Arquivo da tag: Roberto Bautista

Miami vê jovens finais. E com Luísa.
Por José Nilton Dalcim
2 de abril de 2021 às 23:41

A nova era do tênis estará em quadra para as finais masculina e feminina de Miami. A soma de idade dos quatro candidatos ao título entre sábado e domingo é de apenas 88 anos, ou seja, uma média de 22 por finalista. Para quem clama por renovação, nada a reclamar.

Jannik Sinner é o mais jovem deles, com 19 e meio, e fará uma decisão totalmente inesperada contra Hubert Hurkacz, que acabou de completar 24. Entre as meninas, dois nomes já muito rodados, porém ainda de tenra idade. Ashleigh Barty, a mais velha dos finalistas, tem 24 e 9 meses e enfrentará a recuperada Bianca Andreescu, de 20 e 7 meses.

Com número 1 garantido outra vez, Barty tenta o segundo título consecutivo em Miami. Na primeira viagem para fora de seu país em 14 meses, teve dificuldade para soltar seu jogo mas progrediu rodada a rodada até fazer uma semi quase perfeita diante de Elina Svitolina.

O melhor desta final de Miami é que veremos um duelo inédito entre duas tenistas cheias de recurso, incluindo slices, deixadinhas e voleios, arsenal um tanto raro no circuito feminino. Andreescu bate mais forte, é verdade, mas isso não chega a ser uma diferença crucial nas condições mais lentas do torneio. Assim, é preciso construir pontos.

A canadense fez até aqui uma campanha notável. É apenas seu terceiro torneio desde o retorno da longa parada de um ano devido ao joelho. Fez já quatro jogos seguidos no terceiro set,  todos sob grande pressão e com menos pernas que as adversárias. Sempre achou um jeito de ganhar. Faz a primeira final em 19 meses e tenta colecionar outro troféu de peso na sua curta galeria de três, mas que foram erguidos em Indian Wells, Toronto e US Open de 2019.

Masculino: surpreendente e imprevisível
No domingo, Sinner pode se tornar o mais jovem campeão de Miami, quebrando marca de Novak Djokovic. Há muito se fala e se observa seu talento, mas é excepcional que ele já tenha conseguido adaptação tão boa à quadra dura. O saque aliás melhorou muito.

Mais um fruto do trabalho de Riccardo Piatti, que participou da formação de Djokovic e Maria Sharapova entre outros, Sinner tem grandes golpes de base, mas a cabeça se destaca talvez ainda mais. Raramente mostra emoções, mantém incrível foco e sempre acredita que ainda dá, como foi o caso da exigente virada desta sexta-feira diante de Roberto Bautista, em que achou soluções para repetir o que fizera em Dubai.

Para aumentar a imprevisibilidade da final, nunca enfrentou Hurkacz. O polonês é um sólido jogador de base, que também abusa no saque, e tem a especial capacidade de se mexer muito bem na base e assim distribuir golpes pesados com naturalidade. Foi assim que tirou Denis Shapovalov, Milos Raonic, Stefanos Tsitsipas e agora Andrey Rublev, todos inquestionáveis jogadores de quadra dura e estilos agressivos.

O grande momento de Luísa Stefani
E o tênis brasileiro estará no fim de semana decisivo de Miami com Luísa Stefani. Ela e a tradicional parceira Hayley Carter obtiveram linda reação nesta noite diante da top 10 Gabriela Dabrowski e da mexicana Giuliana Olmos, com triunfo num match-tiebreak de 18 pontos.

Luísa e Carter incrementam o espírito de renovação, já que a brasileira tem 23 anos e meio, dois a mais que a parceira. Para chegar a seu maior título, terão de passar pelas conhecidas japonesas Shuko Aoyama e Ena Shibahara, que as derrotaram na final de Dubai semanas atrás, além da Austrália e de Roland Garros, mas a dupla da paulista levou a melhor no US Open.

Num momento de poucos resultados animadores para o Brasil, Stefani já garantiu o 27º lugar do ranking e será 24ª em caso de título, uma posição que apenas outros nove tenistas nacionais obtiveram até hoje na Era Profissional, em qualquer sexo ou especialidade.

