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Tênis à segunda potência
Por José Nilton Dalcim
17 de maio de 2019 às 21:32

Novak Djokovic venceu nesta sexta-feira um daqueles jogos grandes, que fazem tanta diferença para a carreira e a confiança. O argentino Juan Martin del Potro se saiu muito acima do esperado, porque mostrou um backhand sólido, batido e agressivo, assim como aguentou um batalha fisicamente exigente de 3h, marcada por intensas e qualificadas trocas de bola e emoções constantes. Forçou saque, disparou forehands incríveis, chegou a ter dois match-points no tiebreak.

Nole poderia, é claro, ter perdido, mas no global exibiu um tênis notavelmente consistente, onde se destacaram incríveis devoluções, defesas impossíveis, variações táticas inteligentes e acima de tudo uma enorme vontade de vencer. Faltou talvez buscar mais vezes as paralelas de backhand para desequilibrar Delpo, receita aliás que o argentino adotou com sucesso. Um espetáculo de tirar o fôlego do começo ao fim. O tênis elevado à segunda potência.

A certeza no entanto é que Djokovic saiu de quadra mais fortalecido do que a reação diante de Dominic Thiem e até mesmo do que o título em Madri de uma semana atrás.

– Ao longo de todo o primeiro set, Rafael Nadal encontrou enorme dificuldade para segurar o jogo ousado de Fernando Verdasco. Estava então excessivamente defensivo. Ficou atrás até 1/3 e precisou salvar 0-40 quando estava 4/4. Mas daí em diante tudo mudou. Verdasco perdeu a confiança e Nadal o engoliu, jogando um grande segundo set. Marcou o terceiro 6/0, chega na semi – a quarta seguida na fase de saibro – com seis games perdidos.

– Roger Federer causou a decepção dia, ao desistir com alegada dor na perna direita. Não chega a ser surpreendente. Sem jogar há tanto tempo no saibro, encarou três jogos fisicamente exigentes entre Madri e Roma. A boa notícia é que não perderá o terceiro lugar do ranking e tem grande chance de permanecer no posto ao final de Roland Garros.

– Stefanos Tsitsipas, que tem reclamado de cansaço, ganhou então um valioso dia de descanso após a rodada dupla de quinta. Faz segunda semi seguida no saibro europeu. Se for à decisão, vira top 5 e irá superar Nadal no segundo posto do ranking da temporada. Em caso de título, tira Dominic Thiem do quarto posto e, com 3.400, estará com um pé e meio no Finals de Londres.

– Enfim Diego Schwartzman conseguiu vencer Kei Nishikori, uma vitória que o leva a inédita semi de Masters. O primeiro set do jogo foi maluco: o japonês saiu de 1/5 e sacou para empatar. Daí em diante o argentino foi muito sólido. E garantiu que a rodada de dupla de quinta-feira acabou por ser fundamental: “Precisava de uma injeção de confiança e ela veio num dia inspirado”.

– Nadal e Tsitsipas revivem o duelo de uma semana atrás em Madri, vencido inesperadamente pelo grego. O piso do Foro Itálico no entanto é mais lento e deve favorecer o espanhol. Mas Rafa precisa antes de tudo controlar os nervos e a ansiedade de enfim fazer uma final no saibro europeu, evitando uma angustiante quarta semi perdida no seu ‘habitat’.

– Djoko e Dieguito se enfrentam pela terceira vez e relembram o jogo de Roland Garros-2017, em que o argentino chegou a liderar por 2 sets 1, mas então lhe faltaram forças. Talvez seja o elemento que decida outra vez em favor do sérvio, ainda que ele tenha saído da quadra depois da 1h da manhã, irá dormir bem tarde e assim terá pouco tempo de recuperação para o jogo previsto para as 20h locais (15h de Brasília).

– E a festa grega em Roma também está dobrada. Maria Sakkari marcou incrível virada sobre Kiki Mladenovic, dando sequência a uma semana de surpresas, em que tirou Petra Kvitova e Anett Kontaveit. Enfrentará Karolina Pliskova, a quem venceu justamente em Roma do ano passado. A tcheca virou em cima de Vika Azarenka.

