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Caminho aberto para Djoko, chave dura para Federer
Por José Nilton Dalcim
25 de junho de 2021 às 12:16

O sonho nada impossível de conquistar seu terceiro Grand Slam da temporada cresceu para Novak Djokovic depois da formação da chave de Wimbledon. O número 1 do mundo tem teoricamente caminhada muito tranquila até a semifinal, com um ou outro desafio menor até quem sabe chegar no reencontro com Stefanos Tsitsipas.

Curiosamente, a estreia de segunda-feira pode ser o momento mais especial da primeira semana para o sérvio. Ainda que seja totalmente inexperiente em grandes torneios, Jack Draper é britânico e canhoto, o que quer dizer um tenista habituado à grama como mostrou em Queen’s na semana passada, quando venceu Jannik Sinner e Alexander Bublik. Ainda assim, é apenas o 250º do ranking.

Djokovic pode ainda reencontrar Kevin Anderson, que é um adversário gabaritado na grama mas anda muito fora de ritmo. Nole já ganhou três vezes dele em Wimbledon, incluindo virada de dois sets atrás em 2015. Viriam a seguir  Alejandro Davidovich Fokina, Gael Monfils ou Cristian Garin e nas quartas Andrey Rublev, finalista em Halle no domingo sem dar dois voleios por jogo.

Tsitsipas, diga-se, é incógnita neste Wimbledon. Embora tenha estilo apropriado à grama, só ganhou jogos em 2018, quando chegou nas oitavas e parou em John Isner. Não fez também qualquer preparatório nestas semanas e a trajetória parece mais exigente. Estreia diante de Frances Tiafoe, com prováveis duelos seguintes frente a Vasek Pospisil, Karen Khachanov e oitavas contra Alex de Minaur, Daniel Evans ou os não pré-classificados Sebastian Korda e Feliciano López. Se chegar nas quartas, o canhoto Denis Shapovalov ou os sacadores Pierre Herbert ou Reilly Opelka devem estar ali. Andy Murray ficou nesse quadrante e não acredito que consiga superar qualquer um desses.

Do outro lado da chave, Roger Federer encontrará muita dificuldade para repetir a final de 2019. Mesmo fora de sua melhor forma, será favorito contra Adrian Mannarino e Richard Gasquet antes de cruzar com mais um canhoto, Cameron Norrie, que foi muito bem em Queen’s e já representa perigo. Viria nas oitavas Pablo Carreño ou Lorenzo Sonego, com pequena chance de Sam Querrey surpreender. As oitavas têm muitas alternativas, passando por Daniil Medvedev, Maric Cilic e Grigor Dimitrov ou uma surpresa como Jan-Lennard Struff e Alexander Bublik.

Essa parte inferior da chave também tem Alexander Zverev e Matteo Berrettini. Prevejo dureza para o alemão se Ugo Humbert mantiver o embalo e a ótima adaptação mostrada em Halle, enquanto o italiano pode ter de encarar Isner já na terceira rodada. Ficaram nesse meio Felix Aliassime e Nick Kyrgios. O canadense será o difícil adversário de estreia de Thiago Monteiro e o australiano pegou logo Humbert. Estou achando que nem vai aparecer.

Feminino: desafios para Serena
A chave feminina ficou bem interessante. Sem jogar nada na grama até agora, Ashleigh Barty tem no caminho Johanna Konta e Barbora Krejcikova, a campeã de Paris cujo estilo se encaixa bem nos pisos mais velozes. Bianca Andreescu e Vika Azarenka podem duelar nas oitavas, mas são incógnitas pela parte física. Serena Williams, que à semelhança de Federer aposta todas suas fichas em novo Slam neste Wimbledon, também ficou nesse lado superior e seus desafios são grandes: Angie Kerber na terceira fase, Coco Gauff ou Belinda Bencic nas oitavas e Elina Svitolina ou Anastasia Pavlyuchenkova nas quartas. É um setor com várias meninas correndo por fora, como Amanda Anisimova e a ótima sacadora Camila Giorgi.

