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Quem é quem nas oitavas de Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2019 às 14:33

Existem apenas quatro top 10 nas oitavas de Wimbledon, a menor quantidade em 11 anos, mas três deles são exatamente o Big 3. E a chance de qualquer um deles não avançar parece pequena.

Vamos a uma rápida análise de cada duelo das oitavas masculinas e femininas desta segunda-feira:

Masculino
– Djokovic x Humbert – Tenista da nova geração pouco badalado, o francês de 21 anos tem poucos jogos em nível ATP (11 vitórias em 27). Sólido na base, o saque de canhoto é arma perigosa. Sérvio por sua vez tenta 45ª quartas de Slam.
– Federer x Berrettini – Italiano de 23 anos é sensação da temporada e ganhou Stuttgart semanas atrás. Saque poderoso, grandes golpes da base o tornam muito perigoso, mas vem de duelo de 4h30 no sábado. Suíço tenta 99º vitória em Wimbledon.
– Nadal x Sousa – Português de 30 anos tem experiência e três títulos de ATP. Tirou CIlic e Evans com tênis agressivo e corajoso, mas é muito temperamental. Nadal ganhou os dois duelos já feitos
– Nishikori x Kukushkin – Cazaque de 31 anos disputa segunda oitavas de Slam da carreira e perdeu todos os oito confrontos diante de Nishikori, tendo vencido apenas dois sets.
– Raonic x Pella – Outro duelo inédito no circuito. Canhoto argentino surpreendeu com os 3-0 sobre Anderson e enfrenta outro vice de Wimbledon. Canadense não perdeu sets até aqui.
– Goffin x Verdasco – Sétimo confronto e placar de 3-3. Belga tem jogado muito bem na grama nas últimas semanas. Canhoto espanhol jfez sua 47ª partida no quinto set diante de Edmund (25 vitórias) e alcançou sexta virada de 0-2 na carreira.
– Bautista x Paire – Francês perdeu todos os oito duelos (seis de nível ATP) contra espanhol, que foi quartas no Australian Open em janeiro. Paire tem sua 35ª chance de enfim fazer quartas num Slam.
– Querrey x Sandgren – Dois jogadores que não são cabeças e nunca se cruzaram. Querrey tem longa história no torneio, incluindo semi em 2017, Sandgren nunca havia vencido antes no Club.

Feminino
– Barty e Serena são as favoritas para vencer e aí se cruzarem nas quartas. Australiana precisa de cuidado com Riske, que a venceu na grama de Eastbourne em 2016. Serena nunca perdeu set de Carla Suárez em seis confrontos.
– Kvitova e Konta prometem ótimo duelo. Tcheca tem 3-1, mas única vitória da britânica foi na grama. Quem vencer pega Mertens ou Strycova, jogo sem favorita.
– Pliskova e Svitolina são favoritas contra Muchova e Martic e se cruzarão nas quartas em caso de vitória. Martic evoluiu muito em 2019 e merece atenção da ucraniana.
– Halep e Gauff fazem o outro grande jogo da rodada e será interessante ver como a experiência da romena vai encarar a ousadia da menina de 15 anos. Quem avançar pega Yastremska, de 19 anos, ou Zhang, de 30.

Caminho fica ainda mais livre para Djoko
Por José Nilton Dalcim
1 de julho de 2019 às 17:29

Wimbledon não poderia ter começado de forma mais bombástica. Perdeu logo de cara Alexander Zverev, Stef Tsitsipas, Gael Monfils e Grigor Dimitrov, viu a queda de Naomi Osaka e o brilho de uma menina de meros 15 anos.

Não se pode dizer que a derrota de Sascha tenha sido uma real surpresa. Além de viver momento de pouca confiança, ainda encarou logo o ousado canhoto Jiri Vesely, que já esteve duas vezes nas oitavas de Wimbledon e veio embalado do quali. Fez uma exibição rica, desde o saque até o ataque constante e ótima movimentação, arriscando as curtinhas que tanto machucam o alemão.

Mas a derrota do grego estava totalmente fora do prognóstico. Pior ainda: Tsitsipas não jogou mal, embora pudesse ter ido um pouco mais à rede para cortar o jogo de base tão sólido do adversário. O fato é que o italiano Thomas Fabbiano espancou a bola. E olhem só: além de estar com 30 anos, mede apenas 1,73m, teoricamente inadequado para a grama. Que fase incrível vive o tênis italiano.

A lista de grandes nomes a deixar a chave masculina incluiu Gael Monfils e Grigor Dimitrov, ainda que o francês fosse dúvida até o último momento e acabou mesmo por abandonar no quinto set depois de vencer os dois primeiros. Já o búlgaro levou incrível virada do garoto francês Corentin Moutet, outro ‘baseliner’ de ofício.

Quem deve estar achando tudo muito divertido é Novak Djokovic. O tetracampeão até perdeu dois games de serviço, um em cada abertura dos primeiros sets, mas cresceu pouco a pouco e fez um set final bem solto e respeitável diante de Philipp Kohlschreiber.

No seu caminho agora só existe um cabeça de chave até as oitavas: Felix Auger-Aliassime, que acaba de ganhar seu primeiro jogo num Grand Slam.

O outro quadrante ficou bem mais dentro da normalidade, com vitórias firmes de Kevin Anderson, Milos Raonic e Feliciano López, avanços de Karen Khachanov e Benoit Paire, atuação soberba de Stan Wawrinka. O suíço, que não passa da segunda partida em Wimbledon desde 2015, contratou Dani Vallverdu para ajudar Magnus Norman neste fase de grama e se mostrou bem à vontade diante de Ruben Bemelmans.

