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Djokovic ou Nadal ou Alcaraz
Por José Nilton Dalcim
19 de maio de 2022 às 19:08

O pior dos quadros previstos se concretizou. Roland Garros de 2022 não poderá ver uma batalha final entre Novak Djokovic, Rafael Nadal ou Carlos Alcaraz porque apenas um deles poderá atingir a decisão ao caírem no mesmo lado superior da chave.

Assim, logo de início, já fica a expectativa pelo 10º duelo entre o sérvio e o canhoto espanhol no saibro parisiense, um histórico que tem sete vitórias de Nadal. Seis delas aconteceram antes das quartas de 2015, quando enfim Nole quebrou o tabu. Rafa se vingaria com vitória acachapante na final de 2020, mas levou virada na semi do ano passado e então Djokovic se tornou o único a ganhar duas vezes dele em Roland Garros.

A primeira pergunta é: qual a chance desse encontro não acontecer? Vale lembrar que isso era esperado tanto em Madri como em Roma, mas Carlos Alcaraz atrapalhou na Caixa Mágica e Rafa sucumbiu às dores no Foro Itálico.

Djoko não tem adversários até as oitavas e aí me parece difícil que Grigor Dimitrov ou Diego Schwartzman endureçam. Nadal pode ter velhos conhecidos no caminho, como Stan Wawrinka e Fabio Fognini, mas talvez só Felix Aliassime seja barreira mais relevante, logo ele que agora é treinado pelo tio Toni. Claro que tudo depende de Rafa estar totalmente recuperado e dosar energia. Portanto, eu diria que há prognóstico de pelo menos 75% de vermos o 59º duelo entre os dois maiores recordistas de Slam em atividade.

Há enorme expectativa pela atuação de Alcaraz e isso por si só já é algo a ser administrado pelo garotão. Ele pode ter revanche na terceira rodada com Sebastian Korda, que jogou muito na inesperada vitória de Monte Carlo, e seria bem curioso cruzar nas oitavas com Dominic Thiem. O austríaco teria de ganhar de Hugo Dellien e teoricamente de Karen Khachanov e Cameron Norrie. Nada impossível.

O alemão Alexander Zverev corre totalmente por fora nesse fortíssimo lado superior da chave e tem que tomar certos cuidados, já que pode enfrentar Dusan Lajovic ou Sebastian Baez, Alejandro Davidovich Fokina e depois John Isner ou Taylor Fritz antes das quartas contra Alcaraz. Jogar longe dos holofotes surge como ótimo handicap para ele nesta altura do campeonato.

A segunda metade da chave ficou obviamente menos vistosa e reforça a oportunidade de Stefanos Tsitsipas repetir a final do ano passado. A estreia contra Lorenzo Musetti requer toda a seriedade do mundo, mas daí em diante parece impossível evitar que enfrente Casper Ruud nas quartas, ainda que Alex de Minaur e Hubert Hurkacz tenham feito atuações muito decentes no saibro europeu.

O quarto semifinalista tende a ser uma novidade do nível Andrey Rublev ou Jannik Sinner, dois jogadores que já fizeram quartas em Paris há dois anos. Eles ficaram no mesmo quadrante e são de longe os mais cotados para duelar entre si na quinta rodada.

E aí podem jogar contra Pablo Carreño, outro quadrifinalista de 2020 e nome forte num setor que tem Daniil Medvedev, Marin Cilic e Miomir Kecmanovic. No ano passado, o Urso fez uma bela campanha e atingiu quartas num piso que não gosta, mas parece bem difícil repetir isso com só um jogo feito no saibro desde então. Já o sérvio é uma excelente aposta para quem gosta do inusitado. Aos 22 anos, ele já disputará seu quarto Roland Garros. Eu ficaria de olho.

A previsão do feminino deixo para o próximo texto, mas já adianto que gostei muito do sorteio para Bia Haddad Maia, que estreia contra uma qualificada e tem Garbiñe Muguruza em péssimo momento no caminho, podendo repetir a grande vitória de Wimbledon em 2019.

Favoritos definidos
Por José Nilton Dalcim
15 de maio de 2022 às 16:55

Roma é sempre um grande espelho para Roland Garros, não apenas pela proximidade entre os dois maiores eventos do saibro mas também pela similaridade das condições de umidade e temperatura, portanto na velocidade de jogo em si. E ao ver o domínio e a forma com que Novak Djokovic e Iga Swiatek desfilaram no Foro Itálico, não resta mais dúvida de que ambos chegarão a Paris como os nomes a ser batidos.

