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O que esperar da final de Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
12 de junho de 2021 às 18:13

Depois de duas semifinais muito bem disputadas e principalmente da épica vitória de Novak Djokovic sobre Rafael Nadal de virada, Roland Garros decide às 10 horas deste domingo o título masculino num típico duelo de gerações. A distância entre os dois finalistas é enorme e todos os números pendem para o multicampeão, que busca mais uma lista espetacular de feitos históricos. O quanto o debutante Stefanos Tsitsipas poderá ser competitivo é a principal dúvida.

Separados por 11 anos e 82 dias, será a sexta final de maior distância de idade da Era Profissional. Enquanto Nole fará sua 29ª tentativa de troféu – cada vez mais perto do recordista Roger Federer, que soma 31 -, o grego enfim supera a barreira da semi, e vimos como foi nervoso o jogo contra Alexander Zverev. Os dois já se cruzaram sete vezes, com cinco vitórias de Nole, incluindo todas as três sobre o saibro, entre elas a bela semi do ano passado de cinco sets, em que o grego segurou bem até levar um 6/1 definitivo.

Não se pode achar que Tsitsipas é um tenista inexperiente. Ele já ganhou três de seus seis confrontos diante de top 5 em torneios de Grand Slam e derrotou dois vice-líderes, Nadal e Daniil Medvedev. Também bateu o próprio Djokovic enquanto já líder do ranking, no piso rápido de Xangai. Mas é claro que há ainda um abismo para as estatísticas do poderoso adversário. Nole tem 33 vitórias em 54 duelos diante de top 5 em Slam e saldo positivo na carreira em geral de 104 a 70.

O aspecto técnico e tático no entanto pesam mais que a fria estatística. Vimos quatro semanas atrás que Tsitsipas conseguiu equilibrar a batalha num saibro pesado e exigiu muito de Djokovic em Roma, onde venceu o set inicial por 6/4 e cedeu os dois seguintes por 7/5, tendo real chance de vitória. Na ocasião, Djokovic diria que foi sua maior exibição da temporada e eu próprio incluiria que houvera sido a partida de melhor nível técnico de 2021. E tomara que isso se repita neste domingo.

Tsitsipas sustentou então trocas duríssimas, arriscou backhands e usou o máximo de seu forehand para tentar barrar o extraordinário poder defensivo do sérvio, que por seu lado fazia as conhecidas devoluções impecáveis e não economizava na agressividade. O terceiro set aliás foi de uma riqueza ímpar, ambos buscando surpreender com deixadas ou voleios. Para quem não se lembra, o grego chegou a sacar para a vitória, mas recebeu respostas de saque milimétricas.

Como é óbvio, Djokovic me parece confiante para manter esse altíssimo padrão, mas e o grego? Conseguirá dominar os nervos e conter a ansiedade? Para mim, será a questão essencial. Na soma de todas as variantes, acredito que Djoko entre em quadra com 70% de favoritismo. E seu maior risco é justamente esse: engolir a euforia da sexta-feira e jamais achar que já ganhou o título. Experiência para isso ele tem de sobra.

Comparações
– Djokovic luta também pelo 84º título da carreira e o grego, pelo oitavo. Nesta temporada, cada um venceu dois.
– O campeão fatura 1,4 milhão de euros. O sérvio é o recordista, com US$ 148 milhões na carreira, grego embolsou 10% disso.
– Nole já tem 309 vitórias em Slam contra 31 do grego, sendo 80 a 15 em Roland Garros e 243 a 61 no saibro.
– Tsitsipas tenta 40º triunfo da temporada em 48 jogos, Nole tem 26 em 29.
– Grego se saiu bem nos tiebreaks em 2021, com 9 positivos em 14, enquanto Djokovic está com 50% (7-7).
– No geral, Djokovic ganhou 34 jogos que foram ao quinto set (31 em Slam). O grego tem apertados 5-4.