Momento histórico
Mais jovem tenista a superar o quali de Wimbledon, Cori Gauff tem menos idade do que muitos dos pegadores de bola em quadra. Na estreia, encarou um ídolo de infância, que já fazia sucesso no circuito dez anos antes de ela sequer ter nascido. Nada pareceu incomodar a menina de 15 anos diante de Venus Williams, de 39 e cinco troféus no currículo. Não é nada fácil despontar para o sucesso sobre a grama, e isso só indica que Cori parece ter tudo para uma carreira de destaque. E breve.

A chave feminina também viu a queda de três das 16 principais cabeças logo de início. Favas contadas, Naomi Osaka reencontrou Yulia Putintseva e não se achou em quadra, como aconteceu em Birmingham dias atrás. Com raras exibições decentes desde o Australian Open, a japonesa deixou a entrevista oficial repentinamente, porque estava a um passo de cair em prantos.

Karolina Pliskova, Simona Halep e Elina Svitolina venceram em sets diretos, a derrota de Aryna Sabalenka para Magdalena Rybarikova está longe de ser surpresa. E cuidado com Sofia Kenin, candidata a herdar todo o quadrante de Osaka.

Quadra Central
Para quem não viu ou não leu, sugiro a notícia que fiz sobre a história da legendária Quadra Central.

Fedal frustra, mas final promete
Por José Nilton Dalcim
16 de março de 2019 às 23:11

Como era mais do que esperado, Rafael Nadal não teve condições físicas para levar a cabo o 39º Fedal, e assim pela primeira vez o maior confronto do tênis moderno não foi realizado. O espanhol tentou bater bola por meia hora no começo da tarde e ficou evidente que o joelho não aguentaria o esforço de encarar Roger Federer. Com astúcia, evitou o perigoso desgaste. Só voltaremos a ver Nadal no saibro, provavelmente a partir de Monte Carlo, e aí veremos se mais uma vez ele conseguirá contornar o joelho e reinar no seu habitat natural.

Apesar da frustração por não revermos o Fedal, a decisão entre Federer e Dominic Thiem tem ingredientes suficientes para Indian Wells ver um grande jogo. Basta olhar o histórico dos confrontos: 2 a 2, com vitórias do austríaco no saibro de Roma mas também sobre a grama de Stuttgart. O suíço levou a melhor nas duas vezes que se cruzaram na quadra dura. No ano passado, na lentidão do Finals, ganhou com placar elástico. De quebra, quem vencer será o número 4 na segunda-feira.

O que faz do austríaco tão perigoso para o suíço? Ele tem um serviço bem pesado, que geralmente Federer só consegue bloquear, e gira muito spin com seus poderosos golpes de base, armas que, se usadas com ângulo, compensam o fato de o suíço jogar tão perto da linha de base. Também não é nada fácil controlar esses spin na subida, por vezes de bate-pronto, e só a genialidade de Federer para achar soluções.

Vindo de um começo de temporada muito tímido, Thiem chegou a Indian Wells com apenas três vitórias em sete jogos e atuações no saibro sul-americano que até seu treinador criticou severamente. Por isso, passou um tanto despercebido quanto tirou Jordan Thompson e Gilles Simon. Causou certa surpresa ao ganhar de Ivo Karlovic com duas quebras de saque e neste sábado foi muito bem na parte defensiva diante de Milos Raonic, mudando constantemente a posição de devolução, algo que pode muito bem repetir contra Federer.

Thiem ainda sonha com seu primeiro grande troféu. Viu duas chances em Masters, ambas no saibro rápido de Madri, mas foi barrado em 2017 por Nadal e na temporada seguinte por Alexander Zverev. Também chegou na final de Roland Garros de 2018 e novamente parou no canhoto espanhol. De seus 11 títulos, os de maior peso são os 500 de Acapulco, piso bem rápido, e no saibro lento do Rio. Sua versatilidade é inegável, tendo troféus também na grama de Stuttgart e no coberto de St. Petersburgo.

Tudo isso não diminui o favoritismo de Federer. Seu histórico no deserto californiano é espetacular e nada antigo: em suas últimas cinco aparições, chegou à final em todas, embora tendo conquistado apenas o troféu de 2017. Seus outros triunfos vieram entre 2004 e 2006 e depois em 2012. Entrará às 19h30 deste domingo com a oportunidade de chegar ao 28º Masters, o primeiro desde Xangai-2017, e já acumular o 101º ATP, colocando o recorde de Jimmy Connors sob risco real.

O domingo também verá uma interessantíssima decisão feminina, marcada para as 17 horas. E pelo segundo ano consecutivo, o Premier de Indian Wells vê uma finalista totalmente inesperada, buscando arrancada na carreira. A adolescente Bianca Andreescu está perto de repetir o feito de Naomi Osaka.

A canadense de 18 anos e tênis muito completo fez duas exibições que eliminam qualquer dúvida sobre seu potencial e maturidade, esmagando Garbine Muguruza e depois controlando Elina Svitolina. Jamais deixou de tomar a iniciativa, ainda que isso lhe custasse erros. Talvez mais importante que os golpes seja sua postura.

Claro que não será fácil encarar a experiência e a qualidade defensiva de Angelique Kerber, ainda mais num duelo inédito. A alemã tem em Indian Wells sua primeira grande campanha dos últimos oito meses e, mesmo aos 31 anos, procura mudar e adquirir um estilo mais ofensivo. Vale muito conferir.