Sem os top 5, renovado Miami promete
Por José Nilton Dalcim
1 de abril de 2021 às 23:39

Miami verá um campeão de Masters 1000 inédito e chega à semifinal sem um favorito claro. Se a experiência joga a favor de Roberto Bautista, o explosivo Andrey Rublev faz um início de temporada muito confiante. Mas ambos estarão diante de adversários para quem perderam em confrontos diretos: Bautista frente o jovem Jannik Sinner e Rublev, do frio Hubert Hurkacz.

Bautista jogou um tênis primoroso na quarta-feira e outra vez barrou Daniil Medvedev, repetindo o que fizera nas quartas de Cincinnati no ano passado. Está na sua quarta semi de Masters e busca repetir a final de Xangai lá de 2016. Não é portanto apenas o mais velho e único ‘trintão’ da reta final de Miami, mas também o de maior currículo. Aliás, um eventual título também o levará de volta ao top 10.

A vitória sobre o número 2 do mundo não coroou apenas sua conhecida solidez na base, mas premiou a versatilidade, algo que claramente falta a Medvedev. O espanhol de 32 anos surpreendeu com trocas para a paralela, deu curtinhas na hora certa e ousou junto à rede, com direito até a saque-voleio.

Seu adversário será o mesmo Sinner que o venceu duas semanas atrás em Dubai com 7/5 no terceiro set. O italiano de 19 anos arrancou a vitória de Alexander Bublik, que teve 4-1 no tiebreak e 3/0 no segundo set e fez uma exibição na base do risco, com devoluções a 160 km/h e saque por baixo. Sinner, que já havia batido Bublik no mesmo Dubai, não escondeu a surpresa com a mudança tática e fez elogio: “Ele é um dos mais talentosos do circuito, tem uma mão incrível”. No jogo de pontos muito curtos, o italiano fez 26 winners, 28 deles de forehand.

A sexta-feira começou com a notável virada de Hurkacz sobre Stefanos Tsitsipas. O grego abriu 6/2, 2/0 e 15-40, dando ideia de que justificaria o histórico de 6-1 nos duelos diretos. Num passe de mágica, no entanto, se perdeu na partida e deu confiança para o polonês investir nos winners (foram 41 a 22), com destaque ao primeiro saque preciso nos momentos mais delicados. Também em sua primeira semi de Masters aos 24 anos, Hurkacz ganhou seus oito jogos na Flórida neste começo de ano – foi campeão de Delray Beach em janeiro – e já tirou três cabeças de Miami, lista que inclui Denis Shapovalov e Milos Raonic.

Ele reencontrará Rublev, mais um que faz a primeira semi de Masters. Hurkacz venceu o único duelo entre eles, no lento saibro de Roma do ano passado, mas é difícil tirar o favoritismo do russo, que ainda não perdeu set em Miami. Teve seu jogo mais duro nesta noite diante de Sebastian Korda, ainda que tenha sacado com 5/3 nos dois sets e aí perdido serviços pela primeira vez no torneio. Para alguém que adora espancar a bola, é notável que ele tenha vencido o primeiro set com apenas três winners e terminado com 15, comentendo apenas 13 erros.

Grande sensação da chave masculina, Korda encarou de frente o número 8, teve pequenas falhas com o serviço devido à afobação e ainda sentiu um problema na virilha que não o impediu de lutar muito e quase levar o segundo set. Sai como real promessa de evoluir rapidamente ao longo da temporada, já que será 64º na segunda-feira e isso lhe dá vaga nos Slam, alguns ATP 500 e qualquer ATP 250.

Rio Open só em 2022
Mais uma notícia ruim para o tênis brasileiro, ainda que totalmente esperada. O Rio Open não vai mesmo acontecer em 2021 em função do agravamento da pandemia no país. Os organizadores pensavam ainda em conseguir uma data em julho e com isso ainda aproveitar a autorização de captação de verba, que tinha esse prazo.

Mas o quadro sanitário continua imprevisível – espera-se um abril ainda pior do que março -, o país está isolado do cenário internacional e ainda haveria grande chance de o torneio ter de acontecer sem público, o que inviabilizaria contratos publicitários essenciais. Tudo muito triste.

