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Caminho aberto para Nadal
Por José Nilton Dalcim
7 de agosto de 2019 às 23:06

Rafael Nadal passou por um bom teste em seu retorno à quadra dura. O atual campeão de Montréal salvou dois set-points diante do habilidoso Daniel Evans e só então jogou de forma um pouco mais agressiva. É o caminho ideal para encarar Guido Pella, que nunca tirou set do espanhol em três duelos.

Sem os demais Big 3 na chave, Rafa tem favoritismo absoluto, ainda que tenha reclamado da lentidão da bola Penn e achado o piso um tanto veloz, condições que chamou de ‘difíceis’. Sua chave viu a queda melancólica de Borna Coric, tem um Fabio Fognini ‘baleado’, Stefanos Tsitsipas decepcionou de novo e ao que parece Roberto Bautista deve ser o adversário de semi, já que Kei Nishikori sequer passou da estreia diante de Richard Gasquet, um resultado bem inesperado.

O lado de baixo já perdeu John Isner, superado com facilidade por Cristian Garin, um dos cinco ‘next gen’ nas oitavas, ao lado de Alexander Zverev, Felix Aliassime, Daniil Medvedev e Karen Khachanov. O ‘trintão’ perigoso é Marin Cilic, mas Sascha foi campeão aí mesmo dois anos atrás e merece crédito, apesar da fase.

Estrela solitária
Felix Aliassime se valeu de mais um abandono de Milos Raonic e agora é a esperança local em Montréal, já que Denis Shapovalov parou em Dominic Thiem. Se vencer Khachanov, Felix irá se tornar o número 1 nacional e terá grande chance de chegar ao top 20.

Top 10
Roberto Bautista pode se tornar nesta semana o quarto tenista na temporada a atingir pela primeira vez o top 10, seguindo Medvedev, Khachanov e Fognini. Ele precisa no entanto ganhar duas rodadas a mais que o italiano ou uma a partir das semifinais.

Troca na ponta
Ash Barty vai perder a liderança do ranking após oito semanas na ponta. Sua derrota precoce em Toronto colocou Naomi Osaka e Karolina Pliskova na disputa pelo número 1. As duas estão em lados opostos da chave e podem decidir tudo na final, o que seria espetacular.

Bem pagas
Todas as 11 atletas mais bem pagas do mundo são tenistas, lideradas por Serena Williams, que tem contratos de US$ 25 milhões e faturou de premiação cerca de US$ 4,2 mi. Naomi Osaka vem logo atrás, com total de US$ 24,3 milhões, sendo também a segunda em faturamento publicitário (US$ 16 mi).

Toalha polêmica
Nick voltou a ser Kyrgios dois dias depois de sua belíssima conquista em Washington. Na derrota mais do que prevista de estreia para Kyle Edmund, o australiano polemizou com o juiz de cadeira por causa de uma toalha branca. Logo que entrou em quadra, ele indicou ao árbitro que não queria usar a toalha oficial do torneio, mas uma toda branca, sem patrocinadores. Não foi atendido e ficou uma fera. Levou advertência por disparar ‘palavrão’.

Out ou In?
Lance mais do que curioso na partida entre John Isner e John Millman pela primeira rodada de Montréal na terça-feira. O norte-americano pediu desafio e a resposta foi essa da foto abaixo…

out

Nadal mostra força
Por José Nilton Dalcim
4 de julho de 2019 às 19:42

Num autêntico teste técnico e emocional, o espanhol Rafael Nadal mostrou força na grande vitória desta quinta-feira sobre o desafeto Nick Kyrgios, que o coloca na terceira rodada de Wimbledon. A exceção de alguns altos e baixos que permitiram duas quebras ao australiano no segundo set, o número 2 do mundo teve uma atuação notável na Quadra Central, onde se destacaram a firmeza do saque, o oportunismo nos tiebreaks e uma gigantesca vontade de vencer.