Mais façanhas
Djokovic concorre também a:
– Primeiro profissional e terceiro na história a vencer ao menos duas vezes cada Grand Slam (Rod Laver e Roy Emerson o fizeram na fase amadora)
– Será oitavo tenista na Era Aberta a ter ao menos dois títulos em Roland Garros.
– Campeão em 2016, terá a maior distância entre primeiro e segundo troféus no torneio na Era Aberta.
– Terceiro na história a ganhar por mais de uma vez a Austrália e Roland Garros na mesma temporada (Laver e Emerson também foram os outros)
– Aos 34 anos e 22 dias, será o terceiro mais velho a ganhar Paris na Era Aberta, atrás de Andrés Gimeno e Rafael Nadal
– Será o tenista com mais de 30 anos com mais troféus de Slam, desempatando com Nadal

Tsitsipas pode ser:
– Primeiro grego em todos os tempos a vencer um Slam
– Será o 56º diferente campeão de Slam da Era Aberta e 151º desde 1877.
– Assumirá o terceiro posto do ranking, ultrapassando Nadal (já garantiu o quarto posto com a final).
– Será o nono tenista da Era Aberta a derrotar os cabeças 1 e 2 e vencer um Slam e o quarto em Roland Garros. O mais recente foi Wawrinka, em 2015.
– Aos 22 anos e 305 dias, será o mais jovem campeão de Paris desde Nadal em 2008 e mais jovem em Slam desde Juan Martin del Potro no US Open de 2009.
– Primeiro a ganhar um Slam logo em sua primeira final desde Marin Cilic no US Open de 2014

Krejcikova resgata o tênis tcheco
Numa final muito tensa como era previsível, Barbora Krejcikova recolocou o tênis tcheco no topo em Roland Garros ao se tornar a segunda tenista de seu país a conquistar o torneio, exatos 40 anos depois de Hana Mandlikova (quando Martina Navratilova venceu em Paris, ela já jogava pelos EUA).

Se não mostrou seu melhor tênis neste sábado contra uma instável Anastasia Pavlyuchenkova, ao menos Krejcikova esbanjou simpatia. Não economizou palavras na longa cerimônia, lembrou histórias divertidas sobre sua heroína Justine Henin e rendeu homenagens à compatriota Jana Novotna, já falecida, que tanto a ajudou a deslanchar na carreira.

Dona de um estilo variado, em que tanto pode disparar um winner como dar um balão nas alturas, Krejcikova será a número 15 do mundo na segunda-feira e isso a colocará entre as cabeças de Wimbledon, um lugar que também combina com sua facilidade junto à rede. Não por acaso, neste domingo ela e a parceria Katerina Siniakova buscarão o bi em Paris e o terceiro troféu Slam, o que poderá recolocar Barbora na liderança do ranking. A última tenista a ganhar os dois troféus numa mesma edição de Paris foi Mary Pierce, em 2000.

Com mínimo sucesso em simples, o tênis francês também comemorou o título de duplas, outra vez com os brilhantes Nicolas Mahut e Pierre Herbert, numa virada notável, e levou o juvenil masculino, em que duas promessas decidiram: Luca van Assche venceu Arthur Fils, de apenas 16 anos.

Nadal frustra e preocupa
Por José Nilton Dalcim
2 de novembro de 2019 às 18:15

Nada pode ser mais anticlímax do que um abandono. E sem sequer entrar em quadra. Rafael Nadal sentiu uma fisgada na região abdominal nos últmos saques de aquecimento que fazia antes de enfrentar Denis Shapovalov, consultou o médico que diagnosticou pequena ruptura e diz ainda ter voltado à quadra para testar novos serviços, mas a dor persistiu.

Sabiamente, desistiu de disputar a semi de Paris. Segundo contou, aconteceu algo semelhante antes da semi do US Open de 2009, quando surgiu uma ruptura de 6 milímetros. Insistiu, perdeu feio para Juan Martin del Potro e a lesão aumentou quase 5 vezes, complicando seus meses seguintes.

“Espero que consiga me recuperar para o Finals, que é o objetivo maior”. Todos aguardamos isso. Havia grande chance de uma batalha épica neste domingo na decisão de Paris contra Novak Djokovic. Agora, o sérvio ganhou a chance de diminuir drasticamente a distância no ranking e assim brigar diretamente com Rafa pelo número 1 na arena O2. Tomara que haja disputa e emoção dentro de quadra.

No momento, Djoko está 1.040 pontos atrás, uma distância difícil de tirar em Londres caso Nadal esteja em forma. Mas se confirmar o favoritismo e chegar ao penta em Paris, reduzirá a distância para 640 e aí obrigará Nadal a ser finalista invicto. Se o espanhol não jogar, bastará a Djoko ser vice até com uma derrota na fase classificatória.

