Arquivo da tag: Niege Dias

Tops do tênis brasileiro: surpresa e memórias
Por José Nilton Dalcim
24 de maio de 2020 às 20:22

Para finalizar a série de artigos sobre os melhores do tênis da Era Profissional, é primordial um capítulo para o tênis brasileiro. A análise dos dados oficiais da ATP e WTA é bem valiosa e serve não apenas para enaltecer Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno, mas também para relembrar alguns jogadores que tiveram carreiras expressivas.

Os dados listados abaixo referem-se exclusivamente a ‘grandes torneios’, ou seja, Grand Slam, Masters 1000 e ATPs ou WTAs. Obviamente Guga lidera praticamente tudo no masculino. Talvez por isso seja interessante – e em certos casos surpreendente – olharmos quem vem atrás do imbatível catarinense.

Vamos aos tópicos que considero mais relevantes no tênis masculino:

VITÓRIAS GERAIS NA CARREIRA
Gustavo Kuerten – 358v-195d (64,7%)
Fernando Meligeni – 202v-217d (48,2%)
Thomaz Bellucci – 200v-216d (48,1%)
Luiz Mattar – 191v-178d (51,8%)
Thomaz Koch – 181v-151d (54,5%)
Observe-se que neste item a ATP considera os jogos de Grand Slam também da era amadora. Com isso, Koch tem a segunda melhor marca de eficiência.

VITÓRIAS EM GRAND SLAM
Gustavo Kuerten – 65v-30d (68,4%)
Thomaz Koch – 41v-33d (55,4%)
Fernando Meligeni – 25v-33d (43,1%)
Thomaz Bellucci – 23v-35d (39,7%)
Edison Mandarino – 21v-33d (38,9%)
São válidos os Slam amadores. Apenas Guga e Koch têm saldo positivo. O terceiro posto percentual é de Marcos Hocevar (43,5%. com 10v-13d)

VITÓRIAS EM MASTERS 1000
Gustavo Kuerten – 109v-52d (63,7%)
Thomaz Bellucci – 33v-53d (38,4%)
Fernando Meligeni – 12v-21d (36,4%)
Flávio Saretta – 8v-8d (50%)
Luiz Mattar – 8v-18d (30,8%)
É uma série de torneios mais recente, com dados computados desde 1990. Apenas mais quatro brasileiros têm vitórias nesse nível: Mello, Oncins, Motta e Sá.

VITÓRIAS POR PISO
Guga lidera tudo, não? Não! Vejamos:

Sintético
Gustavo Kuerten – 147v-89d (62,3%)
Luiz Mattar – 85v-71d (54,5%)
Thomaz Bellucci – 66v-102d (39,3%)

Saibro
Gustavo Kuerten – 181v-78d (69,9%)
Fernando Meligeni – 161v-131d (51,1%)
Thomaz Bellucci – 128v-101d (55,9%)

Grama
Thomaz Koch – 29v-28d (50,9%)
Marcos Hocevar – 12v-11d (52,2%)
Edison Mandarino – 12v-22d (35,3%)

Koch tem 52,5% de sucesso no sintético e 51% no saibro. Guga tem apenas 7 vitórias na grama, menos que Sá (10), Kirmayr (9) e Motta (8).

SOB PRESSÃO
Alguns itens dão uma ideia importante sobre como os tenistas reagem em momentos de pressão.

Tiebreak
Gustavo Kuerten – 132v-131d (52,2%)
Thomaz Bellucci – 103v-100d (51%)
Fernando Meligeni – 59v-65d (47,6%)

Viradas (após perder 1º set)
Gustavo Kuerten – 68v-155d (30,5%)
Fernando Meligeni – 46v-171d (21,2%)
Thomaz Bellucci – 45v-164d (21,5%)

Vitória no set decisivo (3º ou 5º)
Gustavo Kuerten – 106v-68d (60,9%)
Thomaz Bellucci – 76v-86d (46,9%)
Luiz Mattar – 67v-54d (55.4%)

Rogerinho tem 56,7% em tiebreaks (17 em 30), Mattar chegou a 22,2% em viradas (42-147) e Hocevar atingiu 54,5% em set decisivo (39-30).

FAÇANHAS
Claro que Guga sempre está a anos-luz dos demais, mas vale destacar a façanha dos demais.

Vitórias sobre top 10
Apenas 12 brasileiros conseguiram: Guga (38), Meligeni (9), Bellucci (6), Koch, Kirmayr e Mattar (3); Hocevar (2); Monteiro, Mandarino, Oncins, Saretta e Motta (1).

Títulos de ATP
Nove brasileiros ganharam até hoje em nível ATP ou superior: Guga (20), Mattar (7), Bellucci e Koch (4); Meligeni (3), Oncins (2); Kirmayr, Mello e Wild (1). Outros cinco chegaram a finais: Hocevar (2), Roese, Goes, Jábali e Motta (1).

Vitórias após ganhar o 1º set
Quatro jogadores têm mais de 80% nesse campo: Guga com 87,8%, seguido por Hocevar (84,5%); Mattar (82,8%) e Koch (80,6%).

TÊNIS FEMININO
Ainda mais distante que Guga em relação aos demais brasileiros é a performance de Maria Esther Bueno. Então, além de vermos os números imbatíveis de Estherzinha, vale recordar quem vem atrás.

VITÒRIAS EM GRAND SLAM
Maria Esther Bueno – 162
Patrícia Medrado e Cláudia Monteiro – 14
Niege Dias – 5
Bia Haddad – 4
Teliana Pereira – 3
Andrea Vieira – 2
Gisele Miró e Luciana Corsato – 1

Maria Esther ganhou mais nos EUA (57) do que em Wimbledon (55) e venceu 42 na França. Medrado vem atrás em Roland Garros (10) e Cláudia é a única com vitórias em todos os Slam além de Estherzinha.

