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O tamanho da façanha de Bia
Por José Nilton Dalcim
11 de outubro de 2021 às 23:08

Beatriz Haddad Maia não marcou apenas a maior vitória de sua carreira nas difíceis condições da tarde em Indian Wells, ao derrubar em sets diretos a número 3 do mundo e atual vice de Wimbledon, Karolina Pliskova. A canhota paulista de 25 anos, que enfim voltará ao top 100 na próxima lista, obteve também o resultado mais expressivo do tênis feminino nacional em toda a Era Aberta e se juntou aos outros únicos quatro brasileiros que já venceram um top 3.

Eliminada na última rodada do quali por um amargo ‘pneu’, Bia entrou de última hora graças a desistências e não contou nas duas partidas que fez com o melhor tênis que já praticou, porém foi muito aplicada na parte tática e acima de tudo manteve a cabeça fria o tempo todo. Nem mesmo vibrou com exagero ao final da imensa façanha, como quem espera fazer ainda muito mais. Tomara.

Enquanto a super experiente Pliskova se remoía com o vento terrível, Bia tratava de focar no lance seguinte e de fazer a adversária jogar sempre uma bola a mais. Defendeu-se aliás com muita vontade. Todo o circuito sabe que Pliskova é uma das tenistas de ponta mais instáveis, que poucas vezes acha soluções alternativas quando o saque-forehand não está calibrado. Basta lembrar a ‘bicicleta’ que levou na recente final de Roma.

Bia foi fiel ao plano tático de alongar pontos e tentar tirar a adversária do centro da quadra, onde a tcheca se planta perto da linha de base e busca ditar o ritmo. O segundo serviço da brasileira anda frágil, mas felizmente Pliskova se apressou muitas vezes, ainda que tenha obtido 14 break-points e quebrado cinco vezes. Mas ela própria não fez muito com o serviço, a ponto de só confirmar um game de saque em seis no segundo set.

O desafio agora é a número 20 Anett Kontaveit, outra que gosta de bater firme na bola. Tirou a atual campeã Bianca Andreescu e ganhou de nomes como Petra Kvitova, Belinda Bencic e Maria Sakkari nesta fase de quadras duras. Se vencer, Bia será a primeira brasileira nas quartas de um torneio equivalente a um WTA 1000, já que Niege Dias e Andrea Vieira fizeram oitavas: a gaúcha em Montréal de 1987 e Dadá em Roma de 1990.

As vitórias brasileiros sobre top 5
São poucos os tenistas nacionais que já bateram um top 5. Guga Kuerten é claro se destaca, com 23 triunfos, sendo 11 deles entre os três mais bem classificados e dois sobre líderes do ranking. Fernando Meligeni ganhou de três dos top 3 a sua época, um grande feito. Além de Guga, apenas Carlos Kirmayr e Flávio Saretta derrubaram um número 1 do ranking. Entre as meninas, Niege foi a primeira a bater uma das cinco mais bem colocadas.

Confira a lista de todas as vitórias brasileiras sobre algum top 5 desde o surgimento do ranking profissional masculino (1973) e feminino (1975). Na primeira coluna, figura a classificação do adversário no momento do jogo.

Gustavo Kuerten (23 vitórias)
5 – Tim Henman, na 2ª rodada do Masters do Canada, em 2004
1 – Roger Federer, na 3ª rodada de Roland Garros, em 2004
4 – Roger Federer, na 2ª rodada de Indian Wells, em 2003
4 – Marat Safin, nas quartas de Lyon, em 2002
2 – Marat Safin, na 2ª rodada do US Open, em 2002
4 – Juan Carlos Ferrero, na semi de Roland Garros, em 2001
3 – Pete Sampras, na semi da Masters Cup, em 2000
4 – Magnus Norman, fase inicial da Masters Cup, em 2000
5 – Yevgeny Kafelnikov, na fase inicial da Masters Cup, em 2000
3 – Magnus Norman, na final de Roland Garros, em 2000
4 – Yevgeny Kafelnikov,  nas quartas de Roland Garros, em 2000
4 – Magnus Norman, nas quartas de Hamburgo, em 2000
1 – Andre Agassi, na semi de Miami, em 2000
4 – Patrick Rafter,  na final de Roma, em 1999
1 – Yevgeny Kafenlnikov, nas oitavas de Roma, em 1999
2 – Carlos Moyá, na 1ª rodada da Copa Davis, em 1999
2 – Yevgeny Kafelnikov, na 2ª rodada de Indian Wells, em 1999
5 – Carlos Moyá, na final de Mallorca, em 1998
2 – Marcelo Ríos, na 1ª rodada de Long Island, em 1998
4 – Carlos Moyá, na semi de Stuttgart, em 1998
2 – Michael Chang, na semi do Masters do Canadá, em 1997
3 – Yevgeny Kafelnikov, nas quartas de Roland Garros, em 1997
5 – Thomas Muster, na 3ª rodada de Roland Garros, em 1997

Fernando Meligeni (3)
3 – Patrick Rafter, na 3ª rodada de Roland Garros, em 1999
2 – Pete Sampras, na 2ª rodada de Roma, em 1999
2 – Michael Chang, na 1ª rodada de Atlanta, em 1997

Thomaz Koch (2)
5 – Bjorn Borg, nas quartas da Basileia, em 1975
5 – Tom Okker, nas quartas de Tehran, em 1974

Thomaz Bellucci (2)
4 – Andy Murray, nas oitavas de Madri, em 2011
5 – Kei Nihsikori, na 2ª rodada do Rio, em 2017

Beatriz Haddad Maia (2)
4 – Sloane Stephens, nas oitavas de Acapulco, em 2019
3 – Karolina Pliskova, na 3ª rodada de Indian Wells, em 2021

Marcos Hocevar (1)
4 – Vitas Gerulaitis, nas quartas de Quito, em 1980

Carlos Kirmayr (1)
1 – John McEnroe, na 1ª rodada de Forest Hills, em 1981

Niege Dias (1)
5 – Claudia Kohde, na 1ª rodada da Fed Cup, em 1986

Andrea Vieira (1)
5 – Helena Sukova, na 2ª rodada de Hamburgo, em 1989

Luiz Mattar (1)
5 – Andrés Gomez, na 1ª rodada do US Open, em 1990

Flávio Saretta (1)
1 – Gustavo Kuerten, na 1ª rodada do Sauípe, em 2001