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Os números da renovação
Por José Nilton Dalcim
22 de outubro de 2020 às 21:58

É bem verdade que a nova geração ainda não conseguiu brilhar nos grandes torneios do calendário masculino como se esperava, bem ao contrário do que acontece entre as meninas, mas os números do ranking internacional dos dois sexos deixa claro que a renovação segue firme. E, vejam que curioso, o top 10 masculino é hoje mais jovem do que o feminino.

Antes de tudo, é preciso ressaltar que a evolução no preparo físico e especialmente o de recuperação muscular mudou aquilo que costumávamos chamar de “veteranos”. Há dez anos, virar ‘trintão’ era indício da reta final da carreira. Hoje, esse limite avançou pelo menos até os 32 e ainda se vê muito tenista em alto nível de competitividade aos 35.

É fato que o congelamento da defesa dos pontos em 2020 traz algumas distorções no ranking atual. No entanto, como a regra vale para todos, vale examinarmos os números.

E aí vemos que, dos atuais top 50, o feminino tem mais nomes com até 25 anos (21) do que o masculino (19), mas a diferença é tênue. Porém existem 11 nomes acima dos 32 anos na ATP contra meros 4 na WTA, sendo que há 3 homens e 2 mulheres com 35 anos ou mais. O grosso está na faixa média, entre 26 e 31 anos, o que podemos considerar hoje a fase de estabilidade dos tenistas: são 20 entre os homens (40%) e 25 entre as mulheres (50%).

Vamos a uma rápida análise das faixas de ranking:

Top 10
Metade dos homens têm menos de 25 anos, enquanto na WTA são quatro. Há um nome acima dos 35 em cada lista:
Masculino
– 5 abaixo dos 25 (Tsitsipas, Medvedev, Zverev, Rublev e Berrettini)
– 3 acima dos 32 (Djokovic, Nadal e Federer)
– 2 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Federer)
Feminino
– 4 abaixo dos 25 (Barty, Osaka, Kenin e Andreescu)
– 1 acima dos 32 (Serena)
– 5 entre as 26-31
– 1 acima dos 35 (Serena)

Top 20
Se somarmos o top 10 com o top 20, aí vemos que a WTA está mais renovada, com 9 abaixo dos 25 anos contra 7 do masculino. Também não há no momento top 20 com mais de 32 anos no feminino
Masculino
– 2 abaixo dos 25 (Shapovalov e Khachanov)
– 4 acima dos 32 (Monfils, Bautista, Fognini e Wawrinka)
– 4 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Wawrinka)
Feminino
– 5 abaixo dos 25 (Bencic, Sabalenka, Swiatek, Rybakyna e Vondrousova)
– Ninguém acima dos 32
– 5 entre as 26-31
– Ninguém acima dos 35 anos

Top 30
Entre os 21 e 30 primeiros do ranking, vê-se novamente uma forte renovação nos dois sexos, com 60% de cada lista. O feminino só tem um nome acima dos 32.
Masculino
– 6 abaixo dos 25 (Garin, Aliassime, Coric, Ruud, Di Minaur e Fritz)
– 1 acima dos 32 (Isner)
– 3 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Isner)
Feminino
– 6 abaixo dos 25 (Mertens, Konta, Muchova, Yastrenska e Anisimova)
– 1 acima dos 32 (Kerber)
– 3 entre as 26-31
– Ninguém acima dos 35

Top 40
É uma faixa em que prevalecem os tenistas de idade mediana, entre 26 e 31 anos, com algum espaço para os veteranos.
Masculino
– 4 abaixo dos 25 (Hurkacz, Opelka, Humbert e Kecmanovic)
– 1 acima dos 32 (Cilic)
– 5 entre os 26-31
– Ninguém acima dos 35
Feminino
– 1 abaixo dos 25 (Vekic)
– 2 acima dos 32 (Kuznetnova e Strycova)
– 7 entre as 26-31
– 1 acima dos 35 (Kuznetnova)

Top 50
Metade dos jogadores entre 41 e 50 do ranking têm entre 26 e 31 anos.
Masculino
– 2 abaixo dos 25 (Sinner e Bublik)
– 3 acima dos 32 (Mannarino, Ramos e Querrey)
– 5 entre os 26-31
– Nenhum acima dos 35
Feminino
– 5 abaixo dos 25 (Ferro, Ostapenko, Kudermetova, Gauff e Podoroska)
– Nenhuma acima dos 32
– 5 dos 26-31
– Nenhuma acima dos 35

Resumo do atual top 50
A renovação na WTA é muito mais acentuada, ao vermos que apenas 8% têm acima dos 32 anos, quase três vezes menos do que na ATP. Ainda assim, são 40 tenistas entre os top 50 do tênis com menos de 25. Os novos tempos sempre chegam.
Masculino
– 19 abaixo dos 25 no top 50
– 11 acima dos 32
– 20 entre 26 e 31a
– 3 acima dos 35 anos
Feminino
– 21 abaixo dos 25 no top 50
– 4 acima dos 32
– 25 entre 26 e 31 anos
– 2 acima dos 35 anos

