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O Finals da emoção
Por José Nilton Dalcim
13 de novembro de 2019 às 21:25

Duelos incríveis decididos em games derradeiros de tirar o fôlego, vagas em dúvida até para os membros do Big 3 na última rodada e a constante mudança de cenários sobre a luta pelo número 1 no final de temporada. Emoção é a tônica do ATP Finals deste ano, coisa aliás que nem é tão comum assim ao torneio. Rafael Nadal manteve vivas as chances e, se conseguir a vaga, terá de encarar Novak Djokovic ou Roger Federer na semi do sábado. Demais.

Nadal consegue o improvável
Depois da estreia desanimadora, Nadal foi outro diante de Daniil Medvedev. Logo de cara, partiu para saque-voleio e fez um primeiro set muito equilibrado, em que só perdeu consistência na segunda metade do tiebreak. Não baixou a cabeça e a quebra logo de cara no segundo set deu a confiança para sacar com eficiência.

Mas de repente a coisa desandou. Passou a errar bolas por muito, fez raríssimas escolhas muito ruins de jogadas e por milagre não se viu com 0/5 e às portas de um ‘pneu’. Dois games depois, outra vez com o saque, cedeu um match-point e aí jogou com coragem. O jogo porém estava nas mãos do russo, que vinha sacando muito. Bastava isso para selar o dia. Só que Medvedev tremeu. O nervosismo era evidente. Perdeu os dois serviços seguintes e ainda conseguiu empurrar para o tiebreak. Aí foram oito pontos bem disputados até Nadal fazer 5-4 e outra vez ver o adversário falhar feio sob pressão.

A estatística – Os grandes números do jogo foram de Medvedev: 41 winners, dos quais 21 aces, contra 26 do espanhol e 40 erros frente a 27. Foi uma longa partida de 213 pontos disputados (108 a 105 para Nadal), dos quais 34 tiveram mais do que nove trocas de bola.

O ponto crucial – Com 4/0 e break-point a favor diante de um Nadal perdido em quadra, Medvedev devolveu firme quando o espanhol tentou outro saque-voleio. Recebeu um voleio mole no meio da quadra e mandou a passada na rede. Como veríamos depois, essa chance perdida custou caro ao russo. No match-point que teve pouco depois, os méritos foram de Nadal, que se plantou na linha de base, bateu sem medo e tomou a iniciativa, com deixadinha no contrapé corajosa.

Passeio de Tsitsipas
Os primeiros sete games do duelo entre Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev não pareciam indicar que alguém sairia com vitória de placar tão elástico. Houve games bem longos, os dois com postura ofensiva e até um break-point a favor do alemão ainda no quinto game, em que conseguiu pressionar e provocar erros do grego.

Mas assim que alcançou uma quebra até fácil para ir a 5/3 Tsitsipas tomou conta da partida, voltando a exibir um jogo cheio de alternativas táticas, ora com firmeza na base, ora com aventuras perfeitas na rede, mesclando ainda velocidade dos golpes e, é claro, chamando Zverev para a frente.

O histórico – Foi a quarta vitória seguida de Stef sobre Sascha, e a terceira somente nesta temporada, em pisos como o saibro de Madri e o sintético veloz de Pequim.

A estatística – Tsitsipas ganhou 31 dos 36 pontos em que acertou o primeiro saque. enquanto Zverev só venceu 28% quando precisou do segundo serviço. Grego fez mais do dobro de winners (23) comparado aos erros não forçados (11).

Como fica o grupo – Com as duas vitórias, Tsitsipas já está na semi mas ainda não garantiu o primeiro lugar. O único cenário em que será segundo da chave é também o que dá a vaga a Nadal, ou seja, vitória do espanhol na sexta-feira e de Medvedev sobre Zverev, ambos por qualquer placar.

Como se vê, o alemão e atual campeão só depende dele mesmo para ser segundo do grupo, desde que vença Medvedev, mas pode até perder, desde que seja em 3 sets e Nadal não vença. O russo é quem está em pior situação: tem de ganhar em dois sets e Nadal perder.

