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Pouco exigido, Nadal se poupa para o US Open
Por José Nilton Dalcim
12 de agosto de 2019 às 01:09

Mesmo tendo jogado apenas 15 games em todo o fim de semana vitorioso em Montréal, o espanhol Rafael Nadal manteve a postura que havia ensaiado após Wimbledon e se retirou no final da noite de domingo da chave de Cincinnati.

Claro que parece muito mais uma questão de cautela porque não houve qualquer indício de problemas físicos ou desgaste excessivo no Masters canadense. A bem da verdade, apenas seu jogo de estreia contra Daniel Evans foi mais exigente. O espanhol perdeu um set feio para Fabio Fognini nas quartas, mas depois atropelou o italiano. Nem entrou em quadra no sábado com o abandono de Gael Monfils e cedeu meros três games a Daniil Medvedev na final. Não resta dúvida que Rafa pensa acima de tudo em Nova York.

Ganhar dois Masters em semanas consecutivas é uma tarefa difícil para qualquer tenista, mas Nadal já fez isso na quadra dura na sua inesquecível temporada de 2013, faturando Montréal e Cincinnati antes de triunfar também no US Open, o que é até hoje seu mais notável domínio sobre a superfície sintética.

A ausência no entanto é um tanto frustrante. Em primeiro lugar, porque acaba de reassumir a liderança do ranking da temporada. abrindo 500 pontos de Novak Djokovic, o que abre perspectiva de luta pelo número 1 lá em novembro. E ainda viu um sorteio muito favorável, o que lhe daria chance de um punhado de vitórias sem grande esforço.

Pior ainda, a formação da chave jogou Djokovic e Roger Federer no lado de cima, obrigando os dois finalistas do ano passado a um possível cruzamento mais precoce. Para azar da ATP, a chave de simples foi iniciada no domingo e assim sequer houve chance de se tentar realocar um cabeça 17 no lugar de Nadal. Entrou adiantado na segunda rodada o lucky-loser Mikhail Kukushkin.

Sem emoções
O fim de semana nos grandes torneios canadenses foi bem sem graça. Em Montréal, Monfils obrigou os organizadores a devolver o ingresso da sessão noturna e a final de domingo foi um passeio de Nadal, que voltou a sacar muito bem e teve postura tática impecável ao misturar efeitos o tempo todo.

Como é bem comum, o primeiro duelo que se faz diante de Nadal deixa o tenista bem perdido e Daniil Medvedev não fugiu à regra. Sem achar um buraco no fundo de quadra, tentou ir à rede, o que está longe de ser sua praia, e chegou a se posicionar para o saque lá na linha de dupla. Desespero total e seu quarto vice em cinco finais na temporada.

Em Toronto, a tão aguardada decisão entre Serena Williams e Bianca Andreescu conseguiu ser ainda mais insossa. Na procura do primeiro título desde o Australian Open de 2017, Serena sentiu as costas, jogou apenas quatro games e novamente foi às lágrimas, embora desta vez tenha enchido a canadense de merecidos elogios.

Tenista de 19 anos que não tem medo de bater na bola ou de arriscar algo diferente, Bibi garante que o segredo do seu sucesso está muito mais na cabeça do que no físico. Conta que treina a parte mental com a mesma relevância da técnica e da tática. Belo exemplo a ser seguido.

O tênis se agita em três capítulos
Por José Nilton Dalcim
26 de julho de 2019 às 10:15

Em menos de 24 horas, três notícias sobre as principais estrelas do circuito masculino agitaram a semana que parecia tão morna. Vamos a elas:

Djokovic decide descansar
Os promotores do Masters 1000 do Canadá não devem ter gostado nada da decisão de Novak Djokovic em estender seu descanso pós-Wimbledon e só voltar às quadras para defender seu título em Cincinnati, único preparativo para também tentar reter o troféu do US Open.

O sérvio não deu desculpas e deixou claro que precisa de mais tempo para estar totalmente competitivo. No ano passado, ele saiu da inesperada conquista em Wimbledon para Toronto e nem passou das oitavas. Indisposto a cometer o mesmo engano agora em Montréal, onde o piso é ainda mais lento, ele preferiu atrasar seu retorno ao circuito em uma semana. Para mim, faz todo sentido. Se foi possível ganhar outra vez Wimbledon apenas treinando firme na grama, por que seria diferente no US Open?

