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Começa o Finals para Djokovic
Por José Nilton Dalcim
19 de novembro de 2021 às 20:40

Com apenas 16 games perdidos em três jogos – oito deles nas duas últimas rodadas – Novak Djokovic fez um aquecimento perfeito para o verdadeiro ATP Finals que fará a partir de agora. Neste sábado, reencontra Alexander Zverev e o vencedor terá grande chance de decidir o título no domingo contra Daniil Medvedev, franco favorito diante de Casper Ruud.

Sascha venceu apenas três dos 10 duelos contra Nole, mas duas vitórias foram muito especiais: a do título no Finals de 2018 e a semi olímpica de três meses atrás. Nesta temporada, Djokovic ganhou os outros três confrontos, na ATP Cup, no Australian Open e no US Open, jogos também de peso. Então promete ser o grande momento de Turim, um piso veloz que agrada a ambos. Embora seja mais limitado no plano técnico-tático, o saque é um aliado poderoso do alemão.

Tanto Zverev como Medvedev tiveram de correr muito mais atrás da bola nesta semana. O alemão até foi ajudado fisicamente pelo abandono de Matteo Berrettini, porém já disputou três tiebreaks e viveu maratona diante do próprio russo. E Medvedev ainda suou muito para derrotar o garotão Jannik Sinner, com direito a salvar match-points, e assim garantir sua oitava vitória no Finals consecutiva.

Ruud se classificou no último segundo, virada e tiebreak decisivo apertado contra Andrey Rublev, seu oitavo set disputado na semana. Numa superfície pouco adequada, não deixa de ser uma campanha notável do norueguês. Perdeu os dois jogos para Medvedev sem tirar set, um deles na grama, mas levou o russo a placares duros e portanto pode jogar relaxado, o que sempre é um perigo.

Números de peso
Djokovic busca o hexa tal qual Federer e portanto tem os mesmos cinco títulos de Ivan Lendl e de Pete Sampras, com conquistas em 2008 e depois quatro sucessivas entre 2012 e 2015, o que é um feito único desde que o Finals (ex-Masters) surgiu, lá em 1970.

Se chegar a sua oitava final, iguala Boris Becker e fica ainda atrás de Lendl (9) e Federer (10). O sérvio assumiu já o segundo posto em vitórias, com 41, duas acima de Lendl mas bem distante das 59 do suíço.

Curiosamente, o Finals tem visto diferentes campeões desde 2016, com Andy Murray, numa sequência que viu depois Grigor Dimitrov, Alexander Zverev, Stefanos Tsitsipas e Medvedev. Portanto, apenas a ‘zebra’ Ruud poderia manter esse inusitado padrão.

Pavic garante número 1 de duplas
Apenas dois dos oito semifinalistas de duplas têm menos de 30 anos. Com a classificação difícil, Mate Pavic garante o número 1 de final de temporada, já que o único que poderia alcançá-lo é exatamente seu parceiro Nikola Mektic. Enfrentam Rajeev Ram e Joe Salisbury. A outra semi terá Pierre Herbet/Nicolas Mahut contra Marcel Granollers/Horacio Zeballos.

Quatro jogadores concorrem para o segundo título, algo que é um tanto raro na história do Finals: Mektic (2020), Herbert e Mahut (2019) e Granollers (2012). Apenas 17 duplistas e 7 parcerias conseguiram ao menos dois troféus no torneio em 45 edições realizadas, já que a chave de duplas não foi disputada por cinco vezes desde 1970.

O ouro escapou. Duas vezes.
Por José Nilton Dalcim
30 de julho de 2021 às 14:04

A campanha tranquila e descontraída que Novak Djokovic vinha realizando no torneio olímpico de repente foi por terra. Perdeu em poucas horas as duas chances de ao menos lutar por uma ainda inédita medalha de ouro, e terá de se contentar neste sábado em concorrer por dois bronzes, que podem se somar ao de Pequim-2008. Está longe de ser sua grande meta, mas não é tão ruim assim.

O castelo do número 1 ruiu de forma um tanto estranha. Atropelou Alexander Zverev num primeiro set em que funcionaram muito bem o saque a a devolução e tudo parecia caminhar para a lógica final quando obteve quebra no quinto game, o que levou o alemão a levar advertência por jogar bola longe. Mas tudo mudou num passe de mágica. Sascha é verdade jogou bem pela primeira vez no saque do sérvio e aí embalou uma sequência de lances espetaculares, precisão milimétrica, cabeça fria e ótima movimentação que lhe deram incríveis oito games seguidos.

