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Federer se vinga, Nadal agradece
Por José Nilton Dalcim
14 de novembro de 2019 às 21:33

Claro que nada no mundo do tênis se compara a um título em Wimbledon, mas Roger Federer deve ter experimentado um certo sabor de vingança ao tirar Novak Djokovic das semifinais de Londres e, consequentemente, determinar a permanência de Rafael Nadal como número 1 do ranking até o final da temporada. O melhor de tudo para o suíço esteve na sua atuação quase impecável, agressiva na medida certa, com muita aplicação na devolução de saque e paciência para explorar a instabilidade evidente do sérvio.

Era de se prever desgaste emocional e físico para Djoko depois da dura batalha de dois dias atrás diante de Dominic Thiem, e o volume de jogo mostrado por Federer desde o início complicou tudo. Jamais teve vida fácil, ficou pressionado o tempo inteiro e precisou de muita concentração para achar um jeito de sair de games apertados.

A única grande chance de reação veio no quarto game do segundo set, quando aprofundou devoluções e chegou ao break-point. Federer no entanto havia ganhado confiança e fez um ponto magnífico tirando o máximo de seu forehand. Para piorar, o sérvio perdeu o serviço imediatamente seguinte e teve de engolir a frustração de ver Federer reagir muito bem até em suas melhores devoluções ofensivas.

É possível analisar o jogo da perspectivas das falhas e da passividade de Djokovic, mas também é fundamental destacar a marca incrível de cinco erros não forçados de Federer, principalmente porque ele forçou o jogo o tempo todo. Mexeu-se muito bem, cobriu a tentativa de ataque a seu forehand e aplicou-se às devoluções, com 85% de saques retornados. O placar também se explica pelo saque afiado e variado: 38 pontos em 49 tentativas, 73% de primeiro serviço em quadra e 81% desses lances vencidos. De seus 23 winners, 12 foram aces, um deles de segundo saque.

Da mesma forma que Federer cresceu a cada partida feita na arena O2, Djokovic perdeu rendimento. Embora não saiba ainda se vai enfrentar Stefanos Tsitsipas ou Rafael Nadal na primeira semi de sábado, é de se imaginar que o suíço agora esteja no ápice de sua confiança. Amenizou o pesadelo de Wimbledon, pôs fim ao jejum de cinco derrotas para Nole que vinha desde 2015 e atinge a semi do Finals pela 16ª vez em 17 participações, o que é um assombro. Pode continuar com o sonho de atingir o heptacampeonato, agora como favorito.

A temporada ainda não acabou para Djokovic. Se mantiver o prometido, ele integrará o time da Sérvia na fase final da Copa Davis em Madri, já na próxima semana. Ele no entanto demonstrou algum desconforto com o cotovelo direito quando tentou alcançar uma bola difícil no começo do segundo set. Isso não pareceu comprometer seu físico no restante da partida, mas sempre fica a preocupação.

Na outra partida de simples desta quinta-feira, Dominic Thiem não se esforçou, o que é até compreensível, e Matteo Berrettini se mostrou firme no saque e no fundo, obtendo winners até de backhand. Foi premiado com a vitória e o feito histórico: tornou-se o primeiro italiano a ganhar uma partida no Finals em 49 anos. O austríaco também aguarda adversário, que será o segundo colocado da outra chave. Suas opções são bem maiores: Tsitsipas, Alexander Zverev ou Daniil Medvedev.

Nadal festeja e tenta vaga
Aliviado porque a briga pelo número 1 acabou, Rafa tenta seu segundo milagre em Londres. O primeiro foi ganhar de Medvedev na quarta-feira e o outro será não apenas superar Tsitsipas no primeiro jogo desta sexta-feira, às 11h, mas também contar com vitória do russo sobre Zverev no duelo das 17h. É a única combinação possível e, por ironia, se conseguir tudo isso terminará em primeiro do grupo e garantirá o reencontro com Federer no sábado.

Único tenista que pode terminar invicto a fase de grupos, Tsitsipas foi muito superior a Medvedev e Zverev nos jogos da semana. Este já será o sexto duelo diante de Nadal – e o quarto da temporada -, tendo vencido apenas no saibro de Madri. Nas quatro derrotas, o espanhol foi muito superior, como no placar esmagador de Melbourne, em janeiro. Para sonhar com a semi, Nadal terá antes de tudo de evitar as bolas pouco profundas que tanto caracterizaram suas atuações em Londres porque o grego não pensa duas vezes para atacar.