O quesito qualidade
O feminino dá um banho no masculino quando se fala no sucesso da nova geração nos Grand Slam. Enquanto a WTA viu nos últimos cinco anos Garbiñe Muguruza, Jelena Ostapenko, Sloane Stephens, Naomi Osaka, Ashleigh Barty, Bianca Andreescu e Iga Swiatek levarem diferentes troféus, os então novatos da ATP chegaram tão somente a quatro finais (Milos Raonic, Dominic Thiem, Daniil Medvedev e Alexander Zverev).

Outro dia histórico para Nadal
Por José Nilton Dalcim
18 de outubro de 2020 às 23:21

Oito dias depois da inacreditável 13ª conquista em Roland Garros, que permitiu o empate por 20 nos troféus de Grand Slam, o espanhol Rafael Nadal terá mais um momento histórico a comemorar nesta segunda-feira.

Ele vai igualar uma marca de Jimmy Connors que perdurava por 32 anos e parecia muito difícil de ser alcançada. Ao se manter continuamente no top 10 desde a ascensão em 2005, Rafa totaliza 788 semanas consecutivas nessa faixa tão prestigiada do tênis, o mesmo que o norte-americano atingiu entre 1973 e 1988.

E obviamente Nadal irá  abrir boa margem, já que ocupa o segundo posto no momento com grande vantagem sobre o atual número 11. Enquanto o espanhol soma 9.850 pontos devido ao congelamento dos resultados de 2019, Gael Monfils tem 2.860. Ou seja, somente uma fase muito ruim interromperia a sequência de Rafa, e ainda assim após Wimbledon.

O terceiro colocado nessa lista é Roger Federer, com 734 semanas seguidas no top 10, entre 2002 e 2016. Muito atrás aparecem Ivan Lendl, com suas 619, e Pete Sampras, com 565.

No total de semanas no top 10, Nadal ainda precisará de mais 29 para atingir 817 e alcançar o segundo lugar de Connors. O recorde de Federer ainda é difícil de ser igualado: 917 e contando.

Maior no top 4
E não é só. Nadal igualará nesta segunda-feira outra marca de Connors e atingirá as mesmas 669 semanas no top 4 do ranking. Os dois estarão também atrás das 803 de Federer, que ainda se mantém apesar da longa parada.

No ano passado, o canhoto espanhol assumiu a que era até então a única categoria que liderava entre as grandes façanhas do ranking: ele superou Federer no total de semanas no top 2. Hoje, ele já tem 557 contra 528 do suíço e ainda vê Novak Djokovic bem distante, com 435.

Vale por fim considerar que Rafa mira, e com grande chance, desempatar de Federer em número de temporadas encerradas entre os dois primeiros lugares. Ambos totalizam 11, mas Nadal concorre para permanecer na vice-liderança em 2020. A única ameaça é Dominic Thiem, que aparece 725 pontos atrás.

A briga pelo Finals
Sem o chamado ‘ranking da temporada’, a ATP decidiu que os oito mais bem colocados do ranking tradicional terão direito a competir no Finals de Londres, que prossegue marcado para a segunda quinzena de novembro, na despedida da arena O2.

Como Federer abriu mão da vaga, na verdade a lista se estenderá até o nono colocado. Seis no entanto já estão garantidos: Djokovic, Nadal, Thiem, Stefanos Tsitsipas, Daniil Medvedev e Alexander Zverev, que aliás repetirão a presença de 2019.

Restam portanto dois, e o russo Andrey Rublev deu um importante passo para isso neste domingo, ao faturar seu quarto título da temporada, o segundo de nível 500 em 30 dias. Isso o levou para o oitavo lugar e abriu 354 pontos de vantagem sobre Matteo Berrettini, o 10º do momento. Entre eles, está Diego Schwartzman, apenas 105 à frente do italiano. Portanto, o russo e o argentino podem debutar no Finals e serem as novidades.

Não se pode tirar da briga Gael Monfils, Denis Shapovalov ou Roberto Bautista. E é claro que campanhas espetaculares em Antuérpia, Viena e Paris poderiam ascender David Goffin, Pablo Carreño ou Fabio Fognini.

Aliás, das três finais do fim de semana, duas foram dominadas pelos novatos. O mais velho era justamente Zverev, 23 anos, campeão em Colônia em cima de Felix Aliassime, de 20, que amargou o sexto vice. Rublev fará 23 na terça-feira, mesma idade do finalista Borna Coric. Um bom cenário.

