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Números e fatos antes de Roland Garros largar
Por José Nilton Dalcim
29 de maio de 2021 às 15:36

Vamos a um resumão dos detalhes mais importantes ou curiosos sobre a edição 2021 de Roland Garros, que dá largada às 6 horas deste domingo.

Número 1 em jogo
As duas lideranças de ranking estarão em jogo, mas a chance de mudanças é pequena. Daniil Medvedev só irá superar Novak Djokovic se for ao menos à final, restando ainda a possibilidade de uma disputa direta caso os dois decidam o título.

Já na WTA, Ashleigh Barty manterá o posto se atingir a semi. Naomi Osaka tem de torcer contra e ainda chegar à final.

Diversidade de campeões
Enquanto o masculino só tem três campeões de Paris na chave – mais dois finalistas de Grand Slam -, o feminino é bem mais diversificado, com seis vencedoras em Paris (Swiatek, Barty, Kuznetsova, Muguruza, Ostapenko e Serena) e mais sete campeãs de outros Slam. Também a se notar: oito mulheres que já foram número 1 do ranking estão na chave.

Roland Garros tem trazido inovações na chave feminina por quatro edições seguidas, com títulos então inéditos de Grand Slam para Ostapenko, Halep, Barty e Swiatek. A letã foi a primeira não cabeça a vencer e a polonesa, a de mais baixo ranking.

Coisas do Big 3
– Nadal tenta segunda sequência de cinco títulos seguidos em Roland Garros. O único tenista a ter duas séries de cinco é Federer, mas em Slam diferentes (Wimbledon e US Open).
– Djokovic outra vez tenta se tornar o único profissional com dois troféus em cada Slam. No geral, apenas Emerson e Laver obtiveram tal feito.
– Djoko e Nadal ganharam 10 dos últimos 11 Slam (desde Roland Garros de 2018). A exceção foi Thiem. Nesse período, sérvio venceu 6.
– Como estão no mesmo lado, Nadal e Djokovic também tentam se isolar em segundo lugar em finais de Slam, já que somam 28. Federer ainda lidera, com 31.
– Outra igualdade entre o espanhol e o sérvio é de troféus de Slam após os 30 anos, com 6.
– Nadal pode vencer um novo Slam 16 anos e 4 meses depois do primeiro, em 2005, mas o recorde absoluto ainda será de Serena, que levou 17 anos e 5 meses entre o US Open de 1999 e a Austrália de 2017.
– Nadal, Djoko, Serena e Navratilova são os profissionais a vencer Slam em três décadas consecutivas.
– Federer e Djoko os únicos na Era Aberta com ao menos 70 vitórias em cada Slam. Nadal tem 50.
– Nas últimas cinco temporadas, Nadal perdeu apenas 8 jogos no saibro, sendo 3 para Thiem. Os outros a vencê-lo foram Fognini, Rublev, Schwartzman, Tsitsipas e Zverev.

E mais
– Além de Nadal, apenas Tsitsipas ganhou dois títulos no saibro este ano (Monte Carlo e Lyon). Já no feminino, foram 11 torneios e nenhuma repetição. Somente Barty e Sabalenka fizeram duas finais.
– Desde que Noah ganhou Paris em 1983, quatro franceses decidiram Slam e perderam. Leconte, em 1988, foi o único em Paris. Os outros: Pioline (duas vezes), Clement e Tsonga.
– Tsitsipas (22 anos) e Rublev (23) podem ser os mais jovens campeões de Slam desde Del Potro no US Open de 2009. Se der Zverev (24), será o mais jovem desde Djoko em Wimbledon-2011.
– A edição 2021 marca os 40 anos do último e sexto título de Borg e os 20 do tricampeonato de Guga.
– Feliciano López disputa o torneio pela 21ª vez e se torna o recordista. No geral, ele tem 77 Slam disputados contra 80 de Federer e é absoluto nos consecutivos (76 contra 68 de Verdasco). No feminino, Cornet chega a 57 seguidos e está a cinco da recordista Sugiyama. Venus joga seu 89º Slam
– Wilander, Lendl e Wawrinka foram únicos juvenis campeões que ganharam também no profissional.
– Não deixa de ser curioso: Serena é a tenista em atividade com mais troféus no saibro (13), acima de Halep e Venus (9) e Errani (7).
– Enquanto Nadal mira o 14º troféu desde 2005, a última canhota a vencer foi Seles, em 1992.
– A premiação geral do torneio caiu 6% em relação a 2020, mas o valor para a primeira rodada se manteve (60 mil euros). Os campeões embolsam 1,4 milhão.