– Não tivemos o duelo entre Naomi Osaka e Kiki Bertens. A japonesa sentiu o braço e nem foi à quadra. Campeã em Madri, a holandesa tem favoritismo sobre Johanna Konta e, se vencer, assumirá o segundo lugar do ranking, rebaixando Simona Halep.

O Big 3 dá espetáculo
Por José Nilton Dalcim
16 de maio de 2019 às 19:12

A chuva permitiu ao Fóro Itálico um momento inédito: assistir aos três maiores tenistas da história jogar duas vezes no mesmo dia, numa rodada que durou mais de 13 horas. E como foi espetacular. Novak Djokovic manteve o embalo de Madri e engoliu os adversários, Rafael Nadal não quis saber de brincadeira e cedeu dois games em quatro sets, Roger Federer brindou sua volta a Roma com máximo empenho numa partida disputada palmo a palmo com o valente Borna Coric, com direito a match-point para os dois lados.

Aliás, outros dois ‘trintões’ brilharam. Aos 35, o canhoto Fernando Verdasco sobreviveu a seis sets, eliminou primeiramente Dominic Thiem, que vinha sendo o destaque da temporada de saibro, e depois virou o jogo contra Karen Khachanov, num total de quase 5 horas de esforço. Quanta vontade de vencer. E Juan Martin del Potro, que se dizia em dúvida sobre sua capacidade de jogar bem outra vez sobre o saibro, passou por David Goffin e Casper Ruud com grande autoridade e uma torcida muito animada.

Djokovic reencontra Delpo no encerramento da rodada de sexta e é favorito, não apenas pelos 15-4 geral e 3-0 no saibro, mas pelo momento incerto do argentino. Pela manhã, Nadal tem vantagem ainda maior sobre Verdasco, de 16-3, mas pode ser um jogo divertido.

Fica a expectativa para ver como Federer irá se recuperar fisicamente – ficou 3h51 em quadra hoje – para encarar Tsitsipas e quanto cada um vai aguentar o duelo lá do fundo de quadra. É o terceiro jogo entre eles, todos em 2019. Por fim, abrindo o dia, Kei Nishikori busca repetir a semi de três anos atrás contra Diego Schwartzman, que enfim mostra sua capacidade sobre a terra. O japonês nunca perdeu, mesmo fazendo dois confrontos no saibro.

A rodada feminina foi um tanto inesperada, com queda de Simona Halep e abandonos de Petra Kvitova e Garbine Muguruza. Assim, as atrações das quartas de final ficam para  a revanche entre Karolina Pliskova e Vika Azarenka (a tcheca venceu apertado em Stuttgart semanas atrás) e a briga direta entre Naomi Osaka e Kiki Bertens, campeã de Madri e já terceira do ranking. A japonesa chega nas quartas pelo terceiro torneio seguido no saibro (fez semi em Stuttgart), o que prova evolução diante das 5 vitórias de 2018.

O triste caso Kyrgios
Mais uma vez, a ATP tem a oportunidade de invocar seu próprio regulamento para dar uma punição exemplar a Nick Kyrgios. Está escrito lá: o tenista está passível de penalidade caso ateste contra a integridade do esporte. Oras, e o que o australiano fez hoje em Roma? No dia em que o Big 3 deu um show de competência, seriedade e qualidade técnica, foi seu comportamento nefasto que virou manchete pelo mundo. Existe algo mais triste para macular a imagem do tênis?

Claro que a ATP tem que mexer também no bolso do rapaz, sempre uma penalidade que atormenta qualquer tenista, que detesta gastar centavos: foram retirados dele os 33 mil euros de premiação, que se soma à multa de outros 20 mil e à perda da gratuidade de hospedagem, o que deve gerar um prejuízo de 55 mil euros. Isso é justo, mas não o bastante.

Li um abalizado comentário que reforça ainda mais a “integridade do esporte” afetada. Kyrgios é adorado pela maioria das crianças e não se pode admitir que tal comportamento em quadra as influencie. Para o bem das futuras gerações, é preciso mostrar a todos que existe um claro limite. Kyrgios já ultrapassou todos.

