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Stan, absolutamente incrível
Por José Nilton Dalcim
7 de junho de 2015 às 18:47

stanQuando a Federação Francesa convidou Gustavo Kuerten para entregar o troféu ao campeão, antes mesmo de o torneio começar, jamais imaginou que os dois mais espetaculares e plásticos backhands de uma mão da história de Roland Garros estariam tão lado a lado. Embora seja geralmente menos eficiente do que o backhand duplo, que domina cada vez mais o circuito, ainda é o golpe que deixa qualquer torcedor maravilhado e com água na boca.

Claro que Wawrinka não ganhou de Novak Djokovic por causa apenas do backhand cinematográfico. Todo seu jogo foi agressivo, como aliás sempre costuma ser. Forçou saque, tentou manter a bola profunda, disparou forehands de todos os lados e para todos os cantos. Fez a única coisa que poderia lhe dar alguma chance diante do todo poderoso número 1 do mundo, que entrou em quadra com o favoritismo mais do que natural.

Para ser sincero, ainda estou surpreso com o feito de Wawrinka. Confesso que, ao ver Djokovic ganhar o primeiro set ditando a maioria dos pontos e com mínimas falhas, redigi todo o texto do TenisBrasil da tão aguardada conquista do sérvio. Não acreditava, como continuo a achar incrível, que Stan tivesse controle emocional para conseguir o que parecia impossível  e improvável: derrotar Nole saindo atrás do placar. Esse foi para mim o seu grande trunfo. Manteve a determinação agressiva, encurralou o adversário pouco a pouco ao longo do segundo set e conseguiu a quebra que demorou 10 games.

Quando Djokovic destruiu a raquete, fiquei preocupado. Era cedo demais para tamanha cena pública de frustração. Afinal, era ainda o empate, e dali em diante teoricamente haveria ainda um jogo ‘melhor de 3 sets’ pela frente, em que sua força mental e física têm sido muito superior a qualquer um. Era no entanto o sinal de que a panela de pressão estava no limite, e é de se imaginar que Wawrinka tenha percebido isso. Porque começou a jogar cada vez melhor, mais confiante, fazendo bolas de levantar a arquibancada.

Somente no quarto set Novak voltou a ser agressivo e com isso saltou para 3/0. Outra vez o suíço surpreendeu, porque manteve a cabeça no lugar e empatou tudo. O jogo ficou mais tenso do que nunca e os dois pareciam achar os melhores golpes na hora do aperto. Djokovic salvou dois break-points com voleios perfeitos, Stan saiu de 0-40 com coragem e por fim dominou o saque do sérvio em game longo e eletrizante. Na hora de sacar, perdeu match-point – chegou a comemorar o ace -, esperou Djokovic errar o break-point e por fim mostrou frieza para concluir a tarefa com, é claro, um backhand absolutamente perfeito.

Apesar da justiça inquestionável do placar, todo mundo ficou com pena de Djokovic. Até Stan foi lá no seu banco de descanso com palavras de consolo. O público francês, que já teve suas diferenças com o sérvio, gastou três minutos de sinceros aplausos a reconhecer sua categoria, empenho e certamente motivá-lo a lutar novamente em 2016.

Já são quatro tentativas desperdiçadas, o que vai tomando ares de trauma. Em 2011, tal como agora, vinha detonando na temporada até encontrar Roger Federer na semi. Depois, vieram as duras derrotas para Rafael Nadal, nas finais de 2012 e 2014 e especialmente na dolorosa semi de 2013. A questão deixou de ser tenística e virou psicológica. Já vimos esse filme com Borg no US Open, Lendl em Wimbledon, Sampras em Paris e Nadal no Finals.

Bem-vindos à grama
Por José Nilton Dalcim
23 de junho de 2014 às 21:02

Muita gente se esborrachando pelo chão, favoritos detonando, pequenas surpresas, público fanático por tênis e chuva no fim do dia. Wimbledon começou com todos seus ingredientes.