Novo ranking congela perdas, mas projeta brigas
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2020 às 11:47

A ATP ‘congelou’ o ranking para 2020, ao menos no que tange à perda de pontos. A regra excepcional, anunciada nesta segunda-feira, basicamente diz que os tenistas só poderão somar pontos quando o circuito retornar, em agosto. Mas isso não impedirá de acontecer muita briga pelas principais posições.

Até finalizar esta conturbada temporada 2020, o tenista terá considerado os 18 torneios que lhe renderam mais entre março de 2019 e dezembro de 2020, ou seja num período de 22 meses, 10 a mais do que o tradicional. A diferença é enorme. Na prática, dificilmente alguém perderá pontos em relação à lista atual, já que o regulamento diz claramente que ele não pode ter duas vezes o mesmo torneio na sua contagem de pontos válidos, valendo a pontuação maior.

O reflexo imediato disso é que qualquer tenista poderá simplesmente deixar de disputar torneios neste recomeço – não haverá eventos obrigatórios -, garantindo a pontuação obtida em 2019. Ao mesmo tempo, permite que um jogador dispute livremente todos os torneios sem a preocupação de defender pontos. Ou seja, atende a todos os interesses. Ficou sem dúvida bem democrático.

É evidente que a regra ajuda acima de todos Rafael Nadal, porque o espanhol teria a dificílima missão de defender US Open, Roma e Roland Garros, portanto 5.000 pontos, no curtíssimo espaço de sete semanas. Agora, ele está seguro para não ter que ir a Nova York e poderá jogar Roland Garros pensando unicamente no 20º troféu de Grand Slam.

Novak Djokovic também não pode reclamar, já que sua liderança dificilmente será ameaçada até o final do Slam francês. Enquanto Nadal só poderá somar pontos em Cincinnati (onde dificilmente vai jogar) e Madri (já anunciou que vai), o sérvio não terá de se preocupar em defender Madri ou Paris-Bercy, terá Wimbledon mantido e ainda pode somar em Cincinnati, Roma e principalmente US Open e Roland Garros (fez oitavas em Flushing Meadows e semi em Paris). O líder por enquanto não anunciou qualquer calendário, mas há sérias dúvidas se ele vai se arriscar nos EUA.

Até mesmo Roger Federer sorri com a regra excepcional para o ranking. Ele só voltará em janeiro de 2021, então com 39 anos, e só perderá 440 pontos do ATP Finals. Assim, o top 10 é certo, com pequena chance até de permanecer no top 5.

Não é só. Daniil Medvedev, que fez uma campanha espetacular a partir das quadras duras do verão norte-americano, com cinco finais seguidas, manterá todos esses 4.050 pontos mesmo que não entre em quadra. Ele já anunciou que jogará Washington, a partir de 14 de agosto, e poderá somar muito mais do que qualquer outro, uma vez que foi eliminado na estreia de Madri, Roma e Roland Garros.

Quase 3 mil pontos atrás de Nadal no momento, Dominic Thiem terá oportunidade de brigar pelo número 2 ou ao menos diminuir sensivelmente a distância, principalmente se Rafa não for aos EUA. O austríaco nem jogou Cincinnati e caiu na estreia do US Open e de Roma. Fez  semi em Madri e final em Roland Garros, ou seja, mais espaço para somar.

Também vale dar uma olhada nas boas perspectivas para Stefanos Tsitsipas. O grego e Thiem têm sido os tenistas com maior atividade e melhor nível demonstrado nas exibições até agora. Tsitsipas perdeu na estreia de Cincinnati e do US Open no ano passado, portanto ótima chance de arrancar na pontuação, e fez oitavas em Roland Garros. Tem semi em Roma e final em Madri. Está 2.300 pontos atrás de Thiem no ranking deste momento.

E mais
– O ranking masculino voltará à atividade no dia 24 de agosto, ou seja, após Washington. Só então recomeçará a contagem das semanas na liderança para Djokovic.
– Esse ranking do dia 24 também será a base dos cabeças para o US Open, mas dificilmente haverá mudanças significativas em relação à lista de hoje.
– Os pontos obtidos na temporada de 2020 permanecerão por 52 semanas ou até que o mesmo evento seja disputado novamente, o que vier primeiro. Exemplo: Madri, que geralmente acontece no começo de maio, irá descontar bem antes se acontecer normalmente em 2021.
– As oito vagas para o ATP Finals de simples terão regras diferentes. Não haverá ‘ranking da temporada’ e entram os mais bem pontuados no ranking tradicional de 9 de novembro. Para duplas, no entanto, valerá o ‘ranking de parcerias’ de 2020.
– A ATP manteve portanto a realização do Finals entre 15 e 22 de novembro, porque não há datas disponíveis na arena O2 para outro período.
– A entidade anunciou que o ranking final de 2020 sairá no dia 7 de dezembro.
– Obviamente, a regra dos 22 meses vale também para os jogadores que disputam challengers e futures.
– A WTA ainda não se pronunciou.