Arquivo da tag: Petra Martic

Assombroso, Djokovic desafia Nadal
Por José Nilton Dalcim
15 de maio de 2021 às 18:40

Se Rafael Nadal mereceu todos os elogios por sua resiliência nos jogos duros que teve nesta semana em Roma, Novak Djokovic mostrou um nível técnico, mental e físico de deixar qualquer super-homem de queixo caído. Foram quase cinco horas de uma intensidade raramente vista, encarando dois adversários que não economizaram energia e coração para tentar derrubá-lo. Não fosse o desgaste tão superior que sofreu neste sábado, Nole sairia como favorito para levar o título no 57º capítulo do confronto com Rafa.

A virada sobre Stefanos Tsitsipas foi considerada por Nole como seu principal jogo da temporada. Acho mais: foi a partida de melhor qualidade de 2021. Um tanto diferente da véspera, Djokovic entrou em quadra firme, consistente, agressivo, com devoluções impecáveis e muitas opções táticas. O grego no entanto parecia ter resposta para tudo. Sustentou trocas de bola de tirar o fôlego, arriscou backhands incríveis, usou tudo de seu forehand tão ofensivo.

Que bom que Stef entregou um serviço e pudemos ver um terceiro set ainda mais acirrado, cada um tentando empurrar o outro para trás, surpreender com deixada ou um voleio. Tsitsipas não cedia terreno. Fez 2/1, esteve perto de ampliar, cedeu o empate mas imediatamente quebrou de novo e sacou para a vitória. Nem chegou ao match-point porque Djoko tirou da cartola suas devoluções milimétricas. Por fim, usou novamente deixadinhas para sacar com 6/5 e avançar. É um jogo que merece ser revisto para quem aprecia um tênis realmente bem jogado.

Poucas horas depois, o número 1 voltou à quadra e parecia estar fazendo o quarto set do jogo anterior. Continuava firme, sólido, desta vez usando mais o backhand na paralela. Sonego tinha dificuldade para ganhar pontos no saque do sérvio, mas por fim passou a jogar melhor e fez um segundo set de primeira linha. Variou o máximo que pôde, arrancava força da torcida, corria por todos os cantos. E foi premiado pelo único vacilo real de Djokovic no dia, quando sacou para fechar a partida e perdeu dois match-points num momento de tensão evidente. O italiano ainda virou o tiebreak e por muito pouco não abriu o terceiro set com quebra. Só dois games depois enfim se rendeu. Vale lembrar que ele fizera três sets inteiros na manhã contra Andrey Rublev, sua terceira grande vitória do torneio.

Enquanto isso, Nadal jogou 20 games bem mais rápidos, ainda que mereça nota 10 pela forma com que encarou o super-sacador Reilly Opelka. O norte-americano disparou ousados forehands da base no começo da partida e ameaçou tirar o saque do espanhol logo no quarto game, o que seria um problema. Não conseguiu e o espanhol esperou suas chances de quebra, uma em cada set, para uma vitória em que havia pouca margem para erros.

Assim, garantiu sua 12ª final em Roma, uma a mais que Djokovic, e vai atrás do deca enquanto o sérvio quer o hexa. Ou seja, mais uma vez o torneio ficará entre os dois, como acontece desde 2005 com duas exceções. Se Djoko leva 29-27 de vantagem no geral, 16-12 em Masters, 15-12 em finais e 7-6 em finais de Masters, Nadal lidera por 18-7 no saibro, 8-4 em finais no saibro, 5-3 em Roma e 3-2 em finais em Roma. Aliás, não perdeu para o sérvio nos últimos quatro jogos sobre o saibro. A última foi justamente em Roma, há cinco anos.

No feminino, uma luta pelo título também muito interessante. A polonesa Iga Swiatek faz sua maior final desde o surpreendente troféu do ano passado e também ganhou duas vezes no sábado, primeiro uma vitória categórica sobre a bicampeã Elina Svitolina e depois o duelo de jovens contra Coco Gauff. O título no domingo valerá também a chegada ao top 10.

Mas ela terá pela frente alguém que conhece os atalhos do Foro Itálico. Karolina Pliskova  faz a terceira final seguida, tendo vencido em 2019. A tcheca se sente muito à vontade, desde o saque até investidas à rede e foi assim que tirou com justiça Petra Martic. Para melhorar a imprevisibilidade, as duas nunca se cruzaram.

Vantagem para Nadal
Por José Nilton Dalcim
14 de maio de 2021 às 19:17

Depois de uma chave dura nas três primeiras rodadas, em que teve de encarar a nova geração e suas inconstâncias, o espanhol Rafael Nadal terá vantagem na fase decisiva do Masters 1000 de Roma, o que abre as portas não apenas para um histórico 10º título mas também à completa recuperação da confiança para buscar o 21º Grand Slam em Paris.

