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Semi merecida para Nadal
Por José Nilton Dalcim
19 de novembro de 2020 às 20:53

Com três atuações de muito bom nível, seria um tanto injusto que Rafael Nadal ficasse de fora das semis do ATP Finals. Seus desafios no entanto estão longe de terminar. Agora terá pela frente o perigoso Daniil Medvedev, contra quem ganhou num tremendo sufoco há exatos 12 meses na quadra dura coberta da O2.

O saque foi o ponto alto do espanhol no primeiro set, encaixando 76% do primeiro serviço e perdendo apenas dois desses pontos. O índice caiu no outro set, Nadal precisou trabalhar mais cada ponto e, a exemplo do grego, cometeu dupla falta na hora do set-point.

A eficiência com o saque desabou para 54% num terceiro set marcado logo de cara por três quebras consecutivas. Mas aí o espanhol já era bem mais consistente que o adversário. Mexia-se com leveza, o que permitia usar o forehand e evitar bolas curtas. A estatística simplifica a análise: Nadal, tido como mais defensivo, marcou 32 a 24 nos winners. Tsitsipas, que precisava encurtar os pontos, errou 21 vezes contra meros 13.

O Finals está assim com 75% de chance de ter um novo campeão, como vem acontecendo continuamente desde 2016, já que o vencedor do grupo 2 em Londres foi Dominic Thiem. O austríaco sofreu a primeira derrota da semana contra um Andrey Rublev calibrado – foram apenas nove erros, algo notável para seu estilo socador -, mas me pareceu que Thiem não se empenhou tanto.

Os únicos que podem repetir o título são os que lutarão pela vaga derradeira, em duelo marcado para as 11h de sexta-feira: Novak Djokovic leva natural favoritismo sobre Alexander Zverev, o que se reforça pelo fato de os dois terem mostrado grande instabilidade nas rodadas anteriores. O alemão não possui a paciência de Medvedev para aguentar a pancadaria da base, então espera-se que vá para o risco. Se estiver num bom dia, o jogo ficará interessante.

Bruno perto da semi
A chance de Bruno Soares e o croata Mate Pavic passarem à semi é grande. Segundo os cálculos da ATP, uma vitória em sets diretos sobre Peers/Venus é o que basta. Se perderem um set, terão de torcer para Granollers/Zeballos tirar um set de Melzer/Vasselin. E mesmo perdendo Soares/Pavic ainda não estarão diretamente eliminados, desde que ganhem ao menos um set e Granollers/Zeballos terminem invictos.

A quinta-feira também reservou novidade para os dois maiores duplistas brasileiros. Bruno anunciou que irá retomar a parceria com Jamie Murray em 2021 porque Pavic o surpreendeu após Paris, rompeu a dupla com o intuito de treinar para os Jogos Olímpicos com Mektic. Já Marcelo Melo ganhou enfim em Londres e isso marcou a despedida emocionada do vitorioso dueto de quatro anos que fez com o polonês Lukasz Kubot. Não houve uma justificativa oficial, mas a temporada fraca pode explicar. Acredita-se que Melo jogará agora ao lado de Jean-Julien Rojer.

Koolhof/Ketic terminaram em primeiro no grupo 2, seguidos por Ram/Salisbury. De todos os postulantes ao título, o único que já foi campeão de um Finals é Granollers, enquanto Ram e Venus fizeram finais.

50 anos de Finals
Encerrado o contrato com os promotores alemães, o ATP Finals foi negociado com empresa portuguesa, que queria aproveitar o momento de Guga Kuerten e por pouco o torneio de 2000 não aconteceu em São Paulo. Esbarrou no velho problema da falta de um local decente. Ainda se tentou convencer o governo paulista a bancar uma arena na USP, mas não vingou. A solução foi aproveitar a estrutura do recém-inaugurado Parque das Nações de Lisboa, que usou um piso sintético lento e assistiu à histórica conquista de Guga, que se tornava assim o segundo sul-americano a vencer o Finals. As edições seguintes aconteceram em Sydney e Xangai, ambas vencidas pelo jovem Lleyton Hewitt.