Aryna Sabalenka pontua o outro lado e seria empolgante ver um confronto com Maria Sakkari nas oitavas. Para as quartas, Garbiñe Muguruza não está jogando bem, mas seu currículo é muito superior na grama ao de Iga Swiatek e Ons Jabeur. O melhor quadrante no entanto reúne Sofia Kenin, Karolina Pliskova, Petra Kvitova, Alison Riske, Jessica Pegula e sacadoras como Kaia Kanepi, Mona Barthel, Polona Hercog e Danielle Collins, sem falar na experiência de Sloane Stephens e Madison Keys. Não arrisco qualquer palpite.

Não perca
A lista de jogos imperdíveis de primeira rodada é bem grande. No masculino, Djokovic x Draper, Tsitsipas x Tiafoe, Evans x Feliciano, Korda x De Minaur, Shapovalov x Kohlschreiber, Murray x Basilashvili, Karatsev x Chardy, Nishikori x Popyrin, Aliassime x Monteiro, Kyrgios x Humbert, Federer x Mannarino, Querrey x Carreño, Verdasco x Dimitrov e Struff x Medvedev.

Já entre as meninas, Barty x Suarez, Andreescu x Cornet, Svitolina x Van Uytvanck, Pegula x Garcia, Kvitova x Stephens, Collins x Hercog, Muguruza x Ferro e Rybakina x Mladenovic.

Em ritmo de treino
Por José Nilton Dalcim
1 de junho de 2021 às 18:59

Rafael Nadal suou um pouco mais que Novak Djokovic, porém os dois nomes mais cotados para o título de Roland Garros tiveram estreia quase protocolar nesta terça-feira. Daqui a dois dias, terão novamente amplo favoritismo diante de adversários também veteranos. Rafa reencontra um de seus maiores ‘fregueses’, Richard Gasquet, contra quem tem 16 a 0, enquanto Djoko faz duelo inédito contra o acrobático Pablo Cuevas.

O megacampeão fez dois sets muito tranquilos diante de Alexei Popyrin, que até conseguiu ser competitivo em trocas longas e abusou do saque, porém o espanhol falhou num game de serviço e por muito pouco não perdeu o terceiro set. Na verdade, Popyrin foi muito incompetente. No primeiro set-point, fez dupla falta. No outro, errou smash. A decisão acabou num tiebreak que ratificou então a enorme diferença entre os dois.

Num saibro lento da noite parisiense, Tennys Sandgren se esforçou ao máximo diante de condições que não combinam nada com seu jogo e Djokovic sempre achou as melhores soluções. O sérvio não perdeu serviços, mas precisou salvar seis break-points no segundo set em dois games distintos, ainda que já dominasse o placar naquela altura. O número 1 marcou 33 winners em 26 games e fez um primeiro set quase perfeito com meros 4 erros.

Enquanto isso, a nova geração tropeçou feio. Andrey Rublev ensaiou reação após perder os dois primeiros sets. No entanto, não conseguiu superar o tênis muito mais variado de Jan-Lennard Struff, que já havia lhe dado muita dor de cabeça em Roma dias atrás. Vice de Monte Carlo onde parou Nadal, o russo foi perdendo energia ao longo da temporada de saibro. No ano passado, foi quadrifinalista. Já Felix Aliassime não achou antídoto para as bolas retas do veteraníssimo Andreas Seppi, de 37 anos e hoje 98º do ranking. É bem verdade que o italiano tem histórico em Paris e chegou a ter 2 sets a 0 contra Djoko nas oitavas em 2012.

As boas notícias vieram com Diego Schwartzman e Gael Monfils. O argentino pegou o fraco Yen-Hsun Lu, fez seu papel e venceu com autoridade. O francês esteve a um ponto de ver Albert Ramos abrir 2 sets a 0, quando o espanhol jogou um slice no meio da rede. A partir daí foi engolido pela determinação de Monfils e sua ruidosa torcida. Favoritos na próxima rodada, Schwartzman pode cruzar com Aslan Karatsev na terceira fase e Monfils, com Sinner.