Zverev no entanto está mais perto de repetir a semi do ano passado. O atual campeão ganhou quatro dos cinco confrontos diante de Medvedev, embora tenha perdido feio em Xangai semanas atrás. O russo ainda não venceu em seu primeiro Finals, vem de amarga derrota para Nadal e precisa ganhar de Sascha em dois sets, e isso se Tsitsipas também vencer.

Vale por fim ressaltar que Nadal iguala Federer, Djokovic e Jimmy Connors ao terminar pela quinta vez uma temporada como número 1. Todos continuam atrás dos seis de Pete Sampras, que foram consecutivos. O espanhol marca dois feitos: o mais velho a encerrar na ponta, aos 33 anos, e o único a perder e retomar o posto por quatro vezes (2008, 2010, 2013, 2017 e 2019).

Melo e Kubot viram e garantem semi
Como emoção tem sido a tônica deste Finals, a vaga de Marcelo Melo e Lukasz Kubot na semi veio de virada. A luta era direta contra Rajeev Ram e Joe Salisbury, perderam o tiebreak mas conseguiram reagir e jogaram muito na reta final da partida. Kubot fez devoluções espetaculares e desconcertantes.

Brasileiro que mais disputou o Finals, com sete participações, Melo já esteve nas decisões de 2014, com Ivan Dodig, e 2017, com Kubot. Ainda não sabem o adversário, mas a chance maior é de pegarem os franceses Nicolas Mahut e Pierrer Herbert.

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O Finals da emoção
Por José Nilton Dalcim
13 de novembro de 2019 às 21:25

Duelos incríveis decididos em games derradeiros de tirar o fôlego, vagas em dúvida até para os membros do Big 3 na última rodada e a constante mudança de cenários sobre a luta pelo número 1 no final de temporada. Emoção é a tônica do ATP Finals deste ano, coisa aliás que nem é tão comum assim ao torneio. Rafael Nadal manteve vivas as chances e, se conseguir a vaga, terá de encarar Novak Djokovic ou Roger Federer na semi do sábado. Demais.

Nadal consegue o improvável
Depois da estreia desanimadora, Nadal foi outro diante de Daniil Medvedev. Logo de cara, partiu para saque-voleio e fez um primeiro set muito equilibrado, em que só perdeu consistência na segunda metade do tiebreak. Não baixou a cabeça e a quebra logo de cara no segundo set deu a confiança para sacar com eficiência.

Mas de repente a coisa desandou. Passou a errar bolas por muito, fez raríssimas escolhas muito ruins de jogadas e por milagre não se viu com 0/5 e às portas de um ‘pneu’. Dois games depois, outra vez com o saque, cedeu um match-point e aí jogou com coragem. O jogo porém estava nas mãos do russo, que vinha sacando muito. Bastava isso para selar o dia. Só que Medvedev tremeu. O nervosismo era evidente. Perdeu os dois serviços seguintes e ainda conseguiu empurrar para o tiebreak. Aí foram oito pontos bem disputados até Nadal fazer 5-4 e outra vez ver o adversário falhar feio sob pressão.

A estatística – Os grandes números do jogo foram de Medvedev: 41 winners, dos quais 21 aces, contra 26 do espanhol e 40 erros frente a 27. Foi uma longa partida de 213 pontos disputados (108 a 105 para Nadal), dos quais 34 tiveram mais do que nove trocas de bola.

O ponto crucial – Com 4/0 e break-point a favor diante de um Nadal perdido em quadra, Medvedev devolveu firme quando o espanhol tentou outro saque-voleio. Recebeu um voleio mole no meio da quadra e mandou a passada na rede. Como veríamos depois, essa chance perdida custou caro ao russo. No match-point que teve pouco depois, os méritos foram de Nadal, que se plantou na linha de base, bateu sem medo e tomou a iniciativa, com deixadinha no contrapé corajosa.

Passeio de Tsitsipas
Os primeiros sete games do duelo entre Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev não pareciam indicar que alguém sairia com vitória de placar tão elástico. Houve games bem longos, os dois com postura ofensiva e até um break-point a favor do alemão ainda no quinto game, em que conseguiu pressionar e provocar erros do grego.

