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Brasil olímpico sem sorte
Por José Nilton Dalcim
22 de julho de 2021 às 14:46

O sonho de enfim ganhar uma medalha olímpica, qualquer que seja, ficou um pouco mais distante para o tênis brasileiro depois do duro sorteio de chaves realizado na noite desta quarta-feira em Tóquio. E isso inclui até mesmo as duplas.

Thiago Monteiro tem chance de passar pelo instável alemão Jan-Lennard Struff – que já é um ‘trintão’ e perdeu dois de três duelos diante do canhoto cearense -, mas a possibilidade de cruzar então com o favorito Novak Djokovic é enorme. O número 1 terá o frágil Hugo Dellien na estreia.

João Menezes também vai encarar um nome de respeito sobre a quadra dura, o croata Marin Cilic, e ainda que consiga superar a barreira terá logo em seguida o vencedor de Pablo Carreño e Tennys Sandgren.

Ok, não esperávamos mesmo muita coisa na chave de simples. As duplas no entanto também pegaram estreias nada animadoras. Marcelo Melo, de última hora parceiro de Marcelo Demoliner devido à incrível crise de apendicite de Bruno Soares no voo para Tóquio, enfrentarão logo de cara a ‘dupla do ano’ Nikola Mektic e Mate Pavic, que ainda por cima acabaram de ganhar Wimbledon.

Já Luísa Stefani e Laura Pigossi, que entraram de última hora, terão pela frente as especialistas canadenses Gabriela Dabrowski e Sharon Fichman. Ironia do destino, Dabrowski será justamente a nova parceria de Stefani durante a lesão de Hayley Carter, repetindo a parceria que foi à final de Ostrava no ano passado.

Claro que sempre existe um lado positivo e, no caso das duplas, é o fato de que uma vitória desse porte logo de estreia irá dar a confiança necessária para um avanço significativo na chave. As mistas ainda não foram definidas e quem sabe, numa chave de 16 participantes, a oportunidade brasileira apareça.

Chaves de simples
Se existe algo a preocupar Djokovic neste começo de torneio olímpico é o clima muito úmido e quente em Tóquio. Não por acaso, ele destruiu raquete em pleno treino. O sorteio no entanto ajudou e o primeiro cabeça no caminho é Alejandro Davidovich. Então é bem provável vermos Nole lá nas quartas sem muito desgaste e aí pode ter Andrey Rublev. No entanto o cabeça 4 tem estreia perigosíssima diante da estrela local Kei Nishikori.

Alexander Zverev está no segundo quadrante e é o candidato natural à semi, mas o alemão nunca é previsível. Num piso veloz, pode se enrolar logo de cara com Yen-Hsun Lu, sofrer mais adiante contra Lorenzo Sonego e aí pegar Aslam Karatsev ou Hubert Kurkcacz nas quartas, que são dois nomes fortes na quadra dura.

O jogo inicial contra Alexander Bublik tende a ser a partida mais dura de Daniil Medvedev na primeira parte do torneio. Aí poderá encarar Pablo Carreño, Felix Aliassime ou até mesmo o bicampeão Andy Murray, adversário de estreia do garoto canadense. Acredito que Carreño seja o adversário natural, e nada fácil, se Medvedev chegar nas quartas.

Por fim, Stefanos Tsitsipas tentará colocar a cabeça em ordem, o que claramente não anda bem depois do vice em Roland Garros. E o destino resolveu atrapalhar: colocou o veteraníssimo Philipp Kohlschreiber de início e acena para o reencontro com Frances Tiafoe na sequência, o homem que varreu o grego de Wimbledon logo na estreia. A caminhada ainda poderá incluir Ugo Humbert. O outro setor está muito mais fraco, liderado por Diego Schwartzman e Karen Khachanov.

Equilibrada, a chave feminina tem olhos em Naomi Osaka, em sua primeira aparição após o polêmico abandono em Paris e com grande pressão por jogar em casa. Desde já, aguarda-se o duelo entre Osaka e Iga Swiatek lá nas quartas. O outro quadrante desse lado inferior está bem imprevisível: Elina Svitolina, Karolina Pliskova, Maria Sakkari. Jennifer Brady e a não pré-classiicada Ons Jabeur são todas boas alternativas.