Dia D para Djoko e Federer
Ninguém imaginava que Djokovic e Federer travassem um duelo direto pela sobrevivência no Finals. Tudo culpa de Dominic Thiem, que fará quase um amistoso às 11h diante do já eliminado Matteo Berrettini, sobre quem tem 2 a 1 num histórico nada tranquilo para o austríaco.

Nole tem o favoritismo natural, baseado no placar geral de 26-22 mas principalmente nas quatro vitórias seguidas sobre Federer, o que inclui a memorável final de Wimbledon de quatro meses atrás, em que o suíço deixou escapar dois match-points. Também é de se considerar as exibições já feitas nesta semana, em que Federer foi menos firme e brilhante.

A última vez que Djokovic perdeu para o suíço, no entanto, foi justamente no Finals de 2015, quando o piso era ainda mais lento do que hoje. Há ainda um elemento que pode pesar a favor de Federer: a pressão muito maior sobre o adversário, que vem de derrota amarga e coloca em quadra também a chance de retomar o número 1.

A disputa pela ponta
Os 200 suados pontos conquistados por Nadal mudam mais uma vez o quadro da luta pela liderança do ranking. Agora, Djokovic terá de ganhar o Finals para recuperar o posto e terminar a temporada outra vez na ponta.

Também não há mais a possibilidade de os dois decidirem o troféu no domingo e assim fazerem uma luta direta pelo número 1. Como Nadal só pode ser o campeão do seu grupo, ele cruzaria na semi com Djokovic, caso o sérvio fique com a segunda vaga da outra chave.

Última chance para Melo
O mineiro Marcelo Melo e o parceiro polonês Lukasz Kubot jogam pela vaga na semi às 9 horas desta quinta-feira. A luta é direta contra Rajeev Ram e Joe Salisbury, já que Raven Klaasen e Michael Venus estão classificados. No outro grupo, os franceses Nicolas Mahut/Pierre Herbert venceram duas vezes e estão na penúltima rodada.

Thiem rouba a cena
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2019 às 22:49

Num grupo tão forte, Dominic Thiem só precisou de duas vitórias para atingir a primeira semi do Finals em sua carreira. Mas foram dois triunfos de gabarito inigualável: depois de dominar Roger Federer em dois sets apertados, ele conseguiu virar em cima de Novak Djokovic num tiebreak decisivo maluco, o que também foi seu primeiro sucesso em quadra dura sobre o sérvio.

Com isso, o austríaco se classifica como líder do grupo e vai assistir ao jogo de morte entre Nole e Federer na quinta-feira, onde quem vencer se classifica. Aos que ainda duvidam das qualidades de Thiem, ele já derrubou o Big 3 por seis vezes nesta temporada.

Jogo magnífico de final incrível
Djokovic e Thiem fizeram um primeiro set de nível notavelmente alto, expondo seu melhor. Mesmo decidido no tiebreak, o sérvio saiu com apenas dois erros não forçados. O austríaco fez pequena mudança, e foi feliz. Usou mais slices para alternar o ritmo das trocas no segundo set e com isso conseguiu comandar mais com o forehand. Confiante, também soltou o backhand na paralela.

Liderou ainda o terceiro set até 3/1, se apressou e viu Djoko reagir. Mas mesmo com o sérvio tendo 4/3 e 5/4, segurou a cabeça e, inesperadamente, quem falhou na parte mental foi o número 2 do ranking. Fez um game horrível e permitiu que Thiem sacasse para o jogo com 6/5. O austríaco no entanto também não mostrou confiança, cedeu o empate e desabou no começo do tiebreak.

Erros incríveis deram 3-0 e dois saques a Djoko e aí então pode ter vindo o ponto crucial para o sérvio, quando errou uma bola boba na rede. Atrás por 1-4, Thiem iniciou uma reação inesperada, mescla de ousadia e de muita sorte, chegou a 6-4 e perdeu match-point. Na hora de empatar, Djoko deixou de ser aquele tenista frio e não sustentou a troca. Na entrevista obrigatória, não escondeu o mau humor.

