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Recordes e façanhas: os principais números de Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
25 de maio de 2019 às 13:48

A poucas horas da largada do Aberto da França, nada melhor do que destacar recordes, façanhas e todos os números mais importantes que homens e mulheres já marcaram sobre o saibro parisiense. Também dá para ver quantas marcas espetaculares e obviamente históricas têm chance de cair:

– Nas 51 edições profissionais do torneio, a partir de 1968, a Espanha ganhou 19 vezes no masculino, 11 delas com Nadal, e os EUA levou 29 no feminino (7 com Chris Evert). Esta é a 86ª vez que está o torneio está sediado no complexo de Roland Garros, inaugurado em 1928.

– Nadal e Margaret Court são os únicos campeões de Slam com 11 troféus num mesmo torneio. A australiana venceu em casa, sendo sete consecutivos. A única tenista a ter 12 conquistas num campeonato na Era Aberta é Martina Navratilova, em Chicago.

– Djokovic tenta igualar Rod Laver como únicos a deter os quatro troféus de Slam simultaneamente por duas vezes, repetindo a mesma série que fez entre Wimbledon-2015 e Paris-2016. A maior sequência pertence a Don Budge, com seis Slam, entre 1937 e 38.

– Djoko e Federer concorrem para se tornar o primeiro profissional e o terceiro no geral a ter ao menos dois troféus em cada Slam. Apenas Laver e Roy Emerson obtiveram tal feito.

– Campeão há 10 anos, Federer também pode superar Connors (oito temporadas em Wimbledon) na maior distância entre o primeiro e segundo título de um mesmo Slam.

– O Big 3 ganhou todos os últimos 9 Slam, desde que Wawrinka foi campeão no US Open-16. É a terceira maior sequência (18 a primeira e 11 a segunda). Em Roland Garros, Wawrinka também é o único fora do Big 3 a ter vencido desde 2005.

– Serena é a recordista na distância entre o primeiro e o mais recente Slam conquistado (17 anos e cinco meses), seguida de longe por Federer (14 anos e sete meses) e Nadal (13 anos). Mais uma vez, ela corre atrás do 24º troféu para se igualar a Court, mas desta vez suas chances parecem pequenas.

– Nadal e Djokovic podem se juntar a Laver, Rosewall e Federer se atingirem seu quarto Slam após completar 30 anos.

– O jejum de conquista francesa no masculino chega a 36 anos. Cabeça 16, Gael Monfils é o mais bem cotado, mas está na chave de Thiem, Del Potro e Djokovic. No feminino, a França não leva desde 2000 e conta com Caroline Garcia.

– O tênis masculino poderá ver seu 150º diferente campeão de Slam na história, caso Cilic, Delpo, Djoko, Federer, Nadal ou Wawrinka não vençam.

– Nadal tem 111 vitórias e apenas 2 derrotas em partidas de cinco ses sobre o saibro. As únicas derrotas foram para Soderling e Djokovic em Paris. Com 58 títulos no piso, até hoje só perdeu 39 jogos (3 deles nesta temporada).

– Nenhum profissional conseguiu defender por cinco vezes seu título num Slam. Nadal (Paris), Borg (Wimbledon) e Federer (Wimbledon e US Open) são únicos pentacampeões autênticos.

– Venus (82) e Federer (76) ampliam seus recordes de participação em Slam. E Feli López, para 69 consecutivos. O espanhol é também quem mais disputou Roland Garros até hoje (19) entre os homens. Venus chega a 22 presenças (só não competiu em 2011).

– Nicolas Mahut tem agora 12 convites para a chave de um Slam, sendo 9 deles em Paris.

– Com a ascensão de Thiago Monteiro à chave principal, serão 11 sul-americanos na chave masculina, sendo 6 argentinos, 2 chilenos, um uruguaio e um boliviano. Delpo x Jarry e Pella x Andreozzi serão duelos diretos. Não há meninas do continente.

– 77 anos somam Ivo Karlovic e López para o jogo de estreia. O primeiro duelo entre eles aconteceu há 15 temporadas. O croata é o recordista de aces em Paris para uma só partida: 55 anotados em 2009 contra Lleyton Hewitt.

Especial 20 anos: As maiores de todos os tempos
Por José Nilton Dalcim
15 de outubro de 2018 às 20:51

Esta semana é especial para TenisBrasil: no dia 20, completaremos 20 anos de existência. E para marcar esse momento, o Blog do Tênis publicará ao longo desta semana sua lista ’20+’: as maiores tenistas, os jogos mais espetaculares, os brasileiros, os melhores homens…

Começamos pelas 20 maiores tenistas da história. Justificarei sempre o voto nos cinco primeiros. Aguardo suas participações!

1. Martina Navratilova
Não tem tantos Grand Slam de simples como Margaret Court ou Serena Williams, nem ocupou o número 1 de simples como Steffi Graf, mas detém recordes talvez insuperáveis de títulos e vitórias em simples e em duplas, além de ter liderado os dois rankings. São 18 Slam de simples, 31 de duplas e 10 de mistas, tendo figurado na ponta do ranking por 332 em simples e 237 em duplas, sendo 200 semanas como número 1 nas duas listas. Encerrou carreira com 167 troféus de simples e 177 de duplas, sendo 84 deles no mesmo torneio. Assim, lidera também no número de vitórias de simples (1.442) e de duplas (747) na carreira. Venceu o Finals oito vezes em simples e 11 em duplas. Não bastassem tantos números, revolucionou o tênis ao montar equipe multidisciplinar e batalhou avidamente pelos direitos femininos no circuito.