Era fácil perceber que Rafa estava com sangue nos olhos, e aí tem um pouco de tudo. A importância do torneio, o desafio de jogar na grama, o sonho por mais um Grand Slam mas, acredito, o australiano atravessado na garganta. Tanto pela amarga derrota de Acapulco como pelas declarações e condutas recentes de Kyrgios. E piorou quando recebeu uma pancada em cima do corpo. Dali em diante, Nadal festejou com vigor redobrado. O cumprimento final foi extremamente seco.

No aspecto técnico e tático, Nadal também se portou muito bem. O jogo não lhe deu muitas oportunidades, e assim foi preciso aproveitar ao máximo as que apareceram, como a quebra prematura que lhe garantiu o primeiro set e, especialmente, sua atuação sólida, impecável nos dois tiebreaks. Ganhar de um super-sacador no tiebreak exige uma enorme dose de confiança, concentração e desempenho.

Kyrgios deu seu show particular, como o segundo saque a 230 km/h e o que fez por baixo, tudo no mesmo game, além da irritante postura de reclamar com o árbitro de cadeira. Porém de forma geral até que se comportou bem e, para sorte do público, atuou com seriedade e empenho, fez ótimas jogadas tanto no fundo como na rede, o que sobrevalorizou a vitória do espanhol. Pela diferença de temperamento e estilos, os duelos entre os dois têm se pautado por qualidade e emoção.

Embora a grama seja um piso traiçoeiro, é razoável imaginar que Nadal deu um passo considerável rumo à semifinal. Há de se respeitar a experiência e categoria de Jo-Wilfried Tsonga, adversário de sábado, mas nesta altura das duas carreiras seria uma pequena surpresa se o francês elevasse tanto o nível. João Sousa, que atropelou um irreconhecível Marin CIlic, ou o habilidoso Daniel Evans viriam a seguir e por fim o currículo de Sam Querrey na grama se destaca sobre Fabio Fognini. O italiano já jogou 10 sets e nunca chegou sequer nas oitavas no Club.

Protocolo e adeus
Roger Federer por seu lado continua em marcha reduzida, jogando o suficiente para avançar. Não acredito muito na teoria de que o suíço esteja se poupando. Foi levado a um tiebreak pelo limitado Jay Clarke, porém é difícil imaginar dificuldades reais contra Lucas Pouille no sábado. Precisará de mais cautela caso dê Matteo Berretini nas oitavas e aí aguardaria Kei Nishikori, ligeiro favorito de um setor onde sobrevivem Jan-Lennard Struff e Mikail Kukushkin, autor de uma das surpresas do dia em cima de John Isner.

A rodada ainda marcou o emocionante adeus de Marcos Baghdatis, que escolheu Wimbledon para o adeus da carreira. É bem verdade que foram parcos os momentos marcantes do cipriota nos Slam desde a grande temporada de 2006, quando foi vice na Austrália e semi em Londres. Desde então, só atingiu as oitavas mais três vezes. A personalidade do ex-top 10 no entanto é o que faltará muita falta ao tênis, aquele espírito guerreiro, entre explosivo e divertido, que o tornou tão cativante e popular.

Sem Bia, sem Kerber
Uma pena Bia Haddad Maia não ter embalado. Me surpreendi com o bom tênis de base jogado pela britânica Harriet Dart, que explorou bem as paralelas e raramente permitiu que a brasileira mandasse nos pontos. Bia até foi melhor quando se arriscou na rede, mas no terceiro set pareceu estar sem movimentação ideal, talvez por conta das dores musculares que a grama provoca, e acabou presa fácil. Além do merecido prêmio de US$ 100 mil, deve aparecer no 95º posto do ranking ao final de Wimbledon.

E as ‘zebras’ não param. Derrotada no quali, Lauren Davis entrou de última hora e tirou a atual campeã Angelique Kerber, de virada, e com dois sets muito fáceis. Curioso é que Kerber havia jogado bem em Eastbourne na semana passada. Fez uma estreia sofrível em Wimbledon e hoje foi ainda pior. Aliás, faltou pouco para cair também Kiki Bertens, que viu Taylor Townsend sacar para o jogo e depois chegar a um match-point.