Como já disse antes aqui, a ATP no fundo é a maior culpada pela situação. Teve inúmeras chances de brecar o australiano, e não o fez. Criticar gratuitamente parceiros de profissão, entre eles o número 1 do mundo, e dizer que venceu um torneio indo para baladas até 4h30 da manhã definitivamente não combinam com a honradez secular do tênis.

Seu estilo genial não recompensa o esporte na mesma proporção que suas atitudes e palavras trazem noticiário tão negativo.

Dez fatos sobre os cabeças de chave em Paris
Por José Nilton Dalcim
14 de maio de 2019 às 18:05

Esta é a semana que decide quem serão os 32 cabeças de chave em cada sexo para Roland Garros. Para muita gente, estar nessa lista tem importância capital. Vamos à situação de momento, com muita coisa já definida.

1. Estar entre os quatro cabeças em Roland Garros era obviamente essencial para Dominic Thiem. E ele garantiu o lugar depois de outra amarga derrota de Alexander Zverev, que defendia o vice em Roma.  O austríaco até pode ser o 3, superando Roger Federer, mas isso não faz qualquer diferença porque o sorteio é quem decide se ele estará do lado de Novak Djokovic ou de Rafael Nadal.

2. Os cabeças de 5 a 8 também estão quase definidos. Ficarão com Zverev, Stef Tsitsipas, Kei Nishikori e provavelmente Juan Martin del Potro, já que Kevin Anderson já anunciou que não vai a Paris. O argentino tem concorrência distante de Fabio Fognini e Karen Khachanov. Eles terão de marcar cerca de 200 pontos a mais que Delpo, ou seja, estar no mínimo na semifinal.

3. É muito valioso figurar entre os cabeças de 9 a 12, porque isso evita cruzar nas oitavas com os cabeças de 1 a 4. No momento, estariam nessa condição John Isner, Fognini, Khachanov e Marin Cilic. Com as derrotas precoces, Daniil Medvedev e Gael Monfils não podem chegar. Borna Coric precisa pelo menos de qaurtas para entrar na briga.

4. Os cabeças 13 a 16 fecham o grupo de elite, mas são aqueles que poderão pegar os quatro primeiros nas oitavas, o que não é bom negócio. Ficarão aí Medvedev e Monfils e provavelmente Coric. Como Milos Raonic também não vai a Paris, a outra vaga está aberta, com maior chance para Nikoloz Basilashvili, Marco Cecchinato, Roberto Bautista e quem sabe Diego Schwartzman.

5. Por fim, os outros 16 cabeças terão certamente Guido Pella, Denis Shapavalov, Alex de Minar, Lucas Pouille, Stan Wawrinka, Felix Aliassine, Gilles Simon, David Goffin e Kyle Edmund. Há um grupo grande de candidatos para as quatro vagas finais, com Matteo Berrettini, Dusan Lajovic, Laslo Djere, Nick Kyrgios e Fernando Verdasco.

6. Ficarão soltos na chave nomes perigosos, como Christian Garin, Marton Fucsovics e Hubert Hurkacz, assim como Pablo Cuevas, Jan-Lennard Struff e Jaume Munar. E, por que não?, Richard Gasquet e Grigor Dimitrov.

7. A indefinição é muito maior na chave feminina, embora haja enorme chance de Naomi Osaka e Simona Halep ficarem nas extremidades. Ainda sem saber se Angie Kerber estará em forma para jogar Paris, há disputa entre todos os postos de 1 a 8.

8. As maiores prejudicadas são Elina Svitolina e Serena e Williams, que não avançaram em Roma. Serão quase certamene as cabeças 9 e 10, o que não é de todo ruim porque enfrentarão cabeças de 5 a 8 nas oitavas.

9. Complicada mesmo parece a situação de Garbine Muguruza. A campeã de Roland Garros está no 19º lugar e precisaria lucrar 400 pontos em Roma para ao menos entrar como cabeça 16.

10. Outra vencedora de Paris, Jelena Ostapenko abandonou nesta terça-feira quando já perdia em Roma e não será sequer cabeça.