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Djokovic agora é também ‘rei dos tiebreaks’
Por José Nilton Dalcim
29 de outubro de 2020 às 19:20

A sequência de vitórias e títulos de Novak Djokovic na encurtada temporada é tão notável que poucos talvez tenham percebido que ele tem se mostrado também o ‘rei dos tiebreaks’. Com os dois que venceu em suas duas primeiras partidas em Viena, chega a 13 em 14 que precisou jogar.

Nesta temporada, apenas John Isner (15) e Felix Aliassime (14) venceram mais tiebreaks do que Djokovic, que empatou com os 13 de Thiem. Mas Nole atinge o aproveitamento de 92,85%, muito superior entre os jogadores que disputaram ao menos 10. O segundo colocado é Ugo Humbert, com 78,6%, e depois dele ninguém atingiu sequer 70%.

Djokovic aliás é o oitavo tenista que mais ganhou tiebreaks na carreira, com 260, uma lista liderada basicamente por grandes sacadores: Roger Federer (460), John Isner (442), Ivo Karlovic (398), Pete Sampras (328), Feliciano López (314), Andy Roddick (303) e Goran Ivanisevic (276).

No entanto, quando olhamos o critério de eficiência, o sérvio agora salta para o segundo lugar, com 65,16% de desempates vencidos (260 em 399), superando por pouco Arthur Ashe (65%) e bem cima de Andrés Gomez (63,2%) e de Sampras (62,6%). Apenas Federer está no momento a sua frente, com 65,34% (460 em 704). Portanto, outra façanha do suíço que Djoko está com chance de superar.

O número 1 de final de temporada, o que igualaria o total recorde de seis de Sampras, está 99% em suas mãos. Matematicamente, ele liquidará a fatura se ganhar Viena. Ao atingir as quartas, em dois jogos que não jogou tão bem e correu sério risco de perder os primeiros sets, obriga Rafael Nadal a ganhar Paris, Sófia e Finals.

O espanhol até agora diz que não tem intenção de disputar o ATP 250 búlgaro, algo mesmo sem sentido, mas a ATP opta pela cautela e não cravou ainda Djokovic como líder final de 2020. E talvez por isso nem mesmo Nole se arriscou até aqui a comemorar este novo feito histórico.

É muito provável que ele queira sacramentar com seu quinto troféu do ano, o que não está nada distante. Enfrentará nesta sexta-feira o fraco Lorenzo Sonego e deverá ter semi diante de Grigor Dimitrov ou Daniel Evans. O outro lado da chave está bem mais interessante: Dominic Thiem encara Andrey Rublev e Daniil Medvedev joga contra Kevin Anderson.

E mais
– Está difícil para Thiem chegar ao tão sonhado número 2. Distante 725 pontos de Nadal, ele não pode somar em Viena, pode se recuperar em Paris (fez 90 pontos contra 360 do espanhol em 2019), e ainda é o atual vice do Finals, onde somou 400 mais que Rafa.
– Rublev abre 719 pontos de Roberto Bautista e 354 de Berrettini. Sua chance de ir ao Finals é enorme.
– Dimitrov tirou Tsitsipas e garantiu o 18º posto, o mais alto desde que deixou o top 10 há exatos dois anos.
– Melo e Kubot continuam na luta para chegar ao Finals. Subiram para 10º, mas só o título em Viena os levará para o 7º.

Os números da renovação
Por José Nilton Dalcim
22 de outubro de 2020 às 21:58

É bem verdade que a nova geração ainda não conseguiu brilhar nos grandes torneios do calendário masculino como se esperava, bem ao contrário do que acontece entre as meninas, mas os números do ranking internacional dos dois sexos deixa claro que a renovação segue firme. E, vejam que curioso, o top 10 masculino é hoje mais jovem do que o feminino.

Antes de tudo, é preciso ressaltar que a evolução no preparo físico e especialmente o de recuperação muscular mudou aquilo que costumávamos chamar de “veteranos”. Há dez anos, virar ‘trintão’ era indício da reta final da carreira. Hoje, esse limite avançou pelo menos até os 32 e ainda se vê muito tenista em alto nível de competitividade aos 35.

É fato que o congelamento da defesa dos pontos em 2020 traz algumas distorções no ranking atual. No entanto, como a regra vale para todos, vale examinarmos os números.

