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Histórico ‘Fedal’ africano mantém tênis em alta
Por José Nilton Dalcim
5 de fevereiro de 2020 às 09:18

A temporada mal teve 30 dias de bola rolando e o tênis já vai para seu terceiro grande evento. Depois do sucesso retumbante da ATP Cup e de um Australian Open repleto de emoções, será a vez de um ‘Fedal’ em plena África que muito provavelmente baterá o recorde de público com a boa causa de arrecadar fundos para ajudar crianças carentes.

Roger Federer sempre teve forte ligação com a África do Sul, já que sua mãe nasceu lá e onde adquiriu cidadania. Ele já fez ações pelo continente em prol de sua Fundação, mas jamais jogou tênis, o que também é inédito para Rafael Nadal. A contusão sofrida na perna em Melbourne colocou dúvida sobre a realização do evento, mas Federer desembarcou terça-feira e garantiu estar em condições.

O ‘Match for Africa’ foi criado pelo suíço em 2010. Naquele ano, o ‘Fedal’ teve duas edições, uma na Suíça e outra na Espanha no dia seguinte. Quatro anos depois, Roger se exibiu contra Stan Wawrinka e em 2017 enfrentou Andy Murray e meses depois John Isner. Em 2018, convidou Jack Sock.

Nestes dois últimos eventos, Bill Gates se integrou à ação e jogou duplas com Federer, o que se repetirá em Johanesburgo nesta sexta-feira. A ESPN mostra a dupla e a simples a partir das 14h30 de Brasília.

Federer se exibiu com Alexander Zverev numa arena de touros no final de novembro, na Cidade do México, com 42.217 pessoas na plateia. O recorde deverá ser quebrado agora na Cidade do Cabo, já que todos os ingressos foram vendidos em minutos no ano passado e a capacidade do estádio é de 50 mil pessoas. Um lote de 10 mil entradas custou apenas R$ 45.

A Fundação do suíço já arrecadou US$ 52 milhões ao longo de sua existência e beneficiou 1,5 milhão de crianças em seis países africanos, com ações sempre voltadas à educação e saúde. Estima-se que este novo ‘Match for Africa’ já tenha levantado US$ 1 milhão.

Maior clássico do tênis atual, Federer e Nadal já fizeram decisões inesquecíveis e também protagonizaram em 2007 um espetacular evento que tinha metade da quadra de saibro e a outra metade de grama. Vale recordar no vídeo abaixo. O evento aconteceu em Mallorca.

Semanas quentes
Novak Djokovic e Federer prometem jogar Dubai antes de Indian Wells, enquanto Nadal irá se preparar outra vez em Acapulco. Dominic Thiem resolveu descansar e se limitará ao Rio. Vamos dar uma olhada na composição dos torneios das próximas três semanas:

Buenos Aires –  Berrettini, Schwartzman, Lajovic, Pella e Coric
Roterdã – Medvedev, Tsitsipas, Monfils, Goffin,  Fognini, Bautista, Rublev e Shapovalov
Nova York – Isner, Kyrgios, Raonic e Querrey

Rio – Thiem, Berrettini, Schwartzman, Lajovic, Pella e Coric
Marselha – Medvedev, Tsitsipas, Goffin,  Fognini e Shapovalov
Delray Beach – Nishikori, Kyrgios, Fritz e Raonic

Dubai – Djokovic, Federer, Tsitsipas, Monfils, Fognini e Bautista
Acapulco – Nadal, Zverev, Berrettini, Wawrinka, Isner e Kyrgios
Santiago – Schwartzman, Pella, Coric e Garin

Doação de livros
O Instituto Próxima Geração está montando uma biblioteca com livros sobre tênis para ser usada por suas crianças (o projeto atende mais de 100 estudantes em São Paulo), mas também estará aberta ao público. Quem quiser e puder fazer doações de livros – valem também temas voltados à parte de preparação física -, contatar Douglas Santana pelo email tenissantana@hotmail.com.

A ciência do tênis
Franco Morais teve uma iniciativa que vale a pena conferir: um blog que procura abordar o tênis de forma científica, mas com linguagem acessível. Os artigos estão sempre bem embasados. Acessem:  tenniscience.com.br

Festa russa em Cincinnati continua
Por José Nilton Dalcim
17 de agosto de 2019 às 23:02

Entre tantas surpresas que a temporada 2019 nos tem reservado, a virada de Daniil Medvedev em cima de Novak Djokovic na semifinal de Cincinnati está facilmente entre os resultados menos esperados. De repente, o sérvio perdeu a consistência e a confiança, dando ao russo forças inimagináveis para um final de partida soberbo.

