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Big 100
Por José Nilton Dalcim
3 de junho de 2021 às 18:30

Na primeira vez em que estiveram em quadra ao mesmo tempo em rodadas iniciais de um Grand Slam, o Big 3 justificou os 58 troféus que já levantaram na carreira. Não se podia esperar outra coisa do que vitórias em sets diretos do aniversariante Rafael Nadal e de Novak Djokovic e assim a expectativa maior ficou em cima de Roger Federer. E ele também não decepcionou, garantido 100% de aproveitamento.

Marin Cilic está longe de ser um especialista no saibro, porém foi o primeiro adversário gabaritado a cruzar o caminho do suíço após a longa parada de 13 meses. Além da experiência de um Slam – onde aliás marcou sua única vitória em agora 11 duelos contra o suíço -, é um sacador respeitável que usa seu forehand muito agressivo o tempo todo.

Para boa surpresa, Federer dominou o primeiro set com saque afiado, pontos velozes e curtinhas magistrais. Depois, ficou perto de tomar 0/4 e discutiu equivocadamente com o árbitro por discordar de que estivesse atrasando o saque do adversário. Mais preocupado em reclamar, perdeu a concentração e cedeu o empate.

O terceiro set foi crucial, com primeiros games longos e tensos de saque. Federer fez 3/1 e perdeu quatro chances de ampliar, levando castigo imediato. Os sacadores então prevaleceram, com notável sequência de seis games em que o devolvedor não marcou ponto, e aí o suíço viveu um grande momento no tiebreak, que se esticou por todo o quarto set.

Pontos altos do suíço foram o serviço muito eficiente na maior parte do tempo, a evolução clara da devolução a partir do tiebreak e movimentação tranquila, chegando em bolas difíceis sem economia de pernas. Pareceu inteiro após 2h38 e seus 27 erros foram compensados com 47 winners, sendo 16 deles aces.

É muito provável que o alemão Dominik Koepfer lhe dê muito mais trabalho no sábado. Canhoto de 1,80m, tem o saibro como piso predileto já que seus golpes são sólidos, com destaque para o backhand, embora arrisque um pouco além da conta. Na vitória sobre Taylor Fritz em quatro sets, fez 42 winners e 53 erros, tendo sacado a 209 km/h.

Djokovic joga muito, Nadal oscila
Pablo Cuevas foi um teste muito bom para Novak Djokovic. Jogou de forma agressiva, pegando o máximo que pôde na subida; forçou o sérvio a deslocamentos laterais bem radicais e se mostrou muito habilidoso como já conhecemos. O número 1 teve resposta para tudo, mas gostei mesmo de seu forehand. Arrancou cruzadas de enorme precisão e paralelas profundas.

Nole perdeu um game de serviço e salvou outros oito break-points, ou seja o placar foi até mais cruel para Cuevas do que ele realmente mereceu. A vaga nas oitavas só escapa do sérvio se acontecer algum desastre inimaginável. Há oito meses, o lituano Ricardas Berankis só tirou cinco games dele num Roland Garros então mais lento do que este.

Já o canhoto espanhol deu pinta que iria esmagar Richard Gasquet como se esperava. E diante de um francês incrivelmente lento no primeiro set, cedeu meros nove pontos. Tudo ia pelo mesmo caminho no segundo set: 5/2, set-point. Rafa sacou então com 5/3 e não cacifou com muita falha no serviço. Gasquet então apostou em ir à rede e o set ficou duro até o sexto game da outra série, quando então tudo voltou à normalidade. E o tênis francês não tem mais qualquer representante nas duas chaves de simples após duas rodadas.

Agora com 102 vitórias em 104 possíveis no torneio, Rafa faz partida de canhotos contra o mesmo Cameron Norrie a quem venceu por 6/1 e 6/4 semanas atrás em Barcelona.

Festa italiana
Em excepcional momento, o tênis italiano classificou cinco nomes para a terceira rodada depois que Matteo Berrettini, Jannik Sinner, Lorenzo Musetti e Marco Cecchinato se juntaram a Fabio Fognini, único que está do outro lado da chave. Iguala assim o recorde de qualquer Slam que já havia alcançado na edição do ano passado.