Mas assim que alcançou uma quebra até fácil para ir a 5/3 Tsitsipas tomou conta da partida, voltando a exibir um jogo cheio de alternativas táticas, ora com firmeza na base, ora com aventuras perfeitas na rede, mesclando ainda velocidade dos golpes e, é claro, chamando Zverev para a frente.

O histórico – Foi a quarta vitória seguida de Stef sobre Sascha, e a terceira somente nesta temporada, em pisos como o saibro de Madri e o sintético veloz de Pequim.

A estatística – Tsitsipas ganhou 31 dos 36 pontos em que acertou o primeiro saque. enquanto Zverev só venceu 28% quando precisou do segundo serviço. Grego fez mais do dobro de winners (23) comparado aos erros não forçados (11).

Como fica o grupo – Com as duas vitórias, Tsitsipas já está na semi mas ainda não garantiu o primeiro lugar. O único cenário em que será segundo da chave é também o que dá a vaga a Nadal, ou seja, vitória do espanhol na sexta-feira e de Medvedev sobre Zverev, ambos por qualquer placar.

Como se vê, o alemão e atual campeão só depende dele mesmo para ser segundo do grupo, desde que vença Medvedev, mas pode até perder, desde que seja em 3 sets e Nadal não vença. O russo é quem está em pior situação: tem de ganhar em dois sets e Nadal perder.

Dia D para Djoko e Federer
Ninguém imaginava que Djokovic e Federer travassem um duelo direto pela sobrevivência no Finals. Tudo culpa de Dominic Thiem, que fará quase um amistoso às 11h diante do já eliminado Matteo Berrettini, sobre quem tem 2 a 1 num histórico nada tranquilo para o austríaco.

Nole tem o favoritismo natural, baseado no placar geral de 26-22 mas principalmente nas cinco vitórias seguidas sobre Federer, o que inclui a memorável final de Wimbledon de quatro meses atrás, em que o suíço deixou escapar dois match-points. Também é de se considerar as exibições já feitas nesta semana, em que Federer foi menos firme e brilhante.

A última vez que Djokovic perdeu para o suíço, no entanto, foi justamente no Finals de 2015, quando o piso era ainda mais lento do que hoje. Há ainda um elemento que pode pesar a favor de Federer: a pressão muito maior sobre o adversário, que vem de derrota amarga e coloca em quadra também a chance de retomar o número 1.

A disputa pela ponta
Os 200 suados pontos conquistados por Nadal mudam mais uma vez o quadro da luta pela liderança do ranking. Agora, Djokovic terá de ganhar o Finals para recuperar o posto e terminar a temporada outra vez na ponta.

Também não há mais a possibilidade de os dois decidirem o troféu no domingo e assim fazerem uma luta direta pelo número 1. Como Nadal só pode ser o campeão do seu grupo, ele cruzaria na semi com Djokovic, caso o sérvio fique com a segunda vaga da outra chave.

Última chance para Melo
O mineiro Marcelo Melo e o parceiro polonês Lukasz Kubot jogam pela vaga na semi às 9 horas desta quinta-feira. A luta é direta contra Rajeev Ram e Joe Salisbury, já que Raven Klaasen e Michael Venus estão classificados. No outro grupo, os franceses Nicolas Mahut/Pierre Herbert venceram duas vezes e estão na penúltima rodada.

Djoko confirma, Federer no sufoco
Por José Nilton Dalcim
10 de novembro de 2019 às 22:43

O duelo entre Roger Federer e Dominic Thiem era sem dúvida o grande jogo da primeira rodada dos grupos do Finals, e a vitória justíssima do austríaco coloca o suíço sob grande pressão. A lógica diz que terá de vencer não apenas Matteo Berrettini, o que não é difícil, mas agora o próprio Novak Djokovic. Complicou.

Djokovic atropela Berrettini
Jogo de apenas 64 minutos, que só não foi mais desequilibrado porque o sérvio cedeu uma quebra boba no segundo set. Aliás, se mostrou muito irritado com isso, sinal evidente do quanto está exigente já neste início de Finals.

O histórico – Primeiro duelo entre os dois com um currículo absolutamente desigual no Finals. Enquanto o italiano fez sua estreia, Djokovic tem agora 54-9.

