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Laver Cup continua uma grande festa
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2019 às 11:10

Carisma é tudo quando se fala num torneio de exibição, e isso sobra para Roger Federer e Rafael Nadal. Então o sucesso da Laver Cup ficou garantido pelo terceiro ano consecutivo, ainda mais dentro de Genebra. E olha que o suíço não jogou aquele tênis – raramente o vi errar tanto voleio fácil – e Rafa só entrou em quadra no sábado.

O ginásio lotou nos três dias, acompanhou partidas muito equilibradas e com empenho de todos os envolvidos. Torceu fervorosamente quando os dois gigantes estiveram em quadra e o público ainda foi premiado com oito horas de jogos dramáticos no domingo e a decisão do título no match-tiebreak da partida derradeira. Mais um belo espetáculo para o tênis.

A pequena frustração ficou para a reedição da dupla Fedal, prevista para domingo cedo. O espanhol no entanto sentiu problema na mão e desistiu também do interessante reencontro com Nick Kyrgios. Para compensar, atuou ativamente no lado de fora da quadra, torcendo, dando dicas, empurrando o time.

Além do formato divertido e ‘roupagem’ impecável da quadra, ver a interação dos tenistas talvez seja a parte mais curiosa da Laver Cup, dentro de um mesmo time ou entre os adversários. Tira boa parte daquela imagem excessiva de rivalidade, e isso faz muito bem ao esporte. A euforia pela conquista chega a ser surpreendente.

O outro ponto positivo pode ter sido a vitória apertada de Alexander Zverev, que outra vez deu o ponto final à Europa sob considerável pressão. O garoto alemão precisa recuperar a confiança e esse tipo de situação ajuda muito. Ganhou abraço caloroso de Federer e dos parceiros. Quem sabe…

Medvedev quer mais
E Daniil Medvedev não para de vencer. Em sua quinta final seguida, faturou o terceiro da temporada em São Petersburgo e agora já soma 54 vitórias em 71 partidas. Embolsou nessa maratona US$ 5,5 milhões.

Classificado para o Finals, o russo de 23 anos não tem a menor intenção de diminuir o ritmo. Descansa nesta semana e depois joga seguidamente Pequim, Xangai, Moscou, Viena e Paris.

E com isso tem chance real de tirar o número 3 de Federer – está 635 pontos atrás no ranking da temporada. Chegar no vice Novak Djokovic é bem mais difícil, já que o sérvio tem vantagem de 2.390 pontos. Desde junho de 2005, nenhum tenista fora do Big 4 atingiu o segundo posto do ranking.

Dois detalhes sobre os próximos torneios: Kei Nishikori continua com problema no cotovelo e desistiu de Tóquio, Xangai e de exibição que faria contra Federer dia 14 de outubro. Talvez volte em Viena, mas a chegada ao Finals está agora complicada. Campeão domingo em Metz, Jo-Wilfried Tsonga não quis saber mesmo da viagem à Ásia e jogará outro challenger nesta semana.

Reta final
Os brasileiros que sonham em terminar a temporada com um ranking mais positivo terão uma última chance com uma sequência de challengers e futures previstos para a América do Sul.

A partir de hoje, acontecem os challengers de Buenos Aires, Campinas, Santo Domingo, Lima, Guayaquil e Montevidéu, todos com US$ 54 mil de premiação exceto o da República Dominicana, que oferecerá excelentes US$ 162 mil. Há uma brecha para mais dois challengers, e um deles poderia acontecer no Rio, em novembro.

Em nível future, a série começou na semana passada em Buenos Aires e seguirá em outubro com Rio, São Paulo, Chile e Argentina. Apenas o torneio carioca terá US$ 25 mil, os demais serão de US$ 15 mil.

As meninas também têm oportunidades em nível ITF. Nesta segunda-feira, começa o de US$ 15 mil do Pinheiros e até novembro acontecerão dois de US$ 60 mil (Paraguai e Chile), um de US$ 25 mil (Colômbia) e três de US$ 15 mil (Chile, Argentina e Colômbia).

Rublev e Nole brilham após triste noite do tênis
Por José Nilton Dalcim
16 de agosto de 2019 às 00:08

Andrey Rublev era uma das grandes sensações entre os novatos do circuito em 2017. Com golpes de base extremamente potentes, ganhou seu primeiro ATP aos 18 anos no saibro e fez quartas no US Open, versatilidade que lhe deu o 31º lugar do ranking. Mas aí faltou sorte. Veio uma problemática fratura por estresse na região lombar que custou meses de afastamento e dúvidas.

