Arquivo da tag: Paula Goncalves

Brasil pode ter novos nº 1 e encerrar jejum de 5 anos
Por José Nilton Dalcim
21 de setembro de 2016 às 18:34

Esta é uma semana incrivelmente interessante para o tênis brasileiro. Mesmo jogando torneios de segundo escalão, o cearense Thiago Monteiro e a paulista Paula Gonçalves podem se tornar os jogadores nacionais mais bem classificados do ranking mundial pela primeira vez, desbancando Thomaz Bellucci e Teliana Pereira.

E não é só. O paulista Rogerinho Silva concorre seriamente a recuperar seu posto no top 100 – infelizmente, ele e Rogerinho podem ser cruzar na semi de Santos – e com isso o Brasil voltaria a ter três nomes listados nessa faixa desde 21 de agosto de 2011, quando apareciam Bellucci (36), João Souza (90) e Ricardo Mello (91).

Para superar Bellucci no ranking, Monteiro precisa ser campeão em Santos neste domingo. Bellucci no momento soma 675 pontos como número 81 do ranking. Como está 19 postos atrás com 608 pontos, o canhoto cearense só atingirá 681 se faturar os 80 pontos dedicados ao vencedor do challenger praiano.

A linha de corte para um tenista fechar a temporada no top 100 é ligeiramente acima dos 600 pontos, então também se pode garantir que Monteiro necessita da final em Santos, que dá 48 pontos, para entrar diretamente no Australian Open. Essa vaga também não está distante de Rogerinho. Ele tem um longo calendário de challengers no saibro (Santos, Medellin, Campinas e Buenos Aires pelo menos), porém defende 137 pontos até novembro e assim precisará de boas campanhas.

A luta também está aberta entre as meninas. Segundo levantamento de Mário Sérgio Cruz, Paula pode superar Teliana nesta semana, em que joga no ITF de Albuquerque. A diferença entre elas é de apenas seis pontos, mas a campineira defende 18. Estreou bem na quadra dura hoje e terá de atingir essa semi nos EUA. Ainda por cima voltaria ao top 160. De qualquer forma, a troca de número 1 parece inevitável, já que Teliana passou uma rodada em Pequim no ano passado e assim perderá 60 pontos dentro de duas semanas.

Calendário
Ao dar uma conferida geral no calendário dos tenistas e dos torneios nesta reta final de temporada, algumas coisas chamam a atenção:
– Federer ainda está inscrito em Xangai. Pode ser apenas esquecimento da ATP ou dos organizadores.
– Thiem ganhou cachê para jogar Chengdy no lugar de Tsonga e aí recebeu convite para Pequim. Até então, era o único top 40 em atividade foram da fase asiática.
– Djokovic, Murray, Nadal e Raonic serão os favoritos em Pequim. Já Tóquio terá Wawrika, Nishikori e Monfils.
– Alguns encheram a agenda e irão encarar pelo menos quatro consecutivos, casos de Goffin, Gasquet, Dimitrov, Tomic e Zverev.
– Número 39 do ranking, Pablo Carreño pode ser obrigado a disputar quali em Pequim.
– Bellucci, a princípio, vai tentar os qualis grandes. Entra direto no 250 de Shenzhen, se arrisca no 500 de Pequim e no 1000 de Xangai e depois já tem vaga no 250 de Moscou.
– Monteiro descansa na próxima semana e aí jogará os challengers de Campinas e Buenos Aires.

Faltou emoção
Por José Nilton Dalcim
15 de abril de 2016 às 19:09

Três das quatro partidas desta sexta-feira em Monte Carlo foram pouco competitivas, o que é um tanto frustrante para as quartas de final de um Masters 1000. A única em que se viu disputa e indefinição foi na vitória no terceiro set de Jo-Wilfried Tsonga sobre Roger Federer, mas ainda assim a qualidade do jogo não foi a esperada. O suíço teve altos e baixos, falhou incrivelmente junto à rede e desperdiçou oportunidades. Tsonga mereceu porque foi melhor no conjunto das habilidades, especialmente o contraataque.

Nadal viu aquele Stan Wawrinka detestável, sem paciência, sem precisão, sem empenho. Destruiu uma raquete no joelho ainda no quarto game da partida, sinal evidente que sua cabeça está péssima. Depois de errar um smash facílimo que lhe daria 0-30 ainda no 1/1, o suíço se autodestruiu e abriu a porta para que o espanhol fizesse um pouco de tudo. E Rafa solto em quadra é um adversário muito difícil de ser batido. Murray encarou um Milos Raonic (de novo) sem forças e Monfils derrotou Marcel Granollers num jogo sonolento, e mesmo com dor nas costas.

O duelo Nadal x Murray tem longo histórico e um considerável domínio do canhoto espanhol, que venceu 16 de 22 partidas e 6 dos 7 sobre o saibro. É bem verdade que Rafa não é o mesmo desde o começo de 2015, porém ainda assim houve uma vitória para cada lado na última temporada, com inesperado triunfo de Murray no saibro de Madri e surpreendente derrota do escocês no piso duro de Londres.