E mais
– Desde 2010, esta será apenas a segunda vez que Miami terá um campeão inédito, repetindo John Isner de 2018. Nesse longo período, Djokovic ganhou cinco vezes e Federer, duas.
– Nos últimos 26 Masters 1000 disputados desde Roma de 2017, o circuito viu 13 campeões fora do Big 4: Zverev (3), Dimitrov, Sock, Del Potro, Isner, Khachanov, Thiem, Fognini e Medvedev (3).
– Antes de Sinner, sete outros adolescentes atingiram a semifinal de Miami. Desse total, cinco foram número 1 do mundo: Agassi, Hewitt, Nadal, Murray e Djokovic. Os outros foram Aliassime e Shapovalov.

Tudo pela grama
Por José Nilton Dalcim
11 de março de 2021 às 18:34

Atualizado às 20h29 com a desistência de Dubai

‘Minha temporada começa na grama’. Roger Federer resumiu bem sua meta clara e principal para a volta ao circuito e dessa forma tentou minimizar ao máximo a virada sofrida nesta quinta-feira diante de Nikoloz Basilashvili na segunda partida feita em Doha após mais de 400 dias de ausência. Horas depois, anunicou que não jogará em Dubai na próxima semana e reafirmou a ideia de fazer uma curta passagem pelo saibro, sem precisar quando ou onde.

Federer fez um bom primeiro set nas 24 horas posteriores à exigente estreia em Doha. Depois o georgiano achou seu forte jogo de base, disparou golpes incríveis no segundo set e escapou até mesmo de um 0-40 que levaria o suíço à reação. O terceiro set seguiu com poucos pontos longos e muita pancadaria. Federer foi levando no saque, mas Basilashvili havia ganhado a perigosa confiança que sempre o fez um adversário respeitável na quadra dura.

Ainda assim, o suíço ficou a um ponto da vitória, se bem que levou certa sorte para chegar ao match-point, que Basilashvili evitou sem susto. Embalado, continuou forçando devoluções, tirou outro serviço de Federer e concluiu a vitória com autoridade. Pelo conjunto da obra, Roger disse ter saído satisfeito. Aguentou seis sets em dois dias, o saque raramente o abandonou e o corpo reagiu bem ao ‘dia seguinte’.

Reclamou apenas de dores no ombro e por isso decidiu pular Dubai e ‘me dedicar os treinamentos’. Pena. Como cabeça 2, ele só estrearia na segunda rodada, já que a chave é de 48, e teria tempo de se recuperar. Pior ainda, irá encarar mais um longo hiato até seu próximo torneio, já no saibro, não antes de Madri. Segundo suas próprias palavras, Wimbledon é a prioridade e ele espera fazer o maior número de jogos possível até a temporada de grama, daí incluir obrigatoriamente um ou dois torneios na terra batida.

Doha não perdeu apenas Federer, mas ficou também sem Dominic Thiem, outra vez batido por um eficiente Roberto Bautista. Ainda que não tenha jogado mal, o austríaco continua apagado neste começo de temporada, com três derrotas em oito jogos. O espanhol fará um duelo bem interessante contra o sortudo Andrey Rublev, que está na semi sem pisar na quadra. Do outro lado, Basilashvili enfrenta Taylor Frtiz, o que abre chance de uma nova final entre a nova geração.

E mais
– Se o ranking não tivesse sido congelado, Federer apareceria segunda-feira no 610º posto.
– Outro retorno vitorioso que acabou passando em segundo plano foi o de Jo-Wilfried Tsonga, que venceu em Marselha seu primeiro jogo desde novembro de 2019.
– Berrettini, Monfils e Kyrgios desistiram de Dubai, dando lugar a Fucsovics, Bedene e Fokina. Os organizadores convidaram Nadal, que não topou.
– Curiosidade: dos atuais top 20 do ranking masculino, o único que jamais figurou entre os 10 é Felix Aliassime.
– Wild joga neste fim de semana o quali do 500 de Acapulco. Ainda machucado, Monteiro desistiu e só deve retornar em Miami.
– Meligeni, Sakamoto, Bellucci e Luz estão na chave do challenger de Santiago na próxima semana.
– Muito legal e oportuna a extensa reportagem do Jornal Nacional de ontem sobre a histórica façanha de Novak Djokovic, que nesta semana passou a ser o recordista de semanas no número 1. Para quem não viu, clique aqui.