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Hermanos gigantes
Por José Nilton Dalcim
4 de junho de 2018 às 18:33

Dois dos 12 melhores tenistas do ranking, Juan Martin del Potro e Diego Schwartzman atingiram nesta segunda-feira as quartas de final de Roland Garros por caminhos bem opostos. Se Delpo ganhou o duelo de saques e devoluções diante de John Isner, num jogo bem menos apropriado ao saibro do que a uma quadra rápida, Diego conseguiu uma virada impressionante sobre outro grandalhão do circuito, Kevin Anderson.

As chances de os dois argentinos darem mais um passo é igualmente distinta. Delpo tem um histórico muito favorável diante de Marin Cilic, embora a maior parte do placar de 10 a 2 tenha sido construída até 2013. Ainda assim, o argentino ganhou os dois duelos mais recentes, incluindo a inesquecível virada na decisão da Copa Davis de 2016.

Há muito tempo Del Potro deixou de ser um típico jogador de saibro, mas ainda o vejo bem mais adaptado ao piso do que Cilic. Basta ver a dificuldade que o croata teve para superar o contundido Fabio Fognini. Não menos interessante é o fato de que a partida de quarta-feira entre os campeões de US Open valerá também o quarto lugar do ranking.

Schwartzman superou um adversário 35 centímetros mais alto, que teve o jogo nas mãos duas vezes, com 5/3 no terceiro set e 5/4 no outro. É bem verdade que Anderson falhou mentalmente, porém El Peque jamais desistiu e fez um brilhante quinto set para atingir as quartas de um Slam pela segunda vez. Está grudado no tão sonhado top 10. Porém, para atingir a façanha, terá de obter algo inimaginável, ou seja, ganhar as duas próximas rodadas.

Sim, porque a ‘mala suerte’ dos hermanos é estar no caminho de Rafa Nadal. É fácil recordar o esforço hercúleo que Diego fez no recente duelo de Madri contra o número 1, não conseguindo mais do que uma quebra de serviço e sete games. Aguentar essa pressão por três, quatro ou cinco sets parece não estar ao alcance de Schwartzman, por mais guerreiro que seja.

Nadal fez outra grande exibição em Roland Garros. Talvez a demora na adaptação a um adversário canhoto de golpes pesados explique seu começo instável, em que Maximilian Marterer teve uma bola de meio de quadra para ir a 3/1. Assim que calibrou seu forehand, o espanhol mostrou aquele volume assombroso.

É bem verdade que a intensidade caiu por uns instantes no terceiro set e o valente alemão voltou a lhe tirar o serviço e aí sim fazer 3/1. Rafa reagiu e Marterer mostrou não apenas competência técnica mas também controle emocional para empurrar a decisão ao tiebreak, onde por fim o canhoto espanhol colocou ordem na casa, fechando a vitória com 39 winners, 17 pontos junto à rede e quatro aces. Versatilidade a toda prova.

Um dia depois de festejar os 32 anos, Rafa também comemorou a 900ª vitória de primeira linha, a 234ª de Grand Slam (que o desgruda de Jimmy Connors) e a 12º presença nas quartas de Roland Garros. De quebra, já soma 37 sets consecutivos em Paris e está a quatro da marca incrível de Bjorn Borg, que pode cair após 37 anos. Motivações não faltam a Rafa, dia após dia. Pobre ‘hermanos’.

Frustração no feminino
Como foi estranho e desalentador o complemento da quarta rodada da chave feminina. Nos quatro duelos previstos, foram disputados 35 games e, somando-se tudo, houve apenas 2h26 de bola rolando, menos do que duraram os compromissos de Rafa ou de Delpo.

Garbiñe Muguruza jogou apenas 13 pontos antes de ver Lesia Tsurenko abandonar, Simona Halep e Angelique Kerber arrasaram Elise Mertens e Caroline Garcia. Até mesmo o complemento do jogo suspenso de domingo foi muito rápido, já que Daria Kasatkina acabou com o sonho de Carol Wozniacki em apenas mais três games.

Mas claro que a decepção absoluta foi a desistência de Serena Williams. Nem foi para a quadra, vitimada por dor muscular no peito e sem condições de sacar. Aliás, isso já havia ficado claro na dupla que disputou na véspera. Provavelmente, não teria feito diferença, mas jogar essa partida no domingo foi uma mancada.

Sem entrar em quadra, Maria Sharapova não pôde encerrar o jejum contra Serena, mas ganhou um dia de descanso para tentar o não menos difícil desafio de encarar Muguruza nas quartas de final.

Segundo levantamento de Felipe Priante, os oito jogos de quarta rodada feminina tiveram média de 59 minutos e apenas um passou de 90.

A terça-feira
– Zverev e Thiem são os tenistas com maior número de vitórias na temporada (34 a 33). O duelo direto indica 4-2 para Thiem, porém Zverev o venceu semanas atrás em Madri.
– Alemão somou 11 horas de quadra em seus 3 últimos jogos, Thiem não teve nenhuma partida mais longa do que 2h40.
– Se mantiver o favoritismo sobre Cecchinato, a quem nunca enfrentou, Djokovic somará 32 semis de Slam e se isolará no segundo lugar no quesito.
– Número 73 do ranking, italiano pode ser jogador de mais baixo ranking na penúltima rodada de Paris desde Medvedev, em 1999. Em caso de vitória, Cecchinato entrará no top 30.
– Kasatkina tem 1-1 frente Stephens, mas venceu em março em Indian Wells. Se for adiante, russa terá grande chance de enfim chegar ao top 10, a menos que Sharapova seja campeã.
– Keys enfrentou uma vez Putintseva, com vitória em 2016. Aos 23 anos mas sem títulos de WTA, russa joga como cazaque mas mora em Miami. Tenta pela segunda vez uma semi no saibro de Paris.