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Na 4ª chance, Thiem enfim será o favorito
Por José Nilton Dalcim
12 de setembro de 2020 às 00:35

As duas primeiras foram no saibro predileto, mas diante dele estava Rafael Nadal. A outra, inesperada, veio no sintético veloz que nunca foi seu forte, porém o adversário era Novak Djokovic. Neste domingo, após uma campanha de encher os olhos com seu tênis agressivo e incrivelmente intenso, Dominic Thiem enfim entrará para tentar seu primeiro Grand Slam na condição de favorito.

O adversário é um digno representante da nova geração, porém longe de ser inexperiente. Alexander Zverev, que já derrotou todo o Big 3 e tem na galeria de troféus um ATP Finals, subiu mais um degrau nos Slam. Terá no entanto contra si sua instabilidade e um histórico amplamente favorável a Thiem, que leva vantagem de 7 a 2 no geral dos confrontos, sendo os três últimos; 3 a 1 sobre a quadra dura e 3 a 0 nos Slam.

A batalha entre Thiem e Daniil Medvedev não decepcionou, ainda que tenha tido só três sets. Mas basta ver que cada tenista correu mais de 4 quilômetros para se entender o quão foi equilibrada. O russo jogou mal o primeiro set, já que apostou numa conduta um tanto defensiva, mas depois apostou nas paralelas e teve o saque na mão para ganhar as duas série seguintes, a primeira com 5/4 e a outra com 5/3.

O esforço físico e mental de ambos beirou o surreal, com pontos muito longos em todos os games, um à procura de desestabilizar o outro usando as mais variadas armas, com destaque para o slice que Thiem usou sem economias. Que correria. Por vezes, até deixaram a postura recuada da base e tentaram ganhar terreno, já que os buracos eram poucos. Obrigados a forçar, erraram também: 45 do russo e 33 do austríaco.

O primeiro jogo, ao contrário, foi muito estranho, principalmente porque os tenistas falharam demais. Zverev começou extremamente mal, se mexendo pouco, golpes descalibrados e apressados, saque pouco efetivo. Mesmo sem fazer nada de muito especial, o espanhol Pablo Carreño disparou no placar e ganhou os dois sets iniciais.

O alemão então mudou a postura. Passou a forçar mais o forehand, arriscou paralelas e o espanhol foi se encolhendo. O ponto crucial esteve na melhoria do primeiro saque de Zverev, que funcionou à perfeição da metade do quarto set em diante. Carreño lutou porém já não bastava mais esperar os desatinos do oponente. O jogo totalizou 101 erros, quase 35% do total de pontos disputados.

Aos 23 anos, Sascha dá mais um passo nos Grand Slam, os eventos onde carecia de qualidade e consistência. Fez semi da Austrália em janeiro e agora vai tentar o primeiro título, o que são progressos elogiáveis. É muito provável que, se jogar com o nível desta sexta-feira, terá poucas chances diante da solidez de Thiem. Mas talvez, se sentindo ‘zebra’, entre com postura mais condizente com um 7º do mundo.

Osaka e Vika lutam pelo terceiro Slam
Enquanto os homens sentirão o frio na barriga por um troféu inédito, Naomi Osaka e Victoria Azarenka farão às 17 horas deste sábado um duelo de gerações que vale o terceiro troféu de Grand Slam para ambas. Osaka já ganhou o US Open, há dois anos, e faturou logo em seguida o Australian Open, enquanto Vika foi bi em Melbourne há mais de sete anos, mesmas temporadas em que ficou com o vice em Flushing Meadows.

As duas dominaram a quadra dura na retomada do circuito e só não fizeram a final do Premier, duas semanas atrás, porque a japonesa sentiu a coxa esquerda e preferiu se poupar. Na quinta-feira, ganharam semifinais muito exigentes tanto no plano físico como no técnico, com o tradicional vigor para golpear a bola lá de trás. Osaka leva vantagem na força do primeiro saque. Vai ser interessante ver quem arrisca mais na paralela, uma opção que agrada às duas.

Elas já se enfrentaram três vezes. A bielorrussa venceu a primeira no Australian Open de 2016, mas perdeu no saibro de Roma em 2018 e também em Roland Garros no ano passado. A campeã embolsa US$ 3 milhões. Osaka pode recuperar o terceiro lugar do ranking e Azarenka, o 11º.

Bruno dá volta por cima, Osaka e Vika decidem
Por José Nilton Dalcim
11 de setembro de 2020 às 09:53

Três anos depois, o tênis profissional brasileiro voltou a erguer um troféu de Grand Slam. Em sua quinta final no US Open, Bruno Soares ganhou pela segunda vez a dupla masculina e agora é dono de seis triunfos desse quilate, que se juntam a duas mistas em Flushing Meadows e ao grande feito do Australian Open, em que venceu duplas e mistas na mesma edição.