VITÓRIAS GERAIS
Patrícia Medrado – 106v-164d
Maria Esther Bueno – 66v-20d
Teliana Pereira – 49v-54d
Cláudia Monteiro – 41v-82d
Bia Haddad Maia – 40v-45d

Apenas três brasileiras ganharam WTA e incrivelmente Estherzinha, que jogou muito pouco depois de 1968, lidera com 3, enquanto Niege e Teliana têm 2.

Feitos e imprecisões
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2013 às 12:40

Atualizado às 23h03

Em uma única semana, a pernambucana Teliana Pereira quebrou uma série de jejuns do tênis feminino brasileiro. Semana mágica. Foi a primeira a chegar nas quartas e na semifinal de nível WTA em quase 23 anos e aparecerá nesta segunda-feira na faixa das 120 primeiras do ranking, algo que também remonta à década de 1990. Fica assim bem perto de conseguir uma vaga direta em Roland Garros – tem seis semanas para chegar perto do 100º posto -, o que seria outro feito que se espera há duas décadas.

O atento internauta Mozart Novaes Júnior corrige uma informação que foi dada algumas vezes nesta semana, inclusive no TenisBrasil: a última tenista nacional a atingir uma semi de nível WTA foi na verdade a paulista Luciana Corsato, num torneio disputado em São Paulo, em 1990. Portanto, supera a gaúcha Niege Dias, que havia obtido tal feito em maio de 1989, em Taranto, na Itália. A mesma Niege foi mais além e decidiu o WTA de Barcelona, em maio de 1988.

Importante aqui fazer algumas explicações aos leitores, para demonstrar a incrível dificuldade que é se obter informações precisas junto à WTA, a Associação feminina. E quanto mais antigas, pior.

Começa pela forma incorreta ou desconhecida pela qual os nomes são grafados para uma simples pesquisa. Você, por exemplo, não vai encontrar “Niege Dias”. Com sorte, acabei por lembrar que o nome da gaúcha sempre foi grafado erradamente quando eu recebia os rankings (então quinzenais) por fax e daí achei: “Neige Dias”, como aliás, também é a única forma de achá-la no site da ITF. Você também não vai localizar em nenhum dos sites “Luciana Corsato”, mas sim “Luciana Corsato-Owsianka”, seu nome de casada. Mas é bem difícil alguém que não seja da família se lembrar da grafia correta do sobrenome alemão.

Ao contrário do que fornece há um bom tempo o site da ATP, encontrar histórico de ranking das tenistas é uma tortura. Aliás, cabe logo corrigir algo importante: ao invés do que sempre informou os ‘Media Guides’ – livro anual publicado pela entidade com perfis das principais tenistas -, Niege não foi 32ª do mundo no seu auge, mas sim 31ª.

Mas como saber, por exemplo, que o provável 116º ou 117º lugar que Teliana irá figurar nesta segunda-feira será o mais alto ranking de uma brasileira desde 1993? Tarefa bem arriscada, porque não existe histórico das jogadoras por semana ou periodo. Com paciência, pode-se achar o ranking de cada tenista num torneio que ela disputou (mas é o ranking de inscrição e não o ranking real daquela semana).

Que vocês compreendam: não é desculpa, apenas uma explicação para a tremenda dificuldade que se tem mesmo nos tempos de tamanha tecnologia.  Cabe ainda salientar que a ATP também nos dá dores de cabeça. O ‘Media Guide’ da entidade, que por dedução é o guia oficial, dá a Carlos Kirmayr um título de nível ATP (então Grand Prix) em São Paulo, em 1981. Porém, o perfil do tenista no site oficial não lista mais o feito.

Acapulco – Definitivamente, Thomaz Bellucci não pode reclamar da sorte. Conseguiu entrar como cabeça de chave no ATP 500 de Acapulco e pegou dois adversários em que será amplo favorito. Só então poderá cruzar com o espanhol Rafael Nadal e cumprir o que estava previsto na semifinal de São Paulo.

O torneio está bem forte e interessante. com possível reencontro entre David Ferrer e Stanislas Wawrinka, agora na semi. Os dois fizeram um belíssimo duelo nos dois primeiros sets em Buenos Aires, até que o suíço perdeu as pernas e o foco. Aliás, Nadal pode fazer a outra semi diante de Nicolás Almagro. Será um teste real para vermos como anda seu joelho, porque a tarefa parece exigente nas três rodadas finais.

Campeões – Além do segundo troféu da temporada para Ferrer, que tem títulos em pisos diferentes e outras duas semis neste ótimo início de ano, foi bem interessante assistir à virada de Jo-Wilfried Tsonga em cima de Tomas Berdych. São dois jogadores de quem se espera sempre que entrem na luta pelo top 5, mas até hoje… De qualquer forma, representam o que há de mais moderno no tênis atual.

Também muito esperançoso ver Petra Kvitova retornar às conquistas, ainda que Victoria Azarenka  e Serena Williams não tenham jogado. A canhota tcheca tem jogo para brigar até pela liderança, mas se descuidou do físico por um tempo excessivamente longo, o que lhe custou a confiança.

Floripa – E por falar nas meninas, começou hoje o primeiro WTA disputado no país desde 2002. As estrelas são Venus Williams e, para nós, Teliana Pereira. Mas dá ainda para ver duas gerações bem distintas, com a veteraníssima Kimiko Date e a talentosa Carolina Garcia.