Porém, esporte é momento e o momento de Nadal é superior, sem falar no fato que os dois se reencontram agora num dos saibros mais lentos do circuito, onde Rafa tem 16 de 17 semifinais, nove decisões e oito títulos consecutivos. A única possível vantagem de Murray – que é retórica – estaria na ansiedade natural que pode acometer Rafa diante da chance real de voltar a um grande título.

Apesar de estarem há mais de uma década no circuito profissional, Tsonga e Monfils vão se cruzar apenas pela sétima vez, algo que se explica pelas poucas oportunidades que os dois tiveram de ir longe nos grandes torneios, principalmente Gael. Aliás, sobre o saibro será a primeira. Nos últimos 30 meses, eles se enfrentaram apenas na 3ª rodada de Miami do ano passado.

Tsonga lidera por 4 a 2, mas seu favoritismo se justifica porque fisicamente tem sido superior. Não talvez no atleticismo, que Monfils representa tão bem, mas na resistência. Nesta sexta-feira, vimos Gael sentir problemas no começo do segundo set. No entanto, num saibro lento, é bem provável que vejamos um duelo de ataque contra defesa, estilos que cada francês executa muito bem.

A nova Paula
A decisão de se dedicar mais à carreira de duplas em 2016 parece ter feito muito bem a Paula Gonçalves. Talvez livre do peso de buscar um grande resultado, ela está jogando simples cada vez melhor. Depois da campanha inesperada no Rio Open, em que saiu do quali para as quartas, agora está na semifinal de Bogotá. É outro tremendo resultado para o tênis feminino brasileiro, que viu Teliana Pereira levar o título no ano passado.

Na WTA, disparar no ranking quase nunca é fácil. Paula deve subir 50 posições e aparecerá entre as 175 na segunda-feira, o que já se transforma num feito, até porque figurar no top 200 tem sido historicamente raridade para as meninas brasileiras. Observe-se que a pupila de Carlos Kirmayr, 25 anos, gosta também da quadra dura e joga muito bem duplas. Vale ficar de olho.

E por falar em dupla, a gaúcha Gabriela Cé está na final de Bogotá. Definitivamente, tenista brasileiro adora jogar por lá.

E o saibro ganha outro candidato
Por José Nilton Dalcim
20 de fevereiro de 2016 às 00:17

Pouco a pouco, o austríaco Dominic Thiem mostra que poderá ser uma grande força na importante temporada do saibro europeu que se aproxima. Que ele é um especialista no piso, não se discute. Porém sua trajetória no circuito sul-americano o coloca imediatamente num outro patamar, tanto de eficiência, como de maturidade e até de ranking.

Thiem já derrotou nada menos que Rafa Nadal e David Ferrer no saibro. Eles não são os mesmos? Parecem mais frágeis, porém ninguém os descartará da lista de candidatos a Monte Carlo, Roma ou Paris. Aliás, o austríaco de 21 anos também passou por Pablo Carreño, Nicolás Almagro e Pablo Andujar, ou seja, está fazendo fila de espanhóis em plena terra batida. Note-se que sua outra vitória sobre um top 10 foi diante de Stan Wawrinka, também no saibro, em Madri.

A atuação contra Ferrer foi espantosa. Quando se imaginava que ele estaria cansado da maratona e que a quadra pesada – choveu demais outra vez no Rio – favoreceria ainda mais Ferrer, o austríaco deu um show. Saiu de 1/3 ainda sem ritmo para um domínio absoluto em todos os setores da quadra, com um jogo agressivo, variado, excelente movimentação. É obviamente favorito contra Guido Pella e com isso já garantiu um inédito 15º lugar no ranking. Se ganhar o Rio, estará a 400 pontos do top 10. Que salto.

Frustração enorme com a contusão no ombro de Alexandr Dolgopolov, que deu vaga para Nadal na semifinal pelo terceiro ano consecutivo. O ucraniano diz ter sentido na dupla e a contusão se agravou no aquecimento. Nem sabe se irá a Acapulco. O Rio Open, aliás, viu um festival de jogos incompletos e desistências em suas quatro chaves. Pablo Cuevas confirmou contra Federico Delbonis mas é difícil imaginar que possa dar muito trabalho a Nadal, ainda mais à noite, quando a quadra fica ainda mais lenta.

No feminino, destaque para a luta de Paula Gonçalves em sua derrota sofrida nas quartas de final. Pareceu lenta a partir do segundo set, com certa dificuldade em pontos mais longos, e a providencial chuva lhe deu tempo para recuperar a energia. Buscou o segundo set, caiu de rendimento de novo mas continou brigando. A derrota foi duplamente sofrida, porque ir à semi lhe daria vaga direta na chave de simples do WTA de Acapulco da próxima semana, onde a paulista irá para as duplas.