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Nadal frustra e preocupa
Por José Nilton Dalcim
2 de novembro de 2019 às 18:15

Nada pode ser mais anticlímax do que um abandono. E sem sequer entrar em quadra. Rafael Nadal sentiu uma fisgada na região abdominal nos últmos saques de aquecimento que fazia antes de enfrentar Denis Shapovalov, consultou o médico que diagnosticou pequena ruptura e diz ainda ter voltado à quadra para testar novos serviços, mas a dor persistiu.

Sabiamente, desistiu de disputar a semi de Paris. Segundo contou, aconteceu algo semelhante antes da semi do US Open de 2009, quando surgiu uma ruptura de 6 milímetros. Insistiu, perdeu feio para Juan Martin del Potro e a lesão aumentou quase 5 vezes, complicando seus meses seguintes.

“Espero que consiga me recuperar para o Finals, que é o objetivo maior”. Todos aguardamos isso. Havia grande chance de uma batalha épica neste domingo na decisão de Paris contra Novak Djokovic. Agora, o sérvio ganhou a chance de diminuir drasticamente a distância no ranking e assim brigar diretamente com Rafa pelo número 1 na arena O2. Tomara que haja disputa e emoção dentro de quadra.

No momento, Djoko está 1.040 pontos atrás, uma distância difícil de tirar em Londres caso Nadal esteja em forma. Mas se confirmar o favoritismo e chegar ao penta em Paris, reduzirá a distância para 640 e aí obrigará Nadal a ser finalista invicto. Se o espanhol não jogar, bastará a Djoko ser vice até com uma derrota na fase classificatória.

A julgar pela atuação deste sábado contra Grigor Dimitrov, será bem difícil Shapovalov evitar o 34º Masters de Djokovic. O sérvio até cometeu mais erros não forçados do que o usual na segunda metade do primeiro set, mas sempre achou um jeito de evitar break-points, ora com saque forçado, ora com bolas profundas. Teve é verdade alguma sorte no tiebreak. Presenteou o búlgaro com uma dupla falta, o que levou Dimi a sacar com 5-4 e ter um swing-volley muito fácil para atingir os set-points. Falhou feio, e contra esses Big 3 não se desperdiçam oportunidades de ouro.

Djoko jogou num nível incrivelmente alto e preciso os pontos seguintes, levou o tiebreak e chegou à primeira e única quebra da partida já no terceiro game. Deu as cartas sem oferecer qualquer chance de reação, mas é preciso destacar a boa atuação de Dimitrov. Vejam só: ele ganhou mais pontos curtos (33 a 31) e empatou nos mais longos (10 a 10), perdendo por pouca margem nos entre cinco e nove rebatidas (26 a 18). E, com exceção ao lance tão amargo do tiebreak, mostrou cabeça fria e determinação tática. Quiçá continue assim em 2020.

Habilidade e fortuna em Shenzhen
Duas das mais talentosas jogadoras do circuito irão decidir o Finals de Shenzhen, o que promete grande qualidade para o último jogo feminino da temporada regular. Ashleigh Barty e Elina Svitolina são acima de tudo grandes estrategistas, com capacidade de utilizar diferentes recursos e alternar táticas conforme as necessidades.

Para dar ainda mais sabor, a ucraniana venceu todos os cinco duelos, incluindo um neste ano, em Indian Wells, que aliás foi um jogaço, decidido em três longos sets. Mas vale lembrar que a australiana estava em outro estágio nos confrontos anteriores.

Como ainda não perdeu partidas na semana, Svitolina pode ser campeã invicta e aí embolsar o incrível prêmio de US$ 4,72 mi, o maior da história do tênis. Como perdeu um jogo na fase de grupos, Barty irá faturar ‘só’ US$ 4,42 se for campeã, que também seria recorde.