Musetti e Cecchinato duelam entre si para ver quem será o provável adversário de Djokovic e Sinner encara a surpresa Mikael Ymer antes de chegar em Nadal. Assim, Berrettini parece o mais cotado, já que está jogando um belo tênis e terá favoritismo se enfrentar Federer nas oitavas. Do outro lado, Fognini tem ótima chance contra Federico Delbonis e deve pegar Casper Ruud ou Alejandro Davidovich.

O dia tão cheio ainda merece três citações. Ymer é um jogador esforçado, que já foi treinado por Robin Soderling mas nunca progrediu muito. Mesmo seu saque frágil e forehand enrolado foram suficientes para tirar um avariado Gael Monfils. Perto dos 38 anos, tufos grisalhos e voltando de contusão, Philipp Kohlschreiber parou Aslam Karatsev e desafiará Diego Schwartzman. E o adolescente Carlos Alcaraz ganhou mais uma e se tirar Jan-Lennard Struff será top 70.

Barty sai, Swiatek dá show
Como era esperado, Ashleigh Barty sucumbiu à lesão no quadril e mal jogou 11 games, deixando Roland Garros sem mais uma estrela. Com isso, as quartas podem ter Ons Jabeur, Jennifer Brady ou a garota Coco Gauff. O caminho poderia favorecer Elina Svitolina, mas ela tem de tomar cuidado com a recuperada Barbora Krejcikova e quem sabe com Sloane Stephens, que fez bela exibição diante de Karolina Pliskova.

Mas quem brilhou mesmo foi Iga Swiatek. A atual campeã de 19 anos jogou no seu ritmo avassalador, sem dar chance para a adversária respirar. Parece uma questão de quem vai desafiá-la nas quartas e o grupo de candidatas é variado e competente: Sofia Kenin encara Jessica Pegula e Elise Mertens joga contra Maria Sakkari.

Começa a terceira rodada
– Há quatro americanos na busca por vaga nas oitavas, o maior número em Paris desde 1996. Os mais cotados são Opelka, que deu muito trabalho a Medvedev por três duelos já realizados, e Isner, derrotado nos três jogos mais recentes frente a Tsitsipas. Johnson pega Carreño e Giron é ‘zebra’ diante de Garin.
– Zverev faz jogo inédito contra Djere, que nunca chegou na 4ª rodada de um Slam.
– Fognini e Delbonis se cruzam pela 9ª vez e o placar no saibro é de 4-3 para o italiano.
– Nova geração garante nome com duelo de Ruud e Fokina.
– Os últimos quatro jogos de Nishikori no torneio foram ao quinto set. Japonês já fez três quartas no torneio e encara o franco atirador Laaksonen. 150º do ranking.
– Sabalenka acabou de ganhar de Pavlyuchenkova no saibro rápido de Madri e pode fazer duelo bielorrusso com Azarenka, que encara Keys, semi de 2018
– Collins levou Serena ao tiebreak em Melbourne meses atrás e fez quartas em Paris no ano passado e portanto é adversária perigosa. Quem vencer, pega Rybakina, que está longe dos bons dias de 2020, ou a renascida Vesnina.
– Badosa e Vondrousova são amplas favoritas e se cruzariam em seguida. Kasatkina é o nome mais forte do outro setor.

Novo passo para Delpo, mais dúvidas para Rafa
Por José Nilton Dalcim
24 de outubro de 2016 às 11:32

Juan Martin del Potro subiu mais um degrau na sua recuperação. Menos de oito meses após a sofrida volta às quadras, ele conquistou o ATP de Estocolmo sem perder um único set e com apenas dois serviços quebrados na semana, ambos na semi diante de Grigor Dimitrov. Arrancou para o 42º posto e é novamente o melhor argentino da lista, o que pode ser crucial na decisão da Copa Davis diante da Croácia.

