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Djoko e Nadal têm início animador
Por José Nilton Dalcim
14 de abril de 2021 às 17:04

Diante de dificuldades bem distintas, Novak Djokovic e Rafael Nadal tiveram início animador no saibro europeu. O sérvio passou dias treinando em Monte Carlo, quase um quintal de casa, e fez uma bela estreia diante de Jannik Sinner. O ultracampeão espanhol mostrou-se à vontade na volta a seu habitat natural e aproveitou cada minuto para se experimentar frente ao irregular Federico Delbonis.

Djokovic teve um teste real já de cara. Sinner faz a bola andar muito, mesmo no saibro lento, mas justamente essa característica de Monte Carlo foi o que mais o atrapalhou. Diante de um jogador de excepcional qualidade na defesa e no contra-ataque, o italiano se perdeu na necessidade de obter bolas milimétricas o tempo todo. Mais uma vez, ficou claro que ainda lhe falta um plano B.

O sérvio deu uma aula ao garoto sobre versatilidade e apuro tático. Entrou em quadra aparentemente já com o plano traçado de evitar que o adversário batesse na bola em posição equilibrada e utilizou as curtas para aproveitar a postura recuada de Sinner. E é essencial observar que as duas propostas não são nada simples de se executar diante de alguém que golpeia tão bem e forte dos dois lados.

É bem verdade que Nole perdeu dois games de serviço no primeiro set, algo que não assusta diante da lentidão do piso e das devoluções ousadas do italiano. Mas nada tirou seu foco e o líder do ranking seguiu até o fim com execução admirável da opção escolhida, subindo de nível no segundo set.

Pena que o reencontro com Hubert Hurkacz não vá acontecer, já que o polonês não se sentiu bem e jogou sem forças diante de Daniel Evans. O britânico de 1,75m até tem um estilo adaptável ao saibro, mas acaba de ganhar seu sexto jogo no piso em toda a carreira, algo que não fazia desde Barcelona de 2017. Assim, Djoko é candidato natural a duelar contra Sascha Zverev ou David Goffin nas quartas. O alemão teve bem menos trabalho do que eu imaginava diante de Lorenzo Sonego. Dos quatro sets que o belga ganhou, dois foram ‘pneus’.

Rafa teve a estreia muito tranquila que era esperada, já que o também canhoto Delbonis está alguns degraus abaixo. O espanhol aproveitou bem a partida para soltar os golpes e fez um primeiro set bem a seu estilo sobre o saibro, com meros quatro erros não forçados. Depois até perdeu um serviço em game longo no melhor momento do argentino, o que ao menos serviu para o espanhol esticar a presença em quadra, rodagem bem vinda neste retorno à atividade.

Nas condições normais de Monte Carlo, Grigor Dimitrov teria poucas chances frente a Nadal. Fato curioso, este será o quarto duelo entre eles no torneio e só lá em 2013 o búlgaro deu trabalho. Em 2018 e 2019, tirou meros cinco games por jogo. O placar geral do confronto é arrasador: 13 a 1, com única vitória de Dimitrov no veloz Pequim de 2016. Me parece lógico acreditar que Rafa cruzará com Andrey Rublev ou Roberto Bautista em seguida.

As três primeiras rodadas do torneio tiveram outros destaques, o principal deles o abandono forçado de Daniil Medvedev por ter contraído covid. Isso já coloca em risco sua presença em Madri e abre grande oportunidade para Nadal recuperar rapidamente o segundo lugar do ranking.

Já Pablo Carreño emendou mais duas vitórias a seu título de domingo em Marbella, a de hoje diante de Karen Khachanov, e terá pela frente um embalado Casper Ruud, que não deu chance a Diego Schwartzman. No caminho dos dois, está o atual campeão Fabio Fognini, que economizou energia em duas atuações firmes e é favorito contra Filip Krajinovic.

Imperdível será o duelo entre Stefanos Tsitsipas e Cristian Garin, um dos setores mais duros da chave. Basta ver que o grego estreou contra Aslan Karatsev e precisou jogar firme, enquanto o chileno virou o jogo de dois dias contra Felix Aliassime. Há uma ótima chance de o vencedor chegar até a semi e desafiar Djokovic.

Velhos favoritos em Monte Carlo
Por José Nilton Dalcim
9 de abril de 2021 às 19:40

Ainda que a pandemia permaneça um fantasma a assombrar a Europa e o esporte, o calendário do saibro europeu deu largada nos moldes quase normais e o secular torneio de Monte Carlo – que na verdade é disputado em território francês – retomará seu papel de primeiro grande desafio a partir deste domingo. Não terá público, mas reunirá  oito dos top 10 e especialmente Rafael Nadal e Novak Djokovic, que juntos venceram 13 das últimas 15 edições.

