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Será que agora vai, Serena?
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2019 às 00:38

Serena Williams não desiste. Ainda bem.

Pela quarta vez nos últimos 15 meses, ela se deu a oportunidade de tentar o 24º troféu de Grand Slam para enfim se igualar a Margaret Court, o que já escapou duas vezes em Wimbledon e outra lá mesmo no US Open naquela terrível final do ano passado. Tão pertinho dos 38 anos, que completará em três semanas, ela lutou contra a forma física, o descrédito, seu destempero, e chegou lá de novo. Será que agora finalmente vai conseguir?

Ao atropelar uma irreconhecível Elina Svitolina na noite desta quinta-feira, Serena repete a final do US Open de exatos 20 anos atrás, e acrescenta outra façanha à incrível carreira, agora a tenista que marcou a maior distância entre a primeira e a mais recente final de Grand Slam da Era Aberta.

Aliás, também se transforma na profissional mais velha a ser finalista de um Slam, aos 37 anos e 347 dias. Ela, que detém o recorde de campeã de maior idade na Austrália, Roland Garros e Wimbledon, pode retomar o posto também no US Open, superada que foi por Flavia Pennetta em 2015.

Há muita coisa esperando por Serena às 17 horas de sábado. Terá a chance também de superar duas marcas incríveis de Chris Evert, com quem divide seis títulos em Nova York e agora 101 vitórias. Gostem ou não de Serena, é preciso reconhecer seu notável espírito competitivo. Em uma temporada confusa em que soma apenas 30 partidas, alcança a 33ª final em 73 Slam disputados. Um dado curioso levantado pela WTA lembra que ela só perdeu três finais em Flushing Meadows, as de 2001, 2011 e 2018. Nas duas primeiras, levou o título na edição seguinte.

A pergunta que fica é como reagirá Serena ao encarar pelo segundo ano seguido uma novata na decisão. Ela também tinha a experiência e a torcida a favor quando viu a fã Naomi Osaka pela frente há 12 meses e fez aquele papelão. Embora um desafio desse porte seja novidade para a adolescente Bianca Andreescu, que sequer havia nascido quando Serena ganhou seu primeiro US Open, em 1999, a canadense tem personalidade distinta da tímida Osaka. É impulsiva, expansiva e já ganhou um título em cima de Serena poucos dias atrás, em Toronto, se bem que a norte-americana abandonou após meros quatro games.

Tarefa completamente distinta à de Williams, Andreescu sobreviveu a uma tensa semifinal nesta noite diante da suíça Belinda Bencic. Só o primeiro set durou quase 70 minutos, e as oportunidades foram divididas. Escapou de várias situações delicadas com a frieza e coragem que assombraram o circuito desde sua arrancada, em março. E foi buscar um segundo set que parecido perdido. É exatamente isso o que se espera dela. Garra, golpes pesados, saque audacioso, boa mão para deixadas e voleios… Andreescu faz um pouco de tudo e faz tudo muito bem. Talvez só o dolorido joelho esquerdo seja um fator de preocupação.

Em sua primeira chave principal do US Open – jogou e perdeu no quali do ano passado -, Bibi é a terceira tenista de seu país, e a segunda mulher, a atingir a final de um Slam, repetindo Eugénie Bouchard e Milos Raonic. Também não deixa de ser curioso que supere Denis Shapovalov e Felix Aliassime, esperanças bem mais badaladas do jovem tênis canadense.

Fato notável, este é apenas seu quarto Slam da curtíssima carreira e, se vencer, irá igualar a façanha de outra prodígio, Monica Seles, que também disputou apenas quatro antes de faturar Roland Garros em 1990, com a diferença que a então iugoslava tinha meros 16 anos.

Para a história
– Três dos últimos quatro títulos femininos do US Open foram vencidos por tenistas que marcaram seu primeiro troféu de Slam: Flavia Pennetta (2015), Sloane Stephens (2017) e Naomi Osaka (2018).
– Qualquer que seja a campeã deste sábado, o circuito feminino novamente terá quatro diferentes vencedoras de Slam em 2019, já que Osaka levou Melbourne, Ash Barty ganhou Paris e Simona Halep, Wimbledon. Essa diversidade repete 2017 e 2018. Nunca isso havia acontecido entre as mulheres por três temporadas seguidas.

