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A dura volta à terra
Por José Nilton Dalcim
16 de abril de 2019 às 20:21

Novak Djokovic não poderia ter enfrentado um adversário mais perigoso em sua volta ao saibro. Philipp Kohlschreiber tem muitos recursos, algo evidente por sua versatilidade nos pisos. Sabe alterar muito bem o ritmo da partida e vinha de vitória sobre o sérvio em Indian Wells.

A situação poderia ter ficado realmente complicada para Djoko caso o alemão aproveitasse o facílimo break-point que teve ainda no começo da partida e que lhe daria 4/2. Porque até então o sérvio estava com todo tipo de dificuldade, incluindo o aproveitamento de primeiro saque.

A frustração descontada na raquete no início do segundo set deixava claro que ele não estava à vontade. Aliás, esse set foi estranhíssimo, com sete quebras consecutivas. Kohlschreber pegava a vantagem e não confirmava. Djoko abria 40-0 ou 30-0 e perdia o saque. Por fim, pudemos ver o número 1 mais solto na série final, com devolução mais ofensiva e boas subidas à rede. A adaptação a um saibro tão lento não é mesmo nada fácil.

A dura batalha física e emocional pode no final das contas ter sido muito boa para Djokovic, que tem 7-3 desde o título na Austrália. Vitórias exigentes diante de adversários gabaritados mexem diretamente na confiança. Vale destacar que o sérvio atingiu 850 triunfos na carreira e agora está a 20 de Agassi e a 31 de McEnroe, mas a 79 de Nadal, que é o quinto na lista da Era Profissional.

Preocupantes
– Tsonga, que comemora seus 34 anos amanhã, desistiu por problema nas costas. Ele se reaproxima do top 100 com título em Montpellier e semi em Marrakesh, vindo da cirurgia no joelho de 2018. Está em 102º e pode aparecer em 98º apesar do abandono de estreia
– Cilic caiu de novo diante de Pella e está com apenas quatro vitórias (três delas na Austrália) em nove jogos na temporada. Colocou apenas 48% do saque na quadra, cometeu mais de 50 erros. Tenebroso.
– Mas a derrota mais amarga do dia certamente coube a Wawrinka. Ganhou os oito primeiros games, sacou para o jogo com 5/3 e aí perdeu a intensidade, levando incrível virada de Cecchinato.
– Khachanov é outro que não se acha mais, sofrendo a sexta derrota de estreia em oito torneios em 2019. As quartas em Indian Wells foram a exceção.

De olho
– O tênis italiano tem colecionado bons resultados nos últimos meses e agora, com a chegada ao saibro, merece atenção. Cecchinato já provou qualidade em Roland Garros, foi campeão de Buenos Aires e encara Pella em Monte Carlo. Uma boa campanha nas próximas semanas pode garanti-lo entre os 16 cabeças de Paris.
– Agora aparece Lorenzo Sonego, 23 anos, que ganhou sete de seus oito jogos da temporada sobre a terra. Com 1,91m, é um tanto alto para o saibro, mas compensa com saque eficiente e boa movimentação. Tem chave dura: Fucsovics e Thiem no caminho.