Mais problemas no feminino
Desta vez, nenhuma cabeça de chave caiu. Ao menos em quadra. Um dia depois de perder Naomi Osaka na confusa polêmica das entrevistas obrigatórias, Petra Kvitova anunciou ter sido vítima de um torção no pé quando. por ironia do destino, saia da coletiva de domingo, quando venceu duríssimo jogo de estreia. A canhota tcheca fez ressonância e constatou que não dava para continuar. Tanto Osaka como Kvitova estavam no lado inferior da chave.

E não foi só. Durante a exigente vitória no terceiro set diante da canhota Bernarda Pera, a campeã de 2019 Ashleigh Barty voltou a sentir lesão lombar e preocupa. Ela minimizou a contusão, porém sabe que terá de estar inteira diante de Magda Linette, vice de Estrasburgo no sábado.

A rodada teve ainda uma atuação sofrível de Elina Svitolina, boa recuperação de Karolina Pliskova depois do vexame em Roma e Coco Gauff de intensos altos e baixos. Muito legal rever Carla Suárez em quadra, recuperada do câncer linfático. Jogou bem, teve 6/3 e 5/4 com saque para vencer Sloane Stephens. Levou a virada e ganhou um abraço apertado da adversária.

Começa a segunda rodada
A parte inferior das chaves de simples abre nesta quarta-feira a segunda rodada de Roland Garros, mas poucos jogos me empolgam.
– Tsitsipas pode ter a tarefa mais dura, já que Pedro Martinez é especialista e surpreendeu Korda, ainda que seja 103º com meras 14 vitórias de ATP na carreira.
– Medvedev encara Paul, campeão juvenil do torneio em 2015 e que vem de maratona de cinco sets. Colocaram na tal rodada noturna, onde tudo é bem mais lento, o que não agrada o russo.
– Zverev reencontra Safiullin, um adversário dos tempos de juvenil. O russo progrediu pouco e hoje é 182º.
– Bautista é super favorito contra Laaksonen e Carreño, frente Couacaud.
– Jogos interessantes envolverão Khachanov e Nishikori – japonês acabou de fazer 3-2 no histórico com virada em Madri – e de Fognini frente Fucsovics, em que italiano tem 2-1 mas nunca se cruzaram no saibro.
– Sabalenka tenta ir à 3ª rodada de Paris pela primeira vez contra Sasnovich.
– Serena pega segunda romena em sequência. Buzarnescu já fez oitavas em Paris há três anos.
– Bencic e Kasatkina fazem tira-teima já que empatam por 2-2. Azarenka pega a campeã juvenil de 2018, Clara Tauson.
– Monteiro faz último jogo da quadra 12 e deve entrar por volta de 12h. Faz duelo inédito contra Steve Johnson, que basicamente só bate slice de backhand. Será preciso paciência e ficar esperto para rápida transição à rede e volear as bolas mais lentas.

Vida dura em Roma
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2021 às 18:21

Começou quente o mais importante preparativo para Roland Garros. Novak Djokovic, Rafael Nadal, Dominic Thiem, Stefanos Tsitsipas e Andrey Rublev tiveram de jogar muito sério para não se complicarem na estreia, enquanto Daniil Medvedev, Diego Schwartzman e David Goffin sequer chegaram nas oitavas. Favorecido por encarar um adversário de menor gabarito, só mesmo Alexander Zverev teve dia tranquilo.

E isso não foi privilégio da chave masculina. O complemento da segunda rodada do WTA viu Naomi Osaka, Serena Williams e Petra Kvitova derrotadas, Simona Halep sofrer triste contusão que deve tirá-la de Paris e viradas suadas da bicampeã Elina Svitolina e Garbiñe Muguruza. Nesse agito todo, Ashleigh Barty e Aryna Sabalenka avançaram, dando a impressão que quem vencer as quartas pode muito bem ir a mais uma final.

