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Fognini precisa agora ir atrás do top 10
Por José Nilton Dalcim
21 de abril de 2019 às 21:53

O primeiro passo foi dado. Enfim, o talento de Fabio Fognini ergueu um dos grandes troféus do circuito masculino e faturou com máxima justiça Monte Carlo. Afinal, alguém que domina Rafa Nadal como ele fez no sábado teria mesmo de ficar com o título.

Então o sonho de um dia chegar ao top 10, que ele próprio revelou meses atrás, nunca esteve tão perto. O italiano, pertinho da casa dos 32 anos, aparecerá nesta segunda-feira em seu recorde pessoal, o 12º posto, 5 pontos atrás de Marin Cilic e a apenas 245 de John Isner. Somará tudo que fizer acima dos 45 em Barcelona e dos 10 em Madri. É uma chance de ouro. E depois defende apenas 180 em Roma e em Paris, locais onde pode se sair muito, muito bem.

Fognini garante no entanto que não quer pensar em Barcelona ou em ranking por enquanto. Ele será cabeça 4 lá e portanto deve estrear somente na quarta-feira, o que lhe dá tempo para comemorar e descansar. Ele destacou na campanha de Mônaco, claro, sua vitória na semi sobre Nadal, mas mostrou muita consciência ao dizer que o espanhol continua favorito a tudo que jogar no saibro europeu. A boa notícia é que Rafa ficou do outro lado da chave em Barcelona.

A final deste domingo começou tensa, como era de se esperar. Dusan Lajovic teve a primeira vantagem, ainda no terceiro game, mas cedeu o 2/2 em seguida e daí em diante o que se viu foi Fognini sempre muito mais oportuno nos famosos ‘pontos importantes’. Lajovic várias vezes pareceu indeciso sobre que postura adotar, foi menos agressivo do que vinha fazendo na semana, e obviamente sofreu com a incrível capacidade do italiano em variar direções e efeitos. Não foi um jogo espetacular e o vento contribuiu muito para isso.

Lajovic aliás também deu uma declaração interessante, afirmando que ver Fognini jogar o melhor tênis da carreira pertinho dos 32 anos é um grande incentivo para ele, que aos 28 disputou sua primeira final de nível ATP.

Novos tempos
Fato muito relevante: este é o segundo ano consecutivo em que três diferentes jogadores vencem os Masters iniciais do calendário e que dois deles são debutantes. Em 2018, foram Juan Martin del Potro e John Isner e agora Fognini e Dominic Thiem. Algo que só havia acontecido em 1990, quando foi instituída a série Masters, com triunfos de Stefan Edberg, Andre Agassi e Andrei Chesnokov.

Outro dado bem interessante divulgado pela ATP lembra que Fognini é o oitavo tenista a ganhar seu primeiro Masters nos últimos 17 eventos disputados. Antes de Roma-2017, também foram oito porém em 92 torneios, ou seja, no período de amplo domínio do Big 4.

Detalhes
– Fognini é o primeiro tenista a derrotar Nadal e ganhar um troféu no saibro desde Pablo Cuevas, no Rio Open de 2016.
– O último italiano a ter vencido Monte Carlo foi Nicola Pietrangeli, em 1968, quando o tênis ainda não havia entrado na Era Profissional. Corrado Barazzutti foi vice em 1977.
– Lajovic é treinado justamente pelo ex-técnico de Fognini, o espanhol Jose Perlas, e treina atualmente em Barcelona.
– Sinal de como o saibro é lento em Monte Carlo, Fognini levantou o título com média na semana de 57% de acerto de primeiro saque e 65% de pontos vencidos com ele.
– O sérvio jogou a semana toda com uma bolha dolorida no dedão do pé e revelou que a preparação para entrar em quadra foi extremamente chata e longa.

Não deu
O renovado time brasileiro da Fed Cup não teve mesmo muita chance em Bratislava, mesmo jogando sobre saibro coberto. Dominika Cibulkova, ex-top 4 e vice do Australian Open, colocou toda sua experiência em quadra e fez a diferença, mas ainda assim Bia Haddad esteve bem perto de ganhar o primeiro set no terceiro e decisivo jogo deste domingo, quando abriu 5/3 e teve o serviço a favor.

Vale lembrar que a canhota de 22 anos estava competindo em Bogotá até o sábado e se dispôs a um longo deslocamento até a Eslováquia, onde chegou apenas na quarta-feira.

É preciso ainda dar o devido desconto às meninas, que raramente disputam jogos de nível tão alto e sob tamanha pressão. Há uma distância grande de qualidade e de experiência entre Bia e as demais integrantes do time, isso é inegável.

O lado realmente positivo está no fato de esse grupo ser muito unido, todas trabalham juntas e sem atritos, algo bem raro na nossa longa história de Fed Cup.