Primeira rodada
Como era previsível diante da semana de Djokovic em Belgrado, os organizadores darão início pela parte inferior da chave masculina e os três maiores candidatos à liderar esse setor estarão em quadra: Dominic Thiem, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev. Entre as mulheres, as primeiras a jogar serão Naomi Osaka, Aryna Sabalenka e Petra Kvitova.
– Thiem nunca perdeu na estreia em 7 participações e tem 3-0 sobre Andujar. Semi de 2020, Tsitsipas encara bom teste diante de Chardy e Zverev é favoritaço diante do quali Otte.
– Osaka pega romena Tig e Sabalenka precisa tomar cuidado com Konjuh.
– O jogo feminino de maior histórico é o de Azarenka contra Kuznetsova, com 6 a 4 para a bielorrussa.

Fantasy
TenisBrasil criou uma ‘Liga’ dentro do Fantasy Games de Roland Garros. Assim o pessoal do site e do Blog poderá testar seus palpites. Você pode acessar pelo link
https://fantasy.rolandgarros.com/#welcome/register/?parrain=t5obp8c&ligue=4704, mas precisa se registrar antes de dar os palpites. Outro caminho é entrar no Fantasy, fazer cadastro e os palpites e depois é só procurar nossa “Liga” e adicioná-la. Vamos ver quem se sai melhor?

Embolado e divertido
Por José Nilton Dalcim
27 de maio de 2021 às 18:11

A briga pela soberania nos troféus de Grand Slam não poderia ter ficado mais atiçada com o sorteio de Roland Garros. Ao reunir pela primeira vez num Grand Slam todo o Big 3 no mesmo lado da chave, os espirituosos deuses do tênis deram a Novak Djokovic condições de impedir que Rafael Nadal ou Roger Federer se isolem com o 21º troféu e colocaram nas mãos do sérvio a oportunidade de encostar de vez nos dois e chegar aos 19 títulos. O sobrevivente desta batalha titânica tem grande chance de encarar na final um adversário sequioso por mudar a história.

Ao olhar a chave, não se vê enormes obstáculos para o duelo direto entre Nole e Federer e de um deles diante de Nadal. Difícil imaginar que Djokovic se atrapalhe com Pablo Cuevas, Ugo Humbert ou David Goffin antes de chegar nas quartas. O suíço é claro gera muitas incógnitas e teria de ganhar de jovens como Taylor Fritz, Matteo Berrettini ou Felix Aliassime para reencontrar o sérvio no saibro parisiense. Mas já aprendemos a nunca duvidar de Federer. E se acontecer, a lógica diz que estará mais para o placar de fáceis 3-0 de 2012 para Djoko do que para o show do suíço de 2011.

Cheio de moral depois de Roma, Nadal aguarda Lorenzo Sonego na terceira rodada e Jannik Sinner nas oitavas, jogos que exigem máxima seriedade. Daí pode acontecer qualquer coisa. Andrey Rublev é o candidato natural, mas seu setor tem Diego Schwartzman, ainda que viva fase de baixa, e Aslan Karatsev, sempre perigoso quando joga solto. A melhor aposta é vermos na semi o nono duelo entre Rafa e Djokovic somente em Roland Garros, dos quais o espanhol ganhou nada menos do que oito vezes. Alguém arrisca hoje um favorito?