Novak Djokovic e Andy Murray tiveram treinos de luxo em plena Quadra Central e ambos só tiveram de trabalhar duro no terceiro set. Foi ótimo para aliviar a tensão de toda a estreia. Nomes importantes como Tomas Berdych e David Ferrer cederam sets, Ernests Gulbis sofreu e Grigor Diitrov pareceu à vontade. Tudo muito cedo para análises mais profundas.

Interessante ver a vitória de Marcos Baghdatis em cima de Dustin Brown, que viveu minutos de fama em Halle ao derrotar Rafa Nadal, e o sufoco que Jo-Wilffried Tsonga leva de Jurgen Melzer, quinto set que ficou para ser encerrado no dia seguinte.

Três jogos prometem para a segunda rodada: Berdych contra Bernard Tomic, Gulbis contra Sergyi Stakhovsky e Dimitrov contra Luke Saville, campeão juvenil de dois anos atrás.

O feminino perdeu três cabeças, mas a rigor não houve uma grande surpresa. Muito bom ver o retorno vitorioso de Vika Azarenka ao torneio – foi sua segunda partida desde março – e saber que Venus Williams ainda tem forças para brigar no terceiro set. Seria bem legal ver o duelo de Venus e Petra Kvitova na terceira rodada, duas tenistas que sabem mesmo jogar na grama.

A terça-feira
Rafa Nadal e Martin Klizan fazem duelo de canhotos. Eles se cruzaram apenas uma vez, na segunda rodada de Roland Garros do ano passado, e o eslovaco deu trabalho, perdendo por 4/6, 6/3, 6/3 e 6/3. Um ótimo placar considerando-se que Paris é o quintal de Rafa. Em tempo: a última vitória de Nadal na grama foi diante de Thomaz Bellucci, na estreia de Wimbledon de 2012. Número 51 do ranking aos 24 anos, Klizan derrotou Kei Nishikori na estreia de Roland Garros, há quatro semanas, mas perdeu de Richard Gasquet em Eastbourne na semana passada.

Ambos com 32 anos, Roger Federer e Paolo Lorenzi são dois dos 34 tenistas com mais de 30 que entraram na chave masculina de Wimbledon, quatro a menos que o recorde estabelecido em Roland Garros deste ano para qualquer Slam. O suíço sonha em se tornar o mais velho jogador a ganhar Wimbledon na Era Profissional, façanha que pertence a Arthur Ashe (31 anos e 360 dias no título de 1975). Há um abismo entre os dois. Enquanto Federer é o tenista que mais venceu nos Slam (268), Lorenzi perdeu todas as 12. O suíço ganhou 125 vezes na quadra de grama e o italiano, três.

Nos outros duelos, recomendo atenção à estreia de Kei Nishikori, que perdeu três das últimas quatro partidas que fez contra canhotos. Kenny de Scheepers, para piorar, foi ás oitavas de Wimbledon no ano passado.

Estrelas e figurantes
– Serena Williams joga Wimbledon pela 15ª vez e jamais perdeu na primeira rodada. Desde a volta do corte no pé, em junho de 2011, ganhou 92,4% de seus 197 jogos.
– John Isner enfrentará o desconhecido Daniel Smethurst na estreia, britânico que é 234º do mundo e fará a primeira partida em torneio de primeira linha. No entanto, o rapaz de 23 anos já disputou a incrível soma de 90 jogos em 2014, incluindo simples e duplas, a maioria em nível future (três títulos e cinco vices).
– Venus chegou à 72ª vitória em Wimbledon e está a apenas duas de Steffi Graf (Serena tem 70). O recorde são as 120 de Martina Navratilova.
– Desde que trocou a Geórgia pelos EUA, Anna Tatishvili não venceu uma única partida. Má notícia para ela: sua adversária desta terça em Wimbledon é Serena.
– Feliciano López disputará seu 50º Slam consecutivo e o 51º da carreira. Ele é o espanhol que mais jogou nesse nível de torneio em toda a Era Profissional.
– Seu adversário será o japonês Yuichi Sugita, que precisou disputar 18 qualificatórios para enfim jogar seu primeiro Slam (foi a quinta tentativa seguida em Wimbledon).
– Maria Sharapova tem erguido um troféu pelo menos por temporada por 12 anos seguidos (2003-2014). Apenas Navratilova, Evert e Graf fizeram melhor do que isso.
– Vera Zvonareva, a chorosa vice de 2010, reaparece nesta terça-feira em Wimbledon, seu quinto torneio da temporada, como número 566 do ranking. A russa precisou parar após os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, devido a cirurgia no ombro direito.
– Lleyton Hewitt chega a seu 61º Slam, empatando com Federer e Agassi, todos eles apenas atrás dos 70 de Fabrice Santoro.
– A última vez que uma brasileira derrotou uma adversária top 10 foi a gaúcha Niege Dias, na Fed Cup de 1986, em cima da alemã Claudia Kohde-Kilsch.

