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Todo mundo feliz
Por José Nilton Dalcim
16 de janeiro de 2020 às 16:13

Apesar de uma dificuldade maior aqui ou ali, os quatro principais nomes da chave masculina do Australian Open não podem se queixar do sorteio realizado nesta manhã, em Melbourne. Há bons jogos para testar a todos na primeira semana e obviamente esquentar o clima a partir das quartas. Novak Djokovic e Roger Federer ficaram do mesmo lado, deixando Rafael Nadal e Daniil Medvedev no outro. Imagino que todos saíram satisfeitos, até mesmo os organizadores, já que abre a possibilidade de Nadal e Federer lutarem diretamente pelo recorde de Grand Slam na final. Já pensou?

Djokovic ficou a pior estreia entre os grandes favoritos, já que o alemão Jan-Lennard Struff tem um jogo agressivo, mas nem de longe ameaça o favoritismo do sérvio em condições normais. Daí Nole deve embalar, com algum possível trabalho contra o tênis variado de Daniel Evans e pouca dificuldade se pegar Diego Schwartzman, exceto a paciência, ou o amigo Dusan Lajovic.

Claro que a partir daí começa a afunilar e o adversário pode ser então a base firme de Roberto Bautista ou o estiloso Stefanos Tsitsipas. Mas nem eles podem ser dados como certos lá na frente. Bautista tem estreia perigosa contra Feli Lopez e está num grupo dos experientes Benoit Paire e Marin Cilic. O grego não foi tão bem na ATP Cup, defende semi e terá de administrar o emocional. Philipp Kohlschreiber é sempre um perigo, por exemplo.

Sem jogos preparativos para o torneio, Federer é incógnita. Também não se tem certeza ainda qual a velocidade real do piso. Não corre risco na estreia diante de Steve Johnson, mas precisa de cuidado com o sacador Filip Krajinovic e mais ainda em seguida, seja o ascendente Hubert Hurkacz ou o hábil defensor John Millman, aquele do US Open-2018. Ainda assim, tudo indica que o suíço irá adiante para encarar Denis Shapovalov ou Grigor Dimitrov. O canadense, diga-se, não terá vida fácil: Marton Fucsovics e quem sabe Jannik Sinner antes de Dimitrov. E as quartas parecem ainda mais amenas e quase um sonho: Matteo Berrettini ou Fabio Fognini? Guido Pella ou Borna Coric?

A sequência de Nadal é um tanto parecida com a de Djokovic e terá três rodadas mais tranquilas para adquirir ritmo e confiança depois da frustração da ATP Cup. O número 1 estreia diante do habilidoso boliviano Hugo Dellien, pode encarar depois João Sousa ou Federico Delbonis e garantir-se nas oitavas contra o amigo Pablo Carreño. Só então poderá ter um desafio maior diante do desafeto Nick Kyrgios, caso o australiano confirme favoritismo num setor que tem Gilles Simon e Karen Khachanov. Nada mau para o momento.

O austríaco Dominic Thiem aparece como possível barreira para Rafa nas quartas de final. O cabeça 5 estreia diante do canhoto Adrian Mannarino. Sua terceira rodada promete ser dura diante de Kevin Anderson ou Taylor Fritz. Seus oponentes de oitavas mais prováveis são Gael Monfils e Felix Aliassime.

É fundamental ficar de olho em Medvedev. O russo vem de ótimas exibições na ATP Cup e assim é o mais indicado para ir até a semifinal no seu quadrante, o que permitiria reviver a final do US Open diante de Nadal. O instável Frances Tiafoe é seu adversário inicial, Jo-Wilfried Tsonga pode ser o de terceira rodada e John Isner ou Stan Wawrinka, o de oitavas. O outro quadrante tem infinitas possibilidades, mas não dá para apostar em Alexander Zverev. Me parecem mais cotados o russo Andrey Rublev ou o batalhador David Goffin.

Thiago Monteiro não deu sorte e enfrentará pela primeira vez o super-saque de John Isner, algo bem indigesto. Para piorar, Isner embalou e está na semi de Auckland, ganhando mais força. Mas o canhoto cearense fez dois bons jogos no mesmo torneio, ao vencer Cameron Norrie e tirar um set de Benoit Paire. Resta torcer.