A líder Ashleigh Barty carrega também dúvidas, aí em cima de seu quadril. Se estiver bem, o mais provável são ótimos duelos contra as atrações de Roland Garros, primeiro Anastasia Pavlyuchenkova e logo em seguida Barbora Krejcikova. Num piso que ajuda muito seu estilo forçado, Aryna Sabalenka se candidata à outra vaga na semi tendo como principais concorrentes Petra Kvitova e Garbiñe Muguruza.

Fique acordado
A largada do torneio olímpico será às 23h de sexta-feira, percorrendo a madrugada de sábado, e assim deve ser durante toda a competição, já que não estão previstas rodadas noturnas locais. Os organizadores também ignoraram a divisão das chaves e colocaram logo no primeiro dia tanto Djokovic como Medvedev, além de Osaka e todos os brasileiros, em simples e duplas.

Big 2 se impõe na rodada de surpresas
Por José Nilton Dalcim
5 de julho de 2021 às 19:06

A segunda-feira maluca que marca a rodada completa de oitavas de final de Wimbledon deu esperança e emoção. Se o favorito Novak Djokovic fez uma exibição redonda, Roger Federer subiu mais um degrau na sua tentativa de recuperação e isso aumenta a expectativa de revermos uma final para lá de histórica em Wimbledon.

Mas também foi um dia de muito vento e de surpresas, tanto na chave masculina como na feminina, onde as duas principais favoritas avançaram com jogos trabalhosos como já era esperado.

Djoko nem precisou forçar muito para superar Cristian Garin, que fez o melhor que pôde num piso que lhe é claramente estranho. Com 28 winners, sendo 9 aces, o número até errou um pouco mais do que o normal (23). Chega às quartas de um Grand Slam pela 50ª vez, sendo 12 delas em Wimbledon, onde não perde há 18 jogos. Aliás, são agora 24 vitórias nas últimas 25 de Slam.

Eu esperava que ele agora enfrentasse Andrey Rublev, mas o húngaro Marton Fucsovics mostrou físico e cabeça notáveis para virar depois dos 2 sets a 1, atropelando nas duas séries decisivas mesmo com apenas 40% de primeiro saque em quadra no set final. Derrotado por Nole nos dois duelos que já fizeram, tendo tirado um set no US Open de 2018, o 48º do ranking de 29 anos terá de contar com um dia excepcional na quarta-feira.

A outra vaga no lado superior da chave estará entre Karen Khachanov e Denis Shapovalov, que viveram jogos radicalmente diferentes nas oitavas. Enquanto o russo batalhou quase 4 horas para tirar Sebastian Kordan, num quinto set de 18 games e 13 quebras de serviço, o canhoto canadense passou por cima do experiente Roberto Bautista, numa atuação admirável, em que mesclou paciência e agressividade, como já fizera contra Andy Murray. O vencedor fará sua primeira semi de Slam. O canadense ganhou o único duelo entre eles e confesso nunca tê-lo visto tão maduro numa sequência de vitórias.

Federer ainda melhor
Pela primeira vez desde janeiro de 2020, Federer ganhou quatro jogos seguidos. Foi um tenista muito diferente da tenebrosa estreia, ainda que seu primeiro set contra Lorenzo Sonego tenha sido preso e nervoso. O suíço demorou para explorar o backhand adversário e se atrapalhou em dois games de serviço, mas daí em diante se soltou e os erros despencaram (4 no segundo set e 5 no último). Fez lances muito bonitos, mexeu-se incrivelmente bem e manteve postura ofensiva, com 46 subidas à rede.

Atinge 58 quartas de final em Slam e agora tem ao menos 12 em cada um, sendo 18 em Wimbledon. Aos 39 anos e 337 dias, é agora o mais velho profissional a ir tão longe no torneio. E ainda deu sorte, ao ver que Daniil Medvedev e Hubert Hurkacz terão de voltar à quadra na terça-feira para completar o jogo. Pode ser rápido, se o russo ganhar mais três games e liquidar o quarto set, mas o polonês está firme e vai querer esticar.

O quarto semifinalista sairá de um duelo de amigos: Matteo Berrettini contra Felix Auger-Aliassime. O italiano continua muito firme, mal tomou conhecimento de Ilya Ivashka e conhece muito bem o garoto canadense, com quem já treinou muitas vezes. Aliassime deu uma das grandes surpresas do dia, ao barrar Alexander Zverev no quinto set.