O renascimento de Rublev não poderia vir em melhor estilo. Finalista em Hamburgo poucos dias atrás, onde derrubou nada menos que Dominic Thiem, voltou a mostrar enorme jogo de cintura ao barrar Roger Federer num piso muito veloz, onde o suíço reinou já sete vezes e era o atual vice. Impôs ao número 3 do ranking sua mais rápida derrota em 16 anos, meros 62 minutos, e arrancou elogios: “Ele parecia estar em todos os lugares da quadra. Fiquei impressionado”.

Claro que um resultado desses é uma mistura da solidez do garoto russo no fundo de quadra, explorando ao máximo seu pesado forehand contra o backhand do adversário, e de uma tarde instável de Federer, que se encheu de erros (19 contra 6) e foi medíocre até mesmo na rede (7 pontos em 19 subidas), perdendo três vezes seu serviço.

O mais curioso é que Rublev se preocupou mais em justificar Roger do que comemorar a façanha, afirmando que “nem consigo imaginar a enorme pressão que recai sobre ele toda vez que entra em quadra, anos a fio todo mundo te assistindo e você tendo de se provar”. Não menos incrível é o fato de Rublev ter esquecido de se inscrever. Deu sorte de entrar no quali como ‘alternate’. Aí viu Tomic abandonar, tirou Kukushkin, Basilashvili e Wawrinka. Que campanha.

Enfrentará nesta sexta-feira o amigo de infância Daniil Medvedev, apenas dois anos mais velho. Vivendo um momento ímpar na carreira, Medvedev chega a 41 vitórias nos 57 jogos que já fez em 2019, sem contar mais 10 de duplas. Nas últimas duas semanas, chegou nas finais de Washington e Montréal. Haja fôlego.

Show do número 1
Se Federer decepcionou, Novak Djokovic deu uma aula de tênis para o espanhol Pablo Carreño, que nem jogou mal. Porém, foi obrigado a sair das suas características para tentar equilibrar o jogo e não teve a regularidade necessária para superar o paredão sérvio. Nole fez um pouco de tudo, incluindo voleios magníficos e defesas assombrosas. Cedeu quatro break-points no segundo set, resolvendo o problema com um primeiro saque afiado e até ace de segundo saque.

Reencontra Lucas Pouille, que me surpreendeu com a grande virada em cima de Karen Khachanov, e está em suas primeiras quartas de Masters desde Monte Carlo-2017. O francês fez uma campanha inesperada em Melbourne e foi até a semi, mas aí levou uma surra de arrepiar de Djokovic, vencendo meros quatro games. Ao menos, reage numa temporada estranha. Saiu de Melbourne com retrospecto de 5-2 e daí em diante venceu apenas sete jogos até chegar a Cincinnati.

A parte inferior da chave verá Roberto Bautista x Richard Gasquet, que acabam de se cruzar nas oitavas de Montréal com duplo 7/5 para o espanhol, e David Goffin x Yoshito Nishioka, adversários dias atrás na segunda rodada de Washington com duríssima vitória do japonês no tiebreak do terceiro set após quase 3h.

Bautista, aliás, acaba de garantir seu inédito lugar no top 10 do ranking. É o quinto tenista na temporada a atingir o feito, repetindo Medvedev, Khachanov, Stefanos Tsitsipas e Fabio Fognini.

Kyrgios ultrapassa limites
Para tentar amenizar seus erros, a ATP ao menos deu uma multa categórica para Nick Kyrgios e cobrará dele US$ 113 mil, ou seja, quase três vezes mais o prêmio a que teve direito. Tivesse o árbitro Fergus Murphy cumprido seu papel, o australiano teria sido desclassificado e perderia toda a premiação. Afinal, a própria ATP listou incríveis nove infrações cometidas pelo destemperado rapaz na derrota para Karen Khachanov na madrugada desta quinta-feira, que terminou num triste espetáculo. O tênis não merece isso.

Não se pode eximir a ATP de culpa. Só o fato de ter colocado Murphy para dirigir a partida foi uma grande falha, porque o juiz tem pouco pulso e já havia histórico de desentendimento com Kyrgios. Mas a responsabilidade maior está no descaso com que a entidade trata o comportamento doentio do tenista, que extrapola todo o Código de Conduta seguidamente e já fez por merecer um afastamento compulsório. Afastá-lo do US Open é o mínimo que se espera.