2. Serena Williams
Mais velha tenista a deter todos os títulos de Slam simultaneamente, tem feitos extraordinários principalmente após os 30 anos. Em duplas também fechou o Slam não consecutivo em 2001, tendo ainda o ouro olímpico. Serena disputou final de todos os Slam em todas as modalidades, tendo vencido simples e duplas em todos e mistas em Wimbledon e US Open. É recordista de vitórias em Slam (314) e única com ao menos seis troféus em três Slam diferentes. Apesar de duas longas paradas por contusão e outra por gravidez, ficou 319 semanas como número 1.

3. Steffi Graf
Maior número de semanas na liderança do ranking (377), terceira maior coleção de títulos de Slam (23) e de troféus na Era Profissional (107). Fechou o Golden Slam ao vencer todos os Slam e o título olímpico em 1988.

4. Margaret Court
Tenista que mais ganhou troféus de Slam em simples (24) e  no total (64, sendo 19 de duplas e 21 de mistas), tem a carreira dividida entre as fases amadora e profissional. Na etapa após 1968, seus números caem para 11 Slam de simples, 10 de duplas e 7 de mistas, mas ainda são notáveis.

5. Chris Evert
Com 18 troféus de Grand Slam e outras 16 finais, tem o quarto maior reinado como número 1 e a segunda maior coleção de títulos de simples (157). Foi tetracampeã do Finals. Sua rivalidade com Navratilova é a mais significativa da história do tênis feminino.

As outras top 10
6. Helen Wills
7. Billie Jean King
8. Suzanne Lenglen
9. Monica Seles
10. Martina Hingis

As demais top 20:
11. Maureen Connolly
12. Maria Esther Bueno
13. Justine Henin
14. Venus Williams
15. Doris Hart
16. Althea Gibson
17. Maria Sharapova
18. Kim Clijsters
19. Lindsay Davenport
20. Arantxa Sanchez

Um momento de história
Por José Nilton Dalcim
25 de julho de 2017 às 19:04


A página do TenisBrasil no Facebook soltou hoje cedo este vídeo histórico que mostra as finais de WImbledon de 1964. Além de ser um retrato interessante de como se vestia e torcia há mais de 50 anos, o que vale mesmo para nós são imagens raras de Maria Esther Bueno em ação.

O sucesso foi tão grande lá no Facebook que achei justo reproduzir o vídeo aqui e contar alguns detalhes sobre o que envolvia esse duelo das ‘rainhas da grama’.

Aquele ano marcou nada menos que o tricampeonato de Estherzinha em Wimbledon. Campeã em 1959 e 60, problemas físicos prejudicaram sua campanha nas temporadas seguintes – sequer jogou em 61 mas foi à semi em 62 – e portanto era uma chance espetacular de chegar à coroação absoluta em Wimbledon.

Observem quem era sua adversária: a australiana Margaret Smith (depois Court), então com 22 anos, que se tornaria ao final da carreira a maior colecionadora de troféus de Grand Slam de todos os tempos, entre homens e mulheres.

Apesar de seus 1,75m, fica evidente o porte físico avantajado da australiana perante a paulistana, três anos mais velha e cinco centímetros mais baixa.

Não pensem no entanto que Smith tinha currículo pequeno. Quando chegou a esta final, ela já era pentacampeã na Austrália, tinha dois troféus em Roland Garros, havia conquistado uma vez o título nos EUA e era a atual detentora do troféu em Wimbledon.

O jogo também era uma verdadeira revanche da final dos EUA de 1963, quando Estherzinha havia barrado o bi da australiana em Nova York. Importante lembrar que a grama também era o piso nos EUA e na Austrália naquela época.

As cenas do vídeo acima servem ainda para apreciarmos um pouco do estilo clássico, leve mas ao mesmo tempo agressivo de Maria Esther, que nasceu no saibro mas credita sua desenvoltura na rede aos treinos incansáveis com o irmão Pedro desde a infância.

O placar foi duro: 6/4, 7/9 e 6/3 para Maria Esther, que reencontraria Smith na final de Wimbledon de 1965, desta vez perdendo por 4/6 e 5/7, e ainda teria mais uma chance de chegar ao tetra em 1966, superada então por Billie Jean King também em três sets. Billie Jean tinha um estilo muito parecido com a da brasileira, cheio de toques requintados e pernas ágeis pela quadra.

Este no entanto não foi o último troféu de Grand Slam da brasileira. Meses depois, ela faturaria seu terceiro título nos EUA e ainda chegaria ao tetra em 1966. Infelizmente, o cotovelo impediu que Maria Esther tivesse uma carreira mais longa. Após conquistar as duplas do US Open de 1968, seu único Slam realmente profissional, precisou parar. Chegou a fazer nove cirurgias e recorreu até à mítica metodologia indiana, sem sucesso. Tentou retorno em 1974 e 76, mas viu que seria impossível recuperar a velha forma e se aposentou em 1977.

Margaret Smith foi bem mais longe e chegou muito bem à Era Profissional, faturando quatro Australian Open, três Roland Garros, um Wimbledon e três US Open na fase moderna do tênis. Seu último jogo de Grand Slam, já mãe de dois filhos, foi curiosamente contra Martina Navratilova, em 1975. Persistiu nas quadras, teve um terceiro filho e também se aposentou em 1977, grávida mais uma vez.