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Desafio para a nova geração
Por José Nilton Dalcim
3 de setembro de 2016 às 00:13

Três dos nomes mais fortes da nova geração terão a oportunidade de dar início a uma mudança no destino do tênis masculino neste domingo. Infelizmente, no entanto, o otimismo é pequeno. Aos 21, Kyle Edmund reencontrará a fortaleza Novak Djokovic; um ano mais velho, Lucas Pouille desafia a muralha Rafa Nadal; aos 23, Jack Sock tenta enfim justificar tanta aposta diante do carismático e versátil Jo-Wilfried Tsonga.

Edmund é o mais ‘verde’ e começou a dar sinais de que pode ser súdito de Andy Murray na fogueira em que foi colocado na final da Copa Davis do ano passado e meses atrás no saibro sérvio. Ali precisou de jogo e de sangue frio. Tem ótimos golpes de base, um saque um tanto irregular e pouca variação. Daí que vencer Djokovic parece uma tarefa quase impossível em circunstâncias normais. Hoje, na vitória brilhante contra John Isner, fez 14 aces, 29 winners de fundo e mostrou cabeça no tiebreak do quarto set.

O francês é muito mais completo, com um estilo divertido, por vezes ousado demais. Faz um pouco de tudo, como provam as quartas em Wimbledon de meses atrás. Neste US Open, perdeu o primeiro set em seus três jogos e vem de duas partidas de cinco sets. Para surpreender Nadal, terá de correr riscos e ter paciência, o que não parece ser ainda o seu forte. Mas ele se saiu bem hoje diante dos contra-ataques de Roberto Bautista. Já Nadal fez o que quis de Andrey Kuznetsov e só se atrapalhou na metade do segundo set quando seus golpes encurtaram.

Sock tem muito mais bagagem, entre elas um título de duplas em Grand Slam. Ao contrário da maioria dos seus compatriotas, não faz do saque o ganha-pão. Possui um jogo bem sólido da base, sabe volear e a devolução tem melhorado. Seu problema está mais na cabeça, mostrando-se um pouco afoito. Hoje no entanto se manteve incrivelmente concentrado diante de Marin Cilic e pode-se dizer que teve postura tática perfeita. Atropelou o croata, este sim sem argumentos e um índice horrível de devolução de saque. Se Sock repetir o que fez, tem chance real de derrotar Tsonga.

A outra partida tem velhos conhecidos. Gael Monfils parecia recuperado das costas mas sentiu alguma coisa na perna esquerda no finalzinho do jogo contra Nicolás Almagro. Incrível como ele não se livra dos problemas físicos. Tenta repetir as quartas de 2014 diante de Marcos Baghdatis, que colocou ordem na casa e não deu chances a Ryan Harrison.

Destaques
A primeira parte das oitavas femininas saíram na parte inferior e prometem dois jogos bem interessantes: o ataque-defesa de Madison Keys-Carol Wozniacki e o confronto de canhotas Angelique Kerber-Petra Kvitova. As vencedores podem se cruzar lá na semifinal, ainda que não se deva menosprezar Johanna Konta ou Roberta Vinci.

Keys ficou perto da eliminação, num jogo incrível em que a japonesa Naomi Osaka, de 18 anos, abriu 5/1 no terceiro set, chorou ao levar o empate e mais ainda ao deixar a quadra eliminada. Outra supernovata, Ceci Bellis, 17, é uma das grandes apostas da casa mas causou frustração por ter feito tão pouco contra uma animada Kerber.

Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner tiveram outra bela atuação e estão nas oitavas de duplas. Jogo emocionante, cheio de lances bonitos, ainda que Yen-Hsun Lu e Janko Tipsarevic não sejam especialistas no assunto. Esta é apenas a segunda vez que Bellucci chega nas oitavas de duplas de um Slam, tendo como maior resultado as quartas de 2013 na Austrália. Já Demoliner repete as oitavas de Wimbledon do ano passado. Aguardam quem passar de Feli e Marc López contra Baghdatis e Gilles Muller.