Muito inteiro fisicamente apesar da batalha de 3h20 contra Denis Shapovalov, onde já havia mostrado evolução, o canhoto espanhol não repetiu as falhas de Madri e barrou Alexander Zverev num jogo mais duro do que o placar indica. Vai agora enfrentar um Reilly Opelka de saque muito perigoso mas de nenhuma tradição no saibro e ainda verá seu possível adversário da final ter de jogar duas vezes no sábado, devido ao problema que a chuva causou na tarde romana. E se não surgir uma mudança drástica de cenário, ainda pode ver Novak Djokovic se despedir.

A postura do espanhol foi muito diferente da véspera. Entrou em quadra já batendo firme na bola e desta vez com a profundidade recomendada. E mais importante: procurou golpear bem perto da linha de base, o que seria essencial para diminuir o tempo de reação de Zverev. Isso tudo tirou o ímpeto agressivo do alemão e o forçou a trabalhar o ponto. Quando decidiu arriscar, muitas vezes não estava equilibrado o suficiente.

Como aconteceu diante de Kei Nishikori, pouco a pouco Zverev cresceu e o segundo set ficou bom. Teve 0-40 e uma boa chance no terceiro break-point, mas não deu sorte. Perdeu o serviço em seguida e ainda poderia ter evitado o 4/2, mas outra vez Nadal saiu do aperto. O saque do espanhol aliás funcionou bem melhor nos momentos importantes, principalmente para evitar o 5/5 que poderia animar o adversário.

Djokovic por seu lado viveu intensos altos e baixos. Perdeu o saque logo de cara e desperdiçou seguidas chances de se recuperar, incluindo um quarto game muito longo em que o grego foi testado no seu controle emocional. Stef ainda abriu 4/1, mas enfim levou a quebra ensaiada e Djoko encostou. Aí veio a primeira parada pela chuva e a espera foi longa.

Na retomada, o grego encarou muito bem o piso mais pesado e impôs o saque. O número 1 continuou instável e sofreu a quebra perigosa no terceiro game do segundo set antes que o mau tempo adiasse de vez o duelo e talvez tenha lhe dado a chance de recomeçar mais firme no sábado. Quem vencer, retorna à tarde contra Lorenzo Sonego ou Andrey Rublev, que sequer iniciaram a partida.

Um dos tenistas afetados pela infecção por coronavírus, Opelka disputará sua primeira semi de Masters. O hoje 47º do mundo cravou 18 aces diante de Federico Delbonis e só perdeu 10 pontos quando acertou o primeiro serviço, mas ainda assim precisou salvar quatro break-points, um deles muito importante na reta final do segundo set. O gigante de 2,11m nunca enfrentou Nadal e sabemos que isso torna o desafio ainda mais difícil. Sua meta provavelmente será decidir tudo em tiebreaks. A média da semana: 19,4 aces por jogo.

Barty se poupa
Na chave feminina, uma situação pouco comum: liderando o jogo por 6/4 e 2/1, Ashleigh Barty desistiu. Alegou dor no braço direito, uma lesão já existente, e o risco de comprometer Roland Garros. A quadra muito pesada nesta sexta-feira em Roma contribuiu para o desgaste, sem falar que Coco Gauff não alivia nos golpes e estava exigindo muitos ralis. A adolescente só conhecerá adversária no sábado, entre Elina Svitolina e Iga Swiatek, outro jogo adiado.

E quem está perto de sua terceira final seguida no Foro Itálico é a tcheca Karolina Pliskova. A campeã de 2019 e vice de 2020 marcou uma virada suadíssima contra Jelena Ostapenko, tendo salvado três match-points no terceiro set. E não vai ter vida fácil diante da Petra Martic, uma jogadora respeitável no saibro e que tem 4-2 nos duelos diretos.

Federer em quadra
Vacinado e entusiasmado, Roger Federer iniciou os treinamentos na sede do torneio de Genebra e já sabe quem enfrentará no retorno às quadras: Pablo Andujar ou Jordan Thompson, provavelmente na quarta-feira. Se avançar, pode encarar os garotos Cristian Garin e Casper Ruud. O cabeça 2 é Shapovalov.

Thiago Monteiro entrou na chave e precisará estar firme para estrear contra Laslo Djere e quem sabe desafiar Fabio Fognini em seguida.

Que venham los hermanos
Por José Nilton Dalcim
31 de maio de 2019 às 20:18

Em seu primeiro teste real em Roland Garros, Rafael Nadal foi muito bem. Perdeu um set, é verdade, mas porque David Goffin jogou um tênis primoroso e surpreendente. Como não sair satisfeito de uma partida em que se errou apenas 21 vezes? Muito mais do que isso, o canhoto espanhol fez uma proposta ofensiva desde o começo, sufocou o experiente belga nos dois primeiros sets. Não tivessem escapados os break-points no comecinho da terceira série, e o placar talvez tivesse sido bem elástico.

O importante para o undecacampeão é que ele se mostrou muito competente também num estilo agressivo, em que buscou os pontos mais rápidos e mirou as paralelas com frequência. Com esse volume todo de jogo, só um dia daqueles excepcionalmente desastrosos poderia tirar sua vaga nas quartas diante do pouco experiente Juan Ignacio Londero, um saibrista de verdade mas que disputa seu primeiro Grand Slam.

