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Fim de semana sem estrelas, com emoção
Por José Nilton Dalcim
1 de maio de 2016 às 20:31

Sem qualquer top 10 em quadra, os ATPs da semana abriram espaço para a nova geração, mas ainda assim dois ‘trintões’ levaram títulos (Philipp Kohlschreiber e Nicolás Almagro). Ruim? Nem tanto. Houve muito jogo gostoso de se assistir.

De qualquer forma, Munique teve bons momentos de Dominic Thiem e Alexander Zverev, Estoril deu outra chance a Pablo Carreño e mostrou a qualidade incrível de Nick Kyrgios. Istambul consagrou o baixinho e guerreiro Diego Schwartzman.

Aliás, dos seis finalistas dos ATPs da semana, nada menos que quatro usam backhand de uma mão e dois deles se saíram campeões. Já a Argentina, que amargou um 2015 sem qualquer conquista, fatura seu terceiro ATP e com três nomes diferentes. Não é uma redenção, mas perto do tênis brasileiro…

Schwartzman venceu os três últimos jogos de Istambul de virada, sinal de enorme força física e mental. Aliás, escapou de dois match-points nas quartas e estava nas cordas contra Grigor Dimitrov. Aí o búlgaro sentiu de novo a pressão da vitória, deixou escapar a chance e deu um tremendo vexame ao estraçalhar três raquetes. Pìorou ainda mais sua imagem.

Thiem não soube ganhar em Munique, ainda que tenha feito ótimos jogos contra Zverev e Kohlschreiber. A seu favor, a ideia de atuar de forma mais ofensiva, com excelente trabalho junto à rede. Mas ainda falha nas escolhas quando está no aperto e daí se aproveitou o experiente Kohlschreiber. Grande jogo.

Por fim, apesar de carecer de simpatia, é difícil não se impressionar com a qualidade dos golpes de Almagro. Dominou Nick Kyrgios e não perdeu a cabeça quando deixou o primeiro set escapar contra Pablo Carreño. Aliás, o espanhol de 24 anos, que pintou com tanta esperança, está finalmente amadurecendo. Fez sua segunda final de ATP neste ano sem sucesso, mas parece uma questão de tempo até erguer o primeiro troféu.

No feminino, dois resultados também interessantes. Lucie Safarova, que sempre foi uma das minhas tenistas preferidas, chegou a Praga com cinco derrotas vindo da parada por problemas de saúde. Aí embalou e levou o troféu, seu primeiro sobre o saibro desde 2005. História de superação. Ela defende o vice em Roland Garros.

Já a suíça Timea Bacsinszky ganhou Rabat, um WTA menor, é verdade, mas que a leva de volta ao top 15 e possivelmente à boa condição de cabeça de chave para Paris, onde foi semi no ano passado. Do jeito que o circuito feminino está instável, Safarova e Bacsinszky merecem atenção.

Thiem fortalece ainda mais o Rio
Por José Nilton Dalcim
14 de fevereiro de 2016 às 21:23

O Rio Open, que já estava com seu mais forte grupo dessas três edições, ganhou uma estrela de última hora. De desconhecido do público, o austríaco Dominic Thiem virou atração depois do título deste domingo em Buenos Aires, regado à vitória sobre o favorito Rafael Nadal no sábado.

Sob expectativa de forte calor na semana toda, o ATP 500 carioca parece bem aberto. Thiem estreia contra Pablo Andujar, depois pode ter Diego Schwartzman e aí cruzar com David Ferrer. Para quem vem cansado da Argentina, não é tarefa fácil. Aos 22 anos, o destro com magnífico backhand de uma mão representa a geração ascendente do tênis masculino dos novos tempos, em que precocidade juvenil parece coisa cada vez mais improvável e algumas temporadas de esforço e dedicação no circuito são mesmo fundamentais para qualquer progresso. Já está no seu quarto ATP, todos sobre o saibro.

Thiem ou Ferrer podem desafiar Fabio Fognini na semi. O italiano, finalista do ano passado, não anda jogando tão bem mas deu sorte e pegou um grupo frágil. O nome mais forte nas quartas seria John Isner, porém a estreia do gigantão diante de Guido Pella já é perigosa. Embora exista chance real de termos dois nomes totalmente novos na semi do Jockey Club, tudo aponta para a repetição da decisão de 2015 entre Ferrer e Fognini. Não seria ruim.

A parte de cima traz as incógnita sobre Rafa Nadal. O canhoto espanhol desembarcou no final da tarde e já foi bater bola com José Pereira, num treino pouco inspirado, cheio de erros e cordas quebradas. Precisa tomar cuidado com Pablo Carreño e ainda pode cruzar Nico Almagro. Em outros tempos, seriam presas fáceis. As quartas têm Alexandr Dolgopolov ou Thomaz Bellucci, e obviamente o ucraniano é mais complicado. A outra vaga na semi parece estar entre Jo-Wilfried Tsonga e Jack Sock, dois nomes que nunca estiveram por aqui e merecem ser observados. Tsonga é show, Sock tem volume de jogo.