Desde que retornou às quadras, na metade de fevereiro, Delpo disputou 12 torneios, mas apenas 11 valeram pontos porque o vice dos Jogos do Rio não foi considerado (do contrário, seria hoje o 26º). Nessa campanha, ganhou 28 de seus 39 jogos, perdendo apenas duas vezes na primeira rodada. Tem um título, um vice, duas semis e as quartas no US Open. O mais impressionante no entanto é que derrotou cinco top 10, seleta lista que inclui Djokovic, Murray e Wawrinka, e mais cinco na faixa dos top 20.

O realmente promissor, no entanto, vem no aspecto técnico. Em Estocolmo, diante de sacadores como Ivo Karlovic e Jack Sock, ou mesmo para encarar os slices de Dimitrov, Delpo já mostrou muito mais confiança  na execução do backhand batido. Ainda não teve tanta força e peso como outrora, mas esteve fundo nas trocas e rasante nas passadas. Com a evolução notável do slice, o primeiro saque afiadíssimo e a coragem de ir muito mais à rede, Delpo monta um cenário no mínimo interessante para 2017.

“Quando estiver 100%, serei perigoso”, sentenciou após encerrar o jejum de 33 meses de títulos, outra grande emoção na sua temporada. Disso, sinceramente, eu não tenho a menor dúvida. O ideal mesmo é que consiga chegar à faixa dos 32 primeiros para virar cabeça já no Australian Open. Ele disputa nesta semana Basileia, com estreia diante de Robin Hasse e possível reencontro com David Goffin nas oitavas, e aguarda convite para competir em Paris.

O caso Nadal
A decisão de Rafael Nadal de encerrar a temporada e sequer lutar pela vaga no Finals de Londres, que nem estava tão difícil assim, levou a imprensa espanhola a cutucar Toni, o tio-treinador.

Para a agência de notícias EFE, ele foi enigmático: “Sei o que está acontecendo com ele, mas não sei se me interessa divulgar”. Depois, disse que não é uma questão física ou técnica, mas ‘a soma de vários fatores’. Para ele, a contusão no punho durante Roland Garros foi um baque emocional e Rafa ‘não voltou a se recuperar totalmente’.

Dias mais tarde, falando para a RTVE, Toni admitiu que foi um erro enorme Rafa ter ido à Índia disputar a repescagem da Copa Davis. “A volta nos Jogos do Rio foi até melhor do que esperávamos, ainda que tenha havido um esforço maior do que o previsto. A falha foi ter jogado a Davis, o momento ideal era descansar”.

O próprio Rafa falou a Movistar Plus neste fim de semana em que foi ver o Real Madrid e voltou a afirmar que o problema no momento é físico. “Mentalmente estou bem, mas tenho jogado com dor há muito tempo e preciso parar. Não consigo usar tudo do meu forehand”, argumentou.

Esta será a quarta vez que Rafa não vai a Londres, repetindo 2008, 2012 e 2014, sempre por contusão. Com a ausência de Roger Federer, será o primeiro Finals sem ao menos uma das duas megaestrelas desde 2001.

Detalhes
– Os irmãos Elias, 20 anos, e Mikael, 18, conquistaram inesperadamente as duplas de Estocolmo. Os Ymer tiveram uma campanha incrível, salvando três match-points na estreia, e superaram parcerias muito experientes. Mikael volta às quadras após quase um ano de afastamento por contusão no quadril.
– Com os títulos de Del Potro e dos Ymer, Estocolmo é o primeiro torneio desde Newport de 10 anos atrás a ter campeões de simples e duplas que não figuravam como cabeças de chave.
– Os garotos suecos têm agora uma dura missão: enfrentar Israel fora de casa neste final de semana e evitar que a Suécia caia para a terceira divisão da Copa Davis.
– Ao avançar à final de Moscou, o austríaco Jurgen Melzer se igualou a Radek Stepanek como únicos tenistas em atividade com pelo menos 300 vitórias tanto em simples como em duplas.
– Em entrevista ao New York Times, Chris Evert diz duvidar que Serena permanecerá no circuito por muito mais tempo. “O corpo está sofrendo, o rendimento caiu e me pergunto se ela ainda pode se envolver emocionalmente com o tênis”.