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Dois troféus históricos e cabeça em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
12 de junho de 2022 às 17:54

A festa de Beatriz Haddad Maia na grama de Nottingham foi completa. Pouco depois de enfim conquistar seu primeiro título de nível WTA, ela também ganhou as duplas. Nesta segunda-feira, será 32ª do ranking de simples, 29ª de duplas e estará muito perto de entrar na lista de cabeças de chave de Wimbledon.

A canhota paulistana disputa a partir de terça-feira o WTA de Birmingham, com chance de somar mais pontos, porém já se sabe que cinco tenistas a sua frente no momento não poderão jogar o terceiro Grand Slam da temporada devido ao impedimento a russas e bielorrussas imposto pelo governo britânico.

Caso se confirme, será outro marco. O último brasileiro a figurar entre os 32 favoritos num Grand Slam foi Thomaz Bellucci, no US Open de 2015, quando entrou como o 30º principal inscrito. Entre as mulheres, Maria Esther Bueno apareceu como cabeça 5 no US Open de 1968, seu último Slam em condições físicas de competir pelo título.

Mais façanhas
O tênis feminino brasileiro não ganhava um torneio de primeiro nível sobre a grama desde Estherzinha, em agosto de 1968, quando conquistou Manchester, em cima nada menos de Margaret Court. No masculino, Thomaz Koch faturou também Manchester em 1972, segundo nova revisão de torneios feita pela ATP para os anos iniciais do profissionalismo.

Na Era Profissional, nenhuma brasileira havia ganhado simples e duplas num mesmo torneio de primeira linha. Entre os homens, Guga Kuerten foi o mais recente e fez isso duas vezes, em Santiago de 2000 e Acapulco de 2001.

Bia se torna a quarta brasileira a ganhar um WTA. Aos 26 anos e 13 dias, é a segunda mais nova a fazê-lo. A gaúcha Niege Dias foi campeã pela primeira vez aos 21 anos, em 1987, e Teliana, aos 26 e nove meses. Maria Esther tinha 29 anos em 1968, temporada que inaugurou a Era Profissional em abril, quatro meses antes de ganhar Manchester

Ao chegar ao 32º posto do ranking, Bia fica logo atrás do 29º de Estherzinha e do 31º de Niege. Mesmo entre os homens, é um feito especial no tênis brasileiro. Apenas Guga (1), Bellucci (21), Thomaz Koch (24), Fernando Meligeni (25), Luiz Mattar (29) e Marcos Hocevar (30) foram além.

Nervos no lugar
A final deste domingo viu altos e baixos dos dois lados. Bia fez um excelente primeiro set, em que sacou bem, aproveitou as chances de definir pontos e principalmentw foi agressiva nas devoluções. Nas trocas, sabia que o forehand era o ponto frágil da norte-americana. Mas Riske parou de arriscar tanto no segundo set, tentou ficar sólida e viu a brasileira cair de intensidade.

O começo do set final foi tenso; Riske quebrou antes e fez 2/1, mas a canhota reagiu imediatamente, o que se mostraria essencial. Nos games finais de saque, usou muito bem o saque sobre o corpo e manteve a bola profunda, o que custou alguns erros e discussões com a arbitragem.

Usou essa frustração de forma positiva, fez um grande sétimo game e aproveitou o terceiro break-point em seguida, quando Riske se perturbou. Com a vantagem definitiva, a brasileira manteve os nervos no lugar e ganhou três pontos seguidos a partir do 15-15.

Pouco depois, Bia e Shuai Zhang confirmaram o favoritismo e venceram dois sets equilibrados contra Monica Niculescu e Caroline Dolehide. Bia tem agora quatro títulos de duplas em nível WTA e em três pisos diferentes (Sydney neste ano e Bogotá em 2015 e 2017), além é claro do vice no Australian Open.

Próximo desafio
Nada de descanso. Bia segue diretamente para Birmingham onde terá terça-feira outro desafio dos grandes: enfrenta a também canhota Petra Kvitova, tcheca que é bicampeã do torneio mas principalmente dona de dois títulos em Wimbledon. Jogadora muito agressiva, Kvitova não anda em grande fase, tendo vencido 10 de 22 jogos na temporada, mas ainda assim é a atual 31ª do ranking.

Duplamente 40
Por José Nilton Dalcim
11 de junho de 2022 às 10:01

A classificação de Beatriz Haddad Maia para sua segunda final de nível WTA na carreira garantiu à canhota paulista de 26 anos um feito histórico na fase profissional do tênis brasileiro.

Nesta segunda-feira, ela aparecerá pelo menos no 39º posto do ranking de simples – e será 32ª em caso de título – e se transformará na única jogadora nacional a figurar simultaneamente no top 40 das listas de simples e duplas desde que os rankings foram criados na década de 1970. Entre os homens, Guga Kuerten ficou uma semana no top 40 de duplas em 1997, quando já era 11 do ranking.

