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O senhor do tênis
Por José Nilton Dalcim
7 de novembro de 2021 às 16:44

Ninguém tem mais troféus de Grand Slam ou de Masters 1000, ficou mais tempo como número 1, terminou mais temporadas na ponta do ranking ou ganhou maior premiação oficial. Novak Djokovic tomou para si praticamente todas as grandes marcas, é o senhor das quadras, o dono do tênis masculino.

A semana no piso lento e coberto do Palácio de Bercy foi novamente repleta de grandes feitos, o que coroa a temporada mais relevante que o sérvio já viveu na sua carreira. Sim, 2021 pode não ter sido aquele em que ele  mais venceu ou ganhou títulos, porém definitivamente tem sido o instante em que se coloca acima de todos os outros.

O grande feito desta vez foi superar Pete Sampras e fechar a sétima temporada como o número 1 do ranking. Algo que era seu de direito, em função da soberania nos Grand Slam, mas que os números ousavam contestar. O norte-americano fechou na frente entre 1993 e 98, algo excepcional, mas agora está atrás de Nole, que reinou em 2011-12, depois 2014-15, e retomou em 2018 e faz novo dueto em 2020-21.

De quebra, renova o recorde de mais velho a fechar um calendário na ponta, aos 34 anos e meio. Irá atingir 348 semanas quando a temporada acabar, no dia 22 de novembro, e não sofrerá ameaça até o dia 3 de fevereiro de 2022, quando defenderá o Australian Open.

Recorde atrás de recorde
Cada vez que entrou em quadra em 2021, Djokovic anotou façanha importante ou preparou o caminho para ela, numa inigualável sucessão de feitos na história do tênis profissional.

Na difícil conquista do Australian Open, em que precisou superar problema físico desde a terceira rodada, chegou ao nono troféu em Melbourne, o que lhe deu o recorde de 12 Slam na quadra dura e empatou com Nadal como únicos a ganhar Slam em três décadas diferentes. Ao mesmo tempo, somou nove semis em cada Slam.

Isso foi essencial para garantir no dia 8 de março uma das marcas mais relevantes do tênis, ao chegar a 311 semanas como número 1 e superar Federer, algo que parecia impossível há dois ou três anos.

Em junho, Roland Garros lhe daria quatro feitos muito especiais: primeiro a ganhar duas vezes de Nadal em Paris, ao menos seis finais em cada Slam e o ‘trintão’ com mais conquistas desse naipe (então 7). O mais notável: único profissional a erguer ao menos dois troféus em cada Slam e ainda por cima em três pisos distintos.

Embalado e sem sequer fazer torneio preparatório na grama, Nole empatou de vez com Rafa e Federer no total de troféu de Slam ao ganhar Wimbledon e assim, pela quarta vez na carreira, faturar também três Slam seguidos, como havia feito em 2011-12, 2015-17 e 2018-19. Também se tornou o único jogador com ao menos 79 vitórias em cada Slam.

Chegou a Nova York com a oportunidade raríssima de repetir Don Budge e Rod Laver, mas perdeu a decisão. De qualquer forma, fez algo que não se via desde 1969 no tênis profissional e de tabela igualou Federer com 31 finais de Slam.

Por fim, veio esta semana especial em Bercy, onde sacramentou a liderança no ranking e superou Sampras. Não foi só. Marcou novos recordes com 54 finais e 37 títulos de Masters, superou Federer com 227 vitórias sobre top 10 e 107 em cima de top 5, também se tornou o número 1 com mais vitórias na carreira (agora 419) e no momento é o jogador com melhor percentual de vitórias (83,3%, com 983 em 1.180 jogos).

E tem mais? Djokovic irá a Turim, a nova sede do ATP Finals, para tentar igualar os seis títulos de Federer na competição que encerra a temporada, uma honraria que lhe falta desde 2015.

Emoção e qualidade
Fora do circuito desde a perda do US Open, Djokovic foi a Paris sem o ritmo ideal e com a meta de chegar à última rodada e garantir o número 1 sem depender de Medvedev, que jura jamais pensou nisso. Nole ganhou a duras penas de Hubert Hurkacz, num jogo eletrizante e cheio de alternâncias, e fez uma final de grande qualidade diante de Medvedev, em que novamente saiu atrás e mostrou o tamanho de sua força física e mental num duelo marcado por exaustivas trocas e muito apuro nas variações táticas. A partir do primeiro set perdido, Djokovic tomou postura mais ofensiva, optou por paralelas e fez voleios magníficos sob pressão.

Medvedev levou o troco de Flushing Meadows, mas novamente deixa claro que atingiu um patamar muito respeitável, mantém a mesma gana antes de faturar seu Slam e estará na briga pelos grandes títulos no piso sintético, eu diria como o mais perigoso adversário do próprio Djoko.