A estatística – Dos 18 erros não forçados no primeiro set de Berrettini, nada menos que 12 foram com sua principal arma, o forehand.

O ponto crucial – Djokovic reuniu dois atributos fenomenais para dominar totalmente a partida. Se de um lado só perdeu oito pontos com o serviço – quatro com o primeiro -, de outro colocou enorme pressão sobre Berrettini ao ser muito consistente nas trocas. Cometeu apenas sete erros não forçados, três deles no primeiro set.

Grande de noite de Thiem
De um lado, um tenista muito sólido no fundo, confiante para soltar o braço na hora do aperto e atento nos contragolpes. Do outro, pernas um tanto lentas, o que pode explicar erros em voleios, smash e forehands fáceis. Pela terceira vez no ano, Dominic Thiem superou Roger Federer. Já não pode ser considerado uma surpresa.

O histórico – Thiem havia mostrado em Indian Wells e Madri que quando seus golpes estão afiados é difícil para Federer ter respostas para seu volume de jogo. Repetiu a dose neste domingo e agora já tem um placar geral nada desprezível de 5 a 2 sobre o suíço, com triunfos no saibro, grama, sintético aberto e coberto.

A estatística – Federer ganhou apenas 12 das 22 investidas à rede, venceu 48% dos pontos com o segundo serviço e encarou o primeiro saque de Thiem em média a 199 km/h.

O ponto crucial – Thiem quebrou antes. logo no game de abertura da partida, permitiu reação mas capitalizou com sucessivos erros quando Federer tentava levar ao tiebreak. O fundamental no entanto foi salvar os três break-points que encarou no segundo set: um no 2/2 e dois quando sacava para fechar no 6/5, todos com sangue frio, primeiro serviço menos forçado mas profundo.

A segunda-feira
Daniil Medvedev entra em quadra às 11h com 5 a 0 nos duelos contra Stefanos Tsitisipas e nos mais variados pisos. Neste ano, já ganhou na lentidão de Monte Carlo e no veloz Xangai. É o favorito natural. Os dois jogam Finals pela primeira vez e devem haver tensão no início.

Rafael Nadal também tem 5 a 0 sobre Alexander Zverev, mas obviamente existe a dúvida sobre seu estado físico. Pelos treinos, mexeu um pouco no movimento do saque e isso pode ser um problema, porque nada pior para um tenista do que desviar a atenção tática para pensar na execução. Zverev pode se aproveitar disso se atacar com coragem o serviço do espanhol.

E mais
– Em sua sétima participação no Finals, Marcelo Melo e o parceiro polonês Lukasz Kubot iniciaram com vitória suada em cima de Ivan Dodig (com quem foi vice em 2014) e Filip Polasek. Eles enfrentam aogra Raven Klaasen/Michael Venus, que também venceram neste domingo.
– No Twitter, Melo não escondeu o desapontamento por seu jogo não ter sido transmitido pelo Sportv. Aliás, o canal não mostrou também a estreia de Djokovic.
– Mesmo jogando em casa, a Austrália vai continuar na fila por títulos na Fed Cup, que não conquista desde 1974. A festa foi francesa em Perth, com uma inesperada vitória de Kiki Mladenovic diante da número 1 Ash Barty e depois com grande desempenho nas duplas ao lado de Caroline Garcia. É apenas o terceiro troféu da França, repetindo 1997 e 2003.
– A partir da próxima temporada, a Fed Cup muda outra vez de formato e segue o padrão da nova Copa Davis, com fase final de 12 participantes. O Brasil jogará o quali de fevereiro contra a Alemanha em casa.
– Thiago Wild ficou perto de ganhar do espanhol Jaume Munar, que era 52 do mundo poucos meses atrás, mas cansou mentalmente a partir do tiebreak e não reagiu mais na semi de Montevidéu. De qualquer forma, termina a temporada com evolução de quase 250 posições, devendo aparecer nesta segunda-feira no 215º.
– Embora seja um torneio tão modificado que às vezes dificulta comparações, não resta menor dúvida que o garoto italiano Jannik Sinner tem futuro certo entre os tops do ranking e as vitórias sobre Alex de Minaur e Frances Tiafoe no Next Gen Finals apenas reforçaram isso.