É bem verdade que Monte Carlo raramente foi uma referência ideal para Roland Garros. Além de acontecer após longa jornada sobre quadra dura, algumas delas bem velozes, exige que todos se adaptem à superfície considerada a mais lenta de todo o circuito, onde o verão australiano e o calor da Califórnia e da Flórida são de repente substituídos por um clima congelante, como será ao longo da semana, em que se prevê máxima de 15 graus. Mas o Masters do Principado tem importância inquestionável quando se trata de dar confiança e avaliar o que cada um vai precisar evoluir ao longo das próximas semanas.

Impossível tirar o favoritismo inicial de Nadal e Djokovic, mas curiosamante os dois não jogam desde o Australian Open, ambos se preservando por questões médicas. O espanhol saltou Acapulco e Miami e portanto devemos considerar que sua contusão lombar foi realmente grave, já que ele se afastou da liderança e acabou superado por Danill Medvedev no ranking. Nole também precisava cuidar da pequena ruptura abdominal, porém a parada certamente foi bem menos dolorosa para quem saiu de Melbourne com um título tão suado e importante.

Dominic Thiem, ainda o tenista que reúne as maiores qualidades para competir com Rafa e Djoko no saibro, não jogará, porém há esperança de alguns duelos exigentes para os dois. O cabeça 1, por exemplo, pode estrear contra Jannik Sinner e e em seguida ser desafiado por Hubert Hurkacz, justamente os recentes finalistas de Miami. O italiano nasceu sobre o saibro e já ganhou de nomes como Alexander Zverev, Stefanos Tsitsipas e David Goffin, porém o currículo em torneios grandes ainda é pequeno. O polonês deve estar com o moral nas alturas, mas soma apenas 8 vitórias em 22 jogos sobre a terra em eventos de peso, ainda que tenha vencido Andrey Rublev e dado trabalho a Diego Schwartzman em Roma do ano passado.

A reta de chegada de Djokovic poderá cruzar com o próprio Zverev, nome de inegável competência no piso, e na sequência Tsitsipas ou Matteo Berrettini. Nesse quadrante estão alguns nomes que merecem muita atenção: Lorenzo Musetti e sua estreia justamente contra Aslan Karatsev; assim como Felix Aliassime, que acabou de anunciar Toni Nadal como novo treinador e terá como primeiro adversário Cristian Garin, saibrista autêntico. Vai ser divertido. Talento puro, Musetti parece cru demais para aventuras desse porte.

O início da caminhada de Rafa é na teoria muito mais tranquilo. Não imagino que Adrian Mannarino ou Grigor Dimitrov sejam adversários à altura em condições tão lentas. Quem sabe, um qualificado, adversário de Mannarino, possa testar melhor o espanhol na sua estreia. Depois, a lógica aponta Andrey Rublev ou Roberto Bautista nas quartas, novamente dois jogadores que teriam de achar soluções muito perfeitas. Eles têm até títulos na terra, mas em eventos de categoria inferior. Sabem quantos games Bautista tirou de Nadal em três duelos e sete sets sobre o saibro? 14.

O último quadrante é mais aberto. Schwartzman me parece o grande candidato do setor, ainda que não se possa desprezar totalmente Medvedev ou o atual campeão Fabio Fognini. O número 2 do mundo no entanto ainda tem muito a provar no saibro, lugar onde só ganhou 10 partidas de ATP na carreira. Sua isolada campanha nobre foi justamente em Monte Carlo de 2019, em que assombrou ao tirar Djokovic nas quartas antes de parar em Dusan Lajovic. Excepcional na superfície, Fognini anda numa fase muito ruim e levou uma surra em Marbella ontem diante de Jaume Munar.

Jogos imperdíveis de primeira rodada, a ser disputada domingo e segunda, que recomendo: Sinner x Ramos, Musetti x Karatsev, Aliassime x Garin, Ruud x Rune, Khachanov x Djere, Fognini x Kecmanovic, Bautista x Fritz e Davidovich x De Minaur.

Fognini precisa agora ir atrás do top 10
Por José Nilton Dalcim
21 de abril de 2019 às 21:53

O primeiro passo foi dado. Enfim, o talento de Fabio Fognini ergueu um dos grandes troféus do circuito masculino e faturou com máxima justiça Monte Carlo. Afinal, alguém que domina Rafa Nadal como ele fez no sábado teria mesmo de ficar com o título.

