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Meio Djokovic basta
Por José Nilton Dalcim
7 de outubro de 2020 às 19:49

O favoritismo de Novak Djokovic para avançar a sua 10ª semifinal de Roland Garros foi ameaçado… por seu pescoço. O líder do ranking jogou talvez 50 ou 60% de sua capacidade na maior parte dos quatro sets, mas ainda assim conseguiu ser superior ao espanhol Pablo Carreño. Segundo a mídia local, ele voltou a sentir o problema que se manifestou em Nova York no aquecimento e entrou em quadra com um extenso emplastro.

Irritado e limitado, perdeu o primeiro set. E aí veio o pecado capital de Carreño, que até então estava determinado a brigar no fundo de quadra, talvez consciente da contusão. Perdeu duas chances de quebra no terceiro game do segundo set, uma delas extremamente fácil quando Djokovic deu um smash de quinta classe. Lembro de ter escrito no Placar UOL que esse desperdício poderia custar caro, e não deu outra. Foi quebrado no game seguinte e levou um passeio do adversário no restante do set.

Carreño não jogou mal, mas faltou o espírito vencedor. Na hora que tinha o domínio emocional da situação, teria de ter apertado. Ao contrário, deu ritmo a Djokovic, que pouco a pouco esqueceu do desconforto e cravou a esperada soberania. Viveu é verdade intensos altos e baixos. Num mesmo game, errou dois forehands no meio da rede, mas enfiou outros dois na linha. A diferença se vê sempre nos pontos importantes. Vai para cima sem medo, quase sempre infalível.

Nole gritou, reclamou, esbravejou com seu time, apressou boleiros. Fez cara feia, de dor, de mau, de orgulhoso, de raiva. E chegou lá. Na entrevista oficial, evitou ao máximo falar do pescoço, garantindo que está tudo bem para sexta-feira, quando tentará chegar pela primeira vez à final desde o título de 2016.

Tsitsipas sobe mais um degrau
Em piso radicalmente oposto, o grego Stefanos Tsitsipas garantiu sua segunda semifinal de Grand Slam, repetindo o feito então inesperado do Australian Open do ano passado, num piso bem veloz.

O resultado é muito expressivo por dois componentes emocionais, já que o grego de 22 anos havia sofrido duas amargas derrotas: a do US Open, quando tinha o jogo nas mãos frente a Borna Coric, e a para o mesmo Andrey Rublev de hoje no saibro de Hamburgo há 10 dias, em jogo que sacou para o título.

E a coisa começou tensa para Tsitsipas, que procurou um estilo agressivo mas foi quebrado e viu Rublev sacar para o primeiro set. Falhou e aí o grego engatou quatro games seguidos e não tirou mais o pé do acelerador, dominando com categoria os dois sets seguintes em que Rublev não fez outra coisa a não ser espancar a bola, sem a criatividade necessária.

O principal nome da nova geração terá chance contra Djokovic? Por ser um tenista agressivo e ousado, sem perder qualidade na base, sim. Aliás, ganhou dois dos cinco duelos já realizados, algo que permitirá jogar mais solto, embora tenha sido dominado por Nole nos dois mais recentes. Se levar à quadra seu vistoso tênis, ao menos haverá garantia de um grande espetáculo.

Cabeça contra zebra
A final de Roland Garros certamente terá de um lado uma campeã de Grand Slam e uma surpresa. Isso porque Sofia Kenin e Petra Kvitova confirmaram nesta quarta-feira e irão duelar entre si. A outra vaga sairá entre as ‘zebras’ Iga Swiatek e Nadia Podoroska.

Num torneio tão marcado por resultados inesperados, Kenin e Kvitova farão apenas o quarto jogo entre cabeças de todas as duas semanas, ou seja, 124 partidas. A canhota tcheca venceu os dois duelos contra a norte-americana já realizados.

Kenin suou mais nesta quarta-feira e viu uma reação notável de Danielle Collins. Mas veio um atendimento médico e Collins sumiu em quadra, tendo vencido apenas 10 pontos no ‘pneu’ imposto pela campeã do Australian Open.