Thiem brilha e complica Nadal
Por José Nilton Dalcim
17 de novembro de 2020 às 19:47

O austríaco Dominic Thiem trouxe para Londres sua máxima disposição e isso lhe garantiu duas grandes atuações, vitórias e o primeiro lugar do grupo 2, ou seja, está pela segunda vez seguida na semi em seu quinto ATP Finals. Ao mesmo tempo, a vida de Rafael Nadal se complicou. Ainda que a vaga dependa apenas da vitória sobre Stefanos Tsitsipas por qualquer placar na quinta-feira, o eventual segundo lugar aumentará a chance de ele cruzar com Novak Djokovic no sábado e isso certamente reduzirá sua chance de erguer o troféu inédito.

Thiem e Nadal fizeram um duelo espetacular, digno de uma decisão. Além do conhecido empenho físico e da força dos golpes cheios de topspin, os dois procuraram variações. Troca de direções, slices, subidas à rede, curtinhas, lobs. Arsenal completo para uma partida intensa, de lances magníficos, decidida em pequenos detalhes.

O primeiro set não viu break-points e Nadal deixou escapar chance preciosa, ao abrir 5-2 com dois saques para fechar o tiebreak. Depois de reagir, Thiem fez dupla falta e ofereceu set-point no serviço do espanhol, mas desta vez jogou muito bem e embalou com sucesso em lances de risco. Note-se que o sacador só venceu 2 dos 12 primeiros pontos e 5 dos 16 totais, algo pouco usual nesse nível.

Nadal é claro não desanimou e o ritmo intenso se manteve em todo o segundo set. Que batalha. O espanhol sacou com 4/3, mas outra vez não se sustentou. Pouco depois, saiu de 0-40 e evitou três match-points, e ao menos em um deles Thiem teve chance clara. O austríaco no entanto manteve o foco, algo aliás que tem sido seu ponto forte nestes dois jogos iniciais. Saiu de novo atrás do tie-break, tirou então três serviços do adversário e jamais recuou da tática ofensiva, totalizando 37 winners. Um dos grandes jogos do ano, sem dúvida.

Não menos interessante foi o jogo entre Tsitsipas e Andrey Rublev. O grego começou de forma sufocante, agressivo nas devoluções, preciso na rede. Mas o russo elevou o nível no segundo set. Bem mais consistente na base, também começou a trabalhar melhor com o saque e a pressão sobre o adversário ficou grande.

Rublev teve tudo para ganhar seu primeiro jogo no Finals e se manter vivo por vaga na semi. Fez 0-30 no game imediatamente anterior ao tiebreak derradeiro, pecando por forçar demais uma devolução essencial no 30-iguais. Novamente agressivo, o grego fez 5-2 mas levou a virada diante dos golpes pesadíssimos de Rublev. No match-point, o russo cometeu dupla falta tipicamente nervosa e Tsitsipas agradeceu.

A situação do grupo é simples. Thiem e Rublev jogam amistoso que vale US$ 153 mil e 200 pontos no ranking, Nadal e Tsitsipas lutam pela vaga com vantagem histórica do espanhol de amplos 5 a 1. Curiosamente, a única vitória do grego foi no saibro. Rafa levou as três no sintético. O duelo mais recente aconteceu na mesma arena O2 de um ano atrás, com eletrizante placar de 6/7, 6/4 e 7/5.

Melo e Kubot dão adeus
A segunda derrota na fase classificatória de Londres, somada à nova vitória da parceria formada por Koolhof e Mektic, decretaram o fim das chances de Marcelo Melo e Lukasz Kubot atingirem a semi do Finals. Em duelo direto, Krawietz/Mies e Ram/Salisbury decidirão na quinta-feira a outra vaga do grupo.

A dupla do mineiro perdeu o serviço três vezes seguidas no set inicial. Reagiu no outro, mas jamais conseguiu um break-point e permitiu que os alemães abrissem diferença importante logo no início do tiebreak.

O fato é que, apesar dos dois troféus conquistados nesta temporada em nível 500, Melo e Kubot tiveram raros bons momentos nos grandes eventos. Venceram apenas dois jogos nos três Grand Slam e três nos três Masters. É bem pouco para a qualidade do dueto. Tomara que não desanimem para 2021.