Bia disputou neste sábado em Nottingham a semifinal de duplas, ao lado da chinesa Shuai Zhang e com outro resultado muito positivo subirá para o 29º posto. O título permitirá avanço de mais duas posições. Ela assim terá perto de figurar no top 30 das duas especialidades, algo que seria totalmente inédito. Ao mesmo tempo, agora é a única mulher profissional a disputar finais de simples e duplas num mesmo torneio.

Apenas outros 10 brasileiros já atingiram o top 40 em simples. As duas mulheres à frente de Bia agora são Maria Esther Bueno (29ª no curto período em que jogou o circuito profissional) e Niege Dias (31ª em novembro de 1988).

O último brasileiro a estrear no top 40 havia sido Thomaz Bellluci em novembro de 2009. Ele também foi o último tenista nacional a figurar nessa faixa, em maio de 2016.

Final na grama: primeira desde Bueno
Nesse dia cheio de história, Bia também se torna a primeira brasileira a disputar uma final de primeira linha sobre a grama na Era Profissional desde que Maria Esther Bueno foi vice em Chestnut Hill, em agosto de 1968. Uma semana antes, Estherzinha havia conquistado seu último título de simples sobre a grama, em Manchester, em cima de Margaret Court.

Esta é a segunda final de WTA 250 que a paulistana disputa em simples. Há cinco anos, perdeu o título de Seul para a então top 10 Jelena Ostapenko. A última brasileira a ganhar um WTA 250 foi Teliana Pereira, no saibro de Florianópolis, em 2015.

A curtíssima lista de jogadoras nacioais com títulos equivalentes a WTA inclui a gaúcha Niege Dias, que ganhou dois a exemplo de Teliana. A recordista é Maria Esther, com três.

À vontade na grama
Embora não tenha feito grandes alterações na sua forma de jogar, Bia mostra-se bem à vontade na grama. Os golpes de base continuam sua forma de construir todos os pontos. Em alguns momentos, tem aproveitado as devoluções curtas ou flutuantes após o primeiro saque para concluir com o forehand, mas raramente se mostra apressada a tentar definir, com avanços à rede apenas em bolas mais certas.

O ponto de destaque tem sido a devolução de saque, principalmente de backhand, qualidade aliás que já vem mostrando nos jogos de duplas. Na nova vitória sobre Maria Sakkari, na sexta-feira, Bia soube agredir em cima do segundo saque da top 5 grega e neste sábado novamente explorou ótimas paralelas diante de Tereza Martincova.

A final será contra Alison Riske. A norte-americana tem respeitável primeiro saque, bate bem mais reto e gosta de ir à rede. Aos 31 anos, é número 40 do ranking, mas já foi 18ª em 2019. De seus três títulos de WTA, um foi na grama de ‘s-Hertogenbosch. Esta é sua 13ª final da carreira, conjunto que a deixa como favorita para este domingo.

O tamanho da façanha de Bia
Por José Nilton Dalcim
11 de outubro de 2021 às 23:08

Beatriz Haddad Maia não marcou apenas a maior vitória de sua carreira nas difíceis condições da tarde em Indian Wells, ao derrubar em sets diretos a número 3 do mundo e atual vice de Wimbledon, Karolina Pliskova. A canhota paulista de 25 anos, que enfim voltará ao top 100 na próxima lista, obteve também o resultado mais expressivo do tênis feminino nacional em toda a Era Aberta e se juntou aos outros únicos quatro brasileiros que já venceram um top 3.

Eliminada na última rodada do quali por um amargo ‘pneu’, Bia entrou de última hora graças a desistências e não contou nas duas partidas que fez com o melhor tênis que já praticou, porém foi muito aplicada na parte tática e acima de tudo manteve a cabeça fria o tempo todo. Nem mesmo vibrou com exagero ao final da imensa façanha, como quem espera fazer ainda muito mais. Tomara.

Enquanto a super experiente Pliskova se remoía com o vento terrível, Bia tratava de focar no lance seguinte e de fazer a adversária jogar sempre uma bola a mais. Defendeu-se aliás com muita vontade. Todo o circuito sabe que Pliskova é uma das tenistas de ponta mais instáveis, que poucas vezes acha soluções alternativas quando o saque-forehand não está calibrado. Basta lembrar a ‘bicicleta’ que levou na recente final de Roma.

Bia foi fiel ao plano tático de alongar pontos e tentar tirar a adversária do centro da quadra, onde a tcheca se planta perto da linha de base e busca ditar o ritmo. O segundo serviço da brasileira anda frágil, mas felizmente Pliskova se apressou muitas vezes, ainda que tenha obtido 14 break-points e quebrado cinco vezes. Mas ela própria não fez muito com o serviço, a ponto de só confirmar um game de saque em seis no segundo set.

