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O top 10 do saibro na Era Profissional
Por José Nilton Dalcim
30 de abril de 2020 às 17:13

Aproveitando a longa pausa do circuito e a pedido de vários internautas, começo aqui a dar minha lista dos top 10 em cada uma das três atuais superfícies utilizadas no tênis.

Importante sempre ressaltar a dificuldade que é comparar eras tão distintas do circuito masculino. A atual noção dos 9 principais torneios fora dos Grand Slam começou apenas em 1995, então conhecidos como Super 9, que em 2000 mudaram para Masters Series e em 2009 viraram Masters 1000.

Dessa forma, jogadores como Bjorn Borg, Guillermo Vilas, Ivan Lendl, Mats Wilander ou Ilie Nastase não tiveram uma contagem oficial de Masters, mas considerei principalmente seus feitos em Roma, que sempre foi o segundo mais importante sobre o saibro europeu.

Então vejamos como ficou meu top 10 do saibro na Era Profissional:

1. Rafael Nadal
Não há discussão. Com 59 títulos e 91,8% de eficiência no piso, juntou 12 troféus em Roland Garros, 11 em Monte Carlo e 9 em Roma, além de ter a maior série invicta, com 81 jogos. Há grande chance de jamais ser alcançado.

2. Bjorn Borg
O hexacampeonato em Roland Garros já basta para colocá-lo no posto. Em  1978, ganhou o torneio com apenas 32 games perdidos. Encerrou precocemente a carreira com 30 títulos no saibro e 86,2% de vitórias.

3. Ivan Lendl
Embora tenha obtido grande sucesso também na quadra dura, foi um saibrista de primeira, com três títulos e dois vices em Paris, 28 troféus no total e 81% de eficiência. O troféu de 1984 foi seu primeiro de Slam numa virada histórica.

4. Mats Wilander
Contemporâneo de Lendl, ainda que mais jovem, também fez cinco finais em Roland Garros, com três troféus, o primeiro deles com apenas 17 anos. No geral, ficou um pouco abaixo do tcheco, com 20 títulos sobre a terra e 76,7%.

5. Gustavo Kuerten
Além do tri em Roland Garros e quatro troféus em três diferentes Masters do saibro, Guga marcou uma nova forma de jogar sobre o piso com seu estilo tão ofensivo. Encerrou com 14 títulos no saibro e 70% de eficiência.

6. Guillermo Vilas
Maior canhoto sobre o saibro profissional até surgir Rafa, fez quatro finais em Paris mas só levou um. Era um gigante na superfície, com 80% de vitórias (total recordista de 679) e 49 títulos, marca enfim superada por Nadal.

7. Novak Djokovic
Sérvio tem méritos incríveis no saibro: um título e três vices em Paris, nove troféus de Masters e vitória sobre Nadal em todos os grandes torneios do piso. Tem no momento 79,6% de vitórias e 14 títulos sobre a terra.

8. Thomas Muster
Canhoto de backhand de uma mão tal qual Vilas, ganhou 40 títulos e venceu 77% dos jogos no saibro, mas fez uma única final em Roland Garros e levou o título. Ganhou Roma e Monte Carlo por três vezes cada um.

9. Ilie Nastase
Jogador de amplos recursos, foi o rei do saibro em 1973, quando conquistou Roland Garros, Roma, Monte Carlo e Barcelona, os mais importantes de então. Obteve outro vice em Paris, terminou com 30 títulos no piso como Borg e 78,9% de sucesso.

10. Roger Federer
O azar do suíço foi ter vivido a Era Nadal no saibro, o que lhe impôs quatro vices, três seguidos, em Roland Garros. Ganhou enfim o título em 2009. Soma outros 10 troféus no piso, sendo seis Masters, e atinge no momento 76,1% de vitórias.

Menções honrosas
Sergi Bruguera, com três finais e dois títulos, e o bicampeão Jim Courier foram grandes destaques em Roland Garros. O norte-americano ainda foi bi em Roma e Bruguera faturou Hamburgo. Também se destaque Manoel Orantes, com 544 vitórias no piso (77.3% de sucesso) e 31 títulos, porém apenas uma final em Paris.