E aí vemos que, dos atuais top 50, o feminino tem mais nomes com até 25 anos (21) do que o masculino (19), mas a diferença é tênue. Porém existem 11 nomes acima dos 32 anos na ATP contra meros 4 na WTA, sendo que há 3 homens e 2 mulheres com 35 anos ou mais. O grosso está na faixa média, entre 26 e 31 anos, o que podemos considerar hoje a fase de estabilidade dos tenistas: são 20 entre os homens (40%) e 25 entre as mulheres (50%).

Vamos a uma rápida análise das faixas de ranking:

Top 10
Metade dos homens têm menos de 25 anos, enquanto na WTA são quatro. Há um nome acima dos 35 em cada lista:
Masculino
– 5 abaixo dos 25 (Tsitsipas, Medvedev, Zverev, Rublev e Berrettini)
– 3 acima dos 32 (Djokovic, Nadal e Federer)
– 2 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Federer)
Feminino
– 4 abaixo dos 25 (Barty, Osaka, Kenin e Andreescu)
– 1 acima dos 32 (Serena)
– 5 entre as 26-31
– 1 acima dos 35 (Serena)

Top 20
Se somarmos o top 10 com o top 20, aí vemos que a WTA está mais renovada, com 9 abaixo dos 25 anos contra 7 do masculino. Também não há no momento top 20 com mais de 32 anos no feminino
Masculino
– 2 abaixo dos 25 (Shapovalov e Khachanov)
– 4 acima dos 32 (Monfils, Bautista, Fognini e Wawrinka)
– 4 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Wawrinka)
Feminino
– 5 abaixo dos 25 (Bencic, Sabalenka, Swiatek, Rybakyna e Vondrousova)
– Ninguém acima dos 32
– 5 entre as 26-31
– Ninguém acima dos 35 anos

Top 30
Entre os 21 e 30 primeiros do ranking, vê-se novamente uma forte renovação nos dois sexos, com 60% de cada lista. O feminino só tem um nome acima dos 32.
Masculino
– 6 abaixo dos 25 (Garin, Aliassime, Coric, Ruud, Di Minaur e Fritz)
– 1 acima dos 32 (Isner)
– 3 entre os 26-31
– 1 acima dos 35 (Isner)
Feminino
– 6 abaixo dos 25 (Mertens, Konta, Muchova, Yastrenska e Anisimova)
– 1 acima dos 32 (Kerber)
– 3 entre as 26-31
– Ninguém acima dos 35

Top 40
É uma faixa em que prevalecem os tenistas de idade mediana, entre 26 e 31 anos, com algum espaço para os veteranos.
Masculino
– 4 abaixo dos 25 (Hurkacz, Opelka, Humbert e Kecmanovic)
– 1 acima dos 32 (Cilic)
– 5 entre os 26-31
– Ninguém acima dos 35
Feminino
– 1 abaixo dos 25 (Vekic)
– 2 acima dos 32 (Kuznetnova e Strycova)
– 7 entre as 26-31
– 1 acima dos 35 (Kuznetnova)

Top 50
Metade dos jogadores entre 41 e 50 do ranking têm entre 26 e 31 anos.
Masculino
– 2 abaixo dos 25 (Sinner e Bublik)
– 3 acima dos 32 (Mannarino, Ramos e Querrey)
– 5 entre os 26-31
– Nenhum acima dos 35
Feminino
– 5 abaixo dos 25 (Ferro, Ostapenko, Kudermetova, Gauff e Podoroska)
– Nenhuma acima dos 32
– 5 dos 26-31
– Nenhuma acima dos 35

Resumo do atual top 50
A renovação na WTA é muito mais acentuada, ao vermos que apenas 8% têm acima dos 32 anos, quase três vezes menos do que na ATP. Ainda assim, são 40 tenistas entre os top 50 do tênis com menos de 25. Os novos tempos sempre chegam.
Masculino
– 19 abaixo dos 25 no top 50
– 11 acima dos 32
– 20 entre 26 e 31a
– 3 acima dos 35 anos
Feminino
– 21 abaixo dos 25 no top 50
– 4 acima dos 32
– 25 entre 26 e 31 anos
– 2 acima dos 35 anos

O quesito qualidade
O feminino dá um banho no masculino quando se fala no sucesso da nova geração nos Grand Slam. Enquanto a WTA viu nos últimos cinco anos Garbiñe Muguruza, Jelena Ostapenko, Sloane Stephens, Naomi Osaka, Ashleigh Barty, Bianca Andreescu, Sofia Kenin e Iga Swiatek levarem diferentes troféus, os então novatos da ATP chegaram tão somente a quatro finais (Milos Raonic, Dominic Thiem, Daniil Medvedev e Alexander Zverev).