O semblante do sérvio deixava claro seu desconforto e me pareceu que ele sofria na parte física, aquele alto fator de umidade que costuma minar suas forças. Talvez isso tenha forçado as mudanças táticas, acelerando pontos com tentativas mais frequentes de ir à rede ou dar curtas. Seu problema é que Zverev já estava cheio de confiança, com saque afiado para sair de apertos e golpes muito pesados de contragolpe. Venceu 10 dos últimos 11 games. Foi absoluto na reta final da partida.

Para quem acha que título olímpico não vale grande coisa, basta ver a increduilidade que Zverev demonstrava diante do feito e da oportunidade. Não segurou as lágrimas e ganhou abraço apertado de Nole, que soube engolir a amargura com altivez. Retornou à quadra pouco depois e sua parceria com Nina Stojanovic deixou escapar diversas outras chances, caindo diante dos russos Aslan Karatsev e Elena Vesnina. Mais duro ainda, a quebra final foi em cima do sérvio, sem ganhar um único ponto.

O ouro será decidido domingo contra Karen Khachanov, que não poderá ver sua bandeira nem ouvir o hino de seu país. Ainda assim, está perto de repetir o feito de Yevgeny Kafelnikov de 21 anos atrás, em Sydney. Segurou muito bem a pancadaria de fundo de quadra contra o espanhol Pablo Carreño, que não se achou como na véspera diante de Daniil Medvedev.

Jogar na mão pesada com Khachanov não é exatamente a melhor aposta, ainda mais se o russo estiver confiante, e faltou ao espanhol mexer mais a bola e variar o ritmo. De qualquer forma, Khachanov parece mesmo ter reencontrado a tranquilidade para jogar um tênis competitivo, o que vem desde Wimbledon, e um eventual ouro pode lhe dar uma injeção de ânimo ainda mais profunda.

Conquista muito bem calculada
Depois de colecionar três medalhas de bronze no tênis olímpico, a Croácia entrou em quadra para a final de duplas masculinas com a certeza de que enfim colocaria um ouro no pescoço. E não foi fácil para Nikola Mektic e Mate Pavic confirmarem o favoritismo em cima de Marin Cilic e Ivan Dodig.

A conquista coroa o desafio a que Pavic e Mektic se impuseram já no final do ano passado, quando Pavic avisou Bruno Soares de que desfaria a parceria para 2021, já que a meta era buscar total integração com Mektic para tentar o título olímpico. E deu muito certo.

Aliás, os dois estão brilhantes no circuito regular também. Esta foi a nona conquista da temporada em 11 finais, incluindo Wimbledon semanas atrás, que veio depois do susto da covid que os tirou na última hora de Roland Garros.

O bronze inédito para a Nova Zelândia foi muito comemorado por Marcus Daniell e Michael Venus, ao vencer Austin Krajicek e Tennys Sandgren.

Pódio feminino
As meninas vão à quadra neste sábado para decidir o pódio de simples e há muita história a se buscar em todos os lados. Belinda Bencic tenta ser a primeira tenista suíça a ganhar ouro e a quarta profissional a vencer tanto simples como duplas num só evento, repetindo Massu e as irmãs Williams. Até hoje, Marc Rosset e a dupla Federer/Wawrinka foram únicos a chegar ao ouro pelo país.

Marketa Vondrousosa por sua vez pode ser a primeira tcheca campeã desde a volta do tênis aos Jogos, em 1988 (a República Tcheca passou a competir de forma independente em Atlanta-1996). A canhota tirou Naomi Osaka e venceu único duelo direto com Bencic, meses atrás em Miami.

A luta pelo bronze também é importante, já que nem a Ucrânia de Elina Svitolina, nem o Cazaquistão de Elena Rybakina ganharam medalhas no tênis olímpico até hoje.

A madrugada também terá Luísa Stefani e Laura Pigossi lutando pela medalha inédita do tênis brasileiro. O desafio contra as fortes russas Veronika Kudermetova e Elena Vesnina vale bronze e está programado para as 3 horas, mesmo horário do bronze de Djokovic.

A disputa do ouro das duplas femininas acontece no domingo, junto com a final de mistas. Vesnina e Karatsev fazem duelo todo russo contra Anastasia Pavlyuchenkova e Andrey Rublev. O bronze das mistas ficará entre Djoko/Stojanovic e Ashleigh Barty/John Peers.