Então o sonho de um dia chegar ao top 10, que ele próprio revelou meses atrás, nunca esteve tão perto. O italiano, pertinho da casa dos 32 anos, aparecerá nesta segunda-feira em seu recorde pessoal, o 12º posto, 5 pontos atrás de Marin Cilic e a apenas 245 de John Isner. Somará tudo que fizer acima dos 45 em Barcelona e dos 10 em Madri. É uma chance de ouro. E depois defende apenas 180 em Roma e em Paris, locais onde pode se sair muito, muito bem.

Fognini garante no entanto que não quer pensar em Barcelona ou em ranking por enquanto. Ele será cabeça 4 lá e portanto deve estrear somente na quarta-feira, o que lhe dá tempo para comemorar e descansar. Ele destacou na campanha de Mônaco, claro, sua vitória na semi sobre Nadal, mas mostrou muita consciência ao dizer que o espanhol continua favorito a tudo que jogar no saibro europeu. A boa notícia é que Rafa ficou do outro lado da chave em Barcelona.

A final deste domingo começou tensa, como era de se esperar. Dusan Lajovic teve a primeira vantagem, ainda no terceiro game, mas cedeu o 2/2 em seguida e daí em diante o que se viu foi Fognini sempre muito mais oportuno nos famosos ‘pontos importantes’. Lajovic várias vezes pareceu indeciso sobre que postura adotar, foi menos agressivo do que vinha fazendo na semana, e obviamente sofreu com a incrível capacidade do italiano em variar direções e efeitos. Não foi um jogo espetacular e o vento contribuiu muito para isso.

Lajovic aliás também deu uma declaração interessante, afirmando que ver Fognini jogar o melhor tênis da carreira pertinho dos 32 anos é um grande incentivo para ele, que aos 28 disputou sua primeira final de nível ATP.

Novos tempos
Fato muito relevante: este é o segundo ano consecutivo em que três diferentes jogadores vencem os Masters iniciais do calendário e que dois deles são debutantes. Em 2018, foram Juan Martin del Potro e John Isner e agora Fognini e Dominic Thiem. Algo que só havia acontecido em 1990, quando foi instituída a série Masters, com triunfos de Stefan Edberg, Andre Agassi e Andrei Chesnokov.

Outro dado bem interessante divulgado pela ATP lembra que Fognini é o oitavo tenista a ganhar seu primeiro Masters nos últimos 17 eventos disputados. Antes de Roma-2017, também foram oito porém em 92 torneios, ou seja, no período de amplo domínio do Big 4.

Detalhes
– Fognini é o primeiro tenista a derrotar Nadal e ganhar um troféu no saibro desde Pablo Cuevas, no Rio Open de 2016.
– O último italiano a ter vencido Monte Carlo foi Nicola Pietrangeli, em 1968, quando o tênis ainda não havia entrado na Era Profissional. Corrado Barazzutti foi vice em 1977.
– Lajovic é treinado justamente pelo ex-técnico de Fognini, o espanhol Jose Perlas, e treina atualmente em Barcelona.
– Sinal de como o saibro é lento em Monte Carlo, Fognini levantou o título com média na semana de 57% de acerto de primeiro saque e 65% de pontos vencidos com ele.
– O sérvio jogou a semana toda com uma bolha dolorida no dedão do pé e revelou que a preparação para entrar em quadra foi extremamente chata e longa.

Não deu
O renovado time brasileiro da Fed Cup não teve mesmo muita chance em Bratislava, mesmo jogando sobre saibro coberto. Dominika Cibulkova, ex-top 4 e vice do Australian Open, colocou toda sua experiência em quadra e fez a diferença, mas ainda assim Bia Haddad esteve bem perto de ganhar o primeiro set no terceiro e decisivo jogo deste domingo, quando abriu 5/3 e teve o serviço a favor.

Vale lembrar que a canhota de 22 anos estava competindo em Bogotá até o sábado e se dispôs a um longo deslocamento até a Eslováquia, onde chegou apenas na quarta-feira.

É preciso ainda dar o devido desconto às meninas, que raramente disputam jogos de nível tão alto e sob tamanha pressão. Há uma distância grande de qualidade e de experiência entre Bia e as demais integrantes do time, isso é inegável.

O lado realmente positivo está no fato de esse grupo ser muito unido, todas trabalham juntas e sem atritos, algo bem raro na nossa longa história de Fed Cup.