Saiba mais
Wimbledon resistiu o quanto pôde à ideia do tiebreak. A sugestão de usar um desempate para encurtar os sets foi primeiramente sugerida por James Van Allen, em 1955, mas ele criou algo tão complexo que muitas vezes era mais demorado do que jogar o “set longo”. Quando, em 1969, Pancho Gonzalez e Charles Pasarell fizeram um jogo de dois dias e 5h12 em Wimbledon, a sugestão voltou com força e o US Open decidiu adotar o tiebreak. Wimbledon só  aceitou isso em 1971, porém somente se o set chegasse a 8/8 e nunca para o quinto set. O tiebreak também previa a ‘morte súbida’, ou seja, quando se chegasse a 6-6 o próximo ponto decidiria tudo. Com dificuldade, a ATP conseguiu padronizar o tiebreak no formato que é hoje disputado em 1979, quando finalmente Wimbledon aderiu à regra geral.

Por que a Copa Davis não mudará tão cedo
Por José Nilton Dalcim
22 de novembro de 2013 às 18:52

A Federação Internacional de Tênis divulgou nesta sexta-feira uma série de números e estatísticas sobre a edição 2013 da Copa Davis. Além de grandiosos, eles explicam por que a competição masculina por países não mudará tão cedo, algo aliás ratificado pelo presidente Francesco Ricci Bitti em Belgrado, quando foi taxativo ao dizer que o formato atual está totalmente dentro do que a entidade espera.

O aspecto que obviamente mais pesa é o econômico. Vejam só. Ao ser disputada em 57 países diferentes ao longo da temporada, em que aconteceram 83 confrontos, a Davis consegue uma exposição de seus patrocinadores que não tem paralelo no marketing esportivo mundial. Não bastasse isso, só o Grupo Mundial é mostrado por 42 emissoras e 162 países.

Dessa forma, disputar a Davis a cada dois anos, como a maioria sugere, ou a cada quatro temporadas, para imitar Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, seria antes de tudo jogar um monte de dinheiro no lixo.

Outro argumento – do qual eu particularmente sempre fui adepto – é o de se disputar a Davis de forma concentrada, como se fosse um torneio do calendário, ou seja, todas as rodadas num período de sete ou dez dias, no mesmo local, que obviamente teria de variar a cada temporada. No entanto, um outro número divulgado pela ITF dificulta essa sugestão: 535 mil espectadores compraram ingresso, quantia que beira um Slam. Só a final de Belgrado teve 46 mil espectadores.

Ricci Bitti não deixa de ter razão ao afirmar que “a Davis é uma poderosa forma de divulgar o tênis em diferentes partes do mundo e muitas vezes em países de pouca tradição”, já que se trata de “um desafio único, ainda mais quando se compete diante de seu torcedor”.

Saiba mais
– A Davis deste ano colocou em quadra 536 jogadores de 125 países, o que a torna o maior campeonato anual por equipes de qualquer esporte.
– Radek Stepanek foi o mais velho tenista a disputar jogos de simples numa final e se tornou o primeiro jogador da história a vencer a quinta partida decisiva da rodada final por dois anos consecutivos.
– A RTS teve pico de audiência de 36% dos aparelhos ligados no domingo da final de Belgrado.
– O site da Davis, que tem versões em inglês e espanhol, terminou o ano com 10% de crescimento na audiência, atingindo 2,8 milhões de visitantes e 26 milhões de páginas vistas.
– Pelo segundo ano seguido, Novak Djokovic venceu todas as sete partidas de simples válidas que disputou.