É uma volta por cima, e das grandes, e das merecidas. Bruno foi abandonado pelo parceiro Jamie Murray na metade do calendário de 2019 e achou outro canhoto para tentar recompor um dueto de qualidade. Ao contrário do que havia acontecido com Murray, a simbiose foi muito mais lenta. Houve resultados bem negativos, como a segunda rodada de Wimbledon e do US Open. Por fim veio o título salvador de Xangai, depois o vice em Estocolmo, mas ainda assim não passaram das oitavas no Australian Open de janeiro.

Por essas ironias do destino, Bruno revelou ter contraído o coronavírus pouco antes de embarcar para os torneios combinados de Flushing Meadows. Jogou Cincinnati sem treinar e um tanto enfraquecido. Não conseguiram entrar de cabeça de chave no US Open, estiveram um set e uma quebra atrás na estreia, viram os adversários sacar para o jogo na rodada seguinte. Viradas que geraram confiança. Não perderam mais sets, mesmo diante de adversários bem estabelecidos, um deles o próprio Murray. Sabor de vingança?

Depois de cinco temporada seguidas ganhando títulos de Grand Slam em variadas categorias, o tênis brasileiro viveu um curto jejum em 2019. Nesse período, os duplistas mineiros tiveram papel fundamental. Bruno ganhou mistas no US Open de 2014, Marcelo Melo faturou Roland Garros em 2015, Soares foi campeão da Austrália e do US Open em 2016, Melo fez campanha histórica em Wimbledon de 2017. Houve sucesso também da garotada em 2014 (Luz/Zormann em Wimbledon), 2016 (Meligeni nos EUA) e 2018 (Wild no US Open).

Apesar de tanto sucesso, ainda não se dá tanto valor às duplas por aqui. Provavelmente o motivo é não termos uma parceria efetivamente nacional e assim estamos sempre dividindo conquistas com os estrangeiros. O que obviamente não diminui o mérito. Vale lembrar que Melo foi número 1 do mundo e Soares chegou ao 2 numa modalidade extremamente competitiva.

Vika faz virada espetacular, Osaka confirma
Enfim, Victoria Azarenka conseguiu ganhar de Serena Williams num Grand Slam. Dominada amplamente no primeiro set, Victoria Azarenka dava a impressão que perderia pela 11ª vez de uma agressiva Serena Williams, mas a bielorrussa mudou a postura já na abertura do segundo set, arriscou a devolução, entrou mais em quadra e derrubou pouco a pouco a confiança da hexacampeã.

Mesmo com tamanha agressividade, desferindo incríveis paralelas que deixaram várias vezes Serena plantada, cometeu apenas um erro ao longo de um acirrado segundo set e seis no decisivo, quando obteve uma quebra precoce e sustentou a vantagem com garra e cabeça fria. Uma reação de gala.

Isso coloca Vika em sua primeira final de Slam desde o vice do US Open de 2013. Foi aliás em janeiro desse mesmo ano em que conquistou o bi no Australian Open, seus únicos troféus desse quilate. Uma retomada notável para quem ganhou apenas três jogos de Slam em 2019. Às 17 horas de sábado, tentará se tornar a quarta mãe a vencer um Slam na Era Profissional.

Sua adversária é tão ou mais perigosa do que Serena, já que Naomi Osaka concorre ao segundo troféu em Nova York em três temporadas e igualmente ao terceiro de Slam. Tem a vantagem óbvia de ser nove anos mais jovem e tal qual Azarenka é uma jogadora que ataca o tempo inteiro e com margem mínima de erros.

O duelo desta noite contra Jennifer Brady foi intenso. A norte-americana só se rendeu no tiebreak do primeiro set, obteve uma quebra para esticar a decisão ao terceiro e obrigou Osaka a jogar um tênis de primeiríssima qualidade para enfim dominar as ações de um duelo rico em saques forçados, winners e correria.

Azarenka e Osaka farão a final que não aconteceu em Cincinnati duas semanas atrás, porque a japonesa se contundiu e nem entrou em quadra. Nos jogos válidos, Osaka ganhou duas no saibro (Roma-18 e Roland Garros-19) e perdeu uma no sintético (Austrália-16), mas isso bem antes de dar o grande salto na carreira.

A hora chegou, Zverev
Por José Nilton Dalcim
9 de setembro de 2020 às 02:07

Pelo segundo Grand Slam consecutivo, Alexander Zverev está entre os quatro melhores. Seria já um tremendo resultado para qualquer jogador de 23 anos, mas sempre se cobrou mais do alemão. Afinal, ele coleciona títulos importantes e vitórias de peso desde 2017. Como esquecer uma campanha vitoriosa em que superou sucessivamente Roger Federer e Novak Djokovic em plena quadra dura?

Sascha sempre foi um tenista de saque poderoso e jogo ofensivo, teve excepcionais treinadores, mas nunca evoluiu como se esperava nos seus principais defeitos: o jogo de rede, a movimentação para a frente, a cabeça instável. Tirou um grande peso das costas ao fazer semi no Australian Open depois de uma campanha medíocre na ATP Cup, mas não pôde embalar pela paralisação da temporada.