Outro dia histórico para Nadal
Por José Nilton Dalcim
18 de outubro de 2020 às 23:21

Oito dias depois da inacreditável 13ª conquista em Roland Garros, que permitiu o empate por 20 nos troféus de Grand Slam, o espanhol Rafael Nadal terá mais um momento histórico a comemorar nesta segunda-feira.

Ele vai igualar uma marca de Jimmy Connors que perdurava por 32 anos e parecia muito difícil de ser alcançada. Ao se manter continuamente no top 10 desde a ascensão em 2005, Rafa totaliza 788 semanas consecutivas nessa faixa tão prestigiada do tênis, o mesmo que o norte-americano atingiu entre 1973 e 1988.

E obviamente Nadal irá  abrir boa margem, já que ocupa o segundo posto no momento com grande vantagem sobre o atual número 11. Enquanto o espanhol soma 9.850 pontos devido ao congelamento dos resultados de 2019, Gael Monfils tem 2.860. Ou seja, somente uma fase muito ruim interromperia a sequência de Rafa, e ainda assim após Wimbledon.

O terceiro colocado nessa lista é Roger Federer, com 734 semanas seguidas no top 10, entre 2002 e 2016. Muito atrás aparecem Ivan Lendl, com suas 619, e Pete Sampras, com 565.

No total de semanas no top 10, Nadal ainda precisará de mais 29 para atingir 817 e alcançar o segundo lugar de Connors. O recorde de Federer ainda é difícil de ser igualado: 917 e contando.

Maior no top 4
E não é só. Nadal igualará nesta segunda-feira outra marca de Connors e atingirá as mesmas 669 semanas no top 4 do ranking. Os dois estarão também atrás das 803 de Federer, que ainda se mantém apesar da longa parada.

No ano passado, o canhoto espanhol assumiu a que era até então a única categoria que liderava entre as grandes façanhas do ranking: ele superou Federer no total de semanas no top 2. Hoje, ele já tem 557 contra 528 do suíço e ainda vê Novak Djokovic bem distante, com 435.

Vale por fim considerar que Rafa mira, e com grande chance, desempatar de Federer em número de temporadas encerradas entre os dois primeiros lugares. Ambos totalizam 11, mas Nadal concorre para permanecer na vice-liderança em 2020. A única ameaça é Dominic Thiem, que aparece 725 pontos atrás.

A briga pelo Finals
Sem o chamado ‘ranking da temporada’, a ATP decidiu que os oito mais bem colocados do ranking tradicional terão direito a competir no Finals de Londres, que prossegue marcado para a segunda quinzena de novembro, na despedida da arena O2.

Como Federer abriu mão da vaga, na verdade a lista se estenderá até o nono colocado. Seis no entanto já estão garantidos: Djokovic, Nadal, Thiem, Stefanos Tsitsipas, Daniil Medvedev e Alexander Zverev, que aliás repetirão a presença de 2019.

Restam portanto dois, e o russo Andrey Rublev deu um importante passo para isso neste domingo, ao faturar seu quarto título da temporada, o segundo de nível 500 em 30 dias. Isso o levou para o oitavo lugar e abriu 354 pontos de vantagem sobre Matteo Berrettini, o 10º do momento. Entre eles, está Diego Schwartzman, apenas 105 à frente do italiano. Portanto, o russo e o argentino podem debutar no Finals e serem as novidades.

Não se pode tirar da briga Gael Monfils, Denis Shapovalov ou Roberto Bautista. E é claro que campanhas espetaculares em Antuérpia, Viena e Paris poderiam ascender David Goffin, Pablo Carreño ou Fabio Fognini.

Aliás, das três finais do fim de semana, duas foram dominadas pelos novatos. O mais velho era justamente Zverev, 23 anos, campeão em Colônia em cima de Felix Aliassime, de 20, que amargou o sexto vice. Rublev fará 23 na terça-feira, mesma idade do finalista Borna Coric. Um bom cenário.