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Thiem rouba a cena
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2019 às 22:49

Num grupo tão forte, Dominic Thiem só precisou de duas vitórias para atingir a primeira semi do Finals em sua carreira. Mas foram dois triunfos de gabarito inigualável: depois de dominar Roger Federer em dois sets apertados, ele conseguiu virar em cima de Novak Djokovic num tiebreak decisivo maluco, o que também foi seu primeiro sucesso em quadra dura sobre o sérvio.

Com isso, o austríaco se classifica como líder do grupo e vai assistir ao jogo de morte entre Nole e Federer na quinta-feira, onde quem vencer se classifica. Aos que ainda duvidam das qualidades de Thiem, ele já derrubou o Big 3 por seis vezes nesta temporada.

Jogo magnífico de final incrível
Djokovic e Thiem fizeram um primeiro set de nível notavelmente alto, expondo seu melhor. Mesmo decidido no tiebreak, o sérvio saiu com apenas dois erros não forçados. O austríaco fez pequena mudança, e foi feliz. Usou mais slices para alternar o ritmo das trocas no segundo set e com isso conseguiu comandar mais com o forehand. Confiante, também soltou o backhand na paralela.

Liderou ainda o terceiro set até 3/1, se apressou e viu Djoko reagir. Mas mesmo com o sérvio tendo 4/3 e 5/4, segurou a cabeça e, inesperadamente, quem falhou na parte mental foi o número 2 do ranking. Fez um game horrível e permitiu que Thiem sacasse para o jogo com 6/5. O austríaco no entanto também não mostrou confiança, cedeu o empate e desabou no começo do tiebreak.

Erros incríveis deram 3-0 e dois saques a Djoko e aí então pode ter vindo o ponto crucial para o sérvio, quando errou uma bola boba na rede. Atrás por 1-4, Thiem iniciou uma reação inesperada, mescla de ousadia e de muita sorte, chegou a 6-4 e perdeu match-point. Na hora de empatar, Djoko deixou de ser aquele tenista frio e não sustentou a troca. Na entrevista obrigatória, não escondeu o mau humor.

O histórico – Thiem ganhou de Djokovic pela quarta vez nos últimos cinco jogos, sendo duas em Roland Garros e outra em Monte Carlo. Aliás, a vitória deste ano em Paris teve um final tão dramático como o de hoje. Naquele sábado, Thiem fez 4/1, permitiu reação, mas sacou para o jogo com 5/4. Deixou escapar dois match-points e acabou vencendo no saque do sérvio, que não segurou os nervos.

A estatística – Thiem marcou 50 winners, sendo 32 de forehand, e fez mais do dobro dos erros (44 a 21, sendo 23 de forehand). Não menos curioso é o fato de ganhar de Djokovic com apenas 57% de primeiro saque em quadra. A quantidade de pontos define com precisão o quão apertada foi a partida: Thiem ganhou 110 pontos e Djoko, 108.

O ponto crucial – Acho que faltou um pouco de ofensividade a Djokovic, um tenista que geralmente toma a iniciativa dos pontos. Talvez Nole tenta apostado demais na sua capacidade defensiva, que aliás foi excepcional, principalmente quando reagiu no final do terceiro set. Talvez ali pudesse ter se imposto mais e acuado Thiem. De qualquer forma, foi um duelo decidido em detalhes mínimos.

Federer melhora e respira
A atuação de Roger Federer foi bem melhor do que na estreia, embora o italiano Matteo Berrettini tenha nível distinto de Thiem neste momento. O primeiro set só viu um break-point, que na verdade foi set-point para o suíço. A partir do tiebreak, Federer enfim impôs sua maior categoria, saiu com quebra no segundo set e administrou muito bem até a vitória.

O histórico – Federer ganhou o segundo duelo contra Berrettini sem perder sets, mas foi muito diferente da partida vencida com facilidade em Wimbledon. Até hoje, nenhum italiano somou ao menos uma vitória no Finals, que existe desde 1970 e já viu participações de Adriano Pannatta e Corrado Barazzutti. O tênis italiano portanto está 0-8.

A estatística – Com 67% de primeiro saque em quadra, Federer ganhou 50 de seus 67 pontos de serviço, o que é um percentual bem aceitável num piso que está razoavelmente rápido. Isso também permitiu que ele salvasse os três break-points que cedeu.

O ponto crucial – Com 5/3 no segundo set, Federer jogou seu pior game de serviço, ofereceu 15-40 e depois mais um break-point, em momentos raros em que Berrettini conseguiu devolver com qualidade. O suíço fechou a porta sempre com o saque afiado.

A quarta-feira
Rafael Nadal e Daniil Medvedev perderam na estreia e assim revivem a final do US Open em duelo um tanto dramático, já que uma nova derrota dificultará muito a classificação para a semi. O espanhol seria favorito, mas mostrou muitas fragilidades na segunda-feira, especialmente com a bola curta e o forehand inseguro. É jogo para três sets.

Vencedores de estreia, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev se sentem à vontade num piso mais veloz. Já fizeram quatro duelos, mas somente o primeiro foi vencido pelo alemão. O grego ganhou neste ano em quadras rápidas, como Madri e Pequim, e possui mais recursos técnicos do que Sascha. O alemão sacou muito contra Nadal e deve apostar outra vez nessa arma.

Tabus quebrados
Por José Nilton Dalcim
11 de novembro de 2019 às 21:02

Rafael Nadal e Daniil Medvedev entraram em quadra para a estreia no ATP Finals com a mesma vantagem histórica: 5 a 0. Mas Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas não deram bola para isso e tiveram atuações muito boas. O atual campeão, claro, se prevaleceu de um ritmo incerto do espanhol, que errou muito com o forehand. Mais jovem dos participantes deste ano, o grego fez uma bela exibição e se candidata a surpresa.

Inseguro, Nadal se complica
De volta à quadra após a contusão no abdome de Paris, o que mais falhou em Nadal não foi o saque, mas seu desempenho no fundo de quadra. A insegurança era evidente com as bolas curtas, o forehand descalibrado, ‘madeiradas’ e até mesmo pernas atrasadas para chegar no ponto ideal de golpear. Isso ajudou, mas não tira o mérito de Zverev, que fez sua parte: abusou da força do saque, tomou postura ofensiva e se defendeu muito bem. Na entrevista oficial, Nadal garantiu estar sem dor e que seguirá no torneio.

O histórico – Nos dois primeiros jogos que fizeram, quando Zverev ainda era uma promessa, o alemão teve grande chance de vitória. Depois, só tirou 1 de 9 sets disputados e levou por quatro vezes a lavada de 6/1. Mentalmente, era um desafio e tanto para o alemão.

A estatística – Dado essencial sobre o forehand dos dois jogadores: Zverev, que tem no backhand seu porto seguro, fez metade de seus 28 winners com o forehand. Já Nadal, cuja confiança é diretamente proporcional à precisão do forehand, errou 13 vezes com o golpe de seu total de 19 falhas na partida.

O ponto crucial – Perdendo por uma quebra e 3/4 no segundo set, Nadal saiu com grande devolução e aí errou um forehand facílimo de meio de quadra. Ainda chegou a 15-30 e bateu outra bola torta de forehand. Nem sombra daquele espanhol frio e calculista, que nessas horas faz o adversário pensar, abusa do topspin e o desloca pela quadra.

Tsitsipas em grande estilo
Dois estreantes em Finals, Tsitsipas e Medvedev fizeram um jogo outra vez muito disputado e não mostraram o nervosismo imaginado. Ao contrário, houve muito lance bem armado dos dois lados. O grego saiu de quadra radiante e, ao tirar esse peso das costas, pode ficar muito perigoso na arena O2.

O histórico – Apesar do placar de 5 a 0, Medvedev sempre teve trabalho para ganhar do desafeto Tsitsipas. O russo havia vencido neste ano no lento Monte Carlo e no veloz Xangai.

A estatística – Tsitsipas ganhou 89% dos pontos em que acertou o primeiro saque (39 de 44) e não permitiu um único break-point ao russo, numa atuação arrojada mas bem controlada.

O ponto crucial – Tsitsipas claramente fez uma opção ofensiva durante toda a partida e o voleio milimétrico na paralela que fez no 5-5 do tiebreak certamente teve peso enorme (foi 17 vezes à rede no set e ganhou 13 pontos). Concretizou o set com forehand agressivo e seu 16ª winner. O russo tentou essa variação num momento delicado, 4/4 do segundo set, e se deu muito mal, porque voleios não são sua praia.

A briga pelo número 1
A derrota precoce de Nadal muda o quadro na luta particular que ele trava com Novak Djokovic para ver quem terminará a temporada na liderança do ranking. A situação melhorou para o sérvio, que agora só depende de si mesmo, ainda que tenha de ganhar todos seus jogos para marcar os 1.500 pontos. Reforçando: se for campeão invicto, Nole recupera o posto, nem que Nadal seja seu adversário da final. É importante lembrar, no entanto, que Djokovic precisa chegar no mínimo à final com duas vitórias na fase de grupos, mesmo que Rafa abandone o torneio ou não vença qualquer partida.

A terça-feira
Roger Federer e Matteo Berrettini abrem a rodada às 11h na tentativa de reagir e sonhar com a semi. O suíço tem o favoritismo natural. No duelo deste ano em Wimbledon, cedeu apenas cinco games, optando por slices venenosos e pelo ataque ao backhand instável do italiano.

Djokovic e Dominic Thiem fazem o grande duelo da segunda rodada às 17h. O sérvio lidera por 6 a 3 nos confrontos, mas o austríaco levou a melhor em 3 dos 4 duelos mais recentes, embora todos no saibro. Claro que o histórico espetacular no torneio dá vantagens importantes para Djokovic, mas ele terá de tomar cuidado o tempo todo, porque Thiem sabe bem o caminho para incomodá-lo: bolas com spin centralizadas e ataque pelas paralelas.

Djoko confirma, Federer no sufoco
Por José Nilton Dalcim
10 de novembro de 2019 às 22:43

O duelo entre Roger Federer e Dominic Thiem era sem dúvida o grande jogo da primeira rodada dos grupos do Finals, e a vitória justíssima do austríaco coloca o suíço sob grande pressão. A lógica diz que terá de vencer não apenas Matteo Berrettini, o que não é difícil, mas agora o próprio Novak Djokovic. Complicou.

Djokovic atropela Berrettini
Jogo de apenas 64 minutos, que só não foi mais desequilibrado porque o sérvio cedeu uma quebra boba no segundo set. Aliás, se mostrou muito irritado com isso, sinal evidente do quanto está exigente já neste início de Finals.

O histórico – Primeiro duelo entre os dois com um currículo absolutamente desigual no Finals. Enquanto o italiano fez sua estreia, Djokovic tem agora 54-9.

A estatística – Dos 18 erros não forçados no primeiro set de Berrettini, nada menos que 12 foram com sua principal arma, o forehand.

O ponto crucial – Djokovic reuniu dois atributos fenomenais para dominar totalmente a partida. Se de um lado só perdeu oito pontos com o serviço – quatro com o primeiro -, de outro colocou enorme pressão sobre Berrettini ao ser muito consistente nas trocas. Cometeu apenas sete erros não forçados, três deles no primeiro set.

Grande de noite de Thiem
De um lado, um tenista muito sólido no fundo, confiante para soltar o braço na hora do aperto e atento nos contragolpes. Do outro, pernas um tanto lentas, o que pode explicar erros em voleios, smash e forehands fáceis. Pela terceira vez no ano, Dominic Thiem superou Roger Federer. Já não pode ser considerado uma surpresa.

O histórico – Thiem havia mostrado em Indian Wells e Madri que quando seus golpes estão afiados é difícil para Federer ter respostas para seu volume de jogo. Repetiu a dose neste domingo e agora já tem um placar geral nada desprezível de 5 a 2 sobre o suíço, com triunfos no saibro, grama, sintético aberto e coberto.

A estatística – Federer ganhou apenas 12 das 22 investidas à rede, venceu 48% dos pontos com o segundo serviço e encarou o primeiro saque de Thiem em média a 199 km/h.

O ponto crucial – Thiem quebrou antes. logo no game de abertura da partida, permitiu reação mas capitalizou com sucessivos erros quando Federer tentava levar ao tiebreak. O fundamental no entanto foi salvar os três break-points que encarou no segundo set: um no 2/2 e dois quando sacava para fechar no 6/5, todos com sangue frio, primeiro serviço menos forçado mas profundo.

A segunda-feira
Daniil Medvedev entra em quadra às 11h com 5 a 0 nos duelos contra Stefanos Tsitisipas e nos mais variados pisos. Neste ano, já ganhou na lentidão de Monte Carlo e no veloz Xangai. É o favorito natural. Os dois jogam Finals pela primeira vez e devem haver tensão no início.

Rafael Nadal também tem 5 a 0 sobre Alexander Zverev, mas obviamente existe a dúvida sobre seu estado físico. Pelos treinos, mexeu um pouco no movimento do saque e isso pode ser um problema, porque nada pior para um tenista do que desviar a atenção tática para pensar na execução. Zverev pode se aproveitar disso se atacar com coragem o serviço do espanhol.

E mais
– Em sua sétima participação no Finals, Marcelo Melo e o parceiro polonês Lukasz Kubot iniciaram com vitória suada em cima de Ivan Dodig (com quem foi vice em 2014) e Filip Polasek. Eles enfrentam aogra Raven Klaasen/Michael Venus, que também venceram neste domingo.
– No Twitter, Melo não escondeu o desapontamento por seu jogo não ter sido transmitido pelo Sportv. Aliás, o canal não mostrou também a estreia de Djokovic.
– Mesmo jogando em casa, a Austrália vai continuar na fila por títulos na Fed Cup, que não conquista desde 1974. A festa foi francesa em Perth, com uma inesperada vitória de Kiki Mladenovic diante da número 1 Ash Barty e depois com grande desempenho nas duplas ao lado de Caroline Garcia. É apenas o terceiro troféu da França, repetindo 1997 e 2003.
– A partir da próxima temporada, a Fed Cup muda outra vez de formato e segue o padrão da nova Copa Davis, com fase final de 12 participantes. O Brasil jogará o quali de fevereiro contra a Alemanha em casa.
– Thiago Wild ficou perto de ganhar do espanhol Jaume Munar, que era 52 do mundo poucos meses atrás, mas cansou mentalmente a partir do tiebreak e não reagiu mais na semi de Montevidéu. De qualquer forma, termina a temporada com evolução de quase 250 posições, devendo aparecer nesta segunda-feira no 215º.
– Embora seja um torneio tão modificado que às vezes dificulta comparações, não resta menor dúvida que o garoto italiano Jannik Sinner tem futuro certo entre os tops do ranking e as vitórias sobre Alex de Minaur e Frances Tiafoe no Next Gen Finals apenas reforçaram isso.