50 anos do Finals
A partir de 1977, o Finals se fixou em Nova York e encontrou uma casa espetacular, onde desfilaram gênios da raquete: o Madison Square Garden. O bom contrato permitiu mais do que dobrar o prêmio do campeão, que saltou imediatamente de US$ 40 mil para US$ 100 mil, chegando no final a US$ 300 mil. Sobre um veloz tapete, Connors e McEnroe brilharam nos dois primeiros anos, mas a versatilidade deu um bi a Borg e outro a Lendl nas quatro edições seguintes, até que Mac ganhou mais duas vezes. Lendl no entanto foi o grande nome desse período, com mais três troféus (85-87) e um total de nove finais seguidas. Becker e Edberg fecharam o período do Madison. Nas duplas, destaque absoluto para o hepta seguido de McEnroe/Fleming (78-84). Entre 1986 e 89, as duplas foram separadas e sediadas em Londres.

Djokovic e Medvedev sobram
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2020 às 19:32

Não houve grande emoção nos jogos que abriram o grupo 1 do Finals de Londres. Embora tenham tido um início imperfeito, Novak Djokovic e Daniil Medvedev pouco a pouco dominaram seus concorrentes com clareza. Se era esperado que Diego Schwartzman encontrasse pouca chance diante do líder do ranking, Alexander Zverev causou certa decepção.

Com um número excessivo de erros, Djokovic teve saque quebrado no terceiro game mas rapidamente elevou o nível e passou a trocar a direção das bolas com a habitual eficiência, diante do serviço sempre pouco contundente do argentino. O segundo set do sérvio foi ainda melhor, com ótimas transições à rede e ataques fulminantes pelas paralelas. Como bem analisou Schwartzman, ele nem jogou tão mal assim para merecer o placar de 6/3 e 6/2, mas esses números mostram bem a diferença entre eles sobre um piso sintético coberto.

Na outra partida, Zverev tirou logo o primeiro serviço de Medvedev, mas não segurou a vantagem. Em seguida, viu o russo salvar cinco break-points e logo depois cedeu outra vez o saque. Daí em diante perdeu consistência e confiança. É bem verdade que Medvedev investiu em trocas longas e obrigou o alemão a tentar ir à rede para sair da correria. Zverev equilibrou o segundo set apesar de alguns riscos nos seus serviços e foi o máximo que conseguiu tirar de um oponente aí já bem confiante, a ponto de sacar por baixo no 30-30 do oitavo game, desculpando-se pelo atrevimento. Foi sua terceira vitória seguida em oito duelos, e muito mais dominante do que a recente final em Paris.

Os jogos de quarta-feira serão interessantes. Zverev arrasou Schwartzman poucas semanas atrás em Colônia, mas também já perdeu em pleno US Open-2019, e sabe que suas chances diminuíram porque muito provavelmente terá de ganhar também de Djokovic para ir à semi. Já Medvedev deu um passo importante para a vaga. Se vencer Nole pela terceira vez, a chance de classificar ficará enorme. Em caso de derrota, terá de ganhar do argentino e torcer para o sérvio se manter invicto. Nada mau.

Bruno perto do top 5
Em excelente momento, Bruno Soares e o croata Mate Pavic estrearam em mais um jogo decidido no match-tiebreak, mas poderiam ter superado Jurgen Melzer e Edouard Roger-Vasselin em dois sets. Mesmo perdendo o set inicial, os líderes do ranking de parcerias foram bem superiores daí em diante. Enfrentarão agora Marcel Granollers/Horacio Zeballos, para quem perderam nas quartas de Roma.

Mais uma vitória e Bruno já garantirá a volta ao top 5 do ranking individual de duplas. Não menos importante, ele está pertinho de disputar a 800ª partida de primeira linha da carreira – faltam três -, algo que apenas Marcelo Melo obteve entre os brasileiros (861). Soares chegou hoje a 506 vitórias e percentualmente está à frente do amigo mineiro: 63,48% contra 62,95%.

50 anos do Finals
As sete primeiras edições do Finals foram itinerantes. Depois da estreia em Tóquio, seguiu para Paris, Barcelona, Boston, Melbourne, Estocolmo e Houston. A segunda edição ainda reuniu seis classificados. O sistema de grupos, com classificação para semi e final, como acontece hoje, já surgiu em 1972. Ilie Nastase foi tetra (71-73 e 75). Guillermo Vilas e Manoel Orantes levaram os outros. As duplas passaram a ser disputadas em 1975, porém limitadas a quatro parcerias.