Os brasileiros não deram sorte. Bellucci pega Dolgopolov ona estreia e deve sofrer com as bolas baixas e o saque de difícil leitura. João Souza terá de ter paciência e pernas contra Diego Schwartzman. E Thiago Monteiro pegou osso duríssimo: o saque, o carisma e a força de Tsonga.

A chave feminina é bem menos atrativa. A expectativa fica para o favoritismo de Teliana Pereira, que busca o terceiro título de WTA num lugar que combina com sua resistência física e garra. Bia Haddad e Gabi Cé terão estreias difíceis.

Lucro
Apesar da derrota na final, Almagro poderá comemorar o 53º do ranking nesta segunda-feira, sua mais alta classificação desde outubro de 2014. Nesse período em que se recuperava de cirurgia no pé, chegou a despencar para o 174º posto do ranking.

Ao mesmo tempo, Nico garantiu ascensão para o grupo dos cabeças de chave do Brasil Open, que começa dentro de uma semana, em São Paulo. Ele será o oitavo pré-classificado, o que significa evitar duelo com Paire, Fognini, Bellucci, Cuevas, Delbonis, Ramos ou Lorenzi nas primeiras rodadas.

Escapou
Taylor Fritz ficou com o vice de simples e semi de duplas em Memphis, enorme feito para quem jogou seu terceiro ATP e enfrentou nomes bem experientes. Na final contra Kei Nishikori, apimentou o clima ao abrir 2/0, mas aos poucos a excelente distribuição de bolas do japonês, que não deixou o adversário parar um minuto sequer, fez o trabalho correto.

Fritz sai muito valorizado e já está com um pé no top 100, o que lhe dá também enorme chance de entrar diretamente em Roland Garros e Wimbledon. Torna-se o mais promissor da forte nova geração americana. Muito bem vindo.

Fica para o Rio
Por José Nilton Dalcim
13 de fevereiro de 2016 às 23:10

Desta vez, nem se pode dizer que Rafa Nadal jogou tão abaixo de sua capacidade. O espanhol teve é claro alguns altos e baixos, brigou o tempo todo, chegou a ter um match-point no saque adversário no finalzinho e só mostrou alguma insegurança no tiebreak decisivo, em que permitiu ao ousado austríaco Dominic Thiem abrir uma vantagem confortável.

Thiem está se firmando a cada dia. Já provou ser um jogador muito bom no saibro, onde reúne qualidades fundamentais como muito físico e ótima técnica, e pouco a pouco se fixa no top 20 como uma ameaça real aos melhores do ranking. A vitória deste sábado sobre Nadal deve acrescentar muito na sua confiança.

Rafa diz ter enfrentado desconforto com o estômago, provavelmente em função da explosiva combinação de calor e umidade de Buenos Aires, condições aliás muito semelhantes ao que encontrará no Jockey Club carioca. Depois de se arrastar nos dois primeiros jogos, fez uma exibição bem mais consistente contra Thiem. Porém o fantasma da derrota, dos jogos que deveria ter vencido e não o fez, permanece mais vivo do que nunca.

Para complicar, ainda terá de encarar chave dura no Rio Open. Estreia contra Pablo Carreño, cheio de vontade, que lhe tirou um set em Doha, e pode cruzar depois com o renascido Nico Almagro. Se passar por isso, cruzará com Thomaz Bellucci ou Alexandr Dolgopolov porém é bem provável que aí já esteja com o ritmo adequado e sairia então como favorito diante de Jo-Wilfried Tsonga ou Jack Sock.

David Ferrer também não vingou e isso irá permitir que o Argentina Open tenha uma inesperada final entre dois jogadores de backhand de uma mão. Almagro, dono de incríveis golpes de base, ótimo saque mas cabeça flutuante, parece ter reencontrado o caminho. Ex-top 10, está com 30 anos. Porém ainda tem tempo e experiência suficientes para muito mais do que o 72º lugar de hoje.

Amanhã falo mais das chaves e expectativas do Rio Open.

Renovação – Quando todos discutem o futuro do tênis masculino, a semana foi um alento com o incrível desempenho não só de Thiem, mas de dois gigantes de 18 anos. O alemão Alexander Zverev fez um tremendo torneio no ATP 500 de Roterdã, com vitória espetacular contra Gilles Simon, e saltará nesta segunda-feira já para o 55º lugar do ranking.

Não menos impressionante tem sido a trajetória de Taylor Fritz em Memphis, com a ressalva que este é apenas seu terceiro torneio de primeira linha (a arrancada vinha acontecendo exclusivamente em nível challenger). Vale observar que ele é seis meses mais jovem do que Zverev e, com mesmo com 1,93m, mede ainda assim cinco centímetros a menos que o alemão.

E para completar a ala dos 18 anos, a suíça Belinda Bencic chega ao top 10 com a final em São Petersburgo. Um eventual título sobre Roberta Vinci a levará ao 7º posto, mínimos dois pontos atrás de Maria Sharapova. E observem: até a temporada de grama, tem apenas 400 pontos a defender. Perspectiva não poderia ser mais animadora.