Nesse duríssimo setor da chave, a número Ash Barty passeou de novo e Petra Kvitova confirmou, mantendo assim as duas na luta pelo número 1. Serena Williams teve um começo fraco, com meros três winners no primeiro set, mas pegou ritmo e aí dominou a adolescente Kaja Juven, vinda do quali. Precisará jogar muito mais diante de Julia Goerges.

Sorteio quase perfeito para Djokovic
Por José Nilton Dalcim
28 de junho de 2019 às 13:47

Wimbledon formou suas chaves de simples nesta sexta-feira e provavelmente agradou muito o sérvio Novak Djokovic. Além de não ver adversários de real currículo na grama até ao menos a semi, ainda poderá assistir de camarote a um novo ‘Fedal’. Só ficaria melhor mesmo se ele pudesse trocar Stefanos Tsitsipas ou Alexander Zverev por Dominic Thiem ou Kei Nishikori, mas nada é perfeito. Duro mesmo ficou a parte superior da chave feminina. Vamos a uma análise:

Poucas ameaças a Djokovic
O líder do ranking pode ter um curioso ‘mix’ entre veteranos e novatos em sua trajetória rumo ao quinto título, mas a rigor há poucos jogadores com extenso currículo na grama a ameaçá-lo. Philipp Kohlschreiber já jogou bem no piso, mas desde que fez quartas no torneio em 2012 ele só ganhou três partidas no Club e leva sonoros 10-2 no histórico. Ainda assim, é uma estreia que necessita atenção.

Não há barreiras até as oitavas, quando a lógica diz que Gael Monfils ou Felix Auger-Aliassime seriam os adversários. O francês é totalmente imprevisível, até porque no ano passado se mostrou mais ofensivo e fez oitavas. O garoto canadense vem de dois bons torneios na grama e já cansou de mostrar qualidade, mas Vasek Pospisil logo de cara e talvez Grigor Dimitrov depois serão testes duros. O garoto não deu sorte, definitivamente.

Fico na expectativa para ver o desempenho de Stefanos Tsitsipas numa superfície em que teoricamente pode ir muito longe. Sua sequência prevê o sacador Ivo Karlovic, o ‘baseliner’ Kyle Edmund e talvez o renovado David Goffin, que se mostrou bem versátil em Halle e ganhou respeito. Mas ele também tem seus problemas, com Jeremy Chardy e Daniil Medvedev no horizonte.

A luta pela outra vaga na semi também envolve juventude e experiência. O vice Kevin Anderson é nome forte, mas só fez dois jogos desde Miami e já pega de cara Pierre Herbert, tendo ainda Nicolas Jarry e possível oitavas contra Milos Raonic, se não aparecer contusão no caminho do canadense. O outro forte candidato é Alexander Zverev. Em seu quinto Wimbledon, ainda não passou de oitavas e, em momento instável, pegar o canhoto Jiri Vesely na estreia pode ser um pesadelo. Há chance ainda de cruzar com Benoit Paire na terceira e então ter Karen Khachanov ou Roberto Bautista nas oitavas, mas não duvido nada de uma surpresa nesse setor: Feliciano López.

Vida dura para Rafa
Duas derrotas nas exibições de Hurlingham foram o preparativo de Rafael Nadal na fase competitiva para Wimbledon e, para complicar, o sorteio sugere trabalho duro, desde é claro que Nick Kyrgios jogue sério. O terceiro adversário pode ser Denis Shapovalov, Jo-Wilfried Tsonga ou Bernard Tomic, mas qualquer um merece máximo empenho. Para as oitavas, Marin Cilic surge como obstáculo e parece difícil que o vice de 2017 não some três vitórias até tranquilas.