E mais
– Shapovalov já venceu Djoko neste ano, mas na exibição de Boodles, que antecede Wimbledon. Oficialmente, perdeu os três duelos, todos em 2019, dois deles com placar elástico (Roma e Xangai). Ganhou um set em Melbourne, mas levou ‘pneu’ no quarto set.
– Djoko joga a 50ª final de Masters da carreira e a 111ª no geral, em busca do 77º título. Neste ano, venceu AusOpen, Wimbledon, Madri e Tóquio. Portanto três pisos distintos e pode acrescentar o duro coberto.
– O canadense já garantiu o 15º lugar do ranking final da temporada, seu recorde pessoal, e o eventual título o levará ao 11º, apenas 80 pontos atrás de Gael Monfils.
– Classificados para o Finals devido ao título de Roland Garros, Nicolas Mahut e Pierre Herbert retomaram a parceria nas últimas semanas e estão pertinho do título de Paris. Enfrentam Karen Khachanov e Andrey Rublev.

Domingo morno
Por José Nilton Dalcim
26 de maio de 2019 às 18:36

A queda do semifinalista Marco Cecchinato, a grande atuação da russinha Anastasia Potapova e estádios vazios foram as primeiras surpresas da edição 2019 de Roland Garros.

Roger Federer foi o único a receber um público do tamanho do seu prestígio, mas o duelo contra Lorenzo Sonego não empolgou por culpa exclusiva do italiano, que entrou nervoso demais e foi rapidamente engolido pelo tênis variado do suíço.

Para ‘correr por fora’, como ele mesmo sintetizou na entrevista oficial, Federer precisa mesmo de jogos tranquilos nesta primeira semana. E por enquanto vai dando certo: o próximo adversário será o pouco conhecido Oscar Otte, alemão de 25 anos e 144º do ranking, que joga seu segundo torneio de primeira linha da carreira.

Se mantiver o amplo favoritismo, o campeão de 2009 cruzará com Matteo Berrettini ou Casper Ruud. E já se viu livre de Cecchinato, que levou uma incrível virada do veteraníssimo Nicolas Mahut, 37 anos. O recordista de convites em Slam marcou apenas a sétima vitória em 13 tentativas em Roland Garros. Aliás, por pouco Diego Schwartzman também não se foi, levado ao quinto set pelo bom Marton Fucsovics. El Peque fará duelo argentino com Leo Mayer, enquanto Mahut pega Philipp Kohlschreiber.

Possível adversário lá das quartas de final, o grego Stefanos Tsitsipas mandou recado e fez uma bela exibição diante de Maximilian Marterer, menos pelo placar de 3 a 0, mais pelo volume de jogo apresentado. Enfrentará agora Hugo Dellien, um jogador de toque refinado que marca a primeira vitória da Bolívia em Slam após 35 anos.

Russa surpreende
Não era segredo para ninguém que Angie Kerber não estava em sua melhor forma, mas isso não tira o mérito da russa Anastasia Potapova, ex-número 1 juvenil e que já fez duas finais de WTA. Ainda aos 18 anos, foi sua primeira vitória em nível top 10 – logo em cima de seu ídolo – e não dá para descartar uma caminhada mais longa.

Também causou decepção o tênis frágil mostrado por Venus Williams, com  34 erros diante de Elina Svitolina. Como Garbiñe Muguruza escapou da ‘zebra’ e virou bem, as duas caminham para um interessantíssimo duelo já na terceira rodada. No mesmo quadrante, aparece a vice de 2018 Sloane Stephens, que venceu sem empolgar.

Lá no pé da chave, Karolina Pliskova manteve o embalo do título em Roma, mas chegou a perder três serviços num jogo rápido de 60 minutos diante de Madison Brengle, longe de ser uma especialista no saibro.

Segunda-feira nobre
Talvez em função do público inesperadamente pequeno do domingo, a organização de Roland Garros mudou o que havia anunciado previamente e promoverá nesta segunda-feira uma super-rodada na Chatrier com Rafael Nadal, Novak Djokovic e Serena Williams.

É muito pouco usual que um Grand Slam coloque os cabeças 1 e 2 para jogar no mesmo dia, ainda que a rodada de domingo force mesmo uma mistura maior de programação entre os lados superior e inferior das chaves. Li comentários de que Nole teria pedido para jogar.