A dança das cabeças
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2015 às 19:49

Roma não serve apenas de último e mais importante preparatório para Roland Garros, devido ao excepcional nível técnico e à semelhança entre os pisos, mas sobretudo irá definir os 32 cabeças de chave para o Aberto da França. Todo mundo sabe que figurar nessa elite faz toda a diferença do mundo: estar entre os 4, entre os 8, entre os 16 e até mesmo entre os 32 podem significar vida longa ou morte precoce.

Obviamente, que a maioria dos olhares está fixada na ponta. Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray estão garantidos, nessa ordem, mas a cabeça 4 é o que vale muito. Por enquanto, está com Tomas Berdych, que leva apenas 10 pontos de vantagem para Kei Nishikori. Contundido, Milos Raonic está fora da briga.

Rafa Nadal ainda tem chance, mas precisa do título em Roma e ainda torcer para que nem Berdych ou Nishikori sejam semi. Nenhum outro resultado serve, sequer com a conjectura cada vez mais séria da desistência de Raonic, que terá de operar o pé a curtíssimo prazo.

A briga para ficar entre os oito cabeças também é importante, porque evitará se cruzar com os grandes favoritos antes das quartas. David Ferrer necessita da semi para não ser superado por um eventual mas improvável título de Stan Wawrinka. De qualquer forma, ambos podem se beneficiar da saída de Raonic.

Estar entre os 16 também importa, já que não se cruzará com um adversário de ranking superior antes das oitavas. Cilic, Dimitrov, López e Simon estão garantidos nessa faixa. Monfils, Tsonga, Anderson e Isner têm enorme chance. Bautista e Goffin ainda sonham.

Por fim, restam as vagas entre os 32. Os que ficarem entre 25 e 32 terão de pegar os cabeças 1 a 8 ainda na terceira rodada, então é um lugar para se fugir. Robredo, Gofin, Gasquet e Cuevas não correm risco. Kohlschreiber, Leo Mayer, Gulbis, Karlovic e Tomic são ameaçados por Garcia-López e Fognini. Imaginem só que indigesto para qualquer dos favoritos ter de encarar Fognini logo na terceira rodada.

Por fim, Kyrgios, Mannarino e Verdasco estão muito perto de entrarem como cabeças no final do pelotão, já que apenas Troicki (33) e Vesely (38) ainda estão vivos. Chardy e Thiem podem chegar lá, mas precisam de campanhas brilhantes no Fóro Itálico.

Começou – E pelo menos três peso pesados já estrearam em Roma. O número 1 do mundo voltou ao circuito com vitória trabalhosa sobre Almagro, o que no fundo foi bom. Serviu para colocá-lo rapidamente em ritmo. A se destacar as várias alternativas táticas que Nole encontrou, incluindo voleios importantes e primeiro saque afiado em horas decisivas. Berdych e Ferrer confirmaram, Wawrinka sobreviveu.

E Thomaz Bellucci repete Madri, furando o quali e passando uma rodada. O resultado aliás o deixa com enorme condição de atingir o 62º lugar do ranking. É bem difícil ganhar de Bautista, ainda que esse seja um dos mais limitados dos espanhóis de ponta. Vai depender muito da eficiência do primeiro saque e de jogar bem com a segunda bola. Se Bellucci passar, poderá pegar Djokovic. Uau.

Para se ter uma ideia da fortíssima chave de Roma, o turco Marsel Ilhan, adversário de estreia de Nadal nesta quarta-feira, é o jogador de mais baixo ranking na segunda rodada, como 87º. À frente dele, estão Dolgopolov (80º) e Bellucci (68º).

História – O Internazionali d’Italia, nome oficial, começou a ser disputado em 1930, apenas cinco anos depois de a França também permitir a entrada dos estrangeiros no seu torneio. O magnífico Fóro Itálico passou a sediar o evento em 1935, com exceção de 1961, quando o evento se transferiu para Turim por ocasião da festa nacional do centenário de unificação.

Nicola Pietrangeli foi o grande nome do tênis italiano, com títulos em cima até mesmo de Rod Laver e Tony Roche. Dez anos depois, em 1976, Adriano Panatta repetiu a conquista e ele mesmo foi o último tenista na casa numa final, batido em 1978 por Bjorn Borg. Seis sul-americanos vingaram em Roma: Vilas, Clerc, Gomez, Mancini, Ríos e Guga.

Apenas três grandes sacadores conseguiram até hoje ganhar o torneio na Era Profissional: Vitas Gerulaitis, em 1977 e 1979; Yannick Noah, em 1985; e Pete Sampras, em 1994 (seu único grande troféu no saibro, curiosamente obtido em cima de outro grande voleador, Boris Becker, que perdeu assim a chance de ganhar seu único torneio na terra).