Depois de oito anos, Kvitova volta a uma semi em Paris e sem perder set. Passou sem sustos por Laura Siegemund no seu melhor estilo. Será interessante ver como ela e Kenin se encaram num piso tão lento.

Façanha sul-americana
Há ao menos um representante do tênis sul-americano em cada uma das chaves de Roland Garros nesta reta semifinal. Depois de Diego Schwartzman e Nadia Podoroska, em simples, e Bruno Soares e os colombianos Cabal/Farah na dupla, o quadro ficou completo com a classificação da chilena Alexa Guarachi na dupla feminina.

Soares e o croata Mate Pavic entram em quadra às 7h desta quinta-feira para o duro confronto diante dos colombianos, campeões de Wimbledon e do US Open do ano passado.

Parceria formada há 15 meses, Soares e Pavic venceram uma e perderam outra dos líderes do ranking, sempre na quadra dura e em dois sets. Vale sua torcida.

‘O segundo melhor’ desafia Djokovic
Por José Nilton Dalcim
5 de outubro de 2020 às 19:35

Pablo Carreño garantiu logo de cara: só Rafael Nadal joga melhor que ele nas novas condições de Roland Garros. Então ele terá uma oportunidade de ouro para comprovar isso dentro de 48 horas, quando reencontrará Novak Djokovic, o segundo maior postulante ao título.

O duelo também nos remete obrigatoriamente ao US Open de um mês atrás, onde duas coisas inesperadas aconteceram: Carreño iria sacar para vencer o primeiro set quando Djokovic foi desclassificado ao atingir uma juíza de linha com uma bola inapropriadamente arremessada ao fundo de quadra.

Claro que “sacar para ganhar o primeiro set” é pouca coisa numa melhor de cinco sets e quando se têm dois jogadores de currículos tão distintos. Mas não deixa de ser relevante que o espanhol dominava o sérvio num piso que tem sido o autêntico domínio do número 1.

Nos jogos desta segunda-feira, Nole encarou seu primeiro real teste e experimentou um pouco de tudo, incluindo alguns games tensos e serviço quebrado. Optou por um jogo morno no primeiro set, sem forçar as trocas, e encheu o pesado adversário de curtinhas. Até mesmo Djokovic reconheceu depois que exagerou na dose e talvez por isso seja mais econômico na próxima rodada. Khachanov, diga-se, não jogou mal e até me surpreendeu com sua capacidade defensiva.

O espanhol por sua vez fez um pouco de tudo diante da surpresa Daniel Altmaier, que teve o segundo set na mão e portanto a oportunidade de dar outro panorama à partida. Faltou aquele sangue frio e aí perdeu nove games consecutivos. Se Nole treinou drop shots, Carreño se exercitou na rede, com 38 subidas e 26 pontos. Será o padrão para quarta-feira?

Olha aí a nova geração
Outra boa notícia para este Roland Garros que anda pecando pela falta de emoções é o duelo de nova geração entre Stefanos Tsitsipas e Andrey Rublev, que repetem a recente final de Hamburgo, vencida pela russo. Ele também lidera por 3 a 2 no geral e eu o acho mais jogador no saibro do que o grego.

Rublev fez o grande jogo do dia contra Marton Fucsovics, repleto de alternâncias táticas e reviravoltas. O húngaro teve incríveis chances o tempo todo. Ganhou o primeiro set, liderou o segundo – quando sacou para 2 a 0 – e também o terceiro, e por fim teve três set-points para levar ao quinto.

Tsitsipas não foi mal, mas o duelo contra Grigor Dimitrov teve intensos altos e baixos. O búlgaro totalizou 53 erros em três sets, desperdiçou um tiebreak do segundo set com o saque na mão e sempre me parece carecer de postura ofensiva. Ganhou aquele que foi mais atrevido.

Kvitova e Kenin perto do duelo
Ainda sem perder set na campanha, Petra Kvitova não escondeu a emoção ao atingir as quartas de Roland Garros. Foi sempre superior à chinesa Shaui Zheng, sem jamais abrir mão de seu estilo – tomou a iniciativa, fez 23 winners e 29 erros -, algo louvável num piso sabidamente lento.