Nadal e Jannik Sinner fizeram talvez o jogo mais aguardado deste início de Masters 1000 italiano e o duelo correspondeu, com enorme empenho dos dois jogadores e um placar consideravelmente apertado, ainda mais se avaliarmos que o garoto italiano sacou duas vezes com quebra à frente no set inicial e depois fez 3/1 e 4/2 na série seguinte. Mas o tempo todo Sinner pareceu mais confortável na devolução do que no saque e seu jogo atrevido encarou sempre a notável capacidade defensiva e de contragolpe do veterano espanhol.

Com apenas 9 erros nesse intenso primeiro set e com 25 winners ao final do jogo, Nadal fez sua melhor apresentação da temporada de saibro porque precisou de suas melhores qualidades para manter Sinner sob algum controle. É fato que o saque ainda é um problema. O nove vezes campeão de Roma ganhou com apenas 49% de acerto de primeiro saque, que teve média de 185 km/h. Fará duelo de canhotos contra Denis Shapovalov e espera-se o reencontro com Zverev nas quartas. O alemão economizou energia e enfrenta Kei Nishikori.

O retorno de Djoko agradou, ainda que o mau tempo tenha embaralhado a partida contra Taylor Fritz. O sérvio sacou para fechar no que seria um bom 6/3 e 6/4, mas se apressou por conta da chuva iminente e se irritou tanto que descontou no juiz. Pediu com louvor desculpa ao árbitro na volta à quadra e conseguiu evitar o terceiro set. Se mantiver o padrão da estreia, terá pouco trabalho com Alejandro Davidovich e aí virá um desafio bem mais interessante contra Tsitsipas ou Matteo Berrettini. Observe-se no entanto que Berrettini fez 11 jogos nos últimos 22 dias.

Thiem ficou bem perto da derrota frente ao bom Marton Fucsovics. E por isso gostei muito de sua atitude na parte mental, encontrando bolas de grande risco e precisão diante do aperto. O austríaco está instável, isso é evidente, e talvez vitórias duras assim ajudem. Não pode vacilar contra Lorenzo Sonego e, se passar, terá um desafio e tanto diante de Andrey Rublev ou Roberto Bautista. O russo está à beira de um ataque de nervos, talvez por conta do calendário excessivo que pratica, e o veterano espanhol foi muito bem diante de Cristian Garin.

O quadrante que tinha Medvedev – está do lado de Nadal – perdeu também Schwartzman e Goffin, o que transforma essa vaga para a semi completamente aberta. Felix Aliassime enfim marcou a grande vitória na companhia do tio Toni e seria especial se ele encarasse Rafa na penúltima rodada. Para isso, terá de superar o canhoto Federico Delbonis e depois aguardar Aslan Karatsev ou Reilly Opelka. Não sei o que esperar desse jogo num saibro, ainda mais se estiver lento, mas depois de ganhar de Djokovic em Belgrado imagino que Karatsev tenha favoritismo para ir lá longe.

Pesos diferentes no feminino
A chave feminina ficou capenga, ou seja, agora muito forte na parte superior. Além do provável reencontro entre Barty e Sabalenka, estão na concorrência pela vaga na final quem passar do ótimo duelo entre Svitolina e Muguruza, cuja vencedora deve encarar Iga Swiatek em seguida. O histórico positivo da ucraniana em Roma é relevante.

No lado inferior, sete das oito classificadas sequer figuram entre as cabeças de chave. Essa exclusividade pertence à tcheca Karolina Pliskova, campeã de 2019 e vice do ano passado. Sua próxima adversária é a veterana Vera Zvonareva, que conseguiu a incrível façanha diante de Kvitova, 17 anos depois de ter chegado na semi de Roma em sua estreia. Quem vencer, pega um nome bem cotado no saibro: Angelique Kerber ou Jelena Ostapenko.

É preciso no entanto ficar de olho no jogo entre Nadia Podoroska e Petra Martic. A argentina fez uma exibição muito boa diante de uma esforçada Serena e o saibro é sua praia máxima. Jessica Pegula se aproveitou das intensas oscilações de Osaka, vendo o primeiro set escapar várias vezes entre os dedos, e terá de ser muito consistente diante de Ekaterina Alexandrova.