O alemão viveu intensos altos e baixos, cometeu 20 duplas faltas mas ainda assim o jogo foi duro até o finalzinho. Aliassime ganhou os dois primeiros sets em que saiu atrás em ambos, depois viu Zverev crescer muito no saque. Nunca se assustou e continuou buscando os pontos. Fez 54 winners, sendo 17 aces, mas também errou 51 vezes. Gostei muito da postura ofensiva, tendo vencido 31 dos 40 lances junto à rede. Está pela primeira vez nas quartas de um Slam e com um pé no top 15, tudo aos 20 anos. Muito bom.

Demorou, mas aconteceu e o tênis canadense terá dois representantes nas quartas de um mesmo Slam pela primeira vez em sua história.

Virada de Jabeur e show de Kerber
A rodada foi intensa também para as meninas e, apesar de as duas favoritas avançarem, haverá duas não pré-classificadas nas quartas. Ashleigh Barty saiu atrás de Barbora Krejicikova e precisou lutar o tempo todo para evitar um terceiro set, num jogo de alta qualidade técnica e muito empenho. Aryna Sabalenka venceu o duelo de bolas forçadas contra Elena Rybakina, onde cada uma fez 10 aces.

Se Barty será ampla favorita já nesta terça-feira diante da compatriota Ajla Tomlljanovic, que nem precisou terminar o jogo contra a jovem britânica Emma Raducanu, Sabalenka precisará da máxima atenção para encarar a embalada Ons Jabeur. A tunisiana anotou virada espetacular em cima de Iga Swiatek, com duplo 6/1 nos sets finais, à base de um tênis muito criativo e variado e sempre com muita perna. Cada uma venceu uma vez nos duelos. Deve ser o grande jogo do dia.

Aos 33 anos, Angelique Kerber parece de novo em ótima forma física e foi muito inteligente contra Coco Gauff, usando slices matreiros para segurar as bolas ofensivas da adolescente americana de tanto potencial. O sonho do bi agora passa pela tcheca Karolina Muchova, que repete as quartas de 2019 e gosta de comandar pontos. A alemã ganhou os dois confrontos de 2019.

Por fim, Karolina Pliskova não deu bola para a atrevida Liudmila Samsonova, que vinha de ótima série de vitórias, e terá pela frente mais uma novidade da chave feminina, a suíça Viktorija Golubic, de 28 anos e currículo pouco expressivo em Slam. Ainda assim, fez um jogo muito firme, onde o backhand se destaca, e tirou Madison Keys com apenas 9 erros não forçados nos 22 games disputados.

Desafio para Melo
Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot também continuam na luta pelo segundo título em Wimbledon. Não precisaram entrar em quadra por conta da contusão de um dos adversários, mas nesta terça-feira terão de encarar a melhor dupla da temporada, os croatas Mate Pavic e Nikola Mektic, que já venceram 7 torneios em 9 finais mas ainda sonham com um Slam. O ótimo confronto está previsto para as 12h de Brasília.

Nadal tira dúvidas
Por José Nilton Dalcim
15 de fevereiro de 2021 às 11:21

Com uma atuação empolgante, em que o saque funcionou e os golpes de base estiveram sempre muito agressivos, Rafael Nadal se colocou novamente na condição de fortíssimo candidato a mais uma final do Australian Open ao dominar Fabio Fognini na madrugada.

Aliviado, o espanhol afirmou pouco depois que a infiltração feita nas costas deu o resultado esperado e ele se sentiu bem mais à vontade, conseguindo enfim treinar com mais empenho. E isso se viu em quadra, onde tomou postura ofensiva o tempo todo e raramente deixou o sempre perigoso italiano à vontade.

É bem verdade que Fognini decepcionou pelas oportunidades perdidas no segundo set. Abriu 4/2 com saque, mas aí fez um festival de escolhas mal feitas. Além de perder dois serviços seguidos em que foi extremamente ansioso, ainda desperdiçou um 0-40. Aí não houve ânimo que sobrevivesse diante de um Rafa cada vez mais confiante.

A reação no início da segunda semana era tudo que o número 2 do mundo precisava. Por isso, entra com favoritismo natural para encarar a juventude e versatilidade de Stefanos Tsitsipas. O grego nem precisou ir à quadra devido ao estiramento abdominal de Matteo Berrettini, como era esperado. Nadal possui histórico amplamente positivo, de 6 a 1, todas vitórias na quadra dura. E revelou que prefere até jogar de tarde para aproveitar melhor a velocidade do piso. Segurem o Touro.