O eventual duelo Nadal-Cilic vale muito porque parece praticamente impossível que um deles não avance à semi. O quadrante adjacente não tem um único especialista na grama: Dominic Thiem, Laslo Djere, Gilles Simon ou Fabio Fognini. Aliás, o austríaco se poupou desde Roland Garros, depende muito de boa chave para sonhar num piso tão veloz e vai estrear logo contra Sam Querrey. É bem provável que o vencedor desse jogo embale para as quartas, ainda que Simon tenha feito uma semana incrível em Queen’s.

Federer tem boa primeira semana
Os grandes tenistas costumam dizer que é importante economizar energia e pegar confiança na primeira semana de um Slam. E foi exatamente isso o que ficou reservado para o octacampeão Roger Federer. Lloyd Harris, Noah Rubin e quem sabe Richard Gasquet são a caminhada natural até as oitavas diante de Borna Coric ou do ousado Jan-Lennard Struff, um tenista que só venceu três jogos em Wimbledon em seis edições mas tem estilo para dar muita dor de cabeça na grama.

Se mantiver o favoritismo, Federer terá um adversário imprevisível nas quartas. Claro que Kei Nishikori e John Isner são os mais cotados e o gigante americano, a grande ameaça, mas Isner não joga desde Miami. Entre eles, aparece Matteo Berrettini, que parece estar em ritmo perfeito e poderia surgir como novidade, apesar de jogar apenas seu segundo Wimbledon.

Diante da perspectiva de um novo ‘Fedal’, vale lembrar que os dois nunca mais se cruzaram no Club desde a série de três finais seguidas, entre 2006 e 2008.

Grupo da morte no feminino
Não me lembro de ter visto uma quadrante tão incrivelmente equilibrado num Grand Slam como este de cima da chave feminina de Wimbledon. A nova número 1 Ash Barty e quatro campeãs do torneio lutam nessa faixa por uma vaga na semi. Notável. Estão aí a atual detentora do título Angie Kerber, que pode cruzar com Maria Sharapova na terceira fase e com Serena Williams nas oitavas. Já Garbine Muguruza tem chance de encarar Barty na terceira rodada e olha que a australiana ainda vê Sveta Kuznetsova, dona de dois troféus de Slam, numa possível segunda partida.

Quer dizer então que a campeã sairá desse apertado setor? Nada disso. Porque nessa parte de cima também ficaram outra vencedora de Wimbledon, Petra Kvitova, e a embaladíssima Kiki Bertens. É bem verdade que Kvitova ainda é dúvida para entrar em quadra e há no seu setor pelo menos três nomes a atrapalhá-la: Amanda Anisimova e depois Sloane Stephens ou Johanna Konta.

O outro lado da chave ficou obviamente mais fraco, mas não menos interessante. Naomi Osaka reencontra Yulia Putintseva, para quem perdeu em Birmingham, e pegaria na terceira fase Sofia Kenin, a campeã de Mallorca. A outra vaga nas quartas pode ser de Simona Halep, mas a estreia é um alerta diante de Aliaksandra Sasnovich, que surpreendeu Kvitova na primeira rodada do ano passado, sem falar em Vika Azarenka na terceira. Ainda estão por ali Madison Keys, Aryna Sabalenka… e Venus Williams.

Dureza para Thiago e Bia
Depois de grandes campanhas no quali, faltou sorte para Thiago Monteiro e Bia Haddad, que poderiam ter adversários menos gabaritados na estreia e assim repetir a campanha de 2017, quando o casal avançou uma rodada na grama sagrada. O cearense faz duelo inédito contra Kei Nishikori e sua importante vantagem é que o japonês não joga nada desde Paris.

Já Bia revê Garbine Muguruza, campeã de 2017 e vice de 2015, um desafio e tanto. No único duelo, fez apenas dois games em Cincinnati. No entanto, Muguruza não anda aquelas coisas no quesito confiança e a brasileira fez ótimas partidas em Ilkley e no quali. Resta torcer muito.

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