Sorte de quem for ao complexo, porque também irão para quadra Dominic Thiem, Petra Kvitova, Kiki Bertens, Borna Coric, Stan Wawrinka e Jo-Wilfried Tsonga.

O favorito começa com tudo
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2018 às 20:09

Novak Djokovic nem precisou jogar seu melhor tênis para fazer uma estreia muito eficiente no ATP Finals. O número 1 do mundo chegou à 50ª vitória da temporada em 61 jogos – note-se que 43 delas foram obtidas depois de ganhar o primeiro set – e anotou nada menos que o 13º triunfo sobre um top 10, o melhor índice de 2018.

Amplo favorito para seu sexto troféu no FInals e o quinto na arena O2, barrou o poderoso saque do estreante de 33 anos John Isner sem sequer precisar de um tiebreak. Num piso um pouco mais lento, sua magistral devolução faz estragos que pouca gente consegue diante do tenista de 2,08m. Nesta noite, fez retornar nada menos que 83% dos serviços, o que obrigou o adversário a ter de jogar. Isso quase sempre basta.

Djokovic fechou a estreia com apenas seis erros não forçados diante de 26, algo que não chega a ser surpreendente porque Isner força tanto o tempo todo que é raro sobrar uma bola fácil para se arriscar. Ainda assim, o sérvio fez 16 winners da base (outros seis de aces). Para completar seu ótimo dia, acertou 87% do primeiro saque, muito acima dos 67% de Isner, e só correu risco num game de 0-30 em que o americano soltou o braço.

Mais cedo, Alexander Zverev conseguiu uma notável reação no começo da partida, quando salvou dois break-points que dariam 4/0 para Marin Cilic. Pouco depois, o croata sacou com 5/3, mas fez erros bobos, permitiu o empate e caiu no tiebreak.  A história se repetiu no segundo set, quando Cilic fez 4/3 e saque. No outro tiebreak, se saiu ainda pior.

A maior qualidade do alemão esteve na cabeça fria. Certamente fizeram muita diferença o histórico de quatro vitórias seguidas que tinha sobre o croata e o tenebroso retrospecto de Cilic na arena O2, com agora de 1-9. Aos 21 anos, Zverev é o líder da temporada no número de vitórias, com 55. O duelo contra Djokovic na quarta-feira promete ser bem interessante.

O mais curioso de tudo ficou para a entrevista oficial. O alemão discordou totalmente de Roger Federer e avaliou a quadra como bem rápida. E foi enfático: “É uma das mais velozes do circuito, totalmente diferente de Paris, onde o piso era veloz mas a bola, não”. Não sei que conclusão tirar. Melhor talvez ouvir outros jogadores, mas pela TV eu fico mais com Federer, até porque a bola utilizada neste Finals, a ATP Head, definitivamente não é rápida.

E por falar em Federer, ele causou certa apreensão em Londres, quando cancelou o treino da manhã, que estava previsto para o ginásio do Queen’s Club, sem explicações oficiais. Especulou-se que a quadra do tradicional clube seria bem mais veloz do que a da O2, daí a mudança de ideia. Não convence muito.

Pouco usual foi a sinceridade de Mate Pavic, que considerou uma fraude a suposta contusão de Nicolas Mahut. Ao tentar buscar uma bola profunda, o francês tropeçou no cercado de publicidade que fica aos pés dos juízes de linha e pediu atendimento duas vezes. “Não parece que doía tanto assim”, cutucou.

A primeira rodada de duplas terminou com essa vitória de Pavic e Oliver Marach sobre Mahut e Pierre Herbert, além da queda de Marcelo Melo e Lukasz Kubot sobre Mike Bryan e Jack Sock, um grupo duríssimo com três parcerias campeãs de Grand Slam (só a do brasileiro não venceu, mas foi vice no US Open).

Melo e Kubot, que defendem a final do ano passado, precisam agora vencer Mahut/Herbert na quarta-feira e podem até sair em primeiro no grupo se Marach/Pavic superar os norte-americanos.