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Melo coloca Brasil na lista dos 7+
Por José Nilton Dalcim
23 de outubro de 2015 às 20:53

Quase 15 anos depois de Gustavo Kuerten entrar para a história como primeiro brasileiro a liderar o ranking da ATP, o mineiro Marcelo Melo consegue uma façanha espetacular. Dentro de oito dias, no dia 2 de novembro, ele aparecerá como o número 1 do mundo de duplas. Com isso, o Brasil entra para a seletíssima lista de apenas sete países que já conseguiram atingir o topo do ranking nas duas especialidades, ao lado de EUA, Austrália, Suécia, Sérvia, República Tcheca e Espanha.

O feito está garantido graças a uma combinação de resultados felizes. Os irmãos Mike e Bob Bryan não vivem um grande momento no circuito e têm perdido valiosos pontos desde agosto. Ao mesmo tempo, Melo vive seu auge, com a conquista de Roland Garros e seu segundo Masters. Para completar, os pontos do Masters de Paris do ano passado serão descontados uma semana antes, devido à diferença de calendário. Mas, mesmo que isso não acontecesse, Melo ainda teria grande chance de superar os Bryan em Bercy.

Melo será o 47º homem a liderar o ranking, e estará em companhia de megaestrelas como John McEnroe, Todd Woodbridge, Daniel Nestor, Jonas Bjorkman, Stefan Edberg, Leander Paes e Yannick Noah. Apenas um outro sul-americano chegou lá, o equatoriano Andrés Gomez, que ficou nove semanas no posto em 1986. ‘Girafa’ também coloca o Brasil em evidência: apenas outros 16 países já tiveram a honra de encabeçar a lista de duplas.

Antes de Melo, o último novo nome a pontuar o ranking havia sido o sérvio Nenad Zimonjic, em novembro de 2008. A ascensão do mineiro também encerrará a série de 167 semanas consecutivas como número 1 de Mike, que vem desde 10 de setembro de 2012 (Bob caiu para 2 por 16 semanas no final desse ano). Os irmãos ficaram mais tempo no trono: Mike chegará a 458 semanas nesta segunda-feira e Bob, a 442. Estão muito distante do terceiro colocado, John McEnroe, com 269.

Marcelo chega ao momento máximo de sua carreira um mês depois de completar 32 anos. Está no circuito desde 1998, mas não teve grande sucesso em simples, tendo atingido o 273º posto em novembro de 2005. Na temporada seguinte, considerou a hipótese de se dedicar às duplas e quebrou a barreira do top 100 em fevereiro de 2007.

Seu primeiro parceiro de sucesso foi o amigo André Sá, com quem conquistou cinco ATPs. Passou a jogar ao lado de Bruno Soares em 2010 e foram mais quatro ATPs. O salto definitivo veio em 2012, quando se juntou ao croata Ivan Dodig, mas principalmente passou a contar com a presença mais constante do irmão Daniel como treinador.

Após muita espera, Melo e Dodig enfim ganharam seu primeiro troféu num Masters 1000, em Xangai, pouco depois de serem finalistas em Wimbledon. Ainda seriam vice no Finals de Londres. A conquista da parceria em Roland Garros nesta temporada foi uma surpresa e um outro feito inédito para o tênis masculino brasileiro. Seus outros títulos de 2015 vieram em Acapulco, com Dodig, e Tóquio e Xangai, ao lado de Raven Klassen. Melo tem triunfos com sete parceiros diferentes.

Ao contrário do ranking de simples, que começou a ser feito em agosto de 1973, a primeira lista de duplas da ATP saiu no dia 1º de março de 1976 e seu primeiro líder foi o sul-africano Bob Hewitt.

Dez feitos (quase) impossíveis de superar
Por José Nilton Dalcim
27 de julho de 2015 às 15:18

O site oficial do tênis canadense, o Tennis Canada, soltou uma lista curiosa nesta semana: os 10 recordes que jamais serão batidos. Será? Vamos à lista e minhas considerações. Sigo a ordem dada pelo site.

1. Jogo mais longo
A maratona de 11h05 entre John Isner e Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon de 2010, com direito a 70/68 no quinto set. Equivale a uma viagem São Paulo-Paris. Mais incrível ainda é que cada tenista marcou pelo menos 100 aces na partida. Realmente, será extremamente difícil alguém superar isso.

2. Raquetes quebradas
Vencedor de dois Grand Slam, o russo Marat Safin se notabilizou também por quebrar raquetes: apenas em competição, ele danificou 48 raquetes na temporada de 1999. No total, foram mais de mil: “1.055. Sei porque a Head me deu uma prancha com o número impresso”. Bom, essa marca não me parece tão absoluta assim, tem muito maluco no circuito.

3. Aces numa temporada
O croata Goran Ivanisevic anotou nada menos que 1.477 aces na temporada de 1996, a maior quantidade desde que a ATP passou a medir isso, há 24 anos. Esta sim é uma marca quase insuperável, ainda mais com as bolas pesadas e as quadras mais lentas de hoje em dia.

4. Duplas
Bob e Mike Bryan já pulverizaram todas as marcas do tênis profissional: 16 Grand Slam e 104 juntos. Parece também muito difícil de ser superada, e olha que os gêmeos de 37 anos ainda têm boas temporadas pela frente.

5. Simples
Com uma extensa carreira de duas décadas, tendo disputado inúmeros torneios no piso sintético americano no início da Era Profissional, Jimmy Connors totalizou 109 títulos de simples. O todo-poderoso Roger Federer está ainda com 86. Parece inalcançável mesmo.

6. Supercampeã
Mas se a marca de Connors é impressionante, o que dizer dos 167 torneios (de simples) vencidos por Martina Navratilova? São nada menos que 99 a mais do que Serena Williams tem hoje.

7. Prova dos 9
Se ganhar um torneio ATP múltipla vezes já é uma façanha e tanto, imagine o que é vencer um Grand Slam por nove vezes. A atual marca de Rafael Nadal em Roland Garros, que ainda está em plena atividade, também não parece atingível até mesmo para um ATP comum. Sem falar no seu recorde de 81 vitórias seguidas sobre o saibro.

8. Semifinais
Entre tantos recordes que possui, talvez o mais notável de Roger Federer sejam as 23 semifinais consecutivas de Grand Slam, ou seja, uma sequência de seis anos chegando à penúltima rodada na grama, no saibro e na quadra dura. O segundo colocado é Novak Djokovic com “apenas” 14. Atualmente, está em 6.

9. Número 1
Nem foi uma das mais longas carreiras, mas ainda assim Steffi Graf liderou o ranking por 377 semanas. Para se ter uma ideia da grandiosidade, basta ver que Serena teria de manter o posto por mais três anos para chegar tão longe.

10. O Slam
Mesmo tendo dominado o tênis por quatro temporadas, Federer não conseguiu. No seu auge, Djokovic também não. Vencer os quatro Slam num só ano continua a ser uma missão quase impossível. E Rod Laver não fez isso apenas uma, mas duas vezes.