Arquivo da tag: Miami

Esticar temporada pode ser alternativa
Por José Nilton Dalcim
12 de março de 2020 às 12:47

O tênis profissional vai parar nas próximas seis semanas. Com otimismo, voltará no dia 27 de abril, deixando para trás torneios tradicionalíssimos da ATP e de enorme faturamento: Indian Wells, Miami, Monte Carlo e Barcelona. A possibilidade já era explorada desde o começo da semana, com o avanço do coronavírus pelos Estados Unidos e Europa e ações tomadas por várias outras modalidades de peso, como a NBA. Não havia alternativa para a ATP e a ITF acaba de anunciar idêntica medida. É muito provável que a WTA siga a mesma diretriz.

O que restam agora são especulações. Fala-se na possibilidade de realizar Indian Wells e Miami depois do US Open, o que provocaria o cancelamento ou redução da temporada asiática, que tem os 500 de Pequiim e Tóquio e o Masters de Xangai. Ainda assim, os dois Masters norte-americanos teriam chaves reduzidas para 64 e aconteceriam em apenas uma semana.

No entanto, há evidentes dificuldades, entre elas o fato de o Hard Rock Stadium de Miami não ter datas disponíveis para o segundo semestre, já que é sede do Dolphins. E o que fazer com os compromissos comerciais já assumidos dos ATPs asiáticos? A alternativa seria esticar a temporada 2020 até dezembro.

Fica é claro a dúvida ainda se a pandemia será estancada em tempo hábil para acontecer os Masters de Madri e Roma e principalmente Roland Garros. Há enorme divergência de opinião entre especialistas em saúde pública. A China, onde se iniciou a virose, já vê redução drástica dos casos mas a Itália, onde aconteceu a primeira explosão europeia, certamente será o parâmetro essencial. Há de se esperar ainda como os outros países da União Europeia vão reagir.

Problema do ranking
As entidades também não se pronunciaram ainda sobre como ficará o ranking dessas seis semanas, considerando que envolvem nada menos do que três Masters e um 500, ou seja, um mar de pontos em jogo.

Se houver a simples retirada dos pontos, haverá mexidas drásticas no ranking, principalmente para os tenistas que estão fora do top 10. A lógica aponta para o congelamento e desconto apenas em 2021, mas aguarda-se ainda comunicado oficial.

Torneios brasileiros
Já é certo o adiamento dos challengers de Olímpia e de Florianópolis, conforme determinou a ATP, e também não poderá acontecer o Circuito Feminino Future de Tênis, previsto para as duas próximas semanas.

Como o calendário dos challengers e ITFs tem maior flexibilidade, é possível movê-los para outras datas, mas obviamente ficará prejuízo para a Koch Tavares, já que a estrutura de Olímpia estava montada devido à realização do ITF feminino nesta semana.

Até agora, não se sabe ainda se a ITF irá permitir que o feminino de Olímpia chegue ao fim ou se determinará a suspensão da rodada de hoje, que foi o modelo seguido pelos dois challengers em andamento pela ATP no Cazaquistão e África do Sul.

O adiamento do Circuito Feminino reuniria basicamente as mesmas jogadoras de Olímpia. Ou seja, o adiamento trará prejuízo às tenistas estrangeiras que vieram para cá.

Djokovic ainda maior
Por José Nilton Dalcim
3 de abril de 2016 às 20:50

A primeira pergunta que se fazia ao início da temporada 2016 era se a supremacia de Novak Djokovic permaneceria intacta. Os números falam por si só. Se analisarmos a soma de pontos de cada tenista desde janeiro, veremos que o sérvio tem 4.340, apenas 45 a menos do que fez em 2015, com a diferença que ele disputou um torneio a menos. Mais importante ainda: há 12 meses, o vice era Murray com 2.420; hoje, Raonic tem 1.750.

Aos números também pode se acrescentar a campanha nos três grandes torneios da temporada. O título na Austrália veio com menor esforço do que na edição anterior, Indian Wells não viu a mesma dificuldade da final de 2015 e Miami desta vez chegou sem a perda de um único set. Para chegar ao hexa no Crandon Park, tirou dois top 10 especialistas em piso duro e superou dois dos mais fortes aspirantes da nova safra.