Federer chega aos 40 sem certeza do futuro
Por José Nilton Dalcim
8 de agosto de 2021 às 17:33

O domingo é de festa para Roger Federer. O mágico suíço completa 40 anos, um marco para qualquer atleta que ainda sonhe em se manter competitivo em qualquer modalidade. Mas só há incertezas sobre o futuro de Federer nas quadras. Com poucos jogos feitos nos últimos meses, quando enfim voltou a competir, ele anunciou desistência dos Masters de Toronto e Cincinnati, completando assim 22 meses sem competir nesse tipo de torneio. Ainda há futuro na sua magnífica carreira?

A estatística não é lá muito favorável. Desde 1981, apenas dois profissionais conseguiram vencer jogos depois de fazer 40 anos: Jimmy Connors ganhou oito partidas, somente uma delas de Slam (curiosamente sobre Jaime Oncins) e ganhou o último jogo em ATP aos 42 e 296 dias. Pouco antes, aos 41 e 241 dias, fez semi em São Francisco. Em Slam, realizou uma campanha memorável no US Open de 1991, aos 39 anos, quando chegou na penúltima rodada.

O outro é Ivo Karlovic, que ainda está em atividade, apesar de estar fora do top 200. Um mês depois de completar 40 anos, foi às oitavas de Indian Wells-2019. Poucas semanas atrás, aos 42 e 139 dias, passou uma rodada em Newport, que foi sua nona vitória em nível ATP como ‘quarentão’, três delas em Slam.

Claro que Federer é um fora de série. Chegou nas semis do Australian Open no ano passado aos 38 anos e cinco meses e ficou muito perto de quebrar a marca de Ken Rosewall em Wimbledon de 2019. O australiano ainda é o mais velho a ganhar um Slam, aos 37 e um mês, no Australian Open de 1972. Rosewall ainda atingiu semi da Austrália em 1977, aos 42 anos, outra marca que se mantém absoluta.

O problema é que Federer não é do tipo que pretende se manter no circuito para superar façanhas de longevidade. Ele quer sucesso mas, com duas cirurgias em cada joelho e um tênis mais físico do que nunca, é difícil imaginar que consiga plenitude muscular para superar sete rodadas em melhor de cinco sets.

De qualquer forma, Federer merece todos os parabéns, não apenas pelo aniversário como por sua resiliência e amor ao esporte, que o fazem ainda tentar voltar aos bons tempos.

Da rebeldia ao sonho realizado
O tênis sempre foi uma grande paixão para o pai Robert, que conta estar jogando um torneio de duplas no clube quando o segundo filho do casal nasceu a 8 de agosto de 1981. Aos 11 meses, o pequeno Roger já segurava uma bola de tênis aos três anos e meio de idade já empunhou uma raquete dentro de uma quadra. Era fanático em golpear a bola contra as paredes da casa, os armários ou o portão da garagem.

Robert lembra que o pequeno Roger não gostava de obedecer ordens, muito menos receber dicas na quadra. Seu primeiro ídolo foi Boris Becker, a quem viu vencer o primeiro Wimbledon aos quatro anos e ficou muito triste quando o alemão perdia jogos para Stefan Edberg, sueco que mais tarde acabaria treinador e grande amigo de Federer.

O temperamento forte do garoto trazia problemas à família. Ele faltava a treinamentos e levava a escola pouco a sério, estudando o mínimo para passar de série. Por fim, aos oito anos, passou a treinar no clube da Basileia, onde Marco Chiudinelli virou amigo inseparável. O primeiro professor foi Adolf Kacosky, que logo percebeu o grande talento do aluno, mas o menino continuava difícil de tratar e por algumas vezes foi mandado para casa. Adorava futebol, mas praticou também basquete e badminton.

Aos 11 anos, disputou seu primeiro torneio infantil e conheceu Severin Luthi, cinco anos mais velho. Mais importante ainda, o treinador australiano Peter Carter passou a trabalhar com o tênis suíço e se tornou o divisor de águas. “Ele aprendia muito rápido, principalmente vendo Becker ou Sampras”, revelou Carter antes do acidente automobilístico que o matou em 2002 e causou profundas cicatrizes em Federer.

A decisão de se dedicar totalmente ao tênis veio enfim aos 13 anos, quando aceitou integrar a equipe do centro nacional em Ecublens, separando-se da família. Federer lembra que foi um dos piores momentos de sua vida, ainda mais porque não sabia falar francês, e quase desistiu de seguir.