Drops
– Pela segunda vez seguida nas oitavas de um Slam, Pouille pode sair do US Open como 21º do ranking e ainda assim será o quarto francês, atrás de Monfils, Tsonga e Gasquet.
– Os britânicos também vislumbram dois novos top 50 a curto prazo: Daniel Evans ocupa provisoriamente o 52º posto e está dois à frente de Kyle Edmund.
– Esta é a primeira vez desde setembro de 2005 que o tênis feminino norte-americano volta a ter três nomes no top 10 (Serena, Venus e Keys). Atual número 9 do ranking, Keys é a tenista de mais alto ranking em atividade a jamais ter chegado a uma final de Slam.
– Agora com 31 anos, Baghdatis voltará a disputar as oitavas de um Slam, mas é sua primeira vez desde o Australian Open de 2009. Ele havia perdido na estreia do US Open em quatro das seis últimas edições.

Nadal embaralha chave de Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
11 de junho de 2015 às 20:06

Tal qual aconteceu em Roland Garros, o espanhol Rafael Nadal será uma atração à parte quando a chave de Wimbledon for formada, dentro de 15 dias. Pior ainda, ele sequer deverá figurar entre os oito principais favoritos, devido a sua forte queda no ranking ao não defender o troféu de Paris dias atrás.

Como se sabe, Wimbledon tem um sistema todo especial para indicar os 32 cabeças de chave, o chamado ‘ranking da grama’, adotado em 2001 para dar mais consistência ao fato de o torneio tradicionalmente não obedecer o ranking em vigor. Na fórmula criada pelo All England Club, os pontos de cada tenista na lista vigente da ATP (no caso, o do dia 22 de junho) será acrescido com  todos os pontos que o jogador obtiver no circuito europeu de grama dos 12 meses anteriores (para 2015 valem Stuttgart, Hertogenbosch, Queen’s e Halle e mais Estbourne de 2014) e ainda 75% da maior pontuação que o tenista obteve nos 12 meses anteriores a isso (geralmente Wimbledon ou então um ATP 250, portanto de 2013).

Essa matemática dificulta muito a tarefa de Nadal chegar ao 8º posto do ‘ranking da grama’. Se ganhar os 750 pontos em Stuttgart e Queen’s, poderia dobrar a conta e descontar 1.500 em cima do número 8 do mundo Milos Raonic. Mas o canadense tem vantagem neste momento de 1.510, sem falar que foi semi em Wmbledon e portanto acrescentará 720 pontos no ‘ranking da grama’, ao passo que Rafa só aumentará 180. E Raonic também jogará Queen’s.

Dessa forma, Nadal deverá mesmo estar fora dos oito cabeças de chave em Wimbledon e o que isso significa? Segundo o regulamento do sorteio, será sorteado para enfrentar um dos cabeças entre 5 e 8 nas oitavas de final. Teoricamente, esse grupo tem nomes fortes na grama, como o próprio Raonic e Tomas Bedych. com menor risco para Kei Nishikori e só mesmo David Ferrer como alívio. Se for às quartas, haverá então possibilidade de encarar um dos quatro primeiros cabeças: Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray serão os três primeiros, com grande chance de Stan Wawrinka entrar de 4.

Em que pese seu histórico de dois títulos em Wimbledon, Rafa é uma incógnita ainda maior do que em Paris. Fez campanhas ruins na grama em 2013 e 2014, mas ao menos havia a justificativa da desgastante temporada sobre o saibro.

Talvez por isso mesmo tenha resolvido jogar simples e duplas em Stuttgart. A atuação desta quinta-feira contra Marcos Baghdatis não foi um espetáculo, porém ele conseguiu ganhar no terceiro set e barrar a reação do cipriota, que aliás nunca foi grande coisa na superfície. Rafa teve méritos com o bom saque e estilo mais agressivo, mas também errou bastante porque é natural que a grama penalize aqueles que permanecem exageradamente no fundo de quadra, à mercê do piso irregular e traiçoeiro. Bernard Tomic promete ser teste ainda melhor.