Agora, enfrenta a ‘trintona’ Laura Siegemund, 66ª do ranking, que nunca foi tão longe num Slam. A alemã gosta do saibro e tem no currículo um notável título em Stuttgart, há três anos, quando fez filinha de top 10, superando Kuznetsova, Pliskova e Halep.

Por fim, Sofia Kenin levou um susto mas calou a pequena torcida francesa, ao virar com sobras em cima de Fiona Ferro. Fato curioso, os técnicos das meninas assistiram à partida lado a lado em animado bate papo. A campeã do Australian Open aguarda Ons Jabeur ou Danielle Collins, que tiveram jogo adiado pela chuva.

500 vezes Soares
Dupla alegria para o mineiro Bruno Soares: ao atingir a vitória de número 500 na especialidade, ele avançou para sua terceira semifinal de Roland Garros, cada uma delas com um parceiro diferente. Desta vez, está com o canhoto Mate Pavic.

Se superarem os perigosíssimos colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah, o brasileiro se candidatará a um terceiro diferente troféu de Slam, já que tem conquistas na Austrália e nos EUA. Só Maria Esther Bueno tem um cardápio tão vasto , em simples ou em duplas.

Além de Bruno, o ex-parceiro Marcelo Melo também já atingiu tal expressiva marca de vitórias em torneios de primeira linha. ‘Girafa’ está um pouco à frente, com 532.

A moleza vai acabar
Por José Nilton Dalcim
3 de outubro de 2020 às 19:27

Novak Djokovic perdeu apenas 15 games em três jogos, com direito já a dois ‘pneus’, e com essa facilidade toda chegou neste sábado à 11ª participação consecutiva nas oitavas de final de Roland Garros. Mas a moleza deve acabar. Ainda que seja o favorito natural, na segunda-feira terá pela frente Karen Khachanov, o 16º do ranking que já o derrotou com seu estilo mão de pedra.

O saibro de Paris tem propiciado a Khachanov suas campanhas mais expressivas em Grand Slam. Nunca deixou de estar na quarta rodada em quatro participações e no ano passado fez quartas. Não recua da ideia de sempre forçar o jogo. Diante de Cristian Garin, foram 34 winners e 51 erros, números ainda inferiores à rodada anterior frente a Jiri Vesely, em que fez 65 bolas vencedoras e 42 falhas.

E querem saber? Se sonha barrar o número 1, o caminho é esse mesmo. Claro que não pode dar tanto ponto de graça a um adversário mais consistente e no auge de sua confiança, porém terá de correr riscos, evitar os grandes ralis e tomar cuidado com os ângulos porque joga muito perto da linha e não tem toda essa mobilidade lateral.


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New job, @djokernole? 😂🧹 #RolandGarros #djokovic #tennis #grandslam #Paris #funny

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É bem provável que Djoko tenha outro adversário gabaritado nas quartas, caso Pablo Carreño consiga acabar com o sonho dourado do quali alemão Daniel Altmaier, que não perdeu set na semana nem mesmo diante do top 10 Matteo Berrettini. No duelo entre espanhóis que gostam bem mais da quadra dura, Carreño superou Roberto Bautista. E todo mundo deve se lembrar que Carreño iria sacar para o primeiro set no US Open quando houve o lance infeliz de Djokovic.

Segundo conta o site da ATP, Altmaier há um ano nem sabia se iria prosseguir na carreira, sofrendo de problemas crônicos no abdome e lesão no ombro. Dono de backhand de uma mão, foi para os challengers assim que a pandemia permitiu e já soma seis vitórias em Roland Garros, perdendo um único set na fase classificatória. O alemão despontou em 2017, ao chegar em quartas de ATP ainda aos 18, mas a temporada seguinte foi limitada pelos problemas físicos.

Outros dois jogos bem interessantes acontecerão no outro quadrante. Mais dois backhands simples se cruzam com Stefanos Tsitsipas e Grigor Dimitrov, dois que não completaram seus jogos deste sábado por desistência dos adversários. Um duelo de tops 20 que nunca aconteceu e isso reforça a imprevisibilidade. Já Andrey Rublev me parece favorito diante de Marton Fucsovics, ainda que o húngaro tenha vencido os dois confrontos no saibro que já fizeram, porém isso antes de 2018.