Feminino muito mais difícil
Completamente oposta, a chave feminina me pareceu bem desequilibrada. Na parte superior, ficaram nada menos que a número 1 estrela da casa Ashleigh Barty, a atual campeã Naomi Osaka, a perigosíssima Serena Williams e a experiente Petra Kvitova. Pode dar absolutamente qualquer coisa.

Barty tem chance de cruzar com Kvitova, vice de 2019, nas quartas, mesma rodada que teria o reencontro de Osaka e Serena, ou seja promessa de um dia espetacular. A japonesa encara um quadrante exigente, com Sloane Stephens, Sofia Kenin, Coco Gauff ou Venus Williams, que outra vez se pegam logo na estreia.

O lado inferior ficou mais fraco, com Karolina Pliskova, a instável Simona Halep e a imprevisível Elina Svitolina. Talvez valha ficar atento a Aryna Sabalenka nesse lado da chave.

Lógica suada
Por José Nilton Dalcim
11 de janeiro de 2020 às 11:55

Espanha e Sérvia, e principalmente Rafael Nadal e Novak Djokovic, vão decidir a ATP Cup, como era de se esperar. Mas esteve longe de ser fácil. Os melhores tenistas do mundo foram colocados à prova com jogos fisica e emocionalmente muito exigentes e desgastantes, viveram alguns momentos críticos mas deixam claro por que são os favoritos para o Australian Open. E a final deste domingo, que forçará o brasileiro a acordar cedo, promete ser um avant-premiére imperdível.

Djokovic permanece invicto. Foi obrigado a jogar perto do máximo já na estreia contra Kevin Anderson. Sobreviveu a duelos exaustivos contra Denis Shapovalov e Daniil Medvedev, onde sua solidez na base não se mostrou o suficiente, obrigando o sérvio a explorar voleios notáveis e deixadinhas milimétricas para achar soluções alternativas. Nem mesmo sua poderosa devolução facilitou a tarefa, embora em ambos os casos seja preciso dar muitos créditos aos adversários. O russo deixa cada vez mais claro que é o nome da nova geração com o tripé técnica-resistência-cabeça para encarar os superfavoritos.

Nadal oscilou um pouco mais, e sofreu uma derrota um tanto esquisita para David Goffin, que o obrigou a emendar uma dupla não menos sufocante, em que os belgas estiveram muito perto da surpresa. Desde a fase inicial, Rafa mostrou certas dificuldades. Quase se enrolou com Nikoloz Basilashvili e suou contra Yoshihito Nishioka, dois jogadores um tanto limitados. E só mesmo sua excepcional capacidade de jogar sob pressão permitiu a virada categórica em cima do inspirado garotão Alex de Minaur, a melhor ‘surpresa’ desta ATP Cup.

Me preocupou o aparente esgotamento de Djokovic, que perdeu a paciência algumas vezes e voltou a arrebentar raquete, discutir com a torcida e apressar os pegadores. Mas a rigor o sérvio me parece em ritmo bem mais apurado do que Nadal, muito sólido no fundo de quadra, fazendo trocas de direção com rara eficiência. O espanhol tem demorado para se soltar e adotar postura ofensiva. Vale lembrar que Nole já reclamou de dor no braço e Rafa, do joelho.

Em que pese toda a importância do 55º capítulo do mais repetido duelo do tênis profissional – curiosamente, houve apenas cinco confrontos nas últimas três temporadas -, há de se destacar a importância que os números 2 de cada país tiveram nesta ATP Cup.

É bem verdade que Roberto Bautista pegou vários oponentes fracos, mas a forma com que dominou Nick Kyrgios neste sábado reforça como ele sabe usar os recursos da bola na subida e golpes mais retos sobre a quadra dura. Dusan Lajovic sofreu apenas uma derrota (três sets para Benoit Paire), mas depois compensou com um tênis rico em variedade em cima de Nicolas Jarry, Felix Aliassime e Karen Khachanov.

Absolutos coadjuvantes na final deste domingo, eles no entanto terão papel crucial na luta pelo título. Bautista venceu os três duelos contra Lajovic, todos no sintético. O eventual vencedor certamente irá tirar um pouco da pressão sobre Nadal ou Djokovic, embora eu acredite que, às vésperas do Australian Open e com o tremendo ‘espírito de Davis’ que possuem, os dois irão ao limite para sair com a vitória em Sydney e ganhar moral. E isso pode incluir uma curiosíssima batalha também nas duplas.

