favor da australiana porque ainda tinha receio do que poderia vir e quis permanecer amadora.

Duas semanas depois, Wimbledon enfim recebeu Laver de volta. O genial australiano havia conquistado o torneio em 1962 e não retornado mais devido ao banimento obrigatório dos profissionais. O retorno foi glorioso, com título e apenas nove games perdidos diante de Tony Roche na final, com direito ao prêmio de 2 mil libras do total de 26.150 do torneio. Billie Jean King recebeu 750 libras.

A USTA, por seu lado, se mostrou bem mais cautelosa com os novos tempos e, nos dois primeiros anos de Era Aberta, promoveu dois campeonatos distintos, um amador e outro profissional, para cada sexo. Arthur Ashe ganhou os dois eventos em 1968, tornando-se o primeiro homem negro a erguer um Slam, mas repetiu o gesto de Richey e recusou o prêmio de US$ 14 mil, passando-o para Tom Okker, porque queria disputar a final da Copa Davis em dezembro (a Davis demorou mais alguns anos para retirar a restrição aos profissionais).

Como amador, Ashe derrotou Bob Lutz em torneio disputado em Boston. No feminino, Margaret Court venceu o amador e Virginia Wade, o profissional. O total de premiação atingiu US$ 100 mil, o dobro de Wimbledon. No ano seguinte, Rod Laver levou o título profissional e Stan Smith, o amador, enquanto Court faturou os dois.

Disputa e boicote
A maioria dos grandes nomes estava no entanto sob contrato da NTL ou do WCT e apenas uma minoria era independente, como Lew Hoad e Luis Ayala. O NTL agenciava Rod Laver, Ken Rosewall, Andrés Gimeno, Pancho Gonzales, Fred Stolle e Roy Emerson, enquanto o WCT estava com John Newcombe, Tony Roche, Nikola Pilic, Roger Taylor, Pierre Barthès, Earl “Butch” Buchholz, Cliff Drysdale e Dennis Ralston.

Como a Federação Francesa se recusou a fazer um acordo comercial, nenhum dos nomes do WCT competiu em Roland Garros inaugural de 1968 e todos os do WCT e da NTL boicotaram Paris em 1970, ano em que a NTL também não permitiu que seus jogadores disputassem o Australian Open.

A Federação Internacional, que sempre controlou os Grand Slam, se sentiu pressionada e aí novamente surgiu a figura de Jack Kramer, o grande tenista dos anos 1940 e 50, que também havia obtido sucesso com seus eventos de exibições. O norte-americano criou o chamado circuito Grand Prix, que dava boa premiação e estabelecia um ranking que elegia os oito melhores da temporada para um campeonato especial para fechar a temporada, que chamou de Masters.

O primeiro Grand Prix aconteceu em 1970, ainda com muita divisão entre os promotores, mas conseguiu realizar 27 torneios, incluindo Roland Garros, Wimbledon e US Open, com Masters em Estocolmo. Vários tenistas começaram a assinar contrato com o novo circuito, que admitia que eles disputassem também eventos dos outros promotores se as datas não fossem competitivas.

Inegavelmente, porém, o WCT era uma grande força. Iniciou seus torneios em 1968 e em 1970 absorveu o NTL, ficando ainda mais forte. Pediu então a um painel de jornalistas para classificar os melhores 32 tenistas do mundo, a fim de convidá-los para jogar o circuito de 20 etapas de 1971, lista que incluiu Ilie Nastase, Stan Smith e Jan Kodes. Até mesmo o Australian Open foi um WCT, que instituiu também um Masters ao final das etapas.

A disputa entre Grand Prix e WCT chegava ao auge. Rosewall, Gimeno, Laver e Emerson se recusaram a jogar o US Open de 1971 (Rosewall acabou indo, mas perdeu na estreia) e como resposta o Grand Prix proibiu os tenistas do WCT de competir em Roland Garros e Wimbledon de 1972.

Estava evidente que eram necessárias medidas drásticas para que o recém-nascido tênis profissional não naufragasse em suas próprias vaidades. Os tenistas se reuniram durante o US Open de 1972 e entenderam a saída: criar um sindicato que os representasse e tirasse tamanho poder dos promotores.

Surgia então a ATP. E isso fica para o próximo post.