Fucsovics colocou fim à campanha de Thiago Monteiro, num jogo que teve um primeiro set muito nervoso e também decisivo. Mesmo tendo quebrado o húngaro por duas vezes seguidas no começo do jogo, o brasileiro também não sustentou seu próprio saque, que vinha tão bem nas partidas anteriores.

No fundo, ele não achou respostas adequadas às variações mais frequentes de Fucsovics, que usou até slice de forehand. Também fez boas transições à rede e dominou os dois sets seguintes com maior autoridade. Monteiro deu mais um passo à frente na sua boa temporada e tentará o último suspiro sobre o saibro europeu no ATP italiano da Sardenha no outro fim de semana.

Uma nova finalista em Roland Garros
A queda das campeãs de 2016 e 2017 neste sábado garante uma finalista inédita na parte inferior da chave feminina de Roland Garros. As únicas entre as oito principais cabeças sobreviventes são Sofia Kenin e Petra Kvitova. Mas as ‘zebras’ andam soltas e melhor não apostar.

Talvez inspirada no namorado Stan Wawrinka, a espanhola Garbiñe Muguruza fez um grande esforço para ser eliminada, e conseguiu o objetivo. Depois de perder o primeiro set para Danielle Collins, vinha com amplo domínio até 4/2 e break-point no terceiro set, sempre agressiva. Aí passou a cometer erros inacreditáveis, perdeu a confiança num passe de mágica e não ganhou mais game.

Collins, que é treinada por Nicolás Almagro e tenta reencontrar aquele tênis que a levou à semi da Austrália no ano passado, enfrenta a tunisiana Ons Jabeur. que tirou Aryna Sabalenka em jogo cheio de alternâncias. Quem passar enfrentará Kenin ou a local Fiona Ferro, que tem predicados. Kenin repete as oitavas do ano passado e Ferro, 49ª do mundo, só tinha uma vitória nas cinco presenças anteriores em Roland Garros.

Kvitova por sua vez conseguiu uma virada espetacular diante da juvenil Leylah Fernandez, que teve 5/1 e set-point. Sem abrir mão da bola forçada, a tcheca reagiu e venceu nove games seguidos. Vem agora o jogo defensivo da chinesa Shuai Zhang e, se passar, terá uma novidade pela frente: a espanhola Paula Badosa ou a alemã Laura Siegemund, que tiveram vitórias sobre favoritas. Badosa apostou na regularidade, fez 10 erros e viu Jelena Ostapenko falhar 43 vezes. Já Siegemund tem 32 anos e chega à maior campanha em Slam depois de virar em cima da croata Petra Martic.

E mais
– O garoto Hugo Gaston tenta se tornar o tenista de mais baixo ranking a cbegar nas quartas de Roland Garros. Mas o 239º colocado terá diante de si Dominic Thiem. que tenta a quinta presença seguida nas quartas.
– Façanha semelhante aguarda Sebastian Korda, 213º colocado, que não esconde ser fã do seu adversário, Rafa Nadal. O último norte-americano nas oitavas de Paris foi Agassi, em 2003.
– A tarefa também é dura para os italianos Jannik Sinner e Lorenzo Sonego. O primeiro enfrenta Alexander Zverev, o outro cruzará Diego Schwartzman, ambos duelos inéditos.
– Gaston, Korda, Sinner e Altman jogam seu primeiro Roland Garros, igualando 1994, última vez que quatro debutantes foram tão longe no torneio. O último a fazer quartas foi Nadal, em 2005.
– Nadal aliás joga sua 98ª partida em Roland Garros (96-2) e busca a 996ª vitória da carreira, das quais 441 foram no saibro e 278 em Grand Slam.
– Simona Halep é favorita para repetir vitória sobre Iga Switek do ano passado, mas Elina Svitolina perdeu três dos quatro duelos diante de Caroline Garcia. Vem muita tensão por aí. Jogos acontecem protegidos pelo teto retrátil.
– Bruno Soares e Luísa Stefani voltam à quadra para buscar quartas de final nas chaves de duplas.