O que aguarda Federer. E mais histórias.
Por José Nilton Dalcim
1 de fevereiro de 2017 às 17:42

Roger Federer reescreveu vários capítulos da história do tênis com o 18º troféu de Grand Slam. Segundo mais velho a conquistar um título desse porte na Era Profissional, aos 35 anos e 174 dias, ele é agora também o único a ter pentacampeonatos em três Slam diferentes, somando-se ao feito já sacramentado de ter ao menos cinco finais em cada um dos Slam, outra exclusividade do suíço.

Fato pouco explorado, Federer foi o primeiro desde Mats Wilander, em Roland Garros de 1982, a derrotar quatro top 10 numa campanha rumo ao título. Na ocasião, o sueco superou Lendl, Gerulaitis, Clerc e Vilas. Diferenças importantes: Wilander tinha 17 anos e só um de seus jogos no torneio foi ao quinto. O suíço venceu três desses top 10 no quinto set.

Também não vi uma observação importante: esta final da Austrália foi a única já disputada entre dois recordistas vigentes de títulos de Slam. Aliás, descobri uma coincidência. Pete Sampras também saiu de cabeça 17 na sua derradeira conquista, no US Open de 2002. Como se vê, há muita história ainda a contar.

Para responder a tanta gente que me pergunta o que mais Federer pode fazer este ano, fiz um breve resumo dos outras grandes realizações que o aguardam em 2017. Algumas bem prováveis, outras muito difíceis. Vamos a um breve resumo:

Roland Garros, em maio
– Está com 314 vitórias de Slam na carreira, duas a menos que Serena Williams. Duelo deve continuar em Paris
– Se confirmar presença, igualará Fabrice Santoro com maior número de Slam disputados na carreira (70).
– Pode se tornar o primeiro profissional e o terceiro da história a ganhar ao menos duas vezes cada Slam.

Wimbledon, em junho
– Precisa de apenas uma vitória para assumir o recorde de maior número de vitórias (está com 84, empatado com Connors).
– Soma 95 partidas e busca uma nova marca centenária, como obteve na Austrália. Apenas Connors fez isso (102 em Wimbledon e 115 no US Open).
– Busca o oitavo troféu e tenta desempatar de Sampras.

US Open, em agosto
– Se ganhar duas partidas, supera Agassi em vitórias no torneio (tem 78 contra 79) e só fica atrás de Connors.
– Busca o sexto troféu e tenta desempatar de Sampras e Connors.
– Se for à decisão, iguala Lendl e Sampras com oito finais.

No Finals, em novembro
– Busca 15ª participação num torneio em que lidera tudo: títulos (6), finais (10), semis (13) e vitórias (52).

No circuito
– Aumenta seu recorde para 61 títulos sobre quadras duras, dez a mais que Djokovic. Lidera folgadamente com 675 vitórias no piso.
– Chega ao 89º título da carreira e fica assim apenas cinco atrás de Lendl, o segundo da lista. Connors lidera com 109.
– Soma 137 finais disputadas e está a nove de Lendl. Connors é o recordista, com 164.
– É o jogador com mais vitórias sobre adversários top 10, com 202. Djokovic tem 180.
– Divide com Nadal a primeira posição no item títulos em quadras descobertas, ambos com 67.
– Está 18 vitórias atrás de Connors na lista de maior vencedor sobre quadra de grama (170 a 152).

No ranking
– Ao reaparecer no 10º lugar, soma agora 745 no total como top 10 e pode ultrapassar as 747 de Agassi. Bem acima, Connors tem 817.

No bolso
– Com o prêmio de US$ 2,8 milhões, é o segundo profissional a superar a casa dos US$ 100 mi, depois de Djokovic.

Liderança absoluta
– Lidera tudo de nobre em Grand Slam: 28 finais (sete acima de Nadal e Djokovic), 41 semifinais (10 a mais que Connors e Djoko) e 49 quartas (oito acima de Connors).
– Também tem todas as marcas em séries consecutivas: 10 finais, 23 semis e 36 quartas. Só Federer, Borg e Nadal ganharam um mesmo Slam cinco vezes seguidas, mas o suíço fez isso em dois: Wimbledon e US Open.

