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Especial 20 anos: As maiores de todos os tempos
Por José Nilton Dalcim
15 de outubro de 2018 às 20:51

Esta semana é especial para TenisBrasil: no dia 20, completaremos 20 anos de existência. E para marcar esse momento, o Blog do Tênis publicará ao longo desta semana sua lista ’20+’: as maiores tenistas, os jogos mais espetaculares, os brasileiros, os melhores homens…

Começamos pelas 20 maiores tenistas da história. Justificarei sempre o voto nos cinco primeiros. Aguardo suas participações!

1. Martina Navratilova
Não tem tantos Grand Slam de simples como Margaret Court ou Serena Williams, nem ocupou o número 1 de simples como Steffi Graf, mas detém recordes talvez insuperáveis de títulos e vitórias em simples e em duplas, além de ter liderado os dois rankings. São 18 Slam de simples, 31 de duplas e 10 de mistas, tendo figurado na ponta do ranking por 332 em simples e 237 em duplas, sendo 200 semanas como número 1 nas duas listas. Encerrou carreira com 167 troféus de simples e 177 de duplas, sendo 84 deles no mesmo torneio. Assim, lidera também no número de vitórias de simples (1.442) e de duplas (747) na carreira. Venceu o Finals oito vezes em simples e 11 em duplas. Não bastassem tantos números, revolucionou o tênis ao montar equipe multidisciplinar e batalhou avidamente pelos direitos femininos no circuito.

2. Serena Williams
Mais velha tenista a deter todos os títulos de Slam simultaneamente, tem feitos extraordinários principalmente após os 30 anos. Em duplas também fechou o Slam não consecutivo em 2001, tendo ainda o ouro olímpico. Serena disputou final de todos os Slam em todas as modalidades, tendo vencido simples e duplas em todos e mistas em Wimbledon e US Open. É recordista de vitórias em Slam (314) e única com ao menos seis troféus em três Slam diferentes. Apesar de duas longas paradas por contusão e outra por gravidez, ficou 319 semanas como número 1.

3. Steffi Graf
Maior número de semanas na liderança do ranking (377), terceira maior coleção de títulos de Slam (23) e de troféus na Era Profissional (107). Fechou o Golden Slam ao vencer todos os Slam e o título olímpico em 1988.

4. Margaret Court
Tenista que mais ganhou troféus de Slam em simples (24) e  no total (64, sendo 19 de duplas e 21 de mistas), tem a carreira dividida entre as fases amadora e profissional. Na etapa após 1968, seus números caem para 11 Slam de simples, 10 de duplas e 7 de mistas, mas ainda são notáveis.

5. Chris Evert
Com 18 troféus de Grand Slam e outras 16 finais, tem o quarto maior reinado como número 1 e a segunda maior coleção de títulos de simples (157). Foi tetracampeã do Finals. Sua rivalidade com Navratilova é a mais significativa da história do tênis feminino.

As outras top 10
6. Helen Wills
7. Billie Jean King
8. Suzanne Lenglen
9. Monica Seles
10. Martina Hingis

As demais top 20:
11. Maureen Connolly
12. Maria Esther Bueno
13. Justine Henin
14. Venus Williams
15. Doris Hart
16. Althea Gibson
17. Maria Sharapova
18. Kim Clijsters
19. Lindsay Davenport
20. Arantxa Sanchez

Triste aniversário
Por José Nilton Dalcim
2 de maio de 2013 às 11:15

O dia 30 de abril marcou um triste aniversário para o tênis. Vinte anos antes, um lunático apunhalou a iugoslava Monica Seles nas costas, num intervalo de sua partida contra a búlgara Magdalena Maleeva, interrompendo uma das mais incríveis carreiras em todos os tempos.

Monica tinha apenas 19 anos e era um fenômeno, tendo conquistado sete dos últimos nove Grand Slam com um estilo muito peculiar, ao executar os golpes de base com as duas mãos, dos dois lados, embora sacasse como canhota. Era dona de um tênis agressivo, sempre buscando as linhas, e de uma enorme simpatia.

Então o fanatismo mudou tudo. Seles vencia por 6/4 e 4/3, foi se sentar para a virada de lados. Eram 18h50, quando Seles soltou um grito de dor e colocou a mão nas costas. Gunter Parche, de 38 anos, acabava de dar um golpe em suas costas com uma lâmina de 23 centímetros. Por sorte, com um movimento inesperado, apenas dois centímetros entraram próximos à quarta vértebra toráxica.

Mentalmente perturbado, Parche era obcecado por Steffi Graf e estava inconformado com o fato de a alemã ter perdido a liderança do ranking para Seles um ano e meio antes. No julgamento, ele afirmou que queria apenas ferir a iugoslava, sem intenção de matá-la. A ideia era deixar Seles afastada das quadras para Graf recuperar o número 1. E conseguiu.

Ao levar o golpe, Seles viu sangue, cambaleou e caiu ao chão. “Não sabia o que estava acontecendo. De repente, me faltou o ar e senti uma dor terrível nas costas”, contou na biografia publicada em 2009, em que revelou a decepção de não ter sido visitada por Graf no hospital.

Fato curioso é que Seles vinha sempre cercada de cuidados especiais dos organizadores devido à guerra civil na antiga Iugoslávia. Sempre estava acompanhada por quatro guarda-costas, nunca jogava ou treinava na mesma quadra, chegava a mudar de vestiário a cada dia.

Levada imediatamente a um hospital, os médicos constataram que o ferimento não era grave, mas que Monica havia tido muita sorte. Se não tivesse se inclinado na hora do golpe, poderia ter ficado paralítica. Enquanto isso, o torneio prosseguiu por ordem da WTA e consentimento das demais jogadoras. “Fiquei aturdida. Era como se nada tivesse acontecido. Nesse momento percebi que o tênis é apenas um negócio, só uma questão de dinheiro”, escreveu em seu livro.

Parche foi condenado por lesão corporal, mas pegou apenas dois anos de liberdade assistida, por se tratar de um desequilibrado mental. Sofreu vários derrames cerebrais e vive hoje um asilo.

Seles nunca mais pisou na Alemanha, se recuperou fisicamente mas entrou numa depressão profunda, que durou dois anos. Engordou 30 quilos. Em julho de 1995, fez uma exibição com Martina Navratilova e um mês depois voltou ao circuito e conquistou o título do Canadá. Prova de qualidade incrível, venceu em janeiro seu nono e último Slam na Austrália, já como cidadã norte-americana. Continuou somando títulos – foram mais 20 até o último, em Madri de 2002 – e encerrou a carreira discretamente, em fevereiro de 2008, sem uma despedida oficial.

Hoje, aos 39 anos, ela se envolve pouco com tênis e participa de ações para crianças carentes da África. “O que aconteceu em Hamburgo mudou minha carreira de forma irreversível. Em uma fração de segundo, toda minha vida mudou”.

P.S.: Quando Seles decidiu voltar às quadras, a WTA ficou diante de um dilema e tomou uma atitude sem precedentes, recolocando Seles como número 1 do ranking. Com isso, o US Open de 1995 teve duas cabeças de chave 1.