Montréal também já havia ficado sem Roger Federer e estava na verdade preocupada com a ausência do atual campeão Rafael Nadal. O espanhol deu a entender que não disputaria os dois Masters antes de Nova York para se precaver do joelho. Mas agora, com o caminho bem mais livre, é possível que opte mesmo por saltar o piso muito mais veloz de Cincinnati, a menos é claro que tenha uma atuação desastrosa no Canadá.

A estranha excursão de Federer
Coisa rara de se ver num final de temporada, Roger Federer já anunciou três jogos de exibição pela América Latina em novembro, percorrendo Chile, Argentina e México, indo muito provavelmente também à Colômbia. Os adversários podem ser Alexander Zverev – que não pretende mesmo jogar a fase final da Copa Davis em Madri – ou Dominic Thiem.

Mas o que causa espanto é que a partida a ser feita em Santiago está marcada para 18 de novembro, imediatamente após a decisão de domingo do ATP Finals de Londres. Como Federer está potencialmente classificado para o torneio que encerra a temporada – soma mais de 5 mil pontos em 2019 -, fica a impressão de que ele não acredita muito em ir longe na arena O2.

A exibição no México, a ser promovida numa arena de touros que pode abrigar até 41 mil pessoas, está marcada para dia 23 de novembro. O agente Tony Godsick afirmou que não apareceram interessados para organizar um jogo no Brasil. O cachê estimado de Federer em cada exibição é de 1 milhão de euros.

Lendl está disponível
Sem papas na língua, Zverev fez absurdas críticas públicas ao então técnico Ivan Lendl assim que pisou em Hamburgo, em resposta ao bombardeio da imprensa local sobre sua má fase tão prolongada. Colocou boa parte da culpa no treinador, a quem acusou de não se focar no trabalho como deveria. Algo aliás bem semelhante ao que fez com o espanhol Juan Carlos Ferrero.

Lendl então se demitiu do cargo, como aliás já deveria ter feito há algum tempo. Zverev é bem conhecido por sua personalidade difícil e também está em atrito grande, e judicial, com o ex-agente, o chileno Patricio Apey. Alguns jornalistas alemães já diziam no começo desta semana que Zverev procurava um novo técnico antes mesmo de rescindir o contrato com Lendl.

Não por acaso, Boris Becker comentou logo depois das declarações infelizes de Zverev que ‘algo havia acontecido’ entre ele e Lendl após o título espetacular no Finals de Londres, sem entrar em detalhes. Becker sempre é cogitado como o homem capaz de colocar o garoto nos trilhos. Mesmo estando em situação financeira complicada, é difícil saber se o tricampeão de Wimbledon se mostrará disposto a carregar o fardo. O pai Zverev dá muito palpite.

P.S.: Bia Haddad também foi submetida a exame antidoping durante sua campanha em Wimbledon. E isso pode ser uma boa ou uma má notícia. Caso nada seja encontrado no exame, ajudará muito na defesa. Se no entanto se repetir o positivo dos testes de Bol, a situação ficaria bem grave. Especialistas que falaram comigo nos últimos dias acham difícil ela escapar da suspensão de dois anos.

Nadal é única ameaça ao nº 1 de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
16 de julho de 2019 às 23:34

Com um título, um vice e uma semifinal de Grand Slam na temporada, o espanhol Rafael Nadal é o jogador com condições reais de brigar com o sérvio Novak Djokovic pela ponta do ranking. Ainda que seja possível uma luta direta no US Open, a probabilidade maior é de os dois chegarem próximos ao Finals de Londres e decidirem ali, bem na reta final da temporada, a outra grande honraria do tênis profissional.

Vejamos um ‘passo a passo’ numérico do que pode acontecer nos próximos meses:

1. Canadá e EUA
Embora seja matematicamente possível Nadal superar Djokovic após o US Open, neste momento isso parece bem pouco provável. A temporada que ambos deverão jogar nas quadras duras inclui três torneios; Canadá, Cincinnati e US Open, com total possível de 4.000 pontos.