A briga com o árbitro além de tudo atrapalhou o andamento da partida. Era notório o desconforto de Khachanov, tendo que sacar com um adversário esbravejando alto do outro lado da quadra. O russo, que é meio esquentadinho, teve um admirável sangue frio. Deveria ficar com a premiação tirada de Kyrgios.

A briga continua
Não poderia estar mais empolgante a luta tríplice pela liderança do ranking feminino às vésperas do US Open. Naomi Osaka foi levada a três sets, Ashleigh Barty virou a duras penas e Karolina Pliskova lutou para atingirem as quartas de final. Basicamente, quem for a campeã fica com o posto e a briga ficará excepcional se Barty e Pliskova se cruzarem na semi.

Enquanto isso, Venus Williams deu outra mostra de sua vitalidade e tirou Donna Vekic no terceiro set, tendo agora Madison Keys, responsável por 39 winners na vitória sobre Simona Halep. Outra boa surpresa veterana foi Svetlana Kuznetsova, 34 anos e agora 153º do ranking, ao eliminar Sloane Stephens.

Caminho aberto para Nadal
Por José Nilton Dalcim
7 de agosto de 2019 às 23:06

Rafael Nadal passou por um bom teste em seu retorno à quadra dura. O atual campeão de Montréal salvou dois set-points diante do habilidoso Daniel Evans e só então jogou de forma um pouco mais agressiva. É o caminho ideal para encarar Guido Pella, que nunca tirou set do espanhol em três duelos.

Sem os demais Big 3 na chave, Rafa tem favoritismo absoluto, ainda que tenha reclamado da lentidão da bola Penn e achado o piso um tanto veloz, condições que chamou de ‘difíceis’. Sua chave viu a queda melancólica de Borna Coric, tem um Fabio Fognini ‘baleado’, Stefanos Tsitsipas decepcionou de novo e ao que parece Roberto Bautista deve ser o adversário de semi, já que Kei Nishikori sequer passou da estreia diante de Richard Gasquet, um resultado bem inesperado.

O lado de baixo já perdeu John Isner, superado com facilidade por Cristian Garin, um dos cinco ‘next gen’ nas oitavas, ao lado de Alexander Zverev, Felix Aliassime, Daniil Medvedev e Karen Khachanov. O ‘trintão’ perigoso é Marin Cilic, mas Sascha foi campeão aí mesmo dois anos atrás e merece crédito, apesar da fase.

Estrela solitária
Felix Aliassime se valeu de mais um abandono de Milos Raonic e agora é a esperança local em Montréal, já que Denis Shapovalov parou em Dominic Thiem. Se vencer Khachanov, Felix irá se tornar o número 1 nacional e terá grande chance de chegar ao top 20.

Top 10
Roberto Bautista pode se tornar nesta semana o quarto tenista na temporada a atingir pela primeira vez o top 10, seguindo Medvedev, Khachanov e Fognini. Ele precisa no entanto ganhar duas rodadas a mais que o italiano ou uma a partir das semifinais.

Troca na ponta
Ash Barty vai perder a liderança do ranking após oito semanas na ponta. Sua derrota precoce em Toronto colocou Naomi Osaka e Karolina Pliskova na disputa pelo número 1. As duas estão em lados opostos da chave e podem decidir tudo na final, o que seria espetacular.

Bem pagas
Todas as 11 atletas mais bem pagas do mundo são tenistas, lideradas por Serena Williams, que tem contratos de US$ 25 milhões e faturou de premiação cerca de US$ 4,2 mi. Naomi Osaka vem logo atrás, com total de US$ 24,3 milhões, sendo também a segunda em faturamento publicitário (US$ 16 mi).

Toalha polêmica
Nick voltou a ser Kyrgios dois dias depois de sua belíssima conquista em Washington. Na derrota mais do que prevista de estreia para Kyle Edmund, o australiano polemizou com o juiz de cadeira por causa de uma toalha branca. Logo que entrou em quadra, ele indicou ao árbitro que não queria usar a toalha oficial do torneio, mas uma toda branca, sem patrocinadores. Não foi atendido e ficou uma fera. Levou advertência por disparar ‘palavrão’.

Out ou In?
Lance mais do que curioso na partida entre John Isner e John Millman pela primeira rodada de Montréal na terça-feira. O norte-americano pediu desafio e a resposta foi essa da foto abaixo…

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