Líquido, mas não tão certo
Por José Nilton Dalcim
8 de outubro de 2020 às 19:50

Rafael Nadal e Novak Djokovic têm gigantesca vantagem sobre seus adversários das semifinais de Roland Garros. Combinados, são 36 títulos e 53 finais de Grand Slam, 16 delas no torneio. Diego Schwartzman e Stefanos Tsitsipas não somam sequer 17% da quantidade de vitórias na carreira do Big 2 e, mesmo juntos, na terra ganharam 123 jogos, não muito longe dos 98 que o canhoto espanhol ganhou apenas em Paris.

Então há um abismo entre os pretendentes à vaga na decisão de domingo. Mas se tudo parece tão líquido e certo, existem dúvidas para apimentar as partidas, que dão largada às 9h45 desta sexta-feira. Nadal acabou de ser derrotado pelo argentino em Roma, não se sente à vontade com a nova bola do torneio e, segundo seu próprio treinador, não está 100% fisicamente, culpa da pandemia. Já Djokovic preocupa pelas dores no pescoço que reapareceram repentinamente no jogo de quarta-feira e limitaram sua performance.

Schwartzman fez um jogo magnífico no Fóro Itálico, onde mesclou paciência com agressividade, ingrediente essencial para ser competitivo diante do espanhol. Foi então sua primeira vitória em 10 confrontos e isso obrigatoriamente dá confiança. Mas melhores de cinco sets são outro jogo de tênis, exigem saber dosar a parte física, estar com a cabeça fria para suportar pressão e frustração, e achar motivações em qualquer coisa. El Peque fez tudo isso com maestria no exigente duelo contra Dominic Thiem, porém cinco horas de tamanho esforço cobram um preço.

Imagino que Nadal entrará com outra postura em quadra e evitará dar espaço a Schwartzman. Penso que tentará ser agressivo, principalmente nos primeiros games de bola nova, que fazem essa Wilson andar mais, e vai explorar isso no forehand do adversário, que é menos sólido que o backhand. Com média de primeiro saque a 160 km/h, o argentino oferece oportunidade para ser atacado logo de cara, mas será que Rafa vai deixar a posição excessivamente recuada de devolução de saque? Thiem, que absurdo, não fez isso.

Djokovic é outro que não pode se dar ao luxo de esperar para ver. Tsitsipas é agressivo, adora a combinação de saque-forehand, faz transições oportunas e voleia bem. Então mantê-lo na defensiva pode ser o caminho ideal, ainda mais porque temos visto o grego pecar pela imaturidade ao se ver apertado. Paralelas dos dois lados, ainda que sejam uma alternativa mais arriscada, podem surtir esse efeito. E se a limitação física continuar, pontos curtos ficarão cruciais.

Se esses quatro tenistas tão especiais jogarem seu melhor, ao menos teremos a garantia de espetáculo e emoção. Ah, e como já sei que muitos irão me perguntar, apostaria 3 sets a 1 tanto para Nadal como para Djokovic.

E mais
– Bruno Soares está em sua segunda final seguida de Slam, a nona da carreira, e agora tem ao menos uma decisão em cada grande torneio. Que feito! Sair do veloz US Open e brilhar no lento Roland Garros é para bem poucos. Já com a volta ao 6º lugar do ranking garantida, ele e o parceiro canhoto Mate Pavic enfrentarão no sábado os atuais campeões, os alemães Krawietz e Mies.
– Iga Swiatek, de 19 anos, não deu a menor chance a Nadia Podoroska e. sem perder set no torneio, tentará dar o primeiro troféu de Slam em simples para a Polônia, algo que escapou de Aga Radwanska em Wimbledon em 2012. Sua aplicação tática é tão notável como sua execução técnica dos golpes. Terminou com goleada de winners: 23 a 6.
– Sua adversária será a norte-americana Sofia Kenin, em busca do segundo Slam da temporada, um feito incrível. Ela foi precisa nas devoluções e nunca deixou Petra Kvitova parada, mas quase permitiu reação no final do segundo set. Apenas dois anos mais velha que Swiatek, a experiência deve pesar em favor de Kenin, mas curiosamente elas só se cruzaram no torneio juvenil de Roland Garros de 2016 e a polonesa ganhou.