Djokovic já dava mostras evidentes de progresso físico e técnico em Madri. Fez uma partida espetacular na derrota para Carlos Alcaraz e o esforço de 3h38 foi superado sem susto. Era um indicativo importante de que a forma estava recuperada e aí faltavam ajustes finos, que Madri dificulta por conta da altitude. Assim, Roma caiu como uma luva para o sérvio.

Suas três últimas atuações foram soberbas, já que Felix Auger-Aliassime exigiu o máximo de empenho e precisão, Casper Ruud se mostrava um saibrista em condições de suportar um forte ritmo da base e Stefanos Tsitsipas era o experiente finalista de Roland Garros com jogo versátil e saque poderoso. Não tiraram set do número 1. Os seis primeiros games de Nole na final deste domingo registraram um volume avassalador, sufocante, e o tiebreak decisivo foi impecável. O grego teve sua chance, quando sacou para o segundo set, mas falhou no quesito mais importante de todos: o mental.

De forma diferente e talvez ainda mais taxativa, Swiatek está dois passos à frente de todas as concorrentes, o que nem é uma surpresa tão grande assim. Ao terminar Miami, eu já dizia que a polonesa migraria para o saibro, o piso em que realmente se sente mais à vontade, e da forma com que estava jogando seria muito difícil ser batida. Mas Iga foi além das minhas próprias expectativas porque atropelou quem cruzou sua frente em Stuttgart e Roma com raros momentos de equilíbrio ou de queda de intensidade.

Com exceção do saque, que certamente ainda pode melhorar, Swiatek mostra um repertório muito rico. Está extremamente veloz e resistente, chega facilmente nas bolas e com isso acha sempre a melhor resposta. Bate muito pesado em qualquer direção e a confiança atingiu um estágio tamanho que ela executa com apuro qualquer golpe mais exigente. E isso aconteceu repetidas vezes na final de Roma diante de Ons Jabeur.

Rainha do circuito no momento, e com folga, surge como favorita disparada para o bi em Roland Garros, já que nem a atual campeã parece ameaça, uma vez que Barbora Krejcikova está afastada desde o final de fevereiro.

O favoritismo de Djokovic ficou óbvio, porém um degrau abaixo. Além do crescimento de Alcaraz, um adversário 16 anos mais jovem e dono de um jogo poderoso, não se pode jamais descartar Rafa Nadal quando se chega a Paris. O multicampeão espanhol será dúvida a cada partida por conta do problema no pé, mas isso pode ser um handicap diante de oponentes desavisados. Tsitsipas mostrou no segundo set de hoje que não é bom vacilar contra ele e por isso me parece a quarta força em quadra. Eu não apostaria num campeão fora desse grupo.

E mais

  • Bia Haddad Maia deixou escapar chances na final contra Claire Lu no saibro francês, ficou com o vice e jogará Roland Garros como 49ª do ranking. Será sua volta ao torneio desde 2017 e, sem pontos a defender, depende de um bom sorteio para continuar subindo.
  • Sete brasileiros entraram no quali do Slam do saibro e vejo boas chances de Thiago Monteiro e Laura Pigossi avançarem para a chave principal. Thiago Wild, João Menezes, Matheus Pucinelli, Felipe e Carol Meligeni terão sempre um cabeça no caminho.
  • Matteo Berrettini não se recuperou e desistiu de Roland Garros, ajudando Pablo Carreño a subir para cabeça 16.
  • Daniil Medvedev enfim retorna ao circuito após a cirurgia de hérnia, tenta se adaptar ao odiado saibro em Genebra e será o cabeça 2 em Paris, o que é quase um desperdício.
  • John Isner e Diego Schwartzman quase ganharam Roma. O gigante descobriu aptidão para a dupla, ganhou Indian Wells e Miami com parceiros distintos e será top 20 da especialidade aos 37 anos.
  • Rafael Matos ganhou seu terceiro título do ano no challenger de Bordeaux – os outros dois troféus foram de ATP 250 – e grudou no top 50, barreira que pode quebrar em Roland Garros. Ele jogará ao lado do mesmo espanhol David Vega.
  • Soares, Melo e Meligeni também entraram nas duplas de Paris, todos com parceiros estrangeiros.
Mais história para Djokovic
Por José Nilton Dalcim
13 de maio de 2022 às 18:44

Cada vez mais perto da forma necessária para buscar o tri em Roland Garros e seu 21º troféu de Grand Slam, Novak Djokovic estará diante de mais um momento histórico para sua carreira e para o tênis neste sábado, quando jogará a semifinal de Roma para se tornar o quinto profissional da história a somar 1.000 vitórias, primazia limitada hoje a Jimmy Connors, Roger Federer, Ivan Lendl e Rafael Nadal.