Para que tenha chance de brigar pelo posto em Nova York, Nadal terá de ganhar os três torneios, o que elevaria seu total em 2.280 pontos e o levaria para 10.225 (defende 1.000 no Canadá e não somaria nada, não jogou Cincy e parou na semi do US Open em 2018).

A Djokovic, no entanto, bastaria ser quartas nos dois Masters e oitavas no US Open para marcar os 900 pontos necessários e repetir os mesmos 10.225. Ele só venceu um jogo no Canadá no ano passado e defende os títulos de Cincy e do US Open.

Mais realista, a melhor situação para Nadal seria ganhar os três torneios em cima de Djokovic – serão cabeças 1 e 2 – e assim ele reduziria a diferença atual em 2.970 pontos e os dois iriam para a fase asiática com vantagem do sérvio de 1.500.

2. Asian Swing
Ainda que consiga essa notável reação, Nadal continuaria com dificuldade de recuperar a liderança nos torneios que ele e Djoko devem jogar na Ásia, mesmo lembrando que a partir do US Open o espanhol não defende mais qualquer ponto no ranking.

A previsão é de Rafa jogar como sempre em Pequim. Djoko já anunciou que irá a Tóquio. O natural é cada um vencer seu ATP 500. Já em Xangai. o sérvio defende os 1.000 pontos e não pode somar. Mesmo um novo título de Nadal sobre Djoko seria insuficiente, porque causaria redução de 1.400 pontos.

3. Piso coberto europeu
Chegaríamos então aos três últimos torneios da temporada. Os dois podem entrar nos 500 de Viena e da Basileia, com chance de somar tudo, mas em Paris o sérvio foi vice e precisará repetir 600 pontos.

Por fim, virá o Finals de Londres, onde Djoko novamente foi vice e defende 1.000 pontos.

4. Corrida simplifica
Como se pode ver, a expectativa por uma briga pelo número 1 só pode ocorrer mesmo lá na reta final do calendário, quem sabe outra vez na arena O2, como aconteceu entre Djokovic e Andy Murray em 2016.

Por isso mesmo, acho que a disputa toda particular entre Djokovic e Nadal pela liderança mereça ser acompanhada não pelo ranking tradicional – onde está bem claro que dificilmente o sérvio perderá o posto antes de novembro -, mas sim pelo ranking da temporada, a tal Corrida para Londres.

Nessa disputa, os números estão bem mais próximos. Djokovic lidera com 6.725, e Nadal está exatamente 500 atrás, com 6.225. Na classificação da temporada, apenas se acrescentam os pontos conquistados e então este será o termômetro mais adequado para saber se o espanhol vai ter ou não a oportunidade de recuperar o topo da lista.

Claro que matematicamente há pelo menos três outros jogadores que podem engordar essa briga: Roger Federer (5.060 pontos em 2019), Dominic Thiem (3.315) e Stefanos Tsitsipas (2.995). Mas qualquer esperança residiria em marcar no mínimo 2.000 a mais que Djokovic e Nadal até o fim do US Open, o que convenhamos é uma tarefa quase hercúlea.

E mais
– Djokovic alcançou a 260ª semana como número 1 e deverá empatar com Jimmy Connors assim que acabar o US Open (268), mirando fatalmente Ivan Lendl (270). Se terminar o ano na ponta, alcançará Sampras (286) na segunda semana de janeiro e aí estará 24 atrás do recordista Federer (310).
– Agora, o Big 3 lidera todas as três primeiras posições dos que ficaram mais tempo no top 2: Federer (528), Nadal (513) e Djokovic (391).
– Faltam 4 semanas para Nadal superar Agassi em semanas no top 10 (747 a 743) e assumir o terceiro posto.

Desafio Wimbledon
Oito internautas apontaram que Djoko venceria Federer na final de Wimbledon por 3 sets a 2, mas quem chegou mais perto do placar foi Bruno Vieira, que cravou 7/5 2/6 5/7 7/6 11/9, em 4h55. Ele poderá escolher entre a biografia de Federer ou de Djokovic, grandes sucessos da Editora Évora.