O sucesso juvenil viria em 1998, com o título em Wimbledon e do Orange Bowl e a final do US Open. Pouco depois, apareceu no top 100 do ranking profissional. O ano de 2001 seria por fim marcante, com o primeiro título de ATP em Milão, as quartas em Roland Garros e a histórica vitória sobre o ídolo Sampras em Wimbledon.

Havia muita pressão sobre quando viria seu primeiro troféu de Slam e por fim aconteceu também em Wimbledon de 2003, o que tiraria um peso das costas e o levaria a iniciar um longo e espetacular reinado. Ganhou o Finals daquele ano sobre Andre Agassi, faturou o Australian Open e chegou enfim ao número 1, cumprindo a meta que estabeleceu lá nos seus oito anos de idade.

Djokovic ‘rouba’ eficiência de Nadal
Por José Nilton Dalcim
14 de julho de 2021 às 16:52

Com 34 vitórias em 37 possíveis nesta temporada, o que lhe garantiu também quatro títulos e três troféus de Grand Slam, Novak Djokovic se mostra bem superior a Rafael Nadal nos últimos sete meses e como consequência tirou do espanhol a condição de tenista mais eficiente de toda a Era Profissional.

Djoko tem agora 968 vitórias e 195 derrotas na carreira, com sucesso de 83,23%, e fica ligeiramente acima de Rafa, com 1.027 vitórias e 208 derrotas, que lhe geram positividade de 83,16%. Em 2021, o espanhol jogou 27 partidas e venceu 23.

O terceiro posto permanece com o sueco Bjorn Borg, com 82,4% mas números mais acanhados (654 vitórias em 794 jogos), à frente de Roger Federer, que está com 82%, frutos de 1.251 triunfos em 1.526 tentativas.

Ainda acima de 80%, aparecem Jimmy Connors (81,8%), John McEnroe (81,7%) e Ivan Lendl (81,5%). O quarto tenista em atividade na lista ocupa o 10º posto na Era Aberta: Andy Murray, com 76,9%.

À espera do quarto Slam
O US Open pode ser determinante para que Djokovic também supere enfim Nadal no aproveitamento de vitórias em jogos de Grand Slam. A diferença nunca foi tão pequena: o espanhol tem agora 87,7% (291 vitórias e 41 derrotas) e o sérvio, 87,6% (317 e 45). Os dois estão bem à frente de Federer, com 86% (369 e 60) e atrás somente de Bjorn Borg (89,2%, porém com menos da metade de jogos feitos).

A vantagem de Nadal sobre Djokovic é feita em cima de Roland Garros, único Slam em que ele aparece entre os três primeiros, com incríveis 97,2%. Já Djokovic é recordista na Austrália (91,1%) e está em terceiro nos outros: 84,4% em Paris, 88,8% em Wimbledon e 86,2% no US Open.

Embora tenha dois títulos a menos que Federer em Nova York, o tricampeão divide o recorde de finais em Flushing Meadows, com oito, ao lado de Lendl e Pete Sampras. O suíço vem logo atrás, com sete, junto a Jimmy Connors.

Haverá uma disputa interessante entre Nole e Federer pelo segundo lugar no percentual de sucesso no US Open. O suíço é o segundo, com 86,4%, e o sérvio está grudado, com 86,2%, ambos atrás somente de Sampras e seus notáveis 88,8%.

Nadal por sua vez terá uma única chance de não interromper duas marcas muito relevantes em sua carreira. Desde 2005, ele ganhou ao menos um troféu de Slam por 14 temporadas (contra 11 de Djokovic e Federer), assim como fez ao menos uma final (neste quesito, o suíço está acima, com 15). Nadal tem também a marca de temporadas consecutivas, com 10.

Como todo mundo sabe, Djokovic detém a maior sequência de vitórias em nível Slam da Era Profissional, com 30, entre 2015-16, e está no momento com 21. Se ele levar este US Open, saltará então para 28 e terá as três maiores séries (Federer tem duas de 27 e ele próprio, uma).

Um dado curioso: Djokovic é o único dos Big 3 que ainda não venceu um Slam sem perder set. Nadal tem a maior coleção da Era Aberta nesse quesito, com 4, e Federer já fez em 2. Apenas Ken Rosewall e Borg, este por três vezes, conseguiram isso.

Desafio Wimbledon
Doze internautas acertaram que a final de Wimbledon teria Djokovic perdendo o primeiro set no tiebreak, mas que venceria nos três sets seguintes, como realmente aconteceu. É um número bem expressivo. O vencedor no entanto teve um desempenho quase tão bom como o de Nole: Celso Antonio Bonin errou um único game no seu palpite (6/7, 6/4, 6/4 e 6/2, quando na verdade o quarto set foi 6/3). E assim merece muito o prêmio da Editora Évora e irá receber no endereço que indicar a biografia de Djokovic, grande sucesso de vendas. Parabéns!