A julgar pela atuação deste sábado contra Grigor Dimitrov, será bem difícil Shapovalov evitar o 34º Masters de Djokovic. O sérvio até cometeu mais erros não forçados do que o usual na segunda metade do primeiro set, mas sempre achou um jeito de evitar break-points, ora com saque forçado, ora com bolas profundas. Teve é verdade alguma sorte no tiebreak. Presenteou o búlgaro com uma dupla falta, o que levou Dimi a sacar com 5-4 e ter um swing-volley muito fácil para atingir os set-points. Falhou feio, e contra esses Big 3 não se desperdiçam oportunidades de ouro.

Djoko jogou num nível incrivelmente alto e preciso os pontos seguintes, levou o tiebreak e chegou à primeira e única quebra da partida já no terceiro game. Deu as cartas sem oferecer qualquer chance de reação, mas é preciso destacar a boa atuação de Dimitrov. Vejam só: ele ganhou mais pontos curtos (33 a 31) e empatou nos mais longos (10 a 10), perdendo por pouca margem nos entre cinco e nove rebatidas (26 a 18). E, com exceção ao lance tão amargo do tiebreak, mostrou cabeça fria e determinação tática. Quiçá continue assim em 2020.

Habilidade e fortuna em Shenzhen
Duas das mais talentosas jogadoras do circuito irão decidir o Finals de Shenzhen, o que promete grande qualidade para o último jogo feminino da temporada regular. Ashleigh Barty e Elina Svitolina são acima de tudo grandes estrategistas, com capacidade de utilizar diferentes recursos e alternar táticas conforme as necessidades.

Para dar ainda mais sabor, a ucraniana venceu todos os cinco duelos, incluindo um neste ano, em Indian Wells, que aliás foi um jogaço, decidido em três longos sets. Mas vale lembrar que a australiana estava em outro estágio nos confrontos anteriores.

Como ainda não perdeu partidas na semana, Svitolina pode ser campeã invicta e aí embolsar o incrível prêmio de US$ 4,72 mi, o maior da história do tênis. Como perdeu um jogo na fase de grupos, Barty irá faturar ‘só’ US$ 4,42 se for campeã, que também seria recorde.

E mais
– Shapovalov já venceu Djoko neste ano, mas na exibição de Boodles, que antecede Wimbledon. Oficialmente, perdeu os três duelos, todos em 2019, dois deles com placar elástico (Roma e Xangai). Ganhou um set em Melbourne, mas levou ‘pneu’ no quarto set.
– Djoko joga a 50ª final de Masters da carreira e a 111ª no geral, em busca do 77º título. Neste ano, venceu AusOpen, Wimbledon, Madri e Tóquio. Portanto três pisos distintos e pode acrescentar o duro coberto.
– O canadense já garantiu o 15º lugar do ranking final da temporada, seu recorde pessoal, e o eventual título o levará ao 11º, apenas 80 pontos atrás de Gael Monfils.
– Classificados para o Finals devido ao título de Roland Garros, Nicolas Mahut e Pierre Herbert retomaram a parceria nas últimas semanas e estão pertinho do título de Paris. Enfrentam Karen Khachanov e Andrey Rublev.

Primeiros sustos
Por José Nilton Dalcim
27 de maio de 2019 às 18:58

Dominic Thiem teve uma boa dose de sorte em sua estreia em Roland Garros. Tido como um dos únicos que podem ameaçar o favoritismo de Novak Djokovic e Rafael Nadal, o austríaco ia levando virada do norte-americano Tommy Paul. O campeão juvenil de 2015 chegou a ter 4-0 no tiebreak e daí em diante entrou em parafuso.

Aquele velho Thiem apressado, frustrado com erros, que força muito mais do que precisa, pairou em todos esses três primeiros sets. Colocou um par de forehands arriscadíssimos sobre a linha para reagir no tiebreak. Tenho minhas dúvidas se iria segurar a cabeça caso a bola desviasse por 2cm e Paul abrisse 2 sets a 1. Talvez seja válido lhe dar o desconto da estreia, num torneio onde ele certamente se cobra para ir longe. A boa notícia é que vai pegar agora o cazaque Alexander Bublik, que perdeu de João Menezes semanas atrás.