Nada mais justo então do que atualizarmos a crescente lista de façanhas de peso de Nole:

– Assume a liderança de percentual de vitórias na carreira, com 714 e 147 derrotas (82,92%). Supera Borg (82,7%) e Nadal (82,4%).
– Agora são 63 títulos no geral, um a menos que Borg e Sampras e a quatro de Nadal, sexto colocado da Era Profissional.
– Com 89 finais, se firma no top 10 do quesito e está apenas uma atrás de Agassi. Corre atrás das 96 de Laver e Nastase e das 99 de Nadal.
– A vitória sobre Nishikori foi a 167ª sobre um top 10. Aproxima-se cada vez mais das 198 do recordista Federer. Percentualmente, seu índice nesse quesito é de 67,6%, só atrás de Borg (70%).
– Ao encerrar a primeira fase da temporada sobre piso duro, iguala os 49 troféus de Agassi na superfície e sobe ao terceiro posto. A partir de agosto, busca o 50ª de Connors. Federer ainda está 11 à frente. Percentualmente, tem 84,3% contra 82,8% do suíço.
– Em nível Masters 1000, lidera absoluto com 28 conquistas e é terceiro em finais disputadas (40), muito perto de passar Nadal (41) e Federer (42). Aumenta também para 11 finais consecutivas em Masters que disputou.

O mesmo domínio se viu no circuito feminino, em que Victoria Azarenka fez o raro feito de levantar as taças de Indian Wells e Miami. A reação da bielorrussa era mais do que aguardada, desde que se livrasse do fantasma das contusões e recuperasse a confiança.

Ela volta ao quinto lugar de um ranking que não vê no momento um grande destaque. Serena Williams parece fora de forma; Simona Halep, Garbine Muguruza e Belinda Bencic estão sofrendo com problemas físicos, Aga Radwanska ainda não achou um padrão e Angelique Kerber ainda precisa mostrar que o salto espetacular na Austrália vá se manter.

Com Maria Sharapova afastada e Petra Kvitova em momento ruim, Vika pode sim aproveitar a brecha. E a chance é boa no saibro europeu. Ela defende somente quartas em Roma, oitavas em Madri e terceira rodada em Paris. É fato que não fez ainda um resultado espetacular na terra batida. A oportunidade não poderia chegar em melhor hora.

Nishikori tenta adiar a história
Por José Nilton Dalcim
1 de abril de 2016 às 22:42

Novak Djokovic está a um jogo de se tornar o maior campeão de Masters 1000 e o tenista que mais faturou em premiação direta desde que o tênis passou a pagar por cada rodada disputada em 1968. O único que ainda pode adiar por algumas semanas os novos feitos do homem de US$ 100 milhões é o japonês Kei Nishikori, um dos raros tenistas da nova geração que já derrotou duas vezes o sérvio em quadra dura.

A semifinal na quente e úmida Miami desta sexta-feira foi dura para Djokovic. O belga David Goffin o encarou na batalha de fundo de quadra e desperdiçou muitas chances. Saltou com quebra e 4/3, depois teve 0-30 e um backhand facílimo que poderia lhe dar 6/5 e saque, mas principalmente falhou num smash absurdo no nono ponto do tiebreak, quando então teria 5-4 e dois serviços. Diante de Djokovic, é um pecado mortal não aproveitar essas oportunidades.

Ainda assim, Djoko precisou se esforçar em todo o segundo set, incluindo um break-point perigoso no quarto game. Enfim, após 3/3, veio a quebra definitiva e o domínio esperado. Goffin mostrava estar no limite físico e tentou variar com subidas à rede, mas esse é seu calcanhar de Aquiles. O número 1 também gastou toda sua energia e comemorou muito a 11ª final consecutiva nos Masters que disputou. A última vez que não esteve lá foi em Xangai de 2014. Faz muito tempo.

Nishikori por sua vez esteve numa grande noite, bem diferente do jogador que 24 horas havia evitado cinco match-points diante de Gael Monfils. Sólido no fundo, saque afiado, muita perna e taticamente brilhante nas trocas constantes de direção e profundidade, o japonês dominou Nick Kyrgios e lembrou muito aquele jogador que chegou à final do US Open 18 meses atrás. O australiano até que fez uma metade de segundo set boa, porém jamais teve uma brecha real na partida.

Outro detalhe importante foi ver que Nishikori não sentiu qualquer reflexo do desgaste físico cruel que havia sofrido contra Monfils. Seu histórico de contusões e quedas atléticas repentinas é extenso. Como ainda vai ter um dia de descanso até a final das 14 horas de domingo, Nishikori precisa ao menos evitar o vexame que deu no Finals de Londres do ano passado e no Australian Open de janeiro, quando não deu qualquer trabalho a Djokovic.

Aliás, desde aquela vitória incrível na semi de Flushing Meadows, o máximo que fez nos cinco duelos seguintes foi tirar dois sets, mas nesses dois jogos levou 6/1 e 6/0 nos terceiros sets, o que deixa evidente a diferença de energia entre os dois.