O histórico – Thiem ganhou de Djokovic pela quarta vez nos últimos cinco jogos, sendo duas em Roland Garros e outra em Monte Carlo. Aliás, a vitória deste ano em Paris teve um final tão dramático como o de hoje. Naquele sábado, Thiem fez 4/1, permitiu reação, mas sacou para o jogo com 5/4. Deixou escapar dois match-points e acabou vencendo no saque do sérvio, que não segurou os nervos.

A estatística – Thiem marcou 50 winners, sendo 32 de forehand, e fez mais do dobro dos erros (44 a 21, sendo 23 de forehand). Não menos curioso é o fato de ganhar de Djokovic com apenas 57% de primeiro saque em quadra. A quantidade de pontos define com precisão o quão apertada foi a partida: Thiem ganhou 110 pontos e Djoko, 108.

O ponto crucial – Acho que faltou um pouco de ofensividade a Djokovic, um tenista que geralmente toma a iniciativa dos pontos. Talvez Nole tenta apostado demais na sua capacidade defensiva, que aliás foi excepcional, principalmente quando reagiu no final do terceiro set. Talvez ali pudesse ter se imposto mais e acuado Thiem. De qualquer forma, foi um duelo decidido em detalhes mínimos.

Federer melhora e respira
A atuação de Roger Federer foi bem melhor do que na estreia, embora o italiano Matteo Berrettini tenha nível distinto de Thiem neste momento. O primeiro set só viu um break-point, que na verdade foi set-point para o suíço. A partir do tiebreak, Federer enfim impôs sua maior categoria, saiu com quebra no segundo set e administrou muito bem até a vitória.

O histórico – Federer ganhou o segundo duelo contra Berrettini sem perder sets, mas foi muito diferente da partida vencida com facilidade em Wimbledon. Até hoje, nenhum italiano somou ao menos uma vitória no Finals, que existe desde 1970 e já viu participações de Adriano Pannatta e Corrado Barazzutti. O tênis italiano portanto está 0-8.

A estatística – Com 67% de primeiro saque em quadra, Federer ganhou 50 de seus 67 pontos de serviço, o que é um percentual bem aceitável num piso que está razoavelmente rápido. Isso também permitiu que ele salvasse os três break-points que cedeu.

O ponto crucial – Com 5/3 no segundo set, Federer jogou seu pior game de serviço, ofereceu 15-40 e depois mais um break-point, em momentos raros em que Berrettini conseguiu devolver com qualidade. O suíço fechou a porta sempre com o saque afiado.

A quarta-feira
Rafael Nadal e Daniil Medvedev perderam na estreia e assim revivem a final do US Open em duelo um tanto dramático, já que uma nova derrota dificultará muito a classificação para a semi. O espanhol seria favorito, mas mostrou muitas fragilidades na segunda-feira, especialmente com a bola curta e o forehand inseguro. É jogo para três sets.

Vencedores de estreia, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev se sentem à vontade num piso mais veloz. Já fizeram quatro duelos, mas somente o primeiro foi vencido pelo alemão. O grego ganhou neste ano em quadras rápidas, como Madri e Pequim, e possui mais recursos técnicos do que Sascha. O alemão sacou muito contra Nadal e deve apostar outra vez nessa arma.

Tabus quebrados
Por José Nilton Dalcim
11 de novembro de 2019 às 21:02

Rafael Nadal e Daniil Medvedev entraram em quadra para a estreia no ATP Finals com a mesma vantagem histórica: 5 a 0. Mas Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas não deram bola para isso e tiveram atuações muito boas. O atual campeão, claro, se prevaleceu de um ritmo incerto do espanhol, que errou muito com o forehand. Mais jovem dos participantes deste ano, o grego fez uma bela exibição e se candidata a surpresa.