Duelo russo confirmado
Com roteiros um tanto diferentes, Daniil Medvedev e Andrey Rublev farão o aguardado duelo russo entre amigos. Enquanto Medvedev mesclou ataques e defesas oportunas diante de um empenhado Mackenzie McDonald, seu compatriota chegou a estar 3/5 atrás de Casper Ruud no segundo set antes de reagir e fazer 2 sets a 0. Aí o norueguês desistiu também com contusão abdominal.

Medvedev e Rublev ganharam a ATP Cup e estão invictos na temporada, mas o Urso ganhou todos os quatro duelos oficiais entre eles sem jamais perder set, todas na quadra sintética. Assim, é o candidato natural à semi, meta que Rublev ainda almeja num Slam. Para ratificar a condição de jogador que mais evoluiu nos últimos tempos, Rublev faz quartas pelo terceiro Slam seguido e tem uma outra passagem no US Open de 2017.

Já Medvedev marca sua maior campanha fora de Flushing Meadows, onde foi vice em 2019 e semi no ano passado. E tem uma super motivação a mais: vitória sobre Rublev o levará a assumir pela primeira vez o 3º posto do ranking, rebaixando Dominic Thiem.

Barty continua sonho australiano
Apesar da longa parada e da lesão na coxa esquerda, Ashleigh Barty continua a jogar muito bem e repete as quartas do Slam caseiro dos três últimos anos.

Passou sem sustos por Shelby Rogers, segue sem perder set e encara a tcheca Karolina Muchova, 27ª do ranking, que fez uma bela e dura partida contra  a belga Elise Mertens. A australiana venceu o único duelo anterior contra Muchova, mas ainda não poderá contar com a torcida, que continua afastada pelo menos até as semifinais de quinta-feira.

A outra vaga nas quartas será norte-americana, já que Jennifer Brady, 24ª do ranking, e Jessica Pegula, apenas 61ª, aproveitaram realmente o piso sintético mais veloz e tiraram Donna Vekic e Elina Svitolina, em dois jogos muito bem disputados.

Começam as quartas
Vale perder o sono na primeira parte das quartas de final de simples do Australian Open. Naomi Osaka joga às 22h30 com largo favoritismo sobre Su-Wei Hsieh. A japonesa nunca perdeu quartas, semi ou final de Slam nas três vezes que chegou lá.

No começo da madrugada, Grigor Dimitrov tenta espantar a ‘zebra’ Aslam Karatsev e repetir semi de 2017, além de saltar para o 11º lugar do ranking. O abusado russo vai exigir todo seu poder defensivo e o slice deve ser arma essencial para o búlgaro.

Simona Halep e Serena Williams entram às 5h para um jogo interessantíssimo, o primeiro que fazem desde que a romena atropelou Serena na final de Wimbledon de 2019. A norte-americana leva 9 a 2 no geral e terá de ser eficiente no seu estilo ofensivo já que Halep é excepcional nos contragolpes.

Em seguida, Novak Djokovic tenta mostrar que está totalmente recuperado diante de Alexander Zverev, a quem enfrentou três semanas atrás na mesma Rod Laver e ganhou com grande dificuldade. Mais do que nunca, o alemão terá de sacar bem e deve arriscar subidas à rede para não ficar só nas trocas. O sérvio tem 5 a 2 no histórico e deve experimentar as deixadinhas com maior frequência.

E mais
– Não foi fácil, mas Soares e Murray conseguiram virar em cima de Bolelli e González e avançaram para as quartas, onde serão favoritos diante de Arevalo e Middlekoop. Faltou entrosamento para Melo e Tecau. O mineiro devolveu muito bem, mas não foi o bastante para superar Dodig/Polasek.
– Apesar do único título em 2009, o Australian Open é o segundo Slam em que Rafa tem mais quartas (13) e vitórias (69).
– Pela primeira vez na Era Aberta, existem três russos nas quartas de Melbourne. Em Slam, isso já havia acontecido no US Open-2006 e Paris-2007.
– O tênis australiano não vê títulos no seu Open desde Chris O´Neil em 1978 e Mark Edmondson, em 1976.
– Seis dos atuais top 10 estão nas quartas do Australian Open e assim nada muda por enquanto nessa faixa, ainda mais com o congelamento da defesa de pontos. Só Dimitrov ameaça tirar postos de Schwartzman e Berrettini.
– Barty está garantida na liderança quaisquer que sejam os resultados daqui em diante.