Djokovic me impressionou pela intensidade com que começou a partida, fechando logo de cara as brechas e fazendo o polonês Hubert Hurkacz correr feito doido para todos os lados. Certamente, Nole sabia que não poderia deixar o garoto gostar do jogo. Antes de perder o saque no final do segundo set, chegou a ter monstruosos 81% de aproveitamento de primeiro saque. É superfavorito diante do lucky-loser suíço Henri Laaksonen, que gosta muito de jogar na rede.

O começo de Nadal foi mais nervoso e ele precisou salvar quatro break-points. O alemão Yannick Hanfmann esmurrou a bola e até marcou uns belos pontos, mas também fez escolhas bisonhas. Diante do volume de jogo do espanhol, pareceu um principiante. A atuação do espanhol foi tão tranquila que se deu ao luxo de tentar golpes de efeito. Acumulou 16 erros, a maioria por forçar demais. Enfrentará o segundo ‘Yannick alemão qualificado’ em seguida, agora o Maden, 114º do mundo aos 29 anos.

Vale ainda destacar a atuação um tanto irregular de Borna Coric e Stan Wawrinka e a ótima vitória de Jan-Lennard Struff sobre Denis Shapovalov ao mais puro estilo saque-voleio. Na quarta-feira, Stan terá de encarar o perigoso Christian Garin,

Festa francesa
Mais seis tenistas da casa avançaram na chave masculina. Notável o duelo de Pierre Herbert contra Daniil Medvedev e a incrível coincidência, porque ele também virou de 2 sets 0 em cima de um cabeça de chave como seu parceiro de duplas Nicolas Mahut havia feito na véspera diante de Marco Cecchinato.

A delirante torcida ainda viu o avanço de Jo-Wilfried Tsonga, Gilles Simon, Richard Gasquet, Benoit Paire e do novato Corentin Moutet. E ainda torce para Jeremy Chardy completar o quinto set contra Kyle Edmund e verá as estreias nesta terça-feira de Gael Monfils e Lucas Pouille.

A segunda rodada terá duelo caseiro de Herbert-Paire e um imperdível Tsonga-Kei Nishikori.

E lá vêm as russas
Pouca gente se lembra, mas a escalada do tênis feminino russo no circuito profissional começou justamente em Paris, quando em 2004 Anastasia Myskina decidiu com Elena Dementieva. Semanas depois, Maria Sharapova ganharia Wimbledon e Sveta Kuznetsova, o US Open.

E estes dois primeiros dias de Roland Garros deram visibilidade a duas russas promissoras: Anastasia Potapova, de 18 anos, e Veronika Kudermetova, de 22. Numa reação incrível, Kudermetova eliminou Carol Wozniacki depois de levar ‘pneu’. Porém, mais que isso, cravou 40 winners e subiu 21 vezes à rede, incluindo o match-point.

Dos grandes nomes, Serena Williams também deu susto. Começou muito mal diante de outra russa, a já experiente Vitalian Diatchenko, e achou um jeito de ganhar. Mas admite que está longe do ideal. Em grande momento, Kiki Bertens só perdeu três pontos com o primeiro saque contra Pauline Parmentier. A má notícia foi o abandono inesperado de Petra Kvitova, que sentiu o braço horas antes e nem foi à quadra.

Brasil na terça-feira
As estreias de Alexander Zverev, Juan Martin del Potro, Naomi Osaka e Simona Halep fecham os três dias de primeira rodada em Paris. Dois duelos me parecem merecer especial atenção: Delpo x Nicolas Jarry e Vika Azarenka x Jelena Ostapenko.

Também é dia dos brasileiros. Thiago Monteiro tem duro desafio diante do sérvio Dusan Lajovic. Se surpreender, terá uma enorme chance de voltar enfim ao top 100 do ranking.

Marcelo Melo volta ao palco onde conquistou seu primeiro Slam, em 2015, e é cabeça 1 ao lado de Lukasz Kubot com boas chances. Bruno Soares anunciou o rompimento do dueto com Jamie Murray e fará seu último torneio ao lado do escocês. Seu novo parceiro será o bom Mate Pavic, que já jogou com André Sá e liderou o ranking.