Inseguro, Nadal se complica
De volta à quadra após a contusão no abdome de Paris, o que mais falhou em Nadal não foi o saque, mas seu desempenho no fundo de quadra. A insegurança era evidente com as bolas curtas, o forehand descalibrado, ‘madeiradas’ e até mesmo pernas atrasadas para chegar no ponto ideal de golpear. Isso ajudou, mas não tira o mérito de Zverev, que fez sua parte: abusou da força do saque, tomou postura ofensiva e se defendeu muito bem. Na entrevista oficial, Nadal garantiu estar sem dor e que seguirá no torneio.

O histórico – Nos dois primeiros jogos que fizeram, quando Zverev ainda era uma promessa, o alemão teve grande chance de vitória. Depois, só tirou 1 de 9 sets disputados e levou por quatro vezes a lavada de 6/1. Mentalmente, era um desafio e tanto para o alemão.

A estatística – Dado essencial sobre o forehand dos dois jogadores: Zverev, que tem no backhand seu porto seguro, fez metade de seus 28 winners com o forehand. Já Nadal, cuja confiança é diretamente proporcional à precisão do forehand, errou 13 vezes com o golpe de seu total de 19 falhas na partida.

O ponto crucial – Perdendo por uma quebra e 3/4 no segundo set, Nadal saiu com grande devolução e aí errou um forehand facílimo de meio de quadra. Ainda chegou a 15-30 e bateu outra bola torta de forehand. Nem sombra daquele espanhol frio e calculista, que nessas horas faz o adversário pensar, abusa do topspin e o desloca pela quadra.

Tsitsipas em grande estilo
Dois estreantes em Finals, Tsitsipas e Medvedev fizeram um jogo outra vez muito disputado e não mostraram o nervosismo imaginado. Ao contrário, houve muito lance bem armado dos dois lados. O grego saiu de quadra radiante e, ao tirar esse peso das costas, pode ficar muito perigoso na arena O2.

O histórico – Apesar do placar de 5 a 0, Medvedev sempre teve trabalho para ganhar do desafeto Tsitsipas. O russo havia vencido neste ano no lento Monte Carlo e no veloz Xangai.

A estatística – Tsitsipas ganhou 89% dos pontos em que acertou o primeiro saque (39 de 44) e não permitiu um único break-point ao russo, numa atuação arrojada mas bem controlada.

O ponto crucial – Tsitsipas claramente fez uma opção ofensiva durante toda a partida e o voleio milimétrico na paralela que fez no 5-5 do tiebreak certamente teve peso enorme (foi 17 vezes à rede no set e ganhou 13 pontos). Concretizou o set com forehand agressivo e seu 16ª winner. O russo tentou essa variação num momento delicado, 4/4 do segundo set, e se deu muito mal, porque voleios não são sua praia.

A briga pelo número 1
A derrota precoce de Nadal muda o quadro na luta particular que ele trava com Novak Djokovic para ver quem terminará a temporada na liderança do ranking. A situação melhorou para o sérvio, que agora só depende de si mesmo, ainda que tenha de ganhar todos seus jogos para marcar os 1.500 pontos. Reforçando: se for campeão invicto, Nole recupera o posto, nem que Nadal seja seu adversário da final. É importante lembrar, no entanto, que Djokovic precisa chegar no mínimo à final com duas vitórias na fase de grupos, mesmo que Rafa abandone o torneio ou não vença qualquer partida.

A terça-feira
Roger Federer e Matteo Berrettini abrem a rodada às 11h na tentativa de reagir e sonhar com a semi. O suíço tem o favoritismo natural. No duelo deste ano em Wimbledon, cedeu apenas cinco games, optando por slices venenosos e pelo ataque ao backhand instável do italiano.

Djokovic e Dominic Thiem fazem o grande duelo da segunda rodada às 17h. O sérvio lidera por 6 a 3 nos confrontos, mas o austríaco levou a melhor em 3 dos 4 duelos mais recentes, embora todos no saibro. Claro que o histórico espetacular no torneio dá vantagens importantes para Djokovic, mas ele terá de tomar cuidado o tempo todo, porque Thiem sabe bem o caminho para incomodá-lo: bolas com spin centralizadas e ataque pelas paralelas.