Quem levou o Desafio – Desculpem a demora para soltar o resultado. Vamos lá: o primeiro lugar ficou disparado com Bruno Zocchi, que acertou até mesmo três dos cinco sets da partida. O segundo foi Marco Aurélio de Souza Ribeiro, que errou apenas seis games no total, e o terceiro coube Guilheme Barros, com oito erros e quase tempo cravado. O quarto lugar vai para Alexandre CGB (não consta nome completo), com oito erros e melhor tempo do que os demais. Todos os quatro vão receber um tubo de bolas Australian Open da Wilson. Parabéns! Me enviem aqui ou no joni1@uol.com.br nomes e endereços completos para o envio.

Os candidatos para recuperar Nadal
Por José Nilton Dalcim
8 de outubro de 2015 às 00:04

Pela primeira vez, Toni Nadal admitiu a hipótese de deixar o comando absoluto da carreira de Rafa e adicionar um “supertécnico” ao time. Claro que o tio foi bem cauteloso. Em primeiro lugar, garantiu que a decisão terá de partir do tenista e de outro lado acredita que tal medida só seria levada realmente a sério caso 2016 não mostre a reação esperada do espanhol.

Vale lembrar que todos os grandes jogadores de hoje recorreram a ícones recentes do tênis para dar um novo rumo à carreira. Novak Djokovic agregou Boris Becker, Roger Federer foi atrás de Stefan Edberg, Andy Murray perdeu Ivan Lendl mas trocou por Amélie Mauresmo e já adicionou Jonas Bjorkman. Isso sem falar de Kei Nishikori e a parceria com Michael Chang, Stan Wawrinka e o forte grupo sueco dirigido por Magnus Norman, Marin Cilic com Goran Ivanisevic e tantos exemplos de sucesso.

Mas quem afinal reuniria as características mais adequadas para reerguer Nadal? Vamos a algumas sugestões, seus prós e os inevitáveis contras.

Mats Wilander – Surge como o mais forte candidato, porque teve boa experiência como treinador de Marat Safin e da Copa Davis. Tem coisas muito em comum com Rafa: a precocidade (ganhou Roland Garros aos 17 anos), a preferência pelo saibro, a adaptação do jogo para os pisos sintéticos, personalidade dentro e fora da quadra muito semelhantes. Seu  único problema é a pouca vontade de viajar o circuito, algo que conseguiu equilibrar com o atual emprego de comentarista.

Andre Agassi – Há muita especulação em cima do norte-americano, porque ele sobreviveu a intensos altos e baixos na carreira, incluindo depressão e contusões, a ponto de recuperar o número 1 já aos 34 anos. Tinha um estilo bem agressivo de base, jogando dentro da quadra, pegando bola na subida, aplicação na devolução, detalhes que podem ajudar muito Rafa. O ponto negativo é a total inexperiência como treinador e a personalidade que não casa com Toni.

Paul Annacone – Este sim tem vasta experiência como treinador, nem todas bem sucedidas. Fez trabalho excepcional com Pete Sampras e ajudou muito Roger Federer, tendo feito muitas mudanças na parte tática do suíço. Pode justamente ajudar Rafa nisso e lhe dar maior diversidade de jogo. A dificuldade é que Annacone provavelmente não queira dividir espaço com Toni.

Arantxa Sánchez – A imprensa espanhola especula muito, porque a supercampeã é muito bem vista nos bastidores e certamente sua contratação teria ótima repercussão. Trabalhou recentemente com Carol Wozniacki e manifestou seu desejo de desafios maiores. Sua grande virtude era a determinação em quadra e a inteligência tática, mas isso Rafa tem de sobra.

John McEnroe – O fenomenal tenista chegou a se oferecer para treinar Murray após a saída de Lendl, mas não vingou. Nenhuma experiência como técnico. A personalidade é radicalmente oposta a de Rafa, o que pode ser um componente interessante ou um desastre. Canhoto e tenista agressivo por natureza, Mac poderia convencer Rafa a mudanças técnicas e táticas inusitadas. Eu particularmente duvido que desse certo.