Roger Federer venceu em sets diretos, porém teve altos e baixos com o saque, sua arma tão importante, ao longo do terceiro set. Isso deu algumas brechas para o garoto Casper Ruud, que saiu quebrando, fez outro 0-30, teve um break-point e no tiebreak chegou ao set-point. Claro que o suíço achou soluções, fez lances espetaculares e usou o primeiro saque em momentos cruciais. Na contabilidade final, anotou 52 winners e 36 erros.

Leva também o natural favoritismo sobre outro argentino, Leonardo Mayer, a quem já venceu três vezes na quadra dura. Será interessante ver como os dois se encaram no saibro com seus backhands de um mão, um piso que afinal das contas é mais natural para Mayer.

Os outros jogos
No lado de Nadal, Kei Nishikori e Benoit Paire têm metas distintas. O japonês quer repetir sua melhor campanha em Paris e cravar a terceira presença em quartas, algo que é muito respeitável para quem precisou adaptar seu estilo ao saibro. Paire tenta pela terceira vez enfim superar as oitavas de um Slam (US Open-15 e Wimbledon-17 foram as outras).

Nishikori sofreu um desgaste incrível para vencer Laslo Djere no quinto set, após 4h26 de batalha, e estava claramente ‘morto’ no finzinho do jogo. Por isso, a chance de Paire aumenta, embora ele tenha retrospecto negativo de 2-6, tendo já perdido duas vezes em Roland Garros: 2013 e 2018.

A vaga do lado do Federer está indefinida, mas parece bem mais nas mãos de Stan Wawrinka, que ganhou os dois tiebreaks de Grigor Dimitrov, e de Stefanos Tsitsipas, que lidera por 2 sets e tem 5/5 frente a Filip Krajinovic. Se confirmado, será um duelo de gerações inédito.

Números mágicos
Federer se tornou nesta sexta-feira o primeiro profissional a totalizar 400 partidas de Grand Slam, das quais venceu 345, outro amplo recorde. O mais próximo dos homens é Novak Djokovic, com 308 feitas e 267 vencidas. Serena Williams está com 335 vitórias.

Nadal, por sua vez, busca no domingo a 90ª vitória em Roland Garros. Se vencer Londero, será apenas o terceiro homem a atingir tal domínio num Slam, junto a Federer (97 na Austrália e 95 em Wimbledon) e a Jimmy Connors (98 no US Open). Mesmo o feminino só tem três nomes com esse número: Martina Navratilova, Chris Evert e Serena.

A campeã voltou?
Apesar de ter perdido três vezes o saque no primeiro set, Garbiñe Muguruza superou Elina Svitolina com placar dilatado, o que pode deixá-la mais relaxada. Como sempre, arriscou bastante, marcando 23 winners e 29 erros, e agora terá de encarar o contragolpe de Sloane Stephens, que complicou um jogo que parecia mais simples e foi vencer Polona Hercog num duro terceiro set. Quem avançar, pegará Johanna Konta ou Donna Vekic.

Num dos melhores momentos da chave feminina deste ano, Anastasija Sevastova virou em cima de Elise Mertens com 11/9 no terceiro set e nada menos que cinco match-points literalmente evitados graças a golpes de extrema coragem e precisão. Enfrenta agora Marketa Vondrousova e nada é impossível num setor que tem Petra Martic e Kaia Kanepi. Em grande momento, Martic não tomou conhecimento de Karolina Pliskova e garantiu o número 1 para Naomi Osaka.

O sábado
– Em toda carreira, Djokovic só perdeu três vezes para um adversário de ranking tão baixo como o do 147º do mundo Caruso. E jamais foi batido por um quali em Slam em 18 duelos. O tenista de melhor ranking que o italiano venceu era 33º.
– Thiem perdeu de Cuevas quatro anos atrás em Roland Garros e o placar geral é de duros 3-2 a seu favor. Em fevereiro, ganhou de virada do uruguaio em Buenos Aires.
– Lajovic traz duras lembranças a Zverev, que precisou de cinco suados sets para superar o sérvio na segunda rodada de 2018.
– Delpo estará inteiro para seu primeiro duelo contra Thompson? O maior feito do australiano até hoje foi ganhar de Murray em Queen´s-2017.
– Em 10 duelos contra Bautista, Fognini venceu sete. No saibro, está 3-1.
– Mais um NextGen no caminho de Struff. Ele já tirou Shapovalov e agora encara Coric. Placar está 2-2. No saibro de Madri do ano passado, croata só permitiu 2 games.
– Monfils x Hoang e Khachanov x Klizan são duelos inéditos no circuito.
– Três dos oito jogos femininos envolvem tenistas que não são cabeças. Expectativa é que Osaka e Keys vençam e se cruzem nas oitavas.
– Halep venceu todas as seis diante de Tsurenko e Serena nunca cruzou com a ascendente Kenin. Duas tenistas cheias de estilo, Barty e Petkovic podem fazer a partida mais divertida.