O desafio agora é a número 20 Anett Kontaveit, outra que gosta de bater firme na bola. Tirou a atual campeã Bianca Andreescu e ganhou de nomes como Petra Kvitova, Belinda Bencic e Maria Sakkari nesta fase de quadras duras. Se vencer, Bia será a primeira brasileira nas quartas de um torneio equivalente a um WTA 1000, já que Niege Dias e Andrea Vieira fizeram oitavas: a gaúcha em Montréal de 1987 e Dadá em Roma de 1990.

As vitórias brasileiros sobre top 5
São poucos os tenistas nacionais que já bateram um top 5. Guga Kuerten é claro se destaca, com 23 triunfos, sendo 11 deles entre os três mais bem classificados e dois sobre líderes do ranking. Fernando Meligeni ganhou de três dos top 3 a sua época, um grande feito. Além de Guga, apenas Carlos Kirmayr e Flávio Saretta derrubaram um número 1 do ranking. Entre as meninas, Niege foi a primeira a bater uma das cinco mais bem colocadas.

Confira a lista de todas as vitórias brasileiras sobre algum top 5 desde o surgimento do ranking profissional masculino (1973) e feminino (1975). Na primeira coluna, figura a classificação do adversário no momento do jogo.

Gustavo Kuerten (23 vitórias)
5 – Tim Henman, na 2ª rodada do Masters do Canada, em 2004
1 – Roger Federer, na 3ª rodada de Roland Garros, em 2004
4 – Roger Federer, na 2ª rodada de Indian Wells, em 2003
4 – Marat Safin, nas quartas de Lyon, em 2002
2 – Marat Safin, na 2ª rodada do US Open, em 2002
4 – Juan Carlos Ferrero, na semi de Roland Garros, em 2001
3 – Pete Sampras, na semi da Masters Cup, em 2000
4 – Magnus Norman, fase inicial da Masters Cup, em 2000
5 – Yevgeny Kafelnikov, na fase inicial da Masters Cup, em 2000
3 – Magnus Norman, na final de Roland Garros, em 2000
4 – Yevgeny Kafelnikov,  nas quartas de Roland Garros, em 2000
4 – Magnus Norman, nas quartas de Hamburgo, em 2000
1 – Andre Agassi, na semi de Miami, em 2000
4 – Patrick Rafter,  na final de Roma, em 1999
1 – Yevgeny Kafenlnikov, nas oitavas de Roma, em 1999
2 – Carlos Moyá, na 1ª rodada da Copa Davis, em 1999
2 – Yevgeny Kafelnikov, na 2ª rodada de Indian Wells, em 1999
5 – Carlos Moyá, na final de Mallorca, em 1998
2 – Marcelo Ríos, na 1ª rodada de Long Island, em 1998
4 – Carlos Moyá, na semi de Stuttgart, em 1998
2 – Michael Chang, na semi do Masters do Canadá, em 1997
3 – Yevgeny Kafelnikov, nas quartas de Roland Garros, em 1997
5 – Thomas Muster, na 3ª rodada de Roland Garros, em 1997

Fernando Meligeni (3)
3 – Patrick Rafter, na 3ª rodada de Roland Garros, em 1999
2 – Pete Sampras, na 2ª rodada de Roma, em 1999
2 – Michael Chang, na 1ª rodada de Atlanta, em 1997

Thomaz Koch (2)
5 – Bjorn Borg, nas quartas da Basileia, em 1975
5 – Tom Okker, nas quartas de Tehran, em 1974

Thomaz Bellucci (2)
4 – Andy Murray, nas oitavas de Madri, em 2011
5 – Kei Nihsikori, na 2ª rodada do Rio, em 2017

Beatriz Haddad Maia (2)
4 – Sloane Stephens, nas oitavas de Acapulco, em 2019
3 – Karolina Pliskova, na 3ª rodada de Indian Wells, em 2021

Marcos Hocevar (1)
4 – Vitas Gerulaitis, nas quartas de Quito, em 1980

Carlos Kirmayr (1)
1 – John McEnroe, na 1ª rodada de Forest Hills, em 1981

Niege Dias (1)
5 – Claudia Kohde, na 1ª rodada da Fed Cup, em 1986

Andrea Vieira (1)
5 – Helena Sukova, na 2ª rodada de Hamburgo, em 1989

Luiz Mattar (1)
5 – Andrés Gomez, na 1ª rodada do US Open, em 1990

Flávio Saretta (1)
1 – Gustavo Kuerten, na 1ª rodada do Sauípe, em 2001