Nem vento para Nadal
Por José Nilton Dalcim
7 de junho de 2019 às 18:56

Nunca foi tão óbvio cumprir uma profecia. Desde que voltou a jogar em alto nível em Roma, e ainda por cima com título em cima de Novak Djokovic, era evidente que Rafael Nadal recuperaria a confiança e o tênis mágico sobre o saibro para tentar o 12º título de Roland Garros. Não houve adversário, nem histórico, nem vento que pudesse impedir isso. Não se sabe contra quem ou quando, mas isso não faz diferença. Rafa é o favorito.

Conforme a previsão, o vento forte de até 40 km/h foi um ingrediente importante nos jogos desta sexta-feira. Prejudicou a qualidade das duas semifinais, obrigou os tenistas a fazer curiosas improvisações e quem usou mais topspin conseguiu esfriar a cabeça antes. Nadal jogou bem demais para estas condições radicais, Dominic Thiem abriu vantagem sobre Nole até a chuva chegar pela segunda vez e forçar um adiamento controverso para o sábado cedo.

Federer resistiu o quanto pôde, e desperdiçou chances valiosas nos dois primeiros sets que poderiam ao menos tornar o jogo bem duro. Mas falhou na hora de empatar por 3/3 a primeira série e desperdiçou 2/0 na outra. A esperada dificuldade de controlar seus golpes mais retos ou de chegar bem à rede diante do vento somou-se a uma atuação magnífica de Nadal.

O espanhol cravou 82% do primeiro saque e surpreendeu duplamente com o backhand, ora batido na paralela no pé do adversário, ora violento e cruzado. Se é fato que não fica fácil volear naquelas condições, também é extremamente difícil achar passadas e ângulos tão milimétricos. Saiu de quadra com 33 winners, oito a mais que Federer, um padrão que eu tenho ressaltado em todos os jogos de Rafa neste torneio.

A façanha de Nadal é recheada de números. Para começar, nenhum tenista em qualquer nível ATP já fez 12 finais num mesmo torneio e agora iguala Margaret Court nos Grand Slam, ela que tem 11 títulos e 1 vice na Austrália. Jamais perdeu uma semi em Paris, e na soma de todas elas só perdeu 3 sets. Está agora com 92 vitórias em 94 possíveis no torneio, tendo vencido os dois únicos jogos em que foi levado ao quinto set, e estende a incrível marca sobre o saibro em partidas de melhor de 5 sets para 117 em 119 feitas na carreira.

Em seus duelos diante de Federer, encerrou a série de cinco derrotas consecutivas e o jejum que vinha desde janeiro de 2014. Sobe para 24-15 no geral (sendo 14-2 no saibro), vai a 10-3 nos Slam (dos quais 6-0 em Roland Garros) e 4-0 em semis de Slam (as outras duas na Austrália).

E quem será seu adversário? Thiem se adaptou muito melhor ao vento com seu topspin pesado dos dois lados e viu Djokovic contrariado e falível num primeiro set bem abaixo do que vinha jogando. A chuva chegou em boa hora, o sérvio conseguiu colocar a cabeça no lugar no final do segundo set, mas o austríaco voltou a abrir vantagem com 3/1. Aí outra vez choveu e a organização decidiu por adiar de vez a partida para o sábado, ainda que já tivesse aparecido o sol em Paris e faltassem pelo menos três horas para escurecer.

Impossível prever como irão reagir cada um no retorno. O sábado promete tempo seco porém o vento de 30 kim/h continua. A organização não se antecipa e aguarda os sets finais para dizer se a final permanece no domingo ou vai para segunda-feira. Se Thiem completar a vitória até o quarto set, imagino que a decisão será no dia seguinte, mas se Djoko reagir ou levar ao quinto set – e principalmente se vencer -, a chance de adiamento é enorme.

Final imprevisível entre as meninas
O vento acordou cedo e também atrapalhou muito as semifinais femininas, disputadas simultaneamente nos estádios secundários. A vitória de Ashleigh Barty foi uma das mais notórias gangorras da temporada. A australiana teve set-point para 6/0, mas foi perder no tiebreak. Aí Amanda Anisimova fez 3/0 sem ceder um ponto sequer e caiu por 3/6. No terceiro, a adolescente abriu 2/1 com saque, Barty virou para 5/2 e precisou de seis match-points para enfim disputar a primeira final de Slam da carreira, aos 23 anos.