Em sua terceira final em semanas consecutivas, agora com duas vitórias seguidas sobre o número 1 do mundo em pisos bem distintos, Medvedev terá uma nova chance de conquistar seu primeiro troféu de Masters 1000 e, por que não, se tornar a maior ameaça ao Big 3 no tão próximo US Open.

Uma coisa é certa: a temporada verá o terceiro campeão inédito de Masters, já que o outro finalista é o belga David Goffin, que nunca chegou tão longe nesse nível. Quem vencer, se juntará a Dominic Thiem (Indian Wells) e Fabio Fognini (Monte Carlo). Isso iguala 2017 (Alexander Zverev, Grigor Dimitrov e Jack Sock) e 2018 (Juan Martin Del Potro, John Isner e Karen Khachanov).

Assim como fez Nole ao final do jogo, teremos todos de cumprimentar Medvedev por sua resiliência. Foi jogado de um lado para outro no primeiro set, pediu atendimento para dor muscular no braço direito e fez coisas fora do seu padrão para se tornar competitivo, ora com curtinhas, ora com voleios. Cravou até ace de segundo saque. Bastou um vacilo de Djokovic, uma queda repentina de intensidade, para o russo obter a primeira quebra e ganhar vida nova. Dominou o jogo a partir daí com extrema coragem e empenho físico. Incrível.

Estará agora diante de Goffin pela terceira vez na temporada, tendo vencido em sets diretos no Australian Open e perdido um jogo duríssimo na terceira rodada de Wimbledon, em que chegou a liderar por 2 sets a 1. É meu favorito natural ao título, mas tudo indica que terá de jogar o máximo outra vez.

Aos 28 anos, Goffin parece ter se reencontrado e curiosamente não foi sobre o saibro, mas na grama, onde somou 10 vitórias, com vice em Halle e quartas em Wimbledon, o que o levou de volta ao top 20. Não por acaso, Cincinnati também é um piso bem mais veloz e ele tem feito um jogo propositivo. Dominou Richard Gasquet com 27 winners (contra 15) e 14 erros (frente 23).

Semi no ano passado, quando abandonou pela metade a partida contra Federer, Goffin enfim terá chance de conquistar um grande título, algo que escapou no Finals de 2017. Na verdade, ele não ganha um torneio há 22 meses. Possui apenas quatro troféus na carreira em 12 finais anteriores e um único ATP 500, em Tóquio.

Kuznetsova amplia festa russa
A chave feminina também tem um grande destaque russo: a veterana Svetlana Kuznetsova, de 34 anos, dá a volta por cima a uma fase cheia de problemas físicos e é responsável direta pela permanência de Naomi Osaka na liderança do ranking, já que acabou com o sonho de Karolina Pliskova e de Ash Barty. Aliás, sua campanha em Cincinnati inclui três vitórias sobre top 10.

Fato curioso, Sveta teve problemas com visto para entrar nos Estados Unidos e por isso não defendeu o título de Washington e quase encerrou o calendário. De volta ao top 70, enfrentará na decisão a tenista da casa Madison Keys, que também atravessa um ótimo momento e a quem jamais venceu em três duelos. Keys eliminou Simona Halep, Garbine Muguruza e Venus Williams. Precisa do maior título da carreira para retornar ao grupo das 10 melhores. Esta final promete.

E mais
– A semana incrível do tênis russo em Cincinnati teve também a vitória de Andrey Rublev sobre Federer e o duelo tenso e confuso de Khachanov em cima de Nick Kyrgios.
– Medvedev é o tenista com maior número de vitórias na temporada, com 43, uma a mais que Rafael Nadal e três sobre Roger Federer.
– Ele também lidera em triunfos na quadra dura, agora com 30, bem cima das 20 de Bautista Agut e Stefanos Tsitsipas.
– Goffin enfim chega a sua primeira final de Masters depois de quatro tentativas frustradas. Saindo do saibro em junho, era 33º do mundo, sua mais baixa classificação desde 2014.
– Nadal chegará ao US Open como líder do ranking da temporada, 140 pontos à frente de Djokovic, o que é mais um ingrediente saboroso para Nova York.
– Thiago Monteiro irá reaparecer no top 100 na segunda-feira. Conseguiu vaga direta e joga o ATP 250 de Winston antes do US Open, mas a estreia é dura contra o garoto australiano Alexei Popyrin.