Quem vence? Eu apostaria na Sérvia. E você?

Laver Cup continua uma grande festa
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2019 às 11:10

Carisma é tudo quando se fala num torneio de exibição, e isso sobra para Roger Federer e Rafael Nadal. Então o sucesso da Laver Cup ficou garantido pelo terceiro ano consecutivo, ainda mais dentro de Genebra. E olha que o suíço não jogou aquele tênis – raramente o vi errar tanto voleio fácil – e Rafa só entrou em quadra no sábado.

O ginásio lotou nos três dias, acompanhou partidas muito equilibradas e com empenho de todos os envolvidos. Torceu fervorosamente quando os dois gigantes estiveram em quadra e o público ainda foi premiado com oito horas de jogos dramáticos no domingo e a decisão do título no match-tiebreak da partida derradeira. Mais um belo espetáculo para o tênis.

A pequena frustração ficou para a reedição da dupla Fedal, prevista para domingo cedo. O espanhol no entanto sentiu problema na mão e desistiu também do interessante reencontro com Nick Kyrgios. Para compensar, atuou ativamente no lado de fora da quadra, torcendo, dando dicas, empurrando o time.

Além do formato divertido e ‘roupagem’ impecável da quadra, ver a interação dos tenistas talvez seja a parte mais curiosa da Laver Cup, dentro de um mesmo time ou entre os adversários. Tira boa parte daquela imagem excessiva de rivalidade, e isso faz muito bem ao esporte. A euforia pela conquista chega a ser surpreendente.

O outro ponto positivo pode ter sido a vitória apertada de Alexander Zverev, que outra vez deu o ponto final à Europa sob considerável pressão. O garoto alemão precisa recuperar a confiança e esse tipo de situação ajuda muito. Ganhou abraço caloroso de Federer e dos parceiros. Quem sabe…

Medvedev quer mais
E Daniil Medvedev não para de vencer. Em sua quinta final seguida, faturou o terceiro da temporada em São Petersburgo e agora já soma 54 vitórias em 71 partidas. Embolsou nessa maratona US$ 5,5 milhões.

Classificado para o Finals, o russo de 23 anos não tem a menor intenção de diminuir o ritmo. Descansa nesta semana e depois joga seguidamente Pequim, Xangai, Moscou, Viena e Paris.

E com isso tem chance real de tirar o número 3 de Federer – está 635 pontos atrás no ranking da temporada. Chegar no vice Novak Djokovic é bem mais difícil, já que o sérvio tem vantagem de 2.390 pontos. Desde junho de 2005, nenhum tenista fora do Big 4 atingiu o segundo posto do ranking.

Dois detalhes sobre os próximos torneios: Kei Nishikori continua com problema no cotovelo e desistiu de Tóquio, Xangai e de exibição que faria contra Federer dia 14 de outubro. Talvez volte em Viena, mas a chegada ao Finals está agora complicada. Campeão domingo em Metz, Jo-Wilfried Tsonga não quis saber mesmo da viagem à Ásia e jogará outro challenger nesta semana.

Reta final
Os brasileiros que sonham em terminar a temporada com um ranking mais positivo terão uma última chance com uma sequência de challengers e futures previstos para a América do Sul.

A partir de hoje, acontecem os challengers de Buenos Aires, Campinas, Santo Domingo, Lima, Guayaquil e Montevidéu, todos com US$ 54 mil de premiação exceto o da República Dominicana, que oferecerá excelentes US$ 162 mil. Há uma brecha para mais dois challengers, e um deles poderia acontecer no Rio, em novembro.

Em nível future, a série começou na semana passada em Buenos Aires e seguirá em outubro com Rio, São Paulo, Chile e Argentina. Apenas o torneio carioca terá US$ 25 mil, os demais serão de US$ 15 mil.

As meninas também têm oportunidades em nível ITF. Nesta segunda-feira, começa o de US$ 15 mil do Pinheiros e até novembro acontecerão dois de US$ 60 mil (Paraguai e Chile), um de US$ 25 mil (Colômbia) e três de US$ 15 mil (Chile, Argentina e Colômbia).