Se Anisimova lembra fisicamente Monica Seles, será Marketa Vondrousova quem tentará repetir a iugoslava, que foi a última (e apenas segunda) canhota a vencer a fase profissional de Roland Garros, em 1992. A tcheca de 19 anos mostrou maturidade num jogo em que a experiente Johanna Konta liderou por algumas vezes, incluindo 5/3 e três set-points, depois 5/4 e saque.

A final tende a ser nervosa, ainda mais se com a expectativa de vento forte, o que torna tudo um pouco mais lotérico. Vondrousova tem o saibro como piso predileto, se mexe muito bem e também gosta de variar. No entanto, perdeu os dois duelos feitos contra Barty. A australiana, aliás, concorre a assumir a vice-liderança do ranking em caso de título.

Boa notícia, a final feminina passará ao vivo na Band aberta também.

Especial 20 anos: As maiores de todos os tempos
Por José Nilton Dalcim
15 de outubro de 2018 às 20:51

Esta semana é especial para TenisBrasil: no dia 20, completaremos 20 anos de existência. E para marcar esse momento, o Blog do Tênis publicará ao longo desta semana sua lista ’20+’: as maiores tenistas, os jogos mais espetaculares, os brasileiros, os melhores homens…

Começamos pelas 20 maiores tenistas da história. Justificarei sempre o voto nos cinco primeiros. Aguardo suas participações!

1. Martina Navratilova
Não tem tantos Grand Slam de simples como Margaret Court ou Serena Williams, nem ocupou o número 1 de simples como Steffi Graf, mas detém recordes talvez insuperáveis de títulos e vitórias em simples e em duplas, além de ter liderado os dois rankings. São 18 Slam de simples, 31 de duplas e 10 de mistas, tendo figurado na ponta do ranking por 332 em simples e 237 em duplas, sendo 200 semanas como número 1 nas duas listas. Encerrou carreira com 167 troféus de simples e 177 de duplas, sendo 84 deles no mesmo torneio. Assim, lidera também no número de vitórias de simples (1.442) e de duplas (747) na carreira. Venceu o Finals oito vezes em simples e 11 em duplas. Não bastassem tantos números, revolucionou o tênis ao montar equipe multidisciplinar e batalhou avidamente pelos direitos femininos no circuito.

2. Serena Williams
Mais velha tenista a deter todos os títulos de Slam simultaneamente, tem feitos extraordinários principalmente após os 30 anos. Em duplas também fechou o Slam não consecutivo em 2001, tendo ainda o ouro olímpico. Serena disputou final de todos os Slam em todas as modalidades, tendo vencido simples e duplas em todos e mistas em Wimbledon e US Open. É recordista de vitórias em Slam (314) e única com ao menos seis troféus em três Slam diferentes. Apesar de duas longas paradas por contusão e outra por gravidez, ficou 319 semanas como número 1.

3. Steffi Graf
Maior número de semanas na liderança do ranking (377), terceira maior coleção de títulos de Slam (23) e de troféus na Era Profissional (107). Fechou o Golden Slam ao vencer todos os Slam e o título olímpico em 1988.

4. Margaret Court
Tenista que mais ganhou troféus de Slam em simples (24) e  no total (64, sendo 19 de duplas e 21 de mistas), tem a carreira dividida entre as fases amadora e profissional. Na etapa após 1968, seus números caem para 11 Slam de simples, 10 de duplas e 7 de mistas, mas ainda são notáveis.

5. Chris Evert
Com 18 troféus de Grand Slam e outras 16 finais, tem o quarto maior reinado como número 1 e a segunda maior coleção de títulos de simples (157). Foi tetracampeã do Finals. Sua rivalidade com Navratilova é a mais significativa da história do tênis feminino.

As outras top 10
6. Helen Wills
7. Billie Jean King
8. Suzanne Lenglen
9. Monica Seles
10. Martina Hingis

As demais top 20:
11. Maureen Connolly
12. Maria Esther Bueno
13. Justine Henin
14. Venus Williams
15. Doris Hart
16. Althea Gibson
17. Maria Sharapova
18. Kim Clijsters
19. Lindsay Davenport
20. Arantxa Sanchez