Isso o colocará também perto do primeiro título desde novembro e de ampliar seu recorde de conquistas em nível Masters 1000. O número 1 foi mais uma vez mantido pelo sérvio com vitória de peso em cima de um animado Felix Auger-Aliassime, que sacou muito, fez excelentes jogadas, encarou as trocas e exigiu eficiência, pernas e variação de Djokovic. Um grande jogo, que deve encher Nole de confiança.

Vai reencontrar o autêntico saibrista Casper Ruud, a quem superou na semi de Roma em 2020 e tem outra vitória na quadra dura do Finals de Turim. O norueguês parece ter recuperado seu jogo na hora certa e na verdade se testará diante do pentacampeão. Observe-se que ele só pegou jogadores de bolas retas ou estilo agressivo, como Botic van Zandschulp, Jenson Brooksky e Denis Shapovalov. O canadense, que vinha da vitória sobre Rafa Nadal, não soube controlar os nervos nos dois sets tão apertados.

A segunda vaga na final será outra vez decidida entre Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas, autêntico tira-teima. O grego venceu na lentidão de Monte Carlo, o alemão deu o troco na rapidez de Madri e agora vamos ver o que acontece no piso muito mais próximo a Paris. Pena a lesão no quadril sentida por Jannik Sinner – e que também preocupa para Roland Garros – porque o primeiro set diante de Stef foi da mais alta qualidade.

Cabeças definidos para Paris
A sexta-feira também organizou os oito principais cabeças de Roland Garros. Djokovic e Daniil Medvedev irão pontuar a chave, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas serão sorteados como 3 e 4, um para cada lado, e depois virão Rafa Nadal, Carlos Alcaraz, Andrey Rublev e Casper Ruud. Ou seja, não apenas poderemos ter Djoko nas quartas contra Nadal ou Alcaraz, como também é possível que os três caíam no mesmo lado. gerando um óbvio e indesejado desequilíbrio.

O feminino também já definiu as oito principais favoritas em Paris. Iga Swiatek, em sua quinta semi seguida e rumo a mais um WTA 1000, é super favorita. A campeã Barbora Krejcikova, que está inativa, entra no outro extremo, enquanto Paula Badosa e Maria Sakkari serão as 3 e 4. Anett Kontaveit, Ons Jabeur, Aryna Sabalenka e Karolina Pliskova completam o quadro. Jabeur e Sabalenka ainda podem chegar ao quinto lugar em caso de título em Roma, mas isso não muda absolutamente nada no sorteio, já que cabeças de 5 a 8 são livremente sorteadas. O sonho de todas, claro, é ficar bem longe de Swiatek.

Expectativa em Roma
Com Swiatek soberana no circuito, as semifinais de Roma deste sábado podem colocar a polonesa contra a tunisiana Ons Jabeur na decisão, o que teria ares de avant-première de Paris. A polonesa patinou um pouco no começo do jogo contra Bianca Andreescu e teve um inesperado primeiro set duro antes de atropelar. Vai pegar Sabalenka, que enfim quebrou o pequeno tabu contra Amanda Anisimova e tem histórico negativo de 2-1 diante de Swiatek. As duas se cruzaram poucas semanas atrás em Stuttgart e a bielorrussa fez muito pouco.

Jabeur deu um susto. Tinha jogo praticamente perdido quando Sakkari abriu 6/1 e 5/2, com saque. Aí a grega perdeu 11 dos 12 games seguintes quando enfim a tunisiana conseguiu curtinhas precisas e explorou mais a rede. Será ampla favorita contra Daria Kasatkina em busca da segunda final de peso consecutiva no saibro europeu, após o título em Madri.

Bia em dose dupla
Foi muito mais difícil do que se podia esperar, mas Bia Haddad Maia impôs sua maior categoria sobre a francesa Elsa Jacquemot, 229º do ranking, está em outra semi de WTA 125 e muito perto de entrar no top 50. Para isso, precisa vencer neste sábado Ana Bogdan ou esperar que Mayar Sherif não seja campeã no 125 da Alemanha.

Havia tensão. Bia perdeu dois serviços no primeiro set, ameaçou reação mas quase foi quebrada na abertura da segunda série, o que poderia complicar tudo. Reagiu na hora certa, cresceu e empatou. A coisa continou difícil, games longos e chances desperdiçadas, até por fim devolver bem e obter a vantagem decisiva. Um sufoco.

Para completar a ótima sexta-feira 13, a canhota também está na final de duplas ao lado da excelente francesa Kristina Mladenovic, ex-líder da especialidade. O título não mudará grande coisa para a brasileira, mas a manterá entre as top 35 do ranking de duplas.