O US Open portanto pode ser o marco definitivo. Muito mais do que a parte técnica em si – e ele mostrou mais confiança nos voleios e andou chegando em curtinhas sem esforço -, Zverev parece estar sofrendo menos em quadra. Ainda dá seus showzinhos, chora para a juíza de cadeira, gesticula para seu box em desespero. No entanto é fácil perceber que há maior serenidade nas suas feições. A expressão de desespero quase desapareceu. E isso talvez explique o sucesso.

Quando Borna Coric abriu 6/1 e 4/2, o velho Sascha teria provavelmente se perdido, atormentado pelas memórias ruins de três derrotas para o croata, o mesmo que o venceu numa semi juvenil desse US Open antes de ser campeão e o tirou na segunda rodada de 2017. Mas o Zverev de hoje não se rendeu. Procurou alternativas, foi mais consistentes em dois tiebreaks claramente nervosos e concretizou a virada. Sorriu ao sentar no banco.

Chegou a hora. Terá dois dias para achar o melhor caminho para barrar o jogo sólido de base do espanhol Pablo Carreño, a quem derrotou no único duelo, em Miami-2018. Ao menos, David Ferrer, seu auxiliar técnico de luxo, conhece muito bem o adversário. Ao contrário da maioria de seus compatriotas, Carreño tem historicamente melhor rendimento no sintético do que no saibro e mostrou como pode ser competitivo diante de grandes sacadores na maratona de quatro horas desta noite sobre Denis Shapovalov.

Não foi fácil. O espanhol viu um Shapovalov mais paciente na construção dos pontos e muito feliz nos voleios no set inicial, mas conseguiu equilibrar e ganhou dois tiebreaks onde foi bem superior. Mesmo vindo de jogos muito longos, Denis lutou bravamente, jamais deixou de forçar e levou para o quinto set. A determinação ofensiva foi quase sempre do inquieto canadense, que liderou nos winners (76 a 33) e nos erros (76 a 42). É fundamental observar que Carreño ganhou 10 dos 12 sets contra Shapovalov em quatro jogos na quadra dura, um deles nas oitavas do US Open de 2017, campanha que levaria Pablo à então única semi de Slam e ao top 10.

Osaka brilha, Brady sonha
O aproveitamento de primeiro saque foi o único senão na atuação soberba de Naomi Osaka, que a recoloca na semifinal do US Open. A campeã de 2018 ainda assim fez sete aces e colocou a bola para andar com assustadora precisão. Cometeu apenas oito erros, mesmo abusando da profundidade dos golpes. A adversária Shelby Rogers participou ativamente do divertido jogo, forçou o tempo todo e mostrou grande controle no forehand ofensivo, batido sempre na subida.

Na semi de quinta-feira, Osaka terá pela frente outra norte-americana de ranking mediano, mas Jennifer Brady, atual 41ª, já mostrou qualidades para merecer muitos cuidados. Não perdeu sets, cedeu apenas 24 dos 84 games que disputou. E essa trajetória inclui adversárias de diferentes idades e currículos, como Ceci Bellis, Caroline Garcia, Angelique Kerber e Yulia Putintseva.

É outro jogo com promessa de ser bem agradável, com as duas jogadoras buscando os pontos. Brady força da base e é firme na devolução, mas obviamente pode pesar o fato de disputar sua primeira semi desse quilate e ainda mais contra Osaka.

Soares vai em busca do sexto Slam
A quadra dura e especialmente o US Open combinam mesmo com Bruno Soares, O mineiro de 38 anos atinge sua quinta final em Flushing Meadows e a oitava num Grand Slam depois de outra grande partida ao lado do canhoto croata Mate Pavic.

Novamente, o ponto alto da dupla foram as devoluções, que permitiram duas quebras seguidas na reta final da partida diante dos experientes e super entrosados Julian Roger e Horia Tecau. Campeões também de Xangai no ano passado, eles serão favoritos diante da primeira aventura de sucesso do dueto formado por Nikola Mektic, outro croata, e o holandês Wesley Koolhof, jogo marcado para as 16h de quinta-feira.

Foi no US Open de quatro anos atrás onde Bruno ganhou seu último Slam, então ao lado de Jamie Murray, com quem também havia vencido o Australian Open daquela temporada. Ele ainda tem dois troféus de duplas mistas em Nova York e outro em Melbourne. A outra final em Nova York veio em 2013, ao lado de Alexander Peya. Ele tem ainda um vice de mistas em Wimbledon.

Não menos importante, o eventual título colocará Soares e Pavic como segundos colocados no ranking de parcerias de 2020, que vale vaga no Finals de Londres.

E mais
– Del Potro foi o último tenista com menos de 23 anos a vencer um Slam (tinha 20 no US Open-2009).
– Nenhum ‘trintão’ chegou nas quartas de um Slam pela primeira vez desde o AusOpen de 2015 e desde o US Open de 2010.
– Esta é apenas a segunda vez na Era Aberta em que não há um campeão de Slam nas quartas de um torneio, repetindo Wimbledon-2003.
– O campeão de domingo será o primeiro nascido na década de 1990. Isso depois de 63 troféus seguidos de oriundos da década de 1980.