Tsitsipas tira a sorte grande
Apesar dos pesares, o sorteio da chave masculina até pode ser considerado equilibrado, já que dividiu as forças nas duas metades da chave. Afinal, apesar do momento ruim, Dominic Thiem é um nome muito respeitável em Paris e o austríaco pode ficar muito perigoso se readquirir confiança. Ele provavelmente terá de passar por Alexander Zverev antes de cruzar com Stefanos Tsitsipas. Por isso, arriscaria a dizer que se vislumbra um finalista inédito em Roland Garros.

O caminho de Thiem começa com Pablo Andujar e deve seguir com Federico Delbonis e Fabio Fognini. Jogos exigentes mas administráveis. Seu primeiro problema deve ser o animado Casper Ruud, que já cansou de provar que se sente muito à vontade no saibro. Sascha por sua vez precisa economizar energia e desfrutar do caminho às quartas, já que no seu setor apenas Roberto Bautista me parece em condições de enfrentá-lo com maior igualdade.

Após desempenho excepcional nas últimas semanas, em que mostrou físico impecável e esteve muito perto de derrotar tanto Nadal como Djokovic, o maior desafio de Tsitsipas talvez seja administrar os holofotes. Sua possível trajetória tem dificuldades, a começar por Jeremy Chardy e passando por Sebastian Korda, John Isner e Pablo Carreño. Se cumprir o roteiro, estará com portas abertas nas quartas porque não dá muito para confiar num setor que lista Daniil Medvedev, Grigor Dimitrov, Cristian Garin e Reilly Opelka. Isso abre porta para uma surpresa do tipo Alexander Bublik, Tommy Paul ou Jaume Munar. O grego na teoria foi o ‘sortudo’ na formação da chave.

Thiago Monteiro não pode se queixar. Milos Raonic só fez dois jogos no saibro desde 2019, nenhum nesta temporada. Se passar, o brasileiro teria Frances Tiafoe ou Steve Johnson e quem sabe chegue em Carreño.

Mais emoção no feminino
A formação da chave também embaralhou o feminino e colocou do mesmo lado as duas atuais campeãs, Ashleigh Barty e Iga Swiatek. A australiana tem uma parada dura no entanto nas quartas caso cruze com Elina Svitolina, enquanto a polonesa pode cruzar com outra campeã, Garbiñe Muguruza.

A parte inferior tem Naomi Osaka e Serena Williams, mas eu ficarei mais atento a Aryna Sabalenka, que fez ótimas campanhas no saibro deste ano. A bielorrussa ficou no setor de Vika Azarenka e pode fazer quartas contra Petra Kvitova.

Outra grande surpresa de 2020, a argentina Nadia Podoroska não figurou entre as cabeças e assim terá de estrear logo contra Belinda Bencic. No entanto, dá para remar bem num quadrante em que estão Johanna Konta, Bianca Andreescu e Veronika Kudermetova.

Vida dura em Roma
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2021 às 18:21

Começou quente o mais importante preparativo para Roland Garros. Novak Djokovic, Rafael Nadal, Dominic Thiem, Stefanos Tsitsipas e Andrey Rublev tiveram de jogar muito sério para não se complicarem na estreia, enquanto Daniil Medvedev, Diego Schwartzman e David Goffin sequer chegaram nas oitavas. Favorecido por encarar um adversário de menor gabarito, só mesmo Alexander Zverev teve dia tranquilo.

E isso não foi privilégio da chave masculina. O complemento da segunda rodada do WTA viu Naomi Osaka, Serena Williams e Petra Kvitova derrotadas, Simona Halep sofrer triste contusão que deve tirá-la de Paris e viradas suadas da bicampeã Elina Svitolina e Garbiñe Muguruza. Nesse agito todo, Ashleigh Barty e Aryna Sabalenka avançaram, dando a impressão que quem vencer as quartas pode muito bem ir a mais uma final.

Nadal e Jannik Sinner fizeram talvez o jogo mais aguardado deste início de Masters 1000 italiano e o duelo correspondeu, com enorme empenho dos dois jogadores e um placar consideravelmente apertado, ainda mais se avaliarmos que o garoto italiano sacou duas vezes com quebra à frente no set inicial e depois fez 3/1 e 4/2 na série seguinte. Mas o tempo todo Sinner pareceu mais confortável na devolução do que no saque e seu jogo atrevido encarou sempre a notável capacidade defensiva e de contragolpe do veterano espanhol.

Com apenas 9 erros nesse intenso primeiro set e com 25 winners ao final do jogo, Nadal fez sua melhor apresentação da temporada de saibro porque precisou de suas melhores qualidades para manter Sinner sob algum controle. É fato que o saque ainda é um problema. O nove vezes campeão de Roma ganhou com apenas 49% de acerto de primeiro saque, que teve média de 185 km/h. Fará duelo de canhotos contra Denis Shapovalov e espera-se o reencontro com Zverev nas quartas. O alemão economizou energia e enfrenta Kei Nishikori.

O retorno de Djoko agradou, ainda que o mau tempo tenha embaralhado a partida contra Taylor Fritz. O sérvio sacou para fechar no que seria um bom 6/3 e 6/4, mas se apressou por conta da chuva iminente e se irritou tanto que descontou no juiz. Pediu com louvor desculpa ao árbitro na volta à quadra e conseguiu evitar o terceiro set. Se mantiver o padrão da estreia, terá pouco trabalho com Alejandro Davidovich e aí virá um desafio bem mais interessante contra Tsitsipas ou Matteo Berrettini. Observe-se no entanto que Berrettini fez 11 jogos nos últimos 22 dias.

Thiem ficou bem perto da derrota frente ao bom Marton Fucsovics. E por isso gostei muito de sua atitude na parte mental, encontrando bolas de grande risco e precisão diante do aperto. O austríaco está instável, isso é evidente, e talvez vitórias duras assim ajudem. Não pode vacilar contra Lorenzo Sonego e, se passar, terá um desafio e tanto diante de Andrey Rublev ou Roberto Bautista. O russo está à beira de um ataque de nervos, talvez por conta do calendário excessivo que pratica, e o veterano espanhol foi muito bem diante de Cristian Garin.

O quadrante que tinha Medvedev – está do lado de Nadal – perdeu também Schwartzman e Goffin, o que transforma essa vaga para a semi completamente aberta. Felix Aliassime enfim marcou a grande vitória na companhia do tio Toni e seria especial se ele encarasse Rafa na penúltima rodada. Para isso, terá de superar o canhoto Federico Delbonis e depois aguardar Aslan Karatsev ou Reilly Opelka. Não sei o que esperar desse jogo num saibro, ainda mais se estiver lento, mas depois de ganhar de Djokovic em Belgrado imagino que Karatsev tenha favoritismo para ir lá longe.

Pesos diferentes no feminino
A chave feminina ficou capenga, ou seja, agora muito forte na parte superior. Além do provável reencontro entre Barty e Sabalenka, estão na concorrência pela vaga na final quem passar do ótimo duelo entre Svitolina e Muguruza, cuja vencedora deve encarar Iga Swiatek em seguida. O histórico positivo da ucraniana em Roma é relevante.

No lado inferior, sete das oito classificadas sequer figuram entre as cabeças de chave. Essa exclusividade pertence à tcheca Karolina Pliskova, campeã de 2019 e vice do ano passado. Sua próxima adversária é a veterana Vera Zvonareva, que conseguiu a incrível façanha diante de Kvitova, 17 anos depois de ter chegado na semi de Roma em sua estreia. Quem vencer, pega um nome bem cotado no saibro: Angelique Kerber ou Jelena Ostapenko.

É preciso no entanto ficar de olho no jogo entre Nadia Podoroska e Petra Martic. A argentina fez uma exibição muito boa diante de uma esforçada Serena e o saibro é sua praia máxima. Jessica Pegula se aproveitou das intensas oscilações de Osaka, vendo o primeiro set escapar várias vezes entre os dedos, e terá de ser muito consistente diante de Ekaterina Alexandrova.