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O top 10 da quadra dura na Era Profissional
Por José Nilton Dalcim
8 de maio de 2020 às 20:23

A avaliação dos melhores tenistas que já pisaram a quadra sintética ou dura também necessita de uma série de observações. A mais importante delas é que o primeiro Grand Slam sobre o piso só aconteceu em 1978, na terceira troca de superfície do US Open, e portanto qualquer tenista que tenha vivido um auge técnico anterior a isso, como Rod Laver ou Ken Rosewall, perderam a oportunidade.

Por outro lado, a partir de 1988 o circuito passou a ter dois Slam sobre a quadra dura, quando houve a substituição da grama no Australian Open. O piso sintético passou então a dominar o calendário e hoje corresponde a 70%. Vale por fim ressaltar que o ATP Finals só deixou de ser disputado sobre o carpete em 1990 e assim seus campeões ficaram de fora desta análise, ainda que o ‘tapete’ seja em última análise um piso sintético.

Vamos ver então como fica o top 10:

1. Novak Djokovic
Ainda que tenha menos títulos que Roger Federer (59 a 71) e ambos empatem em quantidade de Slam (11), o sérvio leva pequena vantagem por sua performance nos Masters (25 títulos e 9 vices contra 22 e 11). O sérvio é oito vezes campeão na Austrália e tri no US Open, onde fez outras cinco finais. Ele ainda ganhou o ATP Finals por cinco vezes e tem dois vices. No momento, soma 592 vitórias e 110 derrotas (84,3% de eficiência).

2. Roger Federer
Soma seis troféus em sete finais na Austrália e cinco de sete decisões nos EUA. Possui ainda o recorde de títulos e vices no ATP Finals (seis em 10) e de vitórias na quadra dura (782), com percentual de sucesso de 83,5%, inferior apenas à Djokovic entre jogadores com pelo menos 200 partidas disputadas.

3. Pete Sampras
De seus 36 títulos no piso duro, 12 são de grande qualidade: 2 na Austrália, 5 no US Open e 5 no ATP Finals. Tem ainda mais quatro vices, sendo três em Nova York. Marca é de 429-103, ou seja 80,6% de eficiência.

4. Andre Agassi
Tem sete troféus de peso na superfície, com 4 na Austrália e 2 no US Open, onde foi a outras quatro finais. Entre seus 46 troféus, consta também o do Finals, onde fez três vices. Chegou às mesmas 592 vitórias de Djokovic, porém com 158 derrotas (78,9%).

5. Ivan Lendl
Teria talvez uma colocação superior, mas suas oito decisões feitas no ATP Finals, com 5 títulos, vieram sobre o carpete. Ainda assim, ganhou 32 títulos na quadra dura e fez incríveis oito finais seguidas no US Open, vencendo três. Bi na Austrália, participou de três finais sucessivas (um quarto vice veio na grama). Índice de 82,8% de vitórias (400-83).

6. Rafael Nadal
Tenista de base que também se adaptou com maestria à quadra dura, totaliza no momento 10 finais de Slam: um título na Austrália (quatro vices) e quatro nos EUA (um vice). Alcançou ainda a medalha olímpica em Pequim e hoje sua performance é 481 vitórias e 135 derrotas (78,1%).

7. John McEnroe
Outro jogador que se portou melhor no carpete e assim tem números menores na dura. Venceu três de quatro finais no US Open, mas os três Finals vieram no tapete. Com 22 títulos, terminou com 289-65 (81,6%).

8. Andy Murray
De 34 títulos, três são especiais: US Open, o Finals e as Olimpíadas. Tem ainda mais seis vices de Slam, sendo cinco na Austrália, e 18 finais de Masters, com 12 troféus. Índice de sucesso: 78,2% (451-126).

9. Jimmy Connors
Aproveitou muito bem a explosão da quadra dura nos EUA. Chegou a 43 títulos (de seus 109), sendo três em Flushing Meadows. Seu único título de Finals foi sobre o carpete. Somou 488 vitórias e 99 derrotas, com 83,1% de sucesso.

10. Boris Becker
Não venceu tanto no piso – somou 16 títulos -, mas ganhou duas vezes na Austrália e outra no US Open, uma campanha excelente para o baixo índice de jogos no piso (220 vitórias em 285 jogos, com 77,2% de eficiência). Seus 2 títulos e 3 vices no Finals aconteceram no carpete.

Menções honrosas
Stefan Edberg ganhou 22 títulos e dois US Open, com três vices em Melbourne (seus títulos lá foram na grama). Mats Wilander ergueu os troféus dos dois Slam do sintético em 1988. Stan Wawrinka e Marat Safin foram uma vez campeão em cada torneio.

O top 10 da grama na Era Profissional
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2020 às 19:14

Além da dura tarefa de comparar gerações, o calendário sobre a grama na Era Profissional tem diferentes fases. O piso ainda estava em seu auge em 1968 e por isso nada menos que três dos quatro Grand Slam eram disputados na superfície natural do tênis, o que se seguiu até 1974.

Com o US Open adotando o har-tru em 1975,  dessa temporada até 1987 ainda havia dois Slam sobre a grama. Por fim, o Australian Open migrou para o sintético em 1988. Mas o peso do torneio australiano ao longo de sua trajetória sobre a grama também precisa ser um tanto relativizado, já que raramente atraia os melhores do mundo devido à distância.

Outra dificuldade óbvia é o fato de a grama jamais ter tido um Masters 1000. Dessa forma, o torneio de maior importância fora dos Slam sempre foi o do Queen’s Club, preparatório para Wimbledon, apenas muito recentemente elevado à condição de 500. E ainda há de se considerar que a grama dos últimos 15 anos é bem menos veloz do que foi até a década de 1990.

Por fim, observem que, ao contrário de muitos analistas, conquistas de duplas em Slam recebem atenção e podem provocar pequenas polêmicas. Vamos ao meu top 10 da grama:

1. Roger Federer
Sem discussão. Fez 12 finais em Wimbledon, conquistando oito delas, cinco consecutivas, período em que ficou 40 jogos invicto. Outros 10 troféus em Halle lhe dão mais dois recordes: 19 títulos no piso e 187 vitórias. Eficiência é de 87,4% (27 derrotas).

2. Pete Sampras
Outro gênio da grama ao mais puro estilo saque-voleio, norte-americano fez sete finais em Wimbledon e ganhou todas. Soma mais três troféus na grama, onde tem 101 vitórias e apenas 20 derrotas (83,5% de sucesso).

3. Bjorn Borg
Mudando radicalmente seu estilo mais afeito à base, atingiu incríveis seis finais consecutivas em Wimbledon e ganhou cinco delas, mantendo ainda o recorde de 41 jogos invictos. Tem mais dois troféus na grama, com 83,8% de vitórias (67-13).

4. John Newcombe
Mesmo ao retirar seus feitos como amador, ainda foi gigante, com cinco Slam na grama, sendo dois em Wimbledon, dois na Austrália e um nos EUA, num total de 7 finais. Ainda ganhou 9 troféus de duplas, 4 em Wimbledon. Tem quarta maior marca de vitórias (150).

5. Novak Djokovic
Fenômeno sobre a grama, sérvio foi outro que mostrou notável adaptação. Fez seis finais em Wimbledon e ergueu cinco troféus, além de ter dois vices em Queen’s e outro em Halle. Com isso, já soma 95 vitórias e apenas 18 derrotas no piso (84,1%).

6. John McEnroe
Talvez o maior canhoto da Era Profissional no piso, fez cinco finais seguidas em Wimbledon e levou três, com mais sete em Queen´s, onde foi tetra. Recorde de 121 vitórias e 20 derrotas (85,8%). Além disso, ganhou cinco troféus de duplas em Wimbledon.

7. Jimmy Connors
Canhoto de backhand de duas mãos e raquete de metal, ganhou os três Slam da grama em 1974 e venceu mais um Wimbledon oito anos depois. Tem mais cinco vices, sendo quatro em Wimbledon, onde ganhou uma dupla. Chegou a 185 vitórias e 38 derrotas (83%).

8. Rod Laver
Mais um canhoto, australiano de 1,73m teve pouco tempo no tênis profissional. Em 1969, foi o primeiro a ganhar os três Slam da grama (e Roland Garros no meio deles). Tem mais um título de simples e outro de duplas em Wimbledon. Somou 87 vitórias em 103 jogos (84,5%).

9. Stefan Edberg
Outro grande representante do autêntico saque-voleio, sueco fez três finais seguidas em Wimbledon, venceu duas, e ganhou duas vezes na Austrália, onde também venceu dupla. Bi em Queen´s, terminou com 99 vitórias e 27 derrotas (78,6%).

10. Boris Becker
Surpreendeu ao ganhar o primeiro de três Wimbledon aos 17 anos, é considerado o pai do tênis-força. Chegou a quatro finais seguidas de Wimbledon de um total de sete e ganhou Queen’s quatro vezes, totalizando 7 troféus no piso. Venceu 116 de 141 jogos (82,3%).

Menções honrosas
Andy Murray é bi de Wimbledon e campeão olímpico na grama, além de faturar Queen’s por cinco vezes. Rafael Nadal foi outro ‘baseliner’ autêntico a brilhar na grama, com cinco finais em Wimbledon e dois troféus. Arthur Ashe, primeiro homem negro a ganhar um Slam, venceu uma vez em WImbledon, EUA e Austrália num total de cinco finais. Ken Rosewall ganhou duas vezes em Melbourne e outra em Nova York e tem quarta marca de vitórias na grama (151).

O top 10 do saibro na Era Profissional
Por José Nilton Dalcim
30 de abril de 2020 às 17:13

Aproveitando a longa pausa do circuito e a pedido de vários internautas, começo aqui a dar minha lista dos top 10 em cada uma das três atuais superfícies utilizadas no tênis.

Importante sempre ressaltar a dificuldade que é comparar eras tão distintas do circuito masculino. A atual noção dos 9 principais torneios fora dos Grand Slam começou apenas em 1995, então conhecidos como Super 9, que em 2000 mudaram para Masters Series e em 2009 viraram Masters 1000.

Dessa forma, jogadores como Bjorn Borg, Guillermo Vilas, Ivan Lendl, Mats Wilander ou Ilie Nastase não tiveram uma contagem oficial de Masters, mas considerei principalmente seus feitos em Roma, que sempre foi o segundo mais importante sobre o saibro europeu.

Então vejamos como ficou meu top 10 do saibro na Era Profissional:

1. Rafael Nadal
Não há discussão. Com 59 títulos e 91,8% de eficiência no piso, juntou 12 troféus em Roland Garros, 11 em Monte Carlo e 9 em Roma, além de ter a maior série invicta, com 81 jogos. Há grande chance de jamais ser alcançado.

2. Bjorn Borg
O hexacampeonato em Roland Garros já basta para colocá-lo no posto. Em  1978, ganhou o torneio com apenas 32 games perdidos. Encerrou precocemente a carreira com 30 títulos no saibro e 86,2% de vitórias.

3. Ivan Lendl
Embora tenha obtido grande sucesso também na quadra dura, foi um saibrista de primeira, com três títulos e dois vices em Paris, 28 troféus no total e 81% de eficiência. O troféu de 1984 foi seu primeiro de Slam numa virada histórica.

4. Mats Wilander
Contemporâneo de Lendl, ainda que mais jovem, também fez cinco finais em Roland Garros, com três troféus, o primeiro deles com apenas 17 anos. No geral, ficou um pouco abaixo do tcheco, com 20 títulos sobre a terra e 76,7%.

5. Gustavo Kuerten
Além do tri em Roland Garros e quatro troféus em três diferentes Masters do saibro, Guga marcou uma nova forma de jogar sobre o piso com seu estilo tão ofensivo. Encerrou com 14 títulos no saibro e 70% de eficiência.

6. Guillermo Vilas
Maior canhoto sobre o saibro profissional até surgir Rafa, fez quatro finais em Paris mas só levou um. Era um gigante na superfície, com 80% de vitórias (total recordista de 679) e 49 títulos, marca enfim superada por Nadal.

7. Novak Djokovic
Sérvio tem méritos incríveis no saibro: um título e três vices em Paris, nove troféus de Masters e vitória sobre Nadal em todos os grandes torneios do piso. Tem no momento 79,6% de vitórias e 14 títulos sobre a terra.

8. Thomas Muster
Canhoto de backhand de uma mão tal qual Vilas, ganhou 40 títulos e venceu 77% dos jogos no saibro, mas fez uma única final em Roland Garros e levou o título. Ganhou Roma e Monte Carlo por três vezes cada um.

9. Ilie Nastase
Jogador de amplos recursos, foi o rei do saibro em 1973, quando conquistou Roland Garros, Roma, Monte Carlo e Barcelona, os mais importantes de então. Obteve outro vice em Paris, terminou com 30 títulos no piso como Borg e 78,9% de sucesso.

10. Roger Federer
O azar do suíço foi ter vivido a Era Nadal no saibro, o que lhe impôs quatro vices, três seguidos, em Roland Garros. Ganhou enfim o título em 2009. Soma outros 10 troféus no piso, sendo seis Masters, e atinge no momento 76,1% de vitórias.

Menções honrosas
Sergi Bruguera, com três finais e dois títulos, e o bicampeão Jim Courier foram grandes destaques em Roland Garros. O norte-americano ainda foi bi em Roma e Bruguera faturou Hamburgo. Também se destaque Manoel Orantes, com 544 vitórias no piso